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2.2 ÁGUA DE COCO

2.2.1 Mercado do coco e da água de coco no Brasil

O panorama da cultura do coco no Brasil, em meados de 1986 a 1991, era semelhante a do restante do mundo, ou seja, uma cultura de subsistência, dispersa nas mãos de pequenos produtores. O setor enfrentava vários problemas, como os baixos níveis de produção e produtividade, resultantes principalmente da idade elevada dos coqueiros e da pouca utilização de insumos. Também, a transferência de tecnologia era lenta e onerosa, típica de um setor produtivo de grande potencial, mas de baixo rendimento e pouco retorno (Bliska et al., 1995).

A produção brasileira neste período foi crescente e contínua, porém insuficiente para suprir a demanda interna de coco. Cerca de 80% da produção era comercializada na forma seca e 20% destinava-se ao consumo da água. Deste total produzido, apenas 5% era comercializado nas centrais de abastecimento, nas formas verde e seca com casca. Destacavam-se a CEASA (BA) e a CEAGESP (SP), na comercialização de coco verde, e a CEAGESP e a CEASA (RJ), na comercialização de coco seco (Bliska et al., 1995).

Com o aumento da demanda, pela indústria de alimentos, e insuficiência do mercado interno, em 1989 iniciou-se a importação de coco ralado integral, o que levou ao encerramento das exportações dos cocos com casca e sem casca, até então itens constantes na pauta das exportações brasileiras (Bliska et al., 1995).

Com a abertura do mercado brasileiro para a importação, em meados de 1990, ocorreu a perda do mercado de produtos de coco maduro, para os

produtores asiáticos e africanos, obrigando os pequenos produtores brasileiros, principalmente do Nordeste, a comercializarem o coco verde in natura nas regiões praianas e urbanas de outras regiões, para o aproveitamento da água de coco (Abreu, 1999a). Era previsto um crescimento do consumo de água de coco, mas não se acreditava que a demanda atingiria níveis elevados de consumo (Bliska et

al., 1995). Entretanto, por ser um produto altamente apreciado por grande parcela

da população, este mercado surgiu como promissor (Ranieri, 2000).

O levantamento da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostra que o Brasil importou mais do que exportou, cerca de 42,3 milhões contra 982 mil dólares, entre os anos de 1996 e 1999. Desde 1995, o país decidiu sobretaxar a importação de coco seco e ralado e estabeleceu, em 1998, barreiras sanitárias à entrada do produto, visando limitar as importações e evitar doenças. A sobretaxa atingiu o Sri Lanka, Indonésia, Malásia, Costa do Marfim e Filipinas (Ripardo, 2000).

Em 1998, o quadro do mercado de coco no Brasil já havia se alterado, o mercado do coco verde cresceu nos últimos anos com o aumento do consumo da água de coco, e com o crescimento das indústrias de acondicionamento, que disponibilizavam o produto vigorosamente no varejo, principalmente, para supermercados, restaurantes e lanchonetes. A água de coco concorre no mercado de refrigerantes e bebidas isotônicas, representando 1,4% desse consumo, que é estimado em cerca de 10 bilhões de litros/ano (FruitSéries 3, 1998).

O Brasil é o oitavo maior produtor mundial de coco, sendo a região Nordeste a maior produtora, seguida das regiões Norte e Sudeste, onde os estados de Minas Gerais e São Paulo estão substituindo algumas plantações de café e laranja por coqueiros, o que aumenta a oferta de água de coco no mercado, podendo o excedente seguir para exportação (FIBGE, 1997; Ranieri, 2000; Oliveira, 2000).

O Brasil produz, por ano, 500 milhões de litros de água de coco e cerca de 7% desse total são destinados à exportação. Outros países da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, são compradores da água de coco brasileira. Agora os Estados Unidos e alguns países da Europa também estão conhecendo o produto. A Embrapa aposta que o consumo da água de coco no exterior pode representar grande fonte de divisas para o país, ressaltando que o maior problema enfrentado pelas empresas que exportam água de coco para a Europa é a conservação do produto até chegar ao seu destino. Normalmente, resíduos da casca da fruta deixam a água rosada depois de alguns dias (Agência Brasil, 2004).

No Brasil, o coco verde representa garantia de emprego e geração de renda para os produtores. É a segunda maior atividade produtiva do Nordeste, depois da cana de açúcar, e emprega cerca de 400 mil pessoas entre plantio, colheita e distribuição do produto. Para o nordestino, o coco é básico, desde a sua cultura, agricultura e hábito alimentar, e a exportação representa uma alternativa de mercado para o agricultor (Agência Brasil, 2004).

O coco é a terceira fruta mais cultivada no país, depois da laranja e da banana. Mas o consumo per capita de água de coco ainda é muito pequeno. O volume médio anual consumido pelo brasileiro (130ml) se iguala ao do uísque, segundo pesquisa divulgada pela Amacoco, maior produtora nacional do produto em caixinha. A caixinha de 200mL, que chega a ser mais cara do que uma latinha de 350mL de refrigerante, é um dos motivos para o baixo consumo. Segundo a direção comercial da Amacoco, não se compara o custo de produção do refrigerante com o da água de coco, pois existem as dependências quanto ao clima, nível de chuvas e da colheita. Portanto, uma agroindústria tem dificuldades de reduzir seus custos. A unidade do coco in natura custa, no varejo, de 1,5 a 2 reais (Ripardo, 2004).

A região Sudeste é o principal mercado consumidor de coco verde do Brasil. Só no Estado do Rio de Janeiro, podemos encontrar na orla marítima cerca

de 250 quiosques, que chegam a vender cerca de 100.000 cocos por semana durante o verão. Sem levar em conta o consumo em restaurantes, hotéis, academias, bares, lanchonetes e feiras livres, e a crescente indústria de carrocinhas e empresas engarrafadoras de água de coco para o consumo doméstico (Cenpa, 2004).

Atualmente, o consumo de água de coco verde ocorre principalmente nos meses mais quentes do ano nas regiões Sul e Sudeste. Este segmento do mercado está em franca ascensão, com uma faixa de consumo de 3,6 milhões de litros/ano, o que justifica o desenvolvimento tecnológico em engenharia e controle de processos (Datamark, 2002).