2.2 Planejamento Educacional
2.2.1 PNE: construção e debates
2.2.3.1 Meta 4 do PNE 2014-2024
Durante as fases de tramitação do Plano Nacional de Educação no Congresso Nacional, é possível observar em documentos e notícias publicadas na época pelas instituições educacionais que a redação da meta 4 passou por inúmeros debates.
A história de improviso, marcada no discurso alimentado pelos defensores da escola especial, esteve presente nos debates promovidos para a discussão da referida meta, conforme pode ser observado nos textos dos relatórios elaborados durante a tramitação. Uma meta que tinha como defesa, no texto do Projeto de Lei - PL 8.035, a ideia de Educação Inclusiva na rede regular de ensino gerou uma grande polêmica. Além do objetivo de universalizar o atendimento aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades e superdotação em escolas regulares, a meta também previa que o Atendimento Educacional Especializado de complementação da aprendizagem seria realizado na própria rede escolar. Diante dessa previsão, as instituições especializadas se mobilizaram para modificação do texto.
Além das instituições especializadas, é possível perceber durante toda a tramitação que algumas entidades educacionais divergiam de opiniões a respeito deste tema e que este dissenso foi o mais perceptível em torno da discussão da meta 4.
No Projeto de Lei nº 8.035 de 2010, a meta 4 foi formulada com o seguinte texto
Meta 4: Universalizar, para a população de quatro a dezessete anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. (BRASIL, 2010b)
43 Foram formuladas também apenas 6 estratégias para a referida meta, a saber:
4.1) Contabilizar, para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, as matrículas dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado complementar, sem prejuízo do cômputo dessas matrículas na educação básica regular.
4.2) Implantar salas de recursos multifuncionais e fomentar a formação continuada de professores para o atendimento educacional especializado complementar, nas escolas urbanas e rurais.
4.3) Ampliar a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos estudantes matriculados na rede pública de ensino regular.
4.4) Manter e aprofundar programa nacional de acessibilidade nas escolas públicas para adequação arquitetônica, oferta de transporte acessível, disponibilização de material didático acessível e recursos de tecnologia assistiva, e oferta da educação bilíngue em língua portuguesa e Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.
4.5) Fomentar a educação inclusiva, promovendo a articulação entre o ensino regular e o atendimento educacional especializado complementar ofertado em salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em instituições especializadas.
4.6) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dos beneficiários do benefício de prestação continuada, de maneira a garantir a ampliação do atendimento aos estudantes com deficiência na rede pública regular de ensino. (BRASIL, 2010b)
Comparado com o PNE de 2001, já no primeiro texto do atual PNE, ainda como projeto, é possível perceber avanços na redação principalmente no que se refere à objetividade, com 1 só objetivo e a delimitação de estratégias para alcançá-lo.
Para tratar da meta 4 foi realizada uma audiência pública específica, no dia 31 de maio de 2011. Na referida audiência, estiveram presentes representantes de entidades especializadas, além de pais de alunos e alunos com deficiência, ficando evidente o empenho das entidades especializadas em ajustar o texto conforme seus interesses.
Assim como houve um grande movimento em torno do PNE para modificação e adequação de seu texto, com relação à meta 4 não foi diferente. Foram 109 emendas propostas somente para a referida meta, conforme relatório apresentado em 05 de dezembro de 2011 pelo relator da comissão (BRASIL, 2011c).
44 Inicialmente, conforme relatório, foram muitas as emendas rejeitadas que faziam referência à meta 4.
É possível perceber, com a leitura minuciosa das emendas rejeitadas, que em boa parte delas há uma desapropriação do texto inicial proposto para o PNE e talvez um desconhecimento da legislação educacional vigente. Algumas emendas foram apresentadas com o mesmo teor do texto inicial que configurariam em redundância, outras que ao serem elaboradas não foi observada a legislação referente aos recursos educacionais e que poderiam torná-las inconstitucionais.
O debate gerado em torno da referida meta e o aprofundamento das questões referentes à Educação Especial e Educação Inclusiva ocasionou uma mudança significativa no texto e em suas estratégias. É possível perceber uma preocupação maior em oferecer melhores serviços e assistir adequadamente os alunos com deficiência, apesar de sabermos que estar descrito em um documento oficial não é garantia de que a qualidade irá acontecer.
Todo esse debate deu origem ao primeiro relatório elaborado na Câmara Legislativa, o substitutivo foi levado à discussão. A referida discussão se prolongou para o ano seguinte, pois além de ter sido apresentado no final de 2011, os assuntos debatidos suscitaram muitas discussões. Foram 449 emendas ao substitutivo que seriam debatidas e apresentado um novo substitutivo em março de 2012.
Em junho de 2012, após longa discussão, um novo substitutivo foi construído com mais alguns avanços sobre assuntos que constavam do pleito das entidades que acompanhavam de perto a tramitação.
Dentre os principais pontos de embate em torno do assunto, é possível perceber nos relatórios a grande movimentação dos representantes de organizações e das instituições especializadas para garantir que os atendimentos aos alunos com deficiência continuassem a existir em suas instituições. Além disso, é possível perceber também que os diversos movimentos divergiam quando o assunto era prestar o apoio no Atendimento Educacional Especializado dentro da escola ou em instituições especializadas.
Alguns meses de discussões, acordos e desacordos aconteceram até ser elaborado mais um substitutivo ao PL 8.035, e este foi encaminhado para o Senado Federal onde sofreu mais alterações até retornar para Câmara e ser sancionado, com o texto na íntegra detalhado mais adiante.
45 META 4 : Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. (BRASIL, 2014a)
Quanto à nomenclatura, é importante destacar que a CF /1988 refere-se a “portadores de deficiência”, em inúmeros artigos, como no artigo 208, por exemplo, sobre a questão do Atendimento Educacional Especializado. Já na LDBEN esse conceito é reformulado e se amplia, incluindo um número maior de pessoas a serem atendidas conforme capítulo V, dependendo de suas especificidades. Cabe ressaltar que a terminologia apropriada foi estabelecida na Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência, em 2006 em Nova York, que constava em seu texto: pessoas com deficiência.
Para a meta 4 foram aprovadas, ao final de toda a tramitação, 19 estratégias que preveem atendimento a todos os alunos, financiamento, Atendimento Educacional Especializado, educação bilíngue, acessibilidade, investimento em formação continuada, parcerias, entre outros a saber:
4.1) contabilizar, para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, as matrículas dos (as) estudantes da educação regular da rede pública que recebam atendimento educacional especializado complementar e suplementar, sem prejuízo do cômputo dessas matrículas na educação básica regular, e as matrículas efetivadas, conforme o censo escolar mais atualizado, na educação especial oferecida em instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público e com atuação exclusiva na modalidade, nos termos da Lei no 11.494, de 20 de junho de 2007;
4.2) promover, no prazo de vigência deste PNE, a universalização do atendimento escolar à demanda manifesta pelas famílias de crianças de 0 (zero) a 3 (três) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, observado o que dispõe a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional;
4.3) implantar, ao longo deste PNE, salas de recursos multifuncionais e fomentar a formação continuada de professores e professoras para o atendimento educacional especializado nas escolas urbanas, do campo, indígenas e de comunidades quilombolas;
4.4) garantir atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados, nas formas complementar e suplementar, a todos (as) alunos (as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
46 habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública de educação básica, conforme necessidade identificada por meio de avaliação, ouvidos a família e o aluno;
4.5) estimular a criação de centros multidisciplinares de apoio, pesquisa e assessoria, articulados com instituições acadêmicas e integrados por profissionais das áreas de saúde, assistência social, pedagogia e psicologia, para apoiar o trabalho dos (as) professores da educação básica com os (as) alunos (as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação;
4.6) manter e ampliar programas suplementares que promovam a acessibilidade nas instituições públicas, para garantir o acesso e a permanência dos (as) alunos (as) com deficiência por meio da adequação arquitetônica, da oferta de transporte acessível e da disponibilização de material didático próprio e de recursos de tecnologia assistiva, assegurando, ainda, no contexto escolar, em todas as etapas, níveis e modalidades de ensino, a identificação dos (as) alunos (as) com altas habilidades ou superdotação;
4.7) garantir a oferta de educação bilíngue, em Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS como primeira língua e na modalidade escrita da Língua Portuguesa como segunda língua, aos (às) alunos (as) surdos e com deficiência auditiva de 0 (zero) a 17 (dezessete) anos, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas, nos termos do art. 22 do Decreto no 5.626, de 22 de dezembro de 2005, e dos arts. 24 e 30 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, bem como a adoção do Sistema Braille de leitura para cegos e surdos-cegos;
4.8) garantir a oferta de educação inclusiva, vedada a exclusão do ensino regular sob alegação de deficiência e promovida a articulação pedagógica entre o ensino regular e o atendimento educacional especializado;
4.9) fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola e ao atendimento educacional especializado, bem como da permanência e do desenvolvimento escolar dos (as) alunos (as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação beneficiários (as) de programas de transferência de renda, juntamente com o combate às situações de discriminação, preconceito e violência, com vistas ao estabelecimento de condições adequadas para o sucesso educacional, em colaboração com as famílias e com os órgãos públicos de assistência social, saúde e proteção à infância, à adolescência e à juventude;
4.10) fomentar pesquisas voltadas para o desenvolvimento de metodologias, materiais didáticos, equipamentos e recursos de tecnologia assistiva, com vistas à promoção do ensino e da aprendizagem, bem como das condições de acessibilidade dos (as) estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação;
4.11) promover o desenvolvimento de pesquisas interdisciplinares para subsidiar a formulação de políticas públicas intersetoriais que atendam as especificidades educacionais de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação que requeiram medidas de atendimento especializado;
4.12) promover a articulação intersetorial entre órgãos e políticas públicas de saúde, assistência social e direitos humanos, em parceria com as famílias, com o fim de desenvolver modelos de atendimento voltados à continuidade do atendimento escolar, na educação de jovens e adultos, das pessoas com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento com idade superior à faixa etária de escolarização obrigatória, de forma a assegurar a atenção integral ao longo da vida;
4.13) apoiar a ampliação das equipes de profissionais da educação para atender à demanda do processo de escolarização dos (das) estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, garantindo a oferta de professores (as) do atendimento
47 educacional especializado, profissionais de apoio ou auxiliares, tradutores (as) e intérpretes de Libras, guias-intérpretes para surdos-cegos, professores de Libras, prioritariamente surdos, e professores bilíngues; 4.14) definir, no segundo ano de vigência deste PNE, indicadores de qualidade e política de avaliação e supervisão para o funcionamento de instituições públicas e privadas que prestam atendimento a alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação;
4.15) promover, por iniciativa do Ministério da Educação, nos órgãos de pesquisa, demografia e estatística competentes, a obtenção de informação detalhada sobre o perfil das pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação de 0 (zero) a 17 (dezessete) anos;
4.16) incentivar a inclusão nos cursos de licenciatura e nos demais cursos de formação para profissionais da educação, inclusive em nível de pós-graduação, observado o disposto no caput do art. 207 da Constituição Federal, dos referenciais teóricos, das teorias de aprendizagem e dos processos de ensino-aprendizagem relacionados ao atendimento educacional de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação;
4.17) promover parcerias com instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público, visando a ampliar as condições de apoio ao atendimento escolar integral das pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação matriculadas nas redes públicas de ensino; 4.18) promover parcerias com instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público, visando a ampliar a oferta de formação continuada e a produção de material didático acessível, assim como os serviços de acessibilidade necessários ao pleno acesso, participação e aprendizagem dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação matriculados na rede pública de ensino; e
4.19) promover parcerias com instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público, a fim de favorecer a participação das famílias e da sociedade na construção do sistema educacional inclusivo. (BRASIL, 2014a)
As 19 estratégias traçadas para a meta 4 definem o modo como ela deve ser alcançada, porém ainda hoje não há indicadores18 traçados para acompanhamento de todas as estratégias. Algumas metas até bem pouco tempo não tinham indicadores, como, por exemplo, 19 e 20. No relatório do segundo ciclo de monitoramento, em 2018, foi exposto o cálculo na qual seriam realizadas as análises e avaliações das referidas metas, além de outros indicadores que foram aperfeiçoados e alguns outros criados para acompanhamento de outras metas.
18 “O indicador é um recurso metodológico para auxiliar a interpretação da realidade de uma forma sintética e operacional. Ele é comumente utilizado para o diagnóstico de determinada condição (ambiental, econômica, social, educacional, etc.), para o monitoramento e a avaliação de políticas públicas e para a pesquisa de um modo geral. Indicadores sociais visam traduzir, de forma objetiva, as características e transformações que ocorrem em uma dada realidade. Indicadores educacionais, por sua vez, cumprem a função de produzir informações sobre a situação escolar da sociedade.” (INEP, 2016, p. 6)
48 A meta 4 do PNE encontra-se classificada no documento “Planejando a Próxima Década – Conhecendo as 20 Metas do Plano Nacional de Educação”, do MEC, como uma meta voltada para a “redução da desigualdade e a valorização da diversidade, caminhos imprescindíveis para a equidade” (BRASIL, 2014e, p. 11). A meta faz parte de uma das cinco categorias de diretrizes propostas, a categoria para “superação das desigualdades educacionais”, nas quais estão inseridas outras metas, conforme Linha de Base para o PNE, sendo a meta 4 voltada à “redução das desigualdades e a valorização da diversidade”, conforme o mesmo documento. (BRASIL, 2015c, p.12 e 13)
A Linha de Base, elaborada pelo INEP logo depois da publicação do PNE (2014-2024), oferece um diagnóstico de como era a situação das metas no início do PNE para que posteriormente pudessem ser observados avanços ou retrocessos quando da aplicação do plano. Dessa forma, o documento expõe os objetivos e indicadores auxiliares que subsidiarão o monitoramento. São dois os objetivos para a meta 4.
O primeiro diz respeito à universalização do acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades ou superdotação. O segundo objetivo preconiza que o atendimento educacional a essa população ocorra por meio da educação inclusiva, ou seja, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. (BRASIL, 2015c, p.67 e 68) (Grifo nosso).
Para a investigação e acompanhamento da referida meta foram formulados três indicadores:
Indicador 4A – Percentual da população de 4 a 17 anos com deficiência que frequenta a escola.
Indicador 4B – Percentual de matrículas em classes comuns do ensino regular e/ou EJA da educação básica de alunos de 4 a 17 anos de idade com deficiência, TGD e altas habilidades ou superdotação.
Indicador 4C - Percentual de matrículas na educação básica de alunos de 4 a 17 anos de idade com deficiência, TGD, altas habilidades ou superdotação que recebem atendimento educacional especializado. (BRASIL, 2020b, p. 107)
Com o primeiro indicador, a intenção é estimar o acesso à Educação Básica com informações do Censo Demográfico, referente ao de 2010 tendo em vista ser
49 uma pesquisa decenal, o que fragiliza o acompanhamento da referida meta ficando obsoletas as informações a cada dez anos.
Com o segundo indicador, o objetivo é fazer uma estimativa do número de matrículas utilizando dados do Censo da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que é uma pesquisa anual, e a partir dele perceber com comparações dos anos anteriores se a meta tem avançado ou não.
As pesquisas e o Censo Demográfico do IBGE não buscam informações suficientes que permitiriam identificar como está a inclusão das pessoas de 4 a 17 anos com deficiência transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades e ou superdotação nas escolas. O que se tem são indicadores que acompanham a matrícula e o acesso, o que torna o monitoramento da meta fragilizada, pois tais números não garantem informações sobre o efetivo cumprimento da meta tal qual foi elaborada. É possível perceber com este fato mais um sinal da diferença histórica e persistente em relação ao tema.
Com o terceiro indicador, elaborado e apresentado em 2020, o objetivo é apurar o percentual de alunos que estão recebendo Atendimento Educacional Especializado. Ele utiliza dados do Censo da Educação Básica.
Quanto ao cumprimento da meta 4, no site do MEC, na seção “PNE em movimento”, observamos, em janeiro de 2021, que a meta estava com o seguinte cumprimento, representado na figura 2, nos âmbitos Federal, Regional, Estadual e Municipal pesquisados, de acordo com os indicadores 4A e 4B. Cabe esclarecer que, devido à sua elaboração recente, o indicador 4C ainda não foi inserido neste site. É importante destacar ainda que estes dados baseiam-se, segundo o MEC, em dados referentes ao Censo demográfico de 2010 e Censo da Educação Básica de 2013, 2014 e 2015.
50 Figura 2. Indicador 4A – Percentual da população de 4 a 17 anos de idade com deficiência que frequenta a escola no âmbito nacional e regional pesquisado.
Fonte: Site do MEC, PNE em movimento, janeiro de 2021.
Figura 3. Indicador 4B – Percentual de matrículas de alunos de 4 a 17 anos de idade com deficiência, TGD e altas habilidades ou superdotação que estudam em classes comuns da Educação Básica, no âmbito nacional e regional pesquisado
Fonte: Site do MEC, PNE em movimento, janeiro de 2021.
Neste indicador, não foi encontrado até o mês pesquisado o resultado referente à mesorregião.
Conforme afirmam Kassar e Lacerda (2018), as informações disponíveis não deixam claros quais foram os detalhes que subsidiaram a construção dos indicadores citados acima, o que evidencia a necessidade de reflexão de informações importantes. Segundo as autoras, é preciso considerar limitantes importantes como
51 O primeiro refere-se às fontes utilizadas para cálculo da totalidade e da percentagem, pois não há explicitação se foi considerado o número de matrículas ou de alunos para os cálculos, já que um aluno pode ter mais de uma matrícula. Em segundo lugar, os indicadores não consideram um ponto fundamental da meta que é o conhecimento de percentual de alunos que estão na escola e que recebem alguma forma de atendimento educacional especializado (AEE). O terceiro refere-se ao acompanhamento da implantação das 19 estratégias e da avaliação de como estão sendo realizadas, já que a realização de cada estratégia (e seu modo de operacionalização) leva a conformações diferentes de “educação inclusiva”. (KASSAR e LACERDA, 2018, p.19)
Esses e muitos outros questionamentos podem ser levantados quando se faz uma reflexão sobre cada uma das 19 estratégias definidas para a Meta 4 e suas intenções.
Cada meta do PNE é monitorada com base em indicadores. É importante destacar que muitos indicadores passaram por reformulações desde quando foram definidos até os dias atuais, em virtude da necessidade de aprimorar e tornar o conceito de cada um mais claro sobre o que os indicadores objetivam monitorar.
No relatório do terceiro ciclo de monitoramento das metas - 2020, foi utilizado mais um indicador para monitorar a meta 4. Indicador 4C: Percentual de matrículas na Educação Básica de alunos de 4 a 17 anos de idade com deficiência, TGD, altas habilidades ou superdotação que recebem Atendimento Educacional Especializado.