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CAPÍTULO 3 – OLHARES DE PROFESSORAS DE SALAS DE LEITURA: QUE

3.1 Metodologia: buscando os sujeitos

A fim de responder aos questionamentos a seguir, optou-se pela entrevista semiestruturada como metodologia de pesquisa.

1 – Que compreensão as professoras têm a respeito da Sala de Leitura no contexto escolar?

2 – Será que a professora que ali atua compreende a sua importância nesse e desse espaço para criação do hábito de leitura Literária?

Para tanto, foi elaborado um questionário com seis questões, como roteiro, cujo teor consiste no seguinte:

1 – Qual sua trajetória até a SL?

2 – Qual o olhar da gestão para SL?

3 – Quais os desafios e possibilidades no trabalho com os 6º anos?

4 – Qual o olhar dos alunos em relação à SL?

5 – Qual o olhar dos colegas para SL?

6 – Como você vê a SL na articulação da escola?

Para Szymanski (2004, p. 16), o entrevistador tem várias expectativas em relação àquele que está sendo entrevistado e uma delas é “[...] esperar um parceiro no processo de construção de um conhecimento”. Assim, “Supõem-se diferentes modos de agir e diferentes sentimento conforme as expectativas – até mesmo o planejamento da própria entrevista.”

Dessa maneira, durante as entrevistas foram emergindo das falas das professoras outras questões e as perguntas inicialmente planejadas foram acrescidas de outras, a fim de esclarecer algum ponto, complementar alguma fala ou para esclarecer uma dúvida pessoal. Assim, o acréscimo das questões se deu de acordo com o caminhar de cada entrevista, portanto, há perguntas para uma professora que não foram realizadas para outra16.

As entrevistas tiveram em média de 30 a 40 minutos de duração e foram concedidas de acordo com a disponibilidade de horário de cada professora. Fizemos várias tentativas, marcávamos os encontros em restaurantes, em horário de almoço, na escola em que leciono ou na escola em que a entrevistada leciona, na Diretoria Regional de Ensino de Guaianases (DRE), sendo todos os contatos realizados por meios eletrônicos (telefone, e-mail ou WatsApp) e por diversas vezes surgia algum imprevisto. Dessa maneira, duas das pessoas, um professor e uma professora, que se pretendia entrevistar não participaram da pesquisa por não podermos conciliar nossos horários.

Assim, durante os meses de novembro de 2015 a fevereiro de 2016 procedeu-se a coleta de dados, em datas, horários e locais diferentes e ao final foram entrevistadas 4

professoras, às quais atribuí pseudônimos de acordo com características, segundo meu critério, que lembram os textos de algumas escritoras: sonhadora, meiga, alegre, introspectiva. São eles Tatiana, Cecília, Eva e Clarice.

A primeira entrevista, com a professora Tatiana, foi concedida no Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (CEFAI), no núcleo de Guaianases, no qual participamos de um dos cursos de formação que aconteceram naquele ano, cujo tema era acessibilidade. Este era intitulado “Livro Acessível” e estávamos no último encontro. Nossa reunião foi combinado antecipadamente, por telefone, uma vez que sabíamos que nos encontraríamos naquele dia, pois os cursos oferecidos aos Professores Orientadores de Sala de Leitura (POSLs) seguem um cronograma. Assim, nos programamos para ficarmos mais meia hora após o término do curso para a realização da entrevista.

Para a segunda entrevista, com a professora Cecília, o processo foi semelhante, também era o último encontro do curso intitulado “Escola de leitores” e o tema desse encontro era avaliação. Seguimos os mesmos passos anteriormente expostos.

O encontro com Clarice, a terceira professora a colaborar com a pesquisa, aconteceu na escola em que trabalha, na Sala de Leitura. A exemplo dos outros, também combinamos antecipadamente e por estarmos a um dia do término do ano letivo não havia alunos na escola, possibilitando que se reservasse um tempo para a entrevista. Quando cheguei fui muito bem recebida por Clarice, que fez questão de me mostrar todos os “cantinhos de leitura” espalhados pela escola. A sala estava em reforma e ela comentou que estava muito constrangida com esse transtorno e gostaria que eu voltasse no decorrer do ano seguinte para visitar a sala em atividade, pois tem muito orgulho de seu local de trabalho.

Eva também foi entrevistada na Sala de Leitura, em seu local de trabalho. Dessa vez, estávamos no início do ano letivo, as aulas já haviam iniciado, a escola já fervilhava de alunos.

Assim, após várias tentativas conseguimos conciliar um horário, uma hora atividade (H.A.), que equivale a uma hora aula de 45 minutos, na qual o professor não tem aluno e se dedica a preparar ou corrigir atividades, preencher documentos etc. Na prefeitura de São Paulo o professor tem direito a três H.As, as quais devem ser cumpridas na unidade. Eva reservou uma delas e, em meio ao burburinho característico de uma escola em pleno funcionamento, concedeu a entrevista.

Embora haja profissionais de todas as disciplinas designados para a função de Professor Orientador de Sala de Leitura (POSL), visto que, a formação não é um dos critérios para eleição, coincidentemente, todas as entrevistadas têm formação em Letras. Essa não foi uma escolha pensada, bem como, o fato de todas serem mulheres, o único requisito para participar da pesquisa é que fossem POSLs. No quadro abaixo observa-se o resumo:

QUADRO 3 – Resumo da apresentação das POSLs Pseudônimo Formação Data da

entrevista

Local Horário Tempo no

magistério

Tempo na função de POSL Tatiana Letras 17/11/2015 Centro de

Formação e Acompanhame n-to à Inclusão (CEFAI- Guaianases) 12h30m Aposentada de um cargo e a 2 anos da aposentador ia no segundo cargo 19 anos Cecília Inicialment e Comunicaç ão e depois Letras 25/11/2015 CEFAI- Guaianases 12h30m Aproximada men-te 23 anos. Não informou ano de início 7 anos

Clarice Letras 21/12/2015 Sala de Leitura em que trabalha 10h00m 30 anos – não informou ano de início 13 anos

Eva Letras 15/02/2016 Sala de Leitura em que

trabalha

13h30m Desde 1998 6 anos

Após a realização das entrevistas, as gravações foram transcritas e formam o corpus da pesquisa, o qual será a base para a busca, nas palavras e, para além de sua superfície, do sentido que as POSLs dão à Sala de Leitura no contexto escolar, bem como o seu próprio lugar nesse contexto.

Deste modo, para proceder à análise foram realizadas as seguintes etapas: transcrição das entrevistas, leitura do conteúdo das entrevistas, elaboração dos indicadores para interpretação com base no referencial teórico,

Extrapolando a análise das mensagens que se expressam apenas por palavras, é fundamental perceber que a análise de conteúdo não se resume neste campo. Ao contrário, é indispensável conhecer novas possibilidades de identificação e de uma análise consistente e substantiva do conteúdo das mensagens que expressam crenças, valores e emoções a partir de indicadores figurativos (FRANCO, 2012, pp. 14-15).

Na primeira leitura das entrevistas transcritas, a qual Franco, em concordância com Bardin chama de flutuante, foram surgindo aspectos da relação aluno/professor/leitura,

A primeira atividade da Pré-Análise consiste em estabelecer contatos com os documentos a serem analisados e conhecer os textos e as mensagens neles contidas, deixando-se invadir por impressões, representações, emoções, conhecimentos e expectativas (FRANCO, 2012, p. 54).

Assim, após exaustiva leitura das transcrições foram surgindo os índices para a elaboração dos indicadores. Franco (2012, p. 60) “[...] o indicador correspondente será a frequência observada acerca do tema [...]”, os quais foram testados em recortes das 4 entrevistas e confirmada sua pertinência deu-se prosseguimento nessa etapa da pesquisa.

Segundo Franco, “Em geral, o pesquisador segue seu próprio caminho baseado em seus conhecimentos e guiado por sua competência, sensibilidade e intuição” (FRANCO, 2012, p.64). Nesse sentido, o fato de ser também POSL teve influência, e penso que foi de grande ajuda. Assim, ficaram estabelecidos os seguintes indicadores, que serão analisados de acordo com as falas das professoras:

 o reflexo das políticas públicas para a Sala de Leitura (SL);

 o reflexo das concepções de leitura na prática com os alunos;

 importância do trabalho da equipe gestora;

 atribuição de sentido ao trabalho que desempenham na SL.

A seguir serão destacados e analisados trechos das entrevistas transcritas, os quais visam pôr em evidência o que apontam os indicadores além de buscar respostas às questões que norteiam essa pesquisa. Para isso, inicialmente, vamos expor um pouco do contexto no qual estão inseridas as escolas em que as professoras lecionam.