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De acordo com os pressupostos teóricos apresentados em nosso trabalho, o ensino de LP deve ser orientado segundo a teoria dos gêneros textuais, ou seja, é através do estudo dos gêneros que o professor deve explorar a língua em seus aspectos culturais, sociais, discursivos e lingüísticos. Nenhum conteúdo curricular deveria ser ensinado fora de seu contexto, fora de seu uso na sociedade. Para orientar os professores nesse sentido, temos o auxílio dos PCNs que muito tem nos ajudado, uma vez que é baseado em muitas das teorias trabalhadas por nós nesse trabalho.

Como usamos em nosso trabalho o método pesquisa-ação, gostaríamos de fazer uma breve apresentação sobre esse método de pesquisa.

A pesquisa-ação foi usada por Lewin para investigar as relações sociais e conseguir mudanças nas atitudes e comportamentos dos indivíduos. Em 1944, esse estudioso descreveu o processo da pesquisa-ação, indicando como traços essenciais a análise, a coleta de dados, o levantamento do problema, planejamento da ação, a execução e nova coleta de dados para avaliá-la.

Os livros de pesquisa da década de 1950, segundo André (2004), descrevem essa metodologia como uma ação sistemática e controlada desenvolvida pelo próprio pesquisador. A autora dá o exemplo de um professor que decide mudar sua prática docente e acompanha essa mudança com um processo de pesquisa que se desenvolve com as etapas do planejamento, coleta de dados, análise fundamentada na literatura científica e o relato de resultados. Dessa forma, percebe-se que o ponto central da pesquisa-ação é o desenvolvimento de um plano de ação baseado em objetivos, em um processo de acompanhamento e num relato do processo.

Dada essa pequena explicação sobre o método pesquisa-ação, passaremos agora para a apresentação dos corpora do trabalho. Para nossa análise, utilizamos um roteiro, elaborado por nós, em nossas aulas de leitura. Embora o roteiro não seja aqui analisado, ele serviu como ponto de partida para que tentássemos responder à pergunta mencionada em nossos objetivos específicos, apresentado no capítulo de Introdução deste trabalho, e para a nossa intervenção em sala de aula. Portanto, pode-se dizer que o roteiro didático foi construído representando o nosso plano de ação. A partir da

aplicação de nosso roteiro didático, tomamos como corpora as gravações em áudio de toda a nossa intervenção didática que, ao todo, somaram dez aulas de cinqüenta minutos cada; os relatórios produzidos por duas alunas do Curso de Especialização em Práticas de Ensino de Língua Portuguesa, o nosso próprio relatório e uma atividade escrita produzida pelos alunos ao final da intervenção. Não apresentaremos o roteiro didático e a atividade escrita nesse momento porque o fazemos em nosso capítulo de análise de dados.

4.1. Cenário de pesquisa

4.1.1. A ESCOLA E O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Nosso estudo foi desenvolvido em uma escola da Rede Estadual de Ensino, na região sudeste da cidade de Juiz de Fora, estado de Minas Gerais.

Como já foi mencionado no capítulo de pressupostos teóricos, a escola não possui uma linha sistematizada de ensino de língua. Isto quer dizer que mesmo havendo reuniões por áreas11 cada professor ministra o conteúdo de acordo com o proposto no livro didático, não baseados em uma teoria que acreditam ser a mais aplicável naquele contexto. Achamos importante mencionar esse dado porque acreditamos que o ensino de Língua Portuguesa não pode funcionar bem se os próprios professores não conhecem a fundo as teorias que os livros didáticos usados por eles se baseiam e não planejam uma linha de ensino a ser seguida por todos. Quando cada um ensina “do jeito que quer”, o ensino torna-se caótico e os alunos não recebem a formação que deveriam receber.

Isso se refletiu muito em nossas aulas. Quando assumimos a turma de terceira série do EM, notamos que para os alunos aula de português era aula de gramática. Eles perguntavam “Ana, você só dá interpretação de texto?”. O que lhes fora ensinado até aquele momento era que o português é dividido em gramática e em interpretação de texto. Dessa forma, as avaliações eram divididas em duas partes: a primeira que continha um texto para interpretação e a segunda que apresentava questões gramaticais, inclusive desvinculadas do texto.

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As reuniões por área, na escola em questão, foram propostas por mim a fim de que houvesse uma maior interação entre os professores da área de ensino de Língua. Meu objetivo principal era que todos os professores seguissem uma mesma linha de ensino de Língua Portuguesa baseada em teorias de gêneros textuais e pautada nos PCNs. No entanto, a maioria dos professores não concordou com essa proposta e as reuniões só aconteceram nos primeiro e segundo bimestres.

Essa forma de conceber o ensino de Língua Portuguesa dificultou nosso trabalho porque tivemos que ganhar a confiança de nossos alunos. Tivemos que conscientizá-los de que estávamos estudando linguagem em suas diversas formas.

4.1.2. A TERCEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO

No turno da manhã, havia três terceiras séries. Havia, em média, trinta alunos em cada turma. Embora tenhamos aplicado nosso roteiro didático em todas as três turmas, analisamos apenas uma turma: a 3CA.

A turma 3CA era descontraída. Os alunos gostavam de participar da aula e não tínhamos problemas com indisciplina, embora fossem falantes. Como já mencionamos, duas alunas do curso de especialização em Ensino de Língua Portuguesa nos acompanharam e a presença delas não provocou inibição dos alunos.

4.2. Documentos de pesquisa

Nossa pesquisa foi embasada em alguns documentos de pesquisa que são: a gravação em áudio de nossas aulas, notas de campo das alunas do curso de Especialização, anotações no diário de classe feitas por nós e uma atividade escrita produzida pelos alunos.

4.3. Etapas de pesquisa

Nossa pesquisa passou por duas etapas: a aplicação de um roteiro didático para uma turma de terceira série do Ensino Médio e a análise dos dados coletados durante essa aplicação. No entanto, não poderíamos deixar de falar que mesmo durante todo o processo de aplicação, pudemos refletir sobre nossa prática, sobre o desempenho de nossos alunos e sobre o ensino de Língua Portuguesa de forma geral. Portanto é de se esperar que durante a análise dos corpora, imprimamos nossas reflexões alcançadas durante a aplicação do roteiro didático.

Para a análise dos corpora seguiremos a seguinte ordem: analisaremos primeiramente as aulas de leitura e a participação dos alunos (gravações em áudio e relatórios) e depois passaremos para a análise das atividades escritas produzidas pelos alunos.

CAPÍTULO V

No documento anagabrieladacostalaramedeiros (páginas 81-84)