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MERCADO DA MODA

No documento Mapas Conceituais (páginas 50-54)

Assim sendo, a estratégia de outsourcing em produto de moda possuem características próprias, devido ao mercado da moda ter suas peculiaridades como curtos ciclos de vida, alta volatilidade na demanda e baixo nível de previsibilidade (CHRISTOPHER et al., 2004), conforme discutido na seção seguinte.

necessária (particularmente em operações no exterior envolvendo aprovações de cotas, cartas de crédito, entre outros) e os lotes tradicionais “econômicos” de produção.

Por fim, o time-to-react está baseado no desafio das empresas em visualizar a demanda real dos produtos, sendo esta a informação instantânea do que os consumidores estão comprando. Porém, a maioria das cadeias de suprimentos é gerida por ordens de demanda, ou seja, em lote, e estes impulsionados por previsões e reposição de estoques. Deste modo, produtos individuais na cadeia não terão real visibilidade do mercado final, impactando negativamente no tempo de reação ao mercado das empresas.

Figura 8 - Time-to-market

Fonte: Adaptado de Christopher et al. (2004)

Entretanto, o desempenho final dos produtos de moda nos pontos de vendas também deve ser monitorado. Segundo Mattiola (1999), comumente os controles mais utilizados para avaliar o desempenho de produtos de moda no varejo são:

• Nível de serviço: o nível de serviço indica o percentual da variedade de produtos que está disponível na loja, em nível de stock keeping unit (SKU), sendo sua variação de um estilo para outro, na cor ou tamanho. Alguns tamanhos de uma cor podem ser vendidos rapidamente, enquanto outros estilos, cores e tamanhos são deixadas por vender. Deste modo, quanto mais precisas às previsões de demanda, maior será o nível de serviço;

• Vendas perdidas: vendas perdidas são oriundas da falta de estoque. Com precisão na previsão e um elevado nível de serviço, às vendas perdidas podem ser minimizadas.

Perda de vendas é uma medida que é útil no planejamento, porém impossível de se

calcular depois, devido ao comportamento do consumidor ser complexo. Ou seja, não conhece sem perguntar, qual cliente está apenas olhando os produtos nos pontos de vendas e aqueles que estejam procurando um produto específico. Os clientes podem também substituir os produtos escolhidos por outros, quando, por exemplo, uma cor acaba. No entanto, um procedimento relativamente simples para estimar as perdas de vendas pode ser exercitado. Em qualquer semana, se o planejado fosse que o estoque de SKU durasse uma semana inteira e o mesmo acabe em meia semana, supõe-se que se tenha perdido meia semana de vendas;

• Margem bruta: percentual de margem bruta é talvez o indicador mais utilizado para o controle de vendas no varejo do vestuário e nos negócios em geral. No entanto não é uma boa ferramenta de planejamento, quando, por exemplo, as decisões pelos fornecedores são realizadas. A margem bruta considera apenas o preço de venda e o preço de compra, porém não releva o efeito da não assertividade na previsão. Portanto este indicador não é recomendado para avaliar decisões de terceirização, por não considerar o investimento em estoque necessário para gerar a margem. A margem bruta de retorno no inventário combina a rentabilidade e o investimento em estoques, sendo mais eficaz.

• Percentual de vendas: este controle mede a porcentagem de produtos vendidos antes das liquidações geradas pela não venda;

• Giro do estoque: este é calculado dividindo-se as vendas anuais de estoque pela média anual. Ambos os valores são avaliados ao nível dos preços do varejo, sendo este indicador um controle de gestão de estoques. Quanto maior o giro no estoque mais eficiente foi o investimento de capital.

• Margem bruta de retorno sobre estoques: este indicador é o valor da margem bruta dividido pela média anual dos valores de estoques, combinando assim rentabilidade e gestão de ativos. Este pode ser interpretado como a quantia de dinheiro ganho por cada real investido em estoques. Porém este indicador não indica a relação entre a margem bruta e o valor de revenda do estoque, necessitando assim ser realizado um controle diferenciado.

Assim como os produtos de moda possuem características singulares, em comparação a outros produtos, a fabricação destes produtos “vestuário” também apresenta peculiaridades

únicas, especialmente em um mercado global. As principais características, segundo Jin (2004) apud Suh et al. (2002) são:

• Instabilidade do mercado: devido a fatores sazonais e de moda, a procura por produtos do vestuário pode flutuar, fazendo com que o varejista perca o período de venda;

• Numerosos SKU em uma temporada: o SKU é o nível mais detalhado da especificação do produto, sendo um código único que identifica um produto específico por cor, tecido, estilo e tamanho. Ao contrário de outros fabricantes, uma empresa de vestuário desenvolve numerosos SKUs em uma temporada, com uma média de 15.000 SKUs em sua coleção (ABERNATHY et al., 2000). A maioria dos fabricantes coordenam suas coleções para que os varejistas possam "misturar e combinar”. Esta combinação de diferentes tamanhos, cores, estilos, tecidos e linhas de preços proporciona ao varejo uma enorme gama de produtos diferentes, sendo essa muito relevante para maximizar as oportunidades de venda;

• Critérios subjetivos: a avaliação dos artigos de vestuário é extremamente subjetiva, pois dependem do gosto de uma pessoa, cultura e padrões estéticos, tornando-se difícil de estimar a demanda. Por isso o preço possui um papel com menor importância em produtos de vestuário, em comparação a produtos eletrônicos (LEIGH; GABEL, 1992). Isso leva, por exemplo, os consumidores a avaliarem e optarem por produtos com valores intangíveis, sendo estas através das marcas;

• Limitada automação e informatização: os produtos do vestuário são produzidos com materiais flexíveis (tecidos, sintéticos, couros, etc.) e pelo processo de corte e costura, torna-se complexo introduzir uma alta automação. A tecnologia de sistemas de CAD e CAM foram desenvolvidas e introduzidas a um nível mais sofisticado, porém ainda não são práticos e usuais para a maioria dos fabricantes de vestuário;

• Combinação de alta e baixa tecnologia: devido ao grande número de produtos com diferentes combinações (SKU), juntamente com as previsões de vendas, requer em um planejamento e coordenação entre as distantes unidades de produção e os pontos de vendas. Deste modo, a comunicação através de um sistema integrado é necessária para responder às mudanças de demandas do mercado em tempo hábil;

• Grande variedade de produtos de itens básicos para a moda: os artigos de vestuário podem ser classificados em três categorias: moda, produtos básicos e produtos fundamentais (ABERNATHY et al., 2000).

Ainda, dependendo das características do produto, alguns itens, como meias, podem ser tratados como uma mercadoria que permite volume padronizado de produção. Outros artigos, como ternos, prestam-se melhor para lotes pequenos, ao invés do alto volume de produção. Portanto, as economias de escala não podem ser aplicadas de forma genérica a itens de vestuário.

Em face à complexidade anteriormente apresentada, alternativas de gestão articuladas à estratégia de uma organização do vestuário necessitam ser estabelecidas, de modo a contemplar os indicadores e características apresentadas nesta seção. Assim, as empresas necessitam buscar formas de reduzir os riscos de um time-to-market e um time-to-serve equivocados. A partir desta análise, discuti-se no próximo capítulo abordagem em opções flexíveis de suprimento, sendo esta um elemento central aos objetivos da pesquisa.

No documento Mapas Conceituais (páginas 50-54)