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Metabolismo do ferro, hemoglobina e bilirrubinas

No documento Relatório de estágio: Labamaro (páginas 62-66)

D4 Microalbuminúria

Microalbuminúria 30-299 mg/24h Albuminúria clínica ≥300mg/24h

E. Metabolismo do ferro, hemoglobina e bilirrubinas

1. Introdução

A maior parte do ferro corporal tem origem no ferro consumido no estado férrico, o qual é convertido na forma ferrosa após ingestão e absorvido predominantemente no duodeno e jejuno. O ferro circula no sangue acoplado a uma beta-globulina, denominada transferrina. Os percursores eritróides na medula óssea utilizam parte do ferro disponível e, do restante, cerca de 60% é armazenado na medula óssea, fígado e baço sob a forma de ferritina e os outros 40% sob a forma de hemossiderina.

A bilirrubina é um pigmento amarelo-alaranjado derivado da destruição eritrocitária, conjugado no fígado e excretado na bílis e urina. Esta molécula provém da degradação do heme, da mioglobina e citocromos. Sendo insolúvel no plasma, esta proteína é transportada ligada à albumina até aos hepatócitos. Aí é conjugada com o ácido glucorónico tornando-a hidrossolúvel. A sua libertação posterior no intestino serve para saponificar as gorduras.

E1.

Ferro

Método

O aumento na absorvância é directamente proporcional à quantidade de ferro ligado à transferrina registada.

Transferrina 2 (Fe3+) Tampão 2(fe3+) + Apotransferrina

2Fe3+ + ácido ascórbico + 2 H2O 2 Fe2+ + ácido dehidroascórbico + 2 H3O+ Fe2+ + TPTZ Complexo de ferro2+ (complexo de cor azul)

1. Interpretação de resultados

Valores de referência:

Homem – 70-180 g/dl Mulher – 60-180 g/dl

Deficiência em ferro

A deficiência em ferro é uma das patologias mais prevalentes no ser humano. Podemos ter 3 tipos de causas:

1. Ingestão insuficiente de ferro para repor as perdas normais de um individuo. 2. Ferro não disponível para a eritropoiese, apesar de apresentar níveis normais 3. Perda aumentada de ferro corporal (perda sanguínea)

A quantificação isolada de ferro sérico não fornece muita informação clínica, nem muita informação sobre o estado das reservas no organismo. Por essa razão, utiliza-se concomitantemente a determinação de: transferrina, da capacidade total de fixação de ferro e a ferritina.

Na tabela seguinte compara-se os valores típicos de uma anemia ferropénica e de uma anemia crónica:

Anemia Ferropénica Doenças crónicas Ferro Transferrina CTFF Saturação da transferrina <10% >10% Ferritina Excesso de ferro

Existem algumas patologias características desta sobrecarga:  Hemossiderose - sobrecarga de ferro sem a lesão tecidular

 Hemocromatose – é uma sobrecarga de ferro associada a lesão de órgãos, com consequente degeneração celular e fibrose. Geralmente resulta da absorção excessiva de ferro em indivíduos que sigam uma dieta normal. Pode ainda ser hereditária, resultante dum erro inato da absorção do ferro.

 Anemia Sideroblástica  Talassémia

E2.

Transferrina

1. Método

Quando uma amostra é misturada com tampão e solução anti-soro, a transferrina humana reage especificamente com anticorpos transferrina anti-humanos para produzir agregados insolúveis. A absorção destes agregados é proporcional à concentração de transferrina na amostra.

2. Interpretação de resultados

Valores de referência: 200-360 mg/dl

A medição dos níveis de transferrina no plasma é útil no diagnóstico diferencial da anemia, pois temos um aumento na anemia ferropénica.

A transferrina é uma proteína de fase aguda negativa, pelo que diminui nos estados inflamatórios ou de malignidade, confirmando, deste modo, anemias crónicas secundárias a estas patologias. Em condições associadas a um aumento de perda proteica, tal como o síndrome nefrótico, estado de deficiência proteica e na doença hepática crónica, a transferrina também apresenta valores diminuídos. No entanto, nalguns estados fisiológicos, como a gravidez, e na administração de estrogénios, esta proteína tem valores diminuídos.

E3.

Capacidade total de fixação de ferro (CTFF)

1. Método

A capacidade total de fixação do ferro é calculada pela seguinte formula: UIBC

sérico Fe CTFF

O doseamento do UIBC é feito da seguinte forma:

O Fe2+ do primeiro reagente reage com o Nitroso-PSAP do segundo reagente para formar um complexo verde intenso. Se for adicionada à amostra parte ou totalidade de iões ferro fixados especificamente com transferrina em locais de fixação de ferro não saturados a um pH alcalino, estes não estarão disponíveis para a reacção colorida com o Nitroso-PSAP. A diferença entre alterações resultantes nas absorções medidas com ou sem as amostras é equivalente à quantidade de ferro fixada na transferrina. Isto consiste na capacidade de fixação de ferro não saturada (UIBC).

2. Interpretação de resultados

Valor de referência: 228-428 g/dl

A CTFF representa um valor aproximado do valor da transferrina. A redução dos níveis de transferrina produz uma diminuição da CTFF para valores baixos ou normais baixos. A hipoproteinémia e a sobrecarga de ferro também estão associadas a uma redução da CTFF. É de notar que as condições que reduzem a CTFF podem mascarar a sua elevação na presença concomitante de deficiência de ferro crónica. Algumas das condições que aumentam os níveis de transferrina consequentemente fazem aumentar a CTFF.

E4.

Saturação da Transferrina

1. Método

A saturação da transferrina (referida no doseamento do ferro) pode ser calculada a partir do CTFF e da siderémia: 100 (%) . x CTFF Fe na Transferri Sat 2. Interpretação de resultados Valores de referência: 20-45%

A ST% apresenta-se aumentada na hemocromatose (>90%), hemossiderose, talassémia, hepatite aguada, ingestão de ferro, gestação e uso de progestagenios.

Apresenta-se diminuída em anemias ferropénicas (<10%), anemias secundárias a infecções e doenças crónicas, desnutrição e estados catabólicos agudos.

E5.

Bilirrubinas

1. Método

i Bilirrubina Total

A absorvância a 540 nm é proporcional à concentração de bilirrubina total. È efectuada uma amostra em branco separada para reduzir a interferência do soro endógeno.

Bilirrubina + DPD CafeínaSurfactante Azobilirrubina ii Bilirrubina Directa

A absorvância a 570 nm é proporcional à concentração de bilirrubina directa na amostra. Bilirrubina + DPD Azobilirrubina

2. Interpretação de resultados

Valores de referência:

Bilirrubina total: 0.3-1.2 mg/dl Bilirrubina directa: <0.2 mg/dl

O seu doseamento tem interesse no estudo de doentes ictéricos em que está associada uma hiperbilirrubinémia. Este aumento de bilirrubina pode ocorrer por várias causas:

Hiperbilirrubinémia pré-hepática: há uma produção exagerada de bilirrubina que se

traduz por um aumento da sua forma não conjugada. É uma alteração que está presente em todas as formas de anemias hemolíticas;

Hiperbilirrubinémia hepatocelular: podem ocorrer várias situações, nomeadamente, um uptake hepático anormal de bilirrubina (ex.: Síndroma de Gilbert, hepatite ou cirrose),

uma conjugação de bilirrubina ineficiente (ex.: Recém-nascidos prematuros, Síndroma de Gilbert e de Crigler-Najjar, lesão hepatocelular provocada por uma hepatite viral), uma secreção anormal de bilirrubina na bílis (ex.: Síndromas de Rotor e Dubin-Johnson, lesão hepatocelular generalizada). Todas estas situações traduzem-se num aumento das duas formas (conjugada e não conjugada) de bilirrubina.

Hiperbilirrubinémia colestática: a obstrução do fluxo da bílis tanto pode ser intra como

extra-hepática e, ambas traduzem-se por uma aumento da forma conjugada de bilirrubina.

No documento Relatório de estágio: Labamaro (páginas 62-66)