Microempresas e Artesanato
4.7 Memória Descritiva dos Questionários
O questionário direccionado aos artesãos foi dividido em 13 partes ou dimensões e cada parte é constituída por questões com determinados objectivos. A primeira parte refere-se aos dados biográficos dos artesãos e suas qualificações o que permitiu identificar os artesãos, as actividades artesanais a que se dedicam, a freguesia a que pertencem, as suas habilitações literárias, idade e sexo. A partir destes pretendeu-se obter dados para: verificar quais as actividades artesanais desenvolvidas no concelho onde o investigador colocou a hipótese 2 - As actividades artesanais desenvolvidas no concelho são na sua maioria
tradicionais e aquelas predominam são a pintura de cerâmica tradicional e os tapetes tipo Arraiolos; apurar se existem mais artesãos do sexo masculino ou feminino ou, se
apresentam valores equilibrados; quantificar a percentagem de artesãos existentes por freguesia; averiguar se os artesãos existentes possuem idade avançada ou não podendo contrariar a ideia de que quem se dedica à elaboração de artesanato são as pessoas mais idosas e identificar os estudos dos artesãos, e aqui o investigador teve como objectivo verificar a hipótese 1 - Predominam os artesãos com idade avançada e com poucos
A segunda parte refere-se à caracterização dos produtos na qual os artesãos descrevem os produtos elaborados, as matérias-primas usadas, os locais onde obtém os seus materiais de trabalho e quanto gastam por ano na compra das suas matérias-primas. Com estas questões pretendeu-se conhecer com maior detalhe o trabalho desenvolvido pelos artesãos. Foi importante identificar os locais (localidade, centros urbanos…) onde os artesãos encontram e adquirem os materiais necessários ao desenvolvimento das suas actividades artesanais. Estes dados permitem constatar se a aquisição se realiza perto ou não dos locais de produção e identificar quais são as actividades que requerem materiais de zonas mais distantes. A questão relativa aos gastos anuais em matérias-primas ajuda a compreender se fica dispendioso ou não a dedicação ao artesanato e, caso seja pode chegar-se à conclusão que esse é um dos factores que leva ao abandono da prática das artes e ofícios tradicionais.
A terceira parte é direccionada às condições de trabalho. Foi questionado o que levou aos artesãos a enveredarem pelas suas artes, se foi por tradição familiar, por tradição local, por necessidade, se foi o ofício que aprenderam ou se foi simplesmente pela descoberta da vocação de cada um. Aqui o investigador testou a hipótese 3 - Os artesãos individuais enveredaram pelas actividades artesanais devido à influência de familiares, continuando a tradição familiar, e porque foram os ofícios que aprenderam. A
aprendizagem foi questionada pretendendo saber-se quais as formas de aprendizagem recorridas (auto-formação, formação com um mestre, formação profissional, curso ou outra forma de aprendizagem) e verificar a hipótese 4 - As formas de aprendizagem frequentes entre os artesãos são a auto-formação e a formação com um mestre. A questão da
aprendizagem permite conhecer como foi conseguida a aprendizagem, isto é, se por meios tradicionais (no seio da família) ou por meios mais modernos e adequados às exigências dos nossos dias. Pretendeu-se também averiguar se os artesãos tiveram ou não a necessidade, no início das suas actividades artesanais, de frequentarem cursos de formação profissional e desta forma foi testada a hipótese 5 - A frequência de cursos de formação profissional no início da actividade (para aprenderem a arte, afinarem a arte, certificarem os produtos, obterem conhecimentos para melhorarem a qualidade e imagem dos produtos, para escoarem os produtos e para organizarem a actividade
como uma empresa) foi praticamente nula. Os artesãos como possuidores de
preocupando-se com o próprio futuro do artesanato que desenvolvem. Foi então colocada a
hipótese 6 - Os artesãos sentem interesse e possuem capacidade para transmitirem as
suas técnicas e saberes. A oportunidade de dar formação profissional seria um gosto para
os artesãos. Os locais de eleição para transmitirem os seus conhecimentos seriam no local de trabalho e nas escolas profissionais. Desta forma, foi questionado se gostariam de formar/ensinar futuros artesãos e onde (no local de produção, nas escolas profissionais, ou noutros locais). A questão da identificação do local de produção permitiu saber se os artesãos realizam os seus trabalhos em casa, se têm uma oficina fora de casa, ou não, e se sentem necessidade de melhorar as suas condições de trabalho. A continuação das artes e ofícios tradicionais é uma preocupação quer dos artesãos quer daqueles que trabalham para e com o artesanato e desta forma pretendeu-se verificar se os inquiridos têm ou não alguém que trabalha com eles, como familiares, colaboradores ou aprendizes. Se não tiverem ninguém a trabalhar com eles fica iminente o perigo de perda do artesanato por eles desenvolvido.
A quarta parte é composta por três questões que tiveram como objectivo apurar os conhecimentos dos inquiridos relacionados com o artesanato. Estas questões permitiram constatar: quais as entidades ligadas ao artesanato conhecidas pelos artesãos; o conhecimento da existência da Carta de Artesão e da Carta de Unidade Produtiva Artesanal; a pertença ou candidatura à Associação de Artesãos do Norte. Estas questões permitiram averiguar se os inquiridos estão a par das novidades e das entidades e/ou instituições que estão relacionadas com o sector. Permitiu também constatar se a informação das diversas entidades/instituições chega aos artesãos inquiridos. Correspondendo a esta parte foi colocada a hipótese 7 - Geralmente os artesãos
individuais possuem poucos conhecimentos relacionados com o sector, como por exemplo, as organizações existentes, que trabalham para e com o artesanato, e as novidades do sector. Quando se verifica que os artesãos possuem poucos conhecimentos
isso significa que se encontram um pouco afastados do universo do sector do artesanato.
A quinta parte diz respeito aos clientes. Antigamente os clientes dos artesãos recorriam à própria comunidade, onde encontravam produtos artesanais que estavam virados para a sua função utilitária, para o desenvolvimento das actividades económicas e para o dia-a-dia,
como por exemplo, para a conserva e transporte dos alimentos. Agora os produtos artesanais aliados à sua função utilitária têm a função decorativa ou simplesmente estão virados para esta última função. Aqui são detectados os tipos de clientes (residentes, visitantes, turistas nacionais e/ou estrangeiros) que os artesãos do concelho de V.N. de Gaia conseguem atrair e manter e a necessidade de modificar os seus trabalhos de acordo com a procura (se costumam ter isso em conta ou não) que de outra forma não conseguiriam viver ou obter alguma ajuda monetária com o artesanato. A obtenção destes dados permitiu ir ao encontro ou não das seguintes hipóteses: hipótese 8 - Os artesãos
mantêm os familiares e amigos e os residentes como os seus únicos clientes não conseguindo estabelecer relações comerciais com outros tipos de clientes; hipótese 9 - A preocupação em satisfazer os clientes e potenciais clientes é frequente nos artesãos tendo também a preocupação de não fugirem às características do artesanato originalmente elaborado.
A sexta parte teve como objectivo identificar: os locais onde os artesãos costumam realizar as suas mostras e exposições; a sua participação em feiras de artesanato (participando em feiras de artesanato os artesãos demonstram a sua dedicação às actividades artesanais desenvolvidas, a possibilidade monetária para tal e o conhecimento dos benefícios inerentes à participação nestes eventos); e em caso negativo, as razões para a não participação em feiras de artesanato. Nesta parte foi possível testar as seguintes hipóteses: hipótese 10 - A participação em feiras de artesanato ainda é um passo longínquo a
tomar para os artesãos do concelho em estudo; hipótese 11 - Os locais de eleição pelos artesãos para a exposição e mostra dos seus trabalhos artesanais limitam-se às colectividades das freguesias onde residem.
Na sétima parte tentou-se averiguar se os artesãos conseguem estabelecer relações comerciais ou se simplesmente se limitam a vender directamente no local de produção e/ou nas mostras e exposições de artesanato. Geralmente os artesãos individuais elaboram os seus produtos artesanais para oferecer a familiares e amigos e para venderem aos residentes dos locais onde moram. Como os tempos foram mudando pretendeu-se saber se os artesãos já se preocupam em estabelecer relações comerciais fora do seu local de produção e do seu local de residência e, indo ao encontro da sexta parte, se costumam
vender nas exposições e feiras de artesanato e se vendem os seus produtos através de intermediários para estabelecimentos comerciais.
A oitava parte pretendeu esclarecer como os inquiridos apostam na sua divulgação e promoção, como por exemplo, participando em exposições, feiras de artesanato, recorrendo à Internet e/ou a outros meios de divulgação. O investigador, quando elaborou o questionário destinado aos artesãos individuais, tinha a ideia de que estes não se interessavam pela divulgação e promoção do seu artesanato já que se tratam de pessoas simples, fechadas no seu meio, e o que se pretendeu foi identificar se realmente existe a preocupação com a divulgação e promoção das actividades artesanais desenvolvidas e quais os meios de divulgação utilizados ou recorridos pelos inquiridos. Outro interesse nesta parte foi descobrir se os artesãos começam a interessar-se pelas tecnologias de comunicação e informação para divulgarem o seu trabalho.
Na nona parte foi pretendido conhecer o interesse dos inquiridos no investimento, mais concretamente, em alterações nos produtos existentes (o que pode passar pela aquisição de novas matérias-primas, novas formas, tamanhos ou pelo melhoramento da qualidade dos produtos), nas condições de trabalho e no processo produtivo (no espaço e/ou nos instrumentos de trabalho). O investigador tinha a ideia pré-concebida de que os artesãos não se preocupam ou não pensam em investir, devido a possivelmente não reunirem condições monetárias para a compra de novas ou melhores matérias-primas, novos instrumentos, que de alguma forma ajudam a elaborar os trabalhos artesanais sem alterarem as suas características e tipicidade, e para a melhoria das condições dos locais de trabalho. Nesta parte do questionário pretendeu-se verificar as condições de trabalho dos inquiridos, que correspondem essencialmente ao espaço onde os artesãos se dedicam ao artesanato, averiguando se realmente existe a necessidade de investir. Este ponto vai ao encontro da terceira parte, a qual se refere ao tipo de espaço que os artesãos têm para trabalhar, isto é, se têm uma oficina, um atelier ou se trabalham em espaços que não reúnem as mínimas condições para a elaboração dos seus trabalhos.
A décima parte teve como propósito identificar os critérios que os artesãos julgam ser essenciais para o bom funcionamento das suas actividades e os problemas/dificuldades que
de alguma forma afectam a obtenção do sucesso pretendido para as mesmas. A partir destes dados foi possível averiguar a preocupação dos inquiridos com certos aspectos como a qualidade do artesanato, o atendimento ao cliente, a necessidade de redes de distribuição de divulgação e comercialização, a associação a outras artes e designers, a certificação, entre outros. Esta parte do questionário teve como propósito testar a hipótese 12 - Os
artesãos mencionam a recuperação e preservação da tradição e da identidade local e a aproximação a locais onde se desenrolam actividades sociais relacionadas com a localidade como os critérios essenciais para o bom funcionamento das suas actividades; e a hipótese 13 - Os principais problemas ou dificuldades sentidas pelos artesãos estão relacionados com a concorrência do comércio urbano/externo, com as mudanças do mercado, dos padrões de consumo e também devido à falta de aprendizes, de quem queira aprender para continuarem as suas actividades artesanais.
A décima primeira parte teve como meta conhecer os rendimentos dos artesãos, mais propriamente, os seus volumes de venda, de 2003 (com os seus respectivos valores é possível verificar se os artesãos conseguem ou não viver das suas actividades artesanais), a sua dedicação em termos de tempo (o dia inteiro, só aos fins-de-semana, algumas horas por dia, nos tempos livres), os valores das suas peças, que darão uma ideia dos preços praticados e se são acessíveis ao público em geral, e apurar se vivem só do artesanato ou se tem outras actividades profissionais. Com os dados recolhidos foi possível testar as seguintes hipóteses: hipótese 14 - Os artesãos não vivem do artesanato, desempenham e
dedicam-se a outras profissões, sendo as actividades artesanais uma ajuda monetária aos seus rendimentos mensais; hipótese 15 - Os volumes de vendas anuais dos artesãos são muito reduzidos não dando para viver só do artesanato.
Na décima segunda parte foi testada a hipótese 16 - O sistema de comercialização mais
utilizado é a venda directa no local de produção e nenhum dos artesãos consegue exportar os seus produtos nem vender a estabelecimentos fora do concelho. Pretendeu-
se obter dados para averiguar se os artesãos têm conseguido reunir as condições necessárias para exportarem os seus produtos e para venderem a estabelecimentos dentro e/ou fora do concelho e também para se estabelecerem. De um modo geral, pretendeu-se
saber quais os sistemas de comercialização mais utilizados pelos inquiridos e se estes recorrem só à comercialização directa ou se também estabelecem relações comerciais através da comercialização indirecta.
Com a décima terceira parte pretendeu-se conhecer as motivações e expectativas dos inquiridos relativamente ao artesanato desenvolvido, isto é, quais os objectivos ou razões para continuarem a desenvolver as suas actividades artesanais, como por exemplo, para preservar tradições ou para passar o tempo de forma criativa ou até como forma de ajuda monetária (as razões são dadas pelos inquiridos). Pretendeu-se também verificar como se tem processado o escoamento dos produtos artesanais, ou seja, se os artesãos têm sentido dificuldade ou facilidade em vender os produtos que produzem e averiguar como estes
vêem o futuro das suas actividades artesanais, com pessimismo ou optimismo. O
investigador colocou as seguintes hipóteses: hipótese 17 - Viver do artesanato é uma
opção difícil de tomar e isso é verificado pela dificuldade em escoar os produtos artesanais; hipótese 18 - A perspectiva do futuro, por parte dos artesãos, em relação às suas actividades artesanais é pessimista.
O questionário direccionado às unidades produtivas artesanais foi estruturado em 13 partes, como o dos artesãos individuais. A primeira parte permitiu conhecer o nome das empresas, as freguesias a que pertencem e as actividades artesanais desenvolvidas, onde foi testada a hipótese 1 - Predominam unidades produtivas artesanais dedicadas à cerâmica
tradicional e à tapeçaria tipo Arraiolos. O concelho de V. N. de Gaia tem a sua história ligada à cerâmica tradicional e neste ponto pretendeu-se verificar se continua a ser assim ou não. De igual modo, pretendeu-se conhecer a realidade da tapeçaria tipo Arraiolos, neste concelho, que até há pouco tempo era muito desenvolvida quer por artesãos individuais quer por unidades produtivas artesanais. O objectivo é identificar as actividades artesanais mais praticadas no concelho. Nesta parte foi possível conhecer as freguesias onde se encontram estas empresas, identificar em quais se encontram o maior número das mesmas, e passar para a segunda parte referente à caracterização das empresas. Nesta parte a intenção foi obter dados relativos à natureza jurídica das empresas, de modo a entender como se constituem estas empresas, verificando se por norma se constituem no seio da família ou não; apurar se recorreram ou não a programas ou incentivos para a realização
das actividades; identificar a situação profissional dos seus empregados relativamente à função desempenhada nas empresas (artesãos, artistas, aprendizes…); verificar se são familiares e se são remunerados, podendo ser ajudantes/familiares que simplesmente despendem algum tempo na elaboração de artesanato sem receberem remuneração em troca; e identificar os meios de recrutamento de pessoal utilizados pelas unidades produtivas artesanais inquiridas com o propósito de verificar se estas recorrem a outros meios de recrutamento ou se continuam a recorrer aos familiares e amigos. As hipóteses colocadas foram as seguintes: hipótese 2 - As unidades produtivas artesanais existentes
no concelho foram constituídas no seio da família, isto é, predominam as sociedades familiares; hipótese 3 - As unidades produtivas artesanais são compostas por familiares e o número de empregados é reduzido; hipótese 4 - A classificação profissional, dos empregados das unidades produtivas artesanais, é de artesão;