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4 O PROFESSOR E O LIVRO-TEXTO: COMPONENTES CULTURAIS E MEDIAÇÕES INTERCULTURAIS – APRENDENDO A FAZER

4.3 ANÁLISE DOS LIVROS-TEXTO

4.3.1 Metas, objetivos e interesse dos livros-texto

No Inside Out, as metas e objetivos estão voltados para o sistema de valores dos alunos que, segundo o guia de professor (GOMM; HIRD, 2000, p.5), “ [...] é alguém provavelmente entre 17 e 35 anos e com nível de escolaridade relativamente bom.”22 Não há nenhuma referência explícita à cultura inglesa ou à apresentação de elementos culturais. Os autores afirmam que “[...] no centro do Inside Out está a crença de que as condições mais eficazes para o aprendizado de uma língua se dão quando os alunos estão envolvidos nas atividades em nível pessoal ao invés de ‘fazer o de sempre sem grande entusiasmo ou esperança de sucesso’ ” (GOMM; HIRD, 2000, p. 3).23 Mais adiante, na mesma página, descrevem o objetivo das estratégias de ensino empregadas no livro como sendo o de “[...] promover o aprendizado enfocando o envolvimento pessoal, tanto intelectual como emocional.”24

Há uma ênfase muito grande na personalização das atividades, ou seja, um estímulo para que o aluno fale de si próprio e de suas experiências. Assim, apesar de não haver clara referência ao ensino de cultura, tal foco no indivíduo possibilita o

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De modo a facilitar a leitura e comparação das respostas, todas foram colocadas em um só questionário no Apêndice E. As respostas à parte I que definem o perfil do professor foram mantidas separadas no Apêndice F.

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“ […] is likely to be 17-35 years old and relatively well educated.”

23

“ […] At the heart of Inside Out is the belief that the most effective conditions for language learning come about when students engage in activities on a personal level rather than ‘going through the motions’ ”.

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desenvolvimento de uma CCI, na medida em que o aluno estará freqüentemente referindo-se à sua vida, e conseqüentemente, à sua cultura no sentido restrito. Tais momentos permitirão que o aluno torne-se mais consciente de si mesmo e dessa sua cultura. A sala de aula passa a representar uma cultura única que “[...] se refere ao composto de comportamento coeso dentro de qualquer agrupamento social e não a traços característicos que diferenciam entidades étnicas, nacionais ou internacionais prescritas” (HOLLIDAY, 1999, p. 247).25

No livro American Headway, não há definição clara do aluno ao qual se destina. Há apenas referência à faixa etária e à meta de aprendizagem. Segundo os autores, o livro foi escrito para “[...] adultos e jovens adultos que querem usar o inglês americano de forma fluente e correta” (SOARS; SOARS; SAYER, 2001, p. viii).26 Assim como no Inside Out, também o guia do professor do American Headway não menciona o ensino da cultura americana. Ao descrever o conteúdo do guia do professor, os autores afirmam que este contém notas culturais, mas na análise do guia, nenhuma nota cultural foi encontrada.

Segundo o guia do professor, os alunos são encorajados a trazer suas experiências e sentimentos pessoais para o contexto da aprendizagem. Entretanto, o conteúdo da introdução ao livro do professor deixa transparecer a preocupação dos autores em combinar “[...] o melhor dos métodos tradicionais com abordagens modernas” (SOARS; SOARS; SAYER, 2001, p. ix).27 Um exemplo dessa combinação é a forma como a gramática é tratada. Entre os aspectos dos métodos tradicionais citados, a gramática aparece em primeiro lugar e a ela é dado lugar de destaque, levando os alunos a chegarem às regras gramaticais através de atividades dirigidas para que eles adotem atitude responsável em relação ao aprendizado, característica de abordagens atuais.

Em ambos os livros há a preocupação com o ensino dos aspectos lingüísticos e das quatro habilidades, mas não da cultura. Entretanto, no Inside Out há uma preocupação maior com o envolvimento do aluno e da auto-expressão de sentimentos e experiências, mesmo em atividades de prática gramatical. Enquanto no American Headway a prática se dá através de atividades controladas e livres, pessoais e impessoais, os autores do Inside Out, na seção onde apresentam a gramática, afirmam que “[...] as sentenças nesta seção foram criadas para ser realistas ao invés de cenários inventados sobre pessoas imaginárias” (GOMM; HIRD, 2000, p. 3).28 Em conseqüência, torna-se mais fácil para o professor adaptar tais atividades para que

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“[…] refers to the composite of cohesive behaviour within any social grouping, and not to the differentiating features of prescribed ethnic, national and international entities.”

26

“ […] adults and young adults who want to use American English both accurately and fluently.”

27

“ […] the best of traditional methods with current approaches.”

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possam revelar as semelhanças e diferenças entre os próprios alunos e entre eles e os falantes de L2.

Um exemplo disso pode ser visto no ANEXO C, onde se comparam os tipos de atividades apresentadas nos dois livros para a prática da voz passiva. As atividades do American Headway lidam apenas com fatos, que pouco ou nada conduzem ao desenvolvimento da CCI. Por outro lado, os textos do News in Brief e as perguntas personalizadas do exercício 5 do Inside Out podem facilmente levar à discussão sobre as semelhanças e as diferenças entre as culturas, tanto no sentido amplo como no sentido restrito, presentes na sala de aula.

Ao responderem ao questionário, nenhum dos professores conseguiu identificar os livros-texto sob análise como voltados para o sistema de valores do aluno. No caso dos professores A e B, muitos alunos que freqüentam o instituto de línguas são adolescentes com menos de 17 anos, o que, segundo os professores, torna o livro inadequado a faixa etária. Para os professores C e D, apesar de os alunos do curso de extensão serem adultos, o objetivo não parece ser, exclusivamente, aprender inglês americano, como estabelece a meta do livro.

Ao afirmarem que não há objetivo cultural claramente exposto no livro, a resposta dos quatro professores corresponde ao resultado da minha análise.