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2019, Uberlândia

Todo final de semana de campeonatos é igual: pouco antes das 18 horas de sexta-feira – 17 de maio, desta vez – entro no clube, vejo rostos conhecidos, as quadras de peteca e o sorriso toma conta.

Fazer parte de um campeonato é maravilhoso, me possibilita aquela sensação de pertencimento, mas é também cansativo: inscrições, informações em Instagram, Facebook e Whatsapp, comunicação boca a boca, sorteio de chaves, divulgação e distribuição de camisetas, escrita de discursos, fotos… preparação. E agora os três dias agitados de realização.

O campeonato da vez é a Liga Triangulina de Peteca, do qual faço parte como assessora de comunicação. Essa é a 2ª etapa de 2019 e acontece aqui no Praia Clube. Chego, cumprimento alguns conhecidos e me dirijo à mesa da organização em cima do palco. Lá encontro meu primo Leonardo Assis, o criador e presidente da Liga Triangulina.

Leo, como é conhecido, joga peteca desde criança e fez do esporte sua profissão. O menino que matava aula, pulava muros e viajava escondido, formou-se em Educação Física, tornou-se professor no Praia e montou uma Clínica de Peteca itinerante que ensina iniciação e alto rendimento. Juntou a profissão ao amor à

peteca. Mas ainda assim não estava satisfeito, queria mais: resgatar a importância e fortalecer a prática do esporte na nossa região.

Meu primo Leo cresceu em meio ao auge da peteca em 1990 e viu os grandes nomes – assim como ele mesmo – do Triângulo Mineiro fazerem história em quadra. Viu também o esporte perder a força e a grandiosidade que tinha na década de 2000. Com tudo isso em mente e como um profissional da área, não pôde ficar parado.

Criou então a Liga Triangulina em 2016, inicialmente com três33 etapas por ano em cidades distintas. O principal diferencial? Era aberta, sem as amarras do jogador ser filiado a um clube ou à Federação, é preciso simplesmente gostar de jogar peteca e fazer sua inscrição. A peteca em massificação, sem olhar idade, gênero, profissionalismo, localidade. Uma volta, ainda que pequena, às origens.

Além das competições, Leozinho busca sempre, durante as etapas, homenagear petequeiros regionais que deram tudo de si na peteca. Um reconhecimento aos que fizeram história.

33 Em 2019, a Liga Triangulina ampliou para cinco etapas por ano; em 2020, seriam seis etapas, porém a agenda foi suspensa devido à pandemia de Coronavírus (COVID 19) e as recomendações das Organizações de Saúde.

E o projeto tem dado certo, a Liga Triangulina tem crescido. Nesta etapa, batemos o recorde de inscritos em competições abertas do Circuito Peteca Esporte Clube (PEC) Brasil, vamos receber nestes três intensos dias 269 petequeiros, entre mulheres, homens, crianças, jovens, adultos e masters. Os rumores são de que teremos a maior competição de peteca dos últimos 15 anos... Quanta responsabilidade!

Isso me faz lembrar das antigas competições, quando eu olhava para essa mesa com admiração por quem fazia tudo acontecer, sem nem imaginar o tamanho do trabalho que tinham. Para a pequena Amanda, não passava de uma brincadeira correr para cá e para lá uniformizada tentando “ajudá-los”. Na verdade, o que eles faziam era distrair a mascotinha da família Silva, que não parava de ir à mesa querendo saber de tudo e procurar brindes. Voltava para o lado da minha vó falando sobre quem tinha ganhado o jogo que não tínhamos visto ou sobre que horas seria aquele em que gritaríamos loucamente, além de estar com as mãozinhas cheia de Gatorade, camisetas, bonés e canetas… qualquer coisa de peteca já me deixava feliz.

Hoje, sentada à mesa, sou eu quem dá informações e confiro se tudo está bem. Gosto da sensação de uma mulher sentada nessa posição de poder no meio esportivo. Mas eu tive em quem me

inspirar: Evelin Siqueira Martins, ex-atleta e ex-coordenadora de peteca do Praia, uma das quais eu estava sempre pentelhando.

“Na minha opinião, o trabalho que o Leozinho faz é um trabalho que ele não está deixando morrer… Quem começou com esse pequeno trabalho foi a Evelin, lá nos primórdios dos anos 90, ela fazia esse tipo de trabalho. Graças a Deus o Praia ainda tem esse projeto e não deixa morrer”, opina o atleta Ricardo Madruga. Se a peteca do Praia tem hoje essa estrutura do Ginásio Adalberto Testa (G1), com seis quadras cobertas, é em parte mérito dela. Se uma das maiores competições de peteca, a Copa Itaú, deixou Belo Horizonte, o então palco principal do esporte, para se concentrar em Uberlândia com tanto sucesso, também é mérito dela. Se o Praia se tornou um celeiro da peteca, também é mérito dela.

1994, Uberlândia

Evelin conheceu a peteca em 1988, vendo, no intervalo entre uma aula e outra, seus professores jogarem no campus da Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Começou a jogar ainda nesse ano, após ser desafiada nas quadras praianas, mas foi somente seis anos depois que assumiu a coordenação do esporte. “Eu entrei no Praia mais ou menos em 1994 e a peteca foi uma das modalidades que eu fiquei. Aí eu comecei, além de jogar, a organizar os campeonatos e fizemos toda uma mudança: dois campeonatos [internos] por ano; começamos a entrar na regra de dividir por faixa etária; criar o feminino, porque até então não existia o feminino, o feminino tinha que enfrentar o masculino”.

A partir dessas mudanças, “a gente foi criando dentro do Praia uma família petequeira, porque foi vindo a mãe que levava depois o filho, a moça que levava o namorado e foi virando uma família. E dessa família, o que aconteceu? Nós realmente fomos ganhando espaço dentro do Praia, ganhando alguns títulos. O [Lázaro Soares] Gatola34, por ser um amante do esporte e da

34 Lázaro Soares, conhecido como Gatola, era dirigente do Praia Clube na década de 1990 e começo dos anos 2000. Além disso, foi um dos criadores e o primeiro presidente da CBP.

peteca, ele foi conseguindo alguns espaços na diretoria para a gente viajar, verbas para irmos para outros estados jogar, fazer intercâmbios em Belo Horizonte porque o pessoal lá era muito melhor do que a gente. Eu mesma fui umas três vezes em Belo Horizonte para sentir como elas jogavam, como que era o estilo delas, por curiosidade. E nós fomos trazendo isso para dentro do Praia, para dentro do nosso interior. Porque Belo Horizonte não considerava Uberlândia, não considerava Uberaba, eles achavam que a gente era lixo, eles não admitiam de forma alguma perder para gente”.

1983, Belo Horizonte

A considerada “soberba” BH talvez se deva ao fato de serem os pioneiros no esporte. A Federação Mineira de Peteca (FEMPE), a primeira Federação do esporte, foi criada lá, em 14 de junho de 1975. Foi também na capital que aconteceram o 1º Campeonato Mineiro Adulto – em junho de 1987, com 125 atletas distribuídos em 42 equipes e representando 10 clubes – e o 1º Campeonato Brasileiro de Peteca – em agosto de 1987 no Pampulha Iate Clube, com a participação das seleções de Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal, e 136 atletas divididos em oito categorias.

Belo Horizonte já possuía grandes torneios desde 1980, com variações nos regulamentos de acordo com cada competição e seu organizador. Em 1981 e 1983 foram realizadas duas competições no Campo do Lazer35 que despertaram o interesse da Panda Promoções e Eventos, uma empresa de organização de eventos

35 Inicialmente tratava-se do Estádio Presidente Antônio Carlos, localizado no bairro Lourdes, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O espaço, porém, foi desapropriado e em 1980 tornou-se um local para lazer comunitário sob os cuidados da Secretaria Municipal de Esportes (SMES). Chamado Campo do Lazer, o espaço possuía quadras de peteca e foi muito importante para o início da peteca enquanto esporte, sendo sede de campeonatos importantes na década de 1980 e início de 1990. O Campo do Lazer não existe mais, em seu endereço encontra-se atualmente o shopping Diamond Mall (SANTOS, 2011).

dos irmãos Zech Coelho, que viram potencial de marketing por meio do esporte devido à participação do público e ao sucesso dos torneios de peteca. “A empresa administrava o evento e fazia o trabalho de promoção e divulgação contando com a estrutura física do Campo do Lazer. A realização técnica era feita pelos funcionários da SMES [Secretaria Municipal de Esportes de Belo Horizonte], coordenada por Coutinho”, conta o petequeiro Renato Santos na página 58 da sua dissertação de mestrado36.

A Panda Promoções e eventos montou um projeto de torneio e procurou o Estado de Minas e o Banco Itaú para serem parceiros. O Banco Itaú “queria exatamente ‘emineirar’ a marca dele. Dar uma cara mineira na marca que era muito paulista. Com isso acho que foi atingido o objetivo porque nada mais mineiro do que a peteca, não é?”, explica Carlos Rogério Zech Coelho,

36 SANTOS, Renato Machado dos. A peteca, o Campo do Lazer e a dinâmica urbana de Belo Horizonte (1980 – 1994). 2011. 164 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado em Lazer da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,

2011. Disponível em

http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUOS-8MEHGR. Acesso em 21 out. 2018.

diretor da Panda Promoções e Eventos, em entrevista concedida a Renato Santos37.

Surgiu então a competição destaque na década de 1980 e 1990: a Copa Itaú de Peteca. Mesmo tendo a sua primeira edição em 1983, o torneio se intitulava III Copa Itaú de Peteca, devido aos torneios realizados no Campo do Lazer em 1981 e 1982.

A Copa Itaú tinha o regulamento específico feito pela Federação Mineira de acordo com as regras e tinha como novidade a participação de três jogadores, sendo dois titulares e um reserva. Além disso, o torneio oferecia troféus e viagens às equipes campeãs.

A principal novidade, no entanto, era o patrocínio maciço e o destaque na mídia de uma modalidade mineira. O sucesso foi grande, com 1.114 equipes e página inteira no jornal, e a Copa Itaú continuou a crescer na capital mineira.

O atleta belo-horizontino Ricardo Pimenta, nossa lenda do esporte, conta que a peteca elevou de patamar e “mobilizava a cidade inteira. Tinha propaganda, as tabelas eram divulgadas pelo Jornal Estado de Minas, não era nem na Panda, não. Eles fixavam em alguns locais, mas era publicado no jornal. Então o pessoal

37 Entrevista concedida em 26 de junho de 2010 e retirada de SANTOS, 2011, p.58.

ficava na expectativa do jornal para ver a tabela, toda quarta ou quinta-feira quando a tabela saia. O pessoal comprava o Estado de Minas basicamente para ver a tabela”.

A Copa Itaú promovida pela Panda Produções se manteve de 1983 a 1993, quando teve sua última edição em BH38. Posteriormente mudou de patrocínio e de nome para Brahma em 1994, depois para Kaiser em 1995 e 1996 e, por fim, para Chevrolet em 1997 e 1998.

Pimenta detalha como eram essas competições: “muito mais difíceis do que hoje, porque todos os torneios da Panda, eles eram de uma dimensão, assim, enorme. O número de inscritos só perdia para a São Silvestre. Teve competição aí que teve 6 mil inscritos. Você imagina o que que é isso... Mas o torneio também durava três meses, teve uma época que todo final de semana tinham vários jogos e todos os jogos eram eliminatórios, então não tinha aquela chance de recuperar lá na frente”.

É importante destacar que os torneios eram abertos ao grande público e dividido por categorias. “Então não importava quantas pessoas entrassem, se entrassem mil pessoas na categoria, era feito com as mil pessoas. E de acordo com as colocações dos

38 Até 1991, a competição foi realizada no Campo do Lazer, já as edições de 1992 e 1993 foram no Parque das Mangabeiras.

torneios Panda dos anos anteriores, eram feitos os cabeças de chave, então esses na primeira fase não se encontravam. Isso era certo, então tinha a expectativa de que se todos esses ganhassem, a fase final sim, ela ia pegar fogo. Só que então você tinha chave aí com 100 equipes e tinha muita dupla boa nesse intervalo. Você imagina o que que é isso? Mais de 100 equipes por chave! A gente até brincava: eles pegavam os seis primeiros mais fortes que eram os cabeças de chave, e os seis, teoricamente, assim, que não são cabeças de chave, a gente chamava de cabeças de bagre. Um ia para o alto da tabela e o outro ia para o final, com a tendência de se encontrar no final de chave. Então ia afunilando e todo jogo era eliminatório”.

O veterano belo-horizontino explica que “a vantagem que o cabeça de chave tinha era que talvez entrasse tipo numa terceira rodada. Mas era assim, para você ganhar uma chave eram quatro rodadas, no mínimo. Aí você coloca, quatro rodadas para você ganhar uma chave, fazendo a árvore, quatro rodadas, a cada rodada que você está enfrentando um, três já ficaram para trás, aliás, dois já ficaram para trás, aí você vai só crescendo. Para você ganhar quatro jogos, olha quantas pessoas ficaram para trás nessa brincadeira”.

A dimensão do esporte na capital era tão grande que interferia no mercado imobiliário. “A peteca aqui em Belo Horizonte era muito movimentada, você não tem noção do que era a peteca aqui. Se fosse construir um prédio e tivesse quadra de peteca, ele valorizava, assim, pelo menos uns 20%. Sem quadra de peteca, o pessoal nem comprava. Do tanto que o esporte cresceu aqui em Belo Horizonte. Ele só foi perder força quando o Guga apareceu, que aí o tênis passou a tomar esse espaço. Mas, aqui em Belo Horizonte, o mercado imobiliário se quisesse vender um prédio, ele tinha que ter quadra de peteca”, explica Pimenta.

Com a queda na peteca no cenário belo-horizontino, a Copa Itaú – patrocinada pelo banco, mas sem a parceria da Panda – alçaria novos voos e teria seu maior destaque em outro lugar: na “capital do Triângulo Mineiro”39.

39 Uberlândia, situada na região do Triângulo Mineiro, é o segundo município mais habitado de Minas Gerais, atrás somente da capital Belo Horizonte, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uberlândia é considerada a capital da região e da logística.

2000, Uberlândia

Se antes era BH que organizava os maiores campeonatos, com Evelin na coordenação e com o apoio de Gatola, Uberlândia passou inicialmente a dividir o espaço com a capital, e posteriormente – por que não? – a assumir este lugar.

“O Praia foi crescendo e logo a gente conseguiu trazer a Copa Itaú para dentro do Praia, porque ela acontecia só em Belo Horizonte. Aí nós mexemos os pauzinhos aqui e começou a ter a Copa Itaú do Praia que derrubou a Copa Itaú de Belo Horizonte. O Itaú tirou a verba de lá e jogou toda para cá, porque queria fazer um investimento novo e o clube ajudava bastante”, conta a coordenadora.

Evelin destaca que “nós abrimos para qualquer pessoa que quisesse participar. A gente até tinha a categoria iniciante, avançado, o nível maior, então a gente começou a abrir e vir gente de escola para participar e isso chamou muito a atenção do banco na época. E aí eu sei que nós fizemos 10 Copas Itaú, se eu não tiver enganada, consecutivas dentro do Praia”.

Se em 1993 foi o último ano da Copa Itaú em Belo Horizonte, em Uberlândia ela dava os primeiros passos: a 1ª Copa Itaú sediada pelo Praia Clube foi em 1993. Durante os 10 anos

seguintes, o clube seria o palco deste grande evento. A 10ª e última Copa Itaú ocorreu em 2002.

Meu tio Ricardo Ivan, atleta e ex-professor do Praia e do Patrocínio Tênis Clube (PTC) que esteve presente em todas as 10 edições, explica como era o formato da competição: “de 100 duplas só passava uma para a segunda fase, em que enfrentava as duas duplas do Praia e cinco convidados: um de BH, um de Uberaba, um de São Paulo, um de Goiás. E às vezes mais uma dupla convidada de BH ou Uberaba, dependendo da categoria”.

Evelin relembra que quando “a gente fazia aqui uma Copa Itaú, sediava um Brasileiro, a gente se abraçava, era uma família, sabe, eram os pais com os filhos, era uma coisa muito gostosa, você tinha prazer”.

Com o progresso do esporte, veio a necessidade de uma entidade específica da peteca porque até então tinham os torneios nacionais sobre a chancela da Confederação Brasileira de Desportos Terrestres (CBDT).

Evelin conta como foram os bastidores desta criação. “Eu e o Gatola falamos assim: ‘nós precisamos ter uma Confederação’. Porque o que acontece: em todos os lugares tinha interesse. Existiam os amantes da peteca, mas tinham aqueles que tinham os interesses fora a peteca. Então a gente pensou em criar para

fortalecer o Brasileiro, para colocar regras para disputar um Brasileiro, o Brasileiro de Clubes depois né, que até então era uma bagunça danada. E aí a gente criou a Confederação [Brasileira de Peteca]. Quem criou a Confederação foi eu, Gatola e na época começou com o Hélio do Praia, depois o Helinho saiu e foi o Toninho. Aí nós fomos para vários desafios, o Gatola foi chamando os presidentes de cada Federação, porque aí a gente já tinha uma amizade tremenda com todos”.

Ao citar o sucesso da peteca na época de ouro, Evelin relembra nomes de dirigentes próximos e importantes nesta trajetória: Gatola do Praia e da Confederação, Nelsão de Goiânia, Ferreirinha de Brasília, Claudionor de São Paulo e Cardosão do Sul. “Nós éramos amigos, se tinha alguma dúvida a gente reunia, encontrava: ‘o que é melhor para a peteca?’; a gente pensava no esporte e não no atleta. Então quando você tira o esporte [do foco central] e põe o atleta, você perde o valor, porque na verdade o que segura é o esporte, não o atleta. Porque o atleta passa, o esporte fica”.

Surgia assim, em 12 de agosto de 2000, a Confederação Brasileira de Peteca (CBP) que coordena nosso esporte até hoje.

São 10 Federações afiliadas a CBP, sendo elas: Federação Mineira de Peteca (FEMPE), Federação Goiana de Peteca (FEGOPE), Federação Paulista de Peteca (FEPAPE), Federação Brasiliense de Peteca (FEBRAPE), Federação de Peteca do Estado do Rio de Janeiro (FEPETERJ), Federação de Peteca do Estado de Rondônia (FEPERON), Federação Catarinense de Peteca (FECAPE), Federação Paranaense de Peteca (FEPPE), Federação Sul Matogrossense de Peteca (FESULPE) e Federação Tocantinense de Peteca (FETOPE).

40 No entanto, atualmente somente sete estão ativas: Mineira, Paulista, Goiana, Paranaense, Tocantinense, Brasiliense e Rondônia, segundo informa Juliano de Oliveira, presidente em vigor, em 15 de abril de 2019.

2016, Patos de Minas

Muita coisa mudou daquela época para cá. Algumas negativas, como a queda do número de participantes, principalmente feminina, e a falta de escolinhas de base, entre outras. Mas também há coisas positivas, como a criação do Peteca Esporte Clube (PEC) Brasil, no qual a Liga Triangulina está credenciada.

O PEC foi criado no final de 2015 por Paulo Ricardo Correa Caixeta41, com sede em Patos de Minas, e inspirado no sistema de ranqueamento da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), a PEC promove o Circuito Brasileiro de Peteca que “conecta os quatro pilares de sustentação do esporte: Atletas, Clubes, Torneios e Parceiros” (PEC Brasil, s.d.). Trata-se de uma empresa privada colaborativa, não uma entidade.

Com o apoio dos clubes, atletas e promotores, o Ranking PEC foi testado em 2016, seu primeiro ano em prática, em uma única categoria, a profissional (PRO), que se refere aos atletas de alto rendimento. Em 2016 foram realizados 25 torneios e o Ranking PEC começou a ser utilizado como critério de entrada

41 O fundador contou com o auxílio para programação no site de Jarrier Laurentino e os conselhos do atleta Vitor Torres, o Vitim, e do ex-presidente da FEMPE Eustáquio de Queiroz.

da categoria PRO na Liga Brasileira e no Brasileiro de 2017, como continua até hoje.

Para você que está chegando na peteca agora, vou explicar antes de um jeito mais simples, porque precisamos dessa parte técnica – mas prometo que o livro não segue esse tom, não se assuste. A categoria PRO é independente da idade, o seu maior critério é o nível técnico do petequeiro – um atleta de 18 anos, por exemplo, pode disputar contra um de 40.

O atleta PRO disputa as competições do ano nesta categoria e vai somando pontos de acordo com seus resultados em cada torneio credenciado. Esses pontos são usados para formar o ranking que seleciona os melhores colocados para disputar o Brasileiro e a Liga Brasileira nesta categoria.

Mas em paralelo a isso, nos campeonatos nacionais e abertos continuam existindo as categorias por faixa etária e também a iniciante. “Em 2017, a gente ampliou para todas as categorias de faixas etárias. Então deixou de ser um ranking só para a PRO e passou a incluir desde o Mirim até o Master III, que é o que temos hoje”, explica Paulo Caixeta.

O circuito PEC possui um calendário unificado dos principais torneios nacionais de peteca e soma pontos para o Ranking PEC, dessa forma, os torneios não coincidem datas e

podemos ter um calendário recheado, valorizando todas as regiões e organizadores. Atualmente são “em média 25 torneios por ano, fora os Campeonatos Estaduais, que também oferecem pontos no ranking. Ou seja, são 25 torneios abertos, mais 5