Capítulo 3 – Metodologia do Trabalho e Modelo Proposto
3.1 Metodologia do Trabalho
A investigação científica depende do método escolhido, para que seus objetivos sejam atingidos. Para Gil (2002) e Lakatos & Marconi (1993), o método científico é o conjunto de processos, ou operações mentais, que se deve empregar na investigação. É a linha de raciocínio empregada no processo de pesquisa.
Pela sua natureza, esta pesquisa está classificada como pesquisa aplicada e, pelos seus objetivos, como uma pesquisa experimental e explicativa, pois objetiva testar e gerar conhecimentos para aplicação prática dirigida à solução de um problema específico (SILVA & MENEZES, 2000), além de criar uma teoria aceitável a respostas de um fato, ou fenômeno, e aprofundar o conhecimento da realidade para além das aparências dos seus fenômenos (GIL, 1999; SANTOS, 2000). Para chegar na pesquisa explicativa, foi necessário criar maior familiaridade em relação aos fatos ou fenômenos investigados, algo que o levantamento bibliográfico proporcionou.
Para Cervo e Bervian (2002) há, sempre, a necessidade, dentro das pesquisas científicas que utilizam instrumentos de coleta de dados, de se indicar as técnicas que serão utilizadas. Devido à natureza das informações necessárias à resolução do problema de pesquisa, tornou-se mais adequado o uso de questionários, inventários e check-lists.
Do ponto de vista da forma de abordagem do problema, esta pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa participativa, pois busca investigar o modo de como são apresentados os fenômenos constitutivos do foco estudado. Também, durante a pesquisa, lançou-se mão de medidas quantitativas, por meio de instrumentos padronizados, como por exemplo: o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de LIPP (2000) (Anexo A); o Questionário para Adequação do Ambiente de Odontopediatras, (Apêndice A); o Check- List das Variações Psicofisiológicas (situacionais), (Apêndice B) e o Questionário para Avaliação da Percepção do Odontopediatra sobre o Ambiente Modificado, (Apêndice C).
Aplicou-se essa pesquisa em dois profissionais, com formação em odontopediatra, na cidade de Santa Cruz do Sul - RS, por serem, esses, os profissionais que mais atendem crianças da primeira infância, uma vez que, por meio da amostra piloto testada em trinta e
dois profissionais, com a mesma especialização, nas cidades de Santa Maria e Porto Alegre, pôde-se comprovar a existência da sintomatologia do stress, em 19 (59,37%) profissionais investigados. A fase de stress, predominante na amostra piloto, foi a de resistência, onde 15 profissionais (46,87%) ficaram enquadrados nesta classificação, e os outros 4 (12,5 %), foram enquadrados na fase de alerta. Pôde-se perceber que, aqueles profissionais que apresentaram níveis de stress mais elevados, situavam-se na faixa de 5 a 10 anos de profissão, enquanto que os mais experientes, com mais de 10 anos de formados, foram os que apresentaram níveis de stress classificados como alerta.
Segundo Lipp (2000), o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), (Anexo A) foi validado em 1994, por Lipp e Guevara, com ampla utilização em pesquisas e trabalhos clínicos, na área de stress, possibilitando um diagnóstico preciso da sintomatologia na área física e psicológica, referente a esse fenômeno. A autora salienta o caráter prático desse instrumento, embora o mesmo deva ser aplicado e interpretado por profissionais da saúde, capacitados com conhecimentos pertinentes, a saber, o psicólogo.
Elaborou-se um questionário para a compreensão do comportamento das crianças da primeira infância, levando-se em consideração os aspectos psicológicos de cada paciente, e os ergonômicos do ambiente laboral, o que propiciou, ao odontólogo, uma revisão de suas ações durante as intervenções com os pacientes. O Questionário para Adequação do Ambiente de Odontopediatras, (Apêndice A) foi elaborado a partir de pesquisas bibliográficas, de autores como Guedes-Pinto (1995); Possobon (1998); Carara e Krügger (2000); Aragone e Vicente (2002); Douglas (2001); Klatchoian (2002); Wolf (2002); Correa Leber e Ramos (2002); Correa Fernandes e Trindade (2002); Seger e Cols (2002), entre outros, visando instrumentalizar o odontopediatra, por meio das respostas dos pais das crianças, poder personalizar o seu ambiente de trabalho, de forma particular para cada paciente, sendo esse questionário um instrumento capaz de promover medidas que facilitem o atendimento das crianças de forma empática, contribuindo para facilitar o trabalho do odontólogo.
O Check-List de Variações Psicofisiológicas (situacionais), (Apêndice B), foi adaptado da Escala de Hamilton – ansiedade (1969), sendo o mesmo comprovado a sua eficiência por meio de uma avaliação e validação, através de um teste piloto junto a três docentes da área de Psicologia e Medicina (MACHADO, ARRUDA e OLIVEIRA, 2005), podendo, dessa forma, o instrumento ser utilizado para o propósito desta tese, visando futura padronização.
Investigou-se os sintomas psicofisiológicos do odontopediatra no ambiente de trabalho, de caráter situacional, e encadeadas no ato de trabalhar, a fim de buscar medidas de reestruturação do trabalho, que estejam de acordo com as condições psicofisiológicas humanas. Classificaram-se os quadros de stress, dos dois odontopediatras, que participaram da pesquisa, por intermédio do Inventário de stress de Lipp (2000) (Anexo A).
A ênfase na percepção do trabalhador, quanto ao gerenciamento de suas atividades, foi contemplada por meio de um Questionário para Avaliação da Percepção do Odontopediatra sobre o Ambiente Modificado, (Apêndice C), questionário, este, desenvolvido através das questões de número 9, 10, 11, 12, 13 e 15 do Apêndice A, além de pesquisas bibliográficas, de autores como Guedes- Pinto (1995); Wilson (1996); Correa Gonçalves e Costa (2002); Klajner (2002); Pinto e Carvalho (2002); Correa Fernandes e Trindade (2002); Wolf (2002); Fiedler (2002); Marcio (2003), entre outros, e temáticas pertinentes ao processo de distração, conforto e desconforto, aspectos ergonômicos relacionados aos agentes físicos do ambiente de trabalho, além de hábitos de higiene dos pacientes (crianças da primeira infância), visitas ao consultório odontológico e empatia. Esse questionário, que se encontra no Apêndice C, visa capacitar o odontopediatra para que ele possa fazer uma verificação dos sinais de humor e do comportamento das crianças e, assim, comparar com as questões do Apêndice A, visando uma retroalimentação da adequação do ambiente diante de intervenções ergonômicas.
Com a validação das etapas, propostas no modelo, sugeriu-se algumas recomendações que possibilitam, ao odontopediatra, verificar seus níveis de stress, por meio do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (2000) e do questionário de variações psicofisiológicas situacionais, além de adequar o ambiente de trabalho, em função das respostas advindas do questionário sobre o comportamento das crianças (respondido pelos seus pais) de forma que, todas essas ações venham a facilitar o atendimento do profissional facilitando o vínculo necessário para o atendimento às crianças da primeira infância, reduzindo desgastes de ordem física e mental para o cirurgião-dentista.
Para identificar os aspectos do ambiente de trabalho dos odontopediatras, utilizou-se os seguintes instrumentos: sonômetro (decibelímetro), da marca MINIPA modelo MSL- 1352; luxímetro, da marca MINIPA modelo MLM-1332 e o Termômetro de Globo, marca INSTRUTERM modelo TGD-100, os quais serviram para a coleta de dados referente ao
ruído, iluminação e temperatura, respectivamente, nos ambiente investigados. Por intermédio da Analise Ergonômica do Trabalho (AET), que consiste em uma metodologia utilizada pela ergonomia, para avaliar as condições reais de trabalho, nos mais diversos tipos de ambientes, procurou-se investigar os aspectos físicos desses ambientes, as relações sociais, a organização do trabalho, entre outros, com intenção de apresentar um diagnóstico da situação desses profissionais e, posteriormente, formular sugestões de melhorias para as condições de trabalho, procurando, dessa forma, reduzir os riscos ocupacionais, reduzir os níveis de stress, elevar a produtividade e as relações com os pacientes infantis.
Para Fialho e Santos (1997), a AET constitui-se de três fases: análise da demanda, análise da tarefa e análise da atividade. A observância dessas fases, cronologicamente, é de fundamental importância, para que as modificações, que possam surgir, possibilitem melhorias das condições de trabalho. Na análise da demanda, o problema é definido e deve ser analisado; a análise da tarefa é o trabalho prescrito, ou seja é como o trabalhador deve realizar o seu trabalho, buscando-se, também aspectos ambientais, organizacionais e técnicos da tarefa a ser realizada. Na análise da atividade, verifica-se como o trabalhador executa a suas atividades, ou seja, nesta fase procura-se avaliar a relação entre o trabalho prescrito e o trabalho real. Dessas investigações é que surgem os diagnósticos e as recomendações ergonômicas para a melhoria dos ambientes de trabalho.
Essa pesquisa limitou-se a investigar os comportamentos das crianças da primeira infância, por meio de um questionário que se encontra no Apêndice A, e a investigar os aspectos físicos do ambiente odontológico, por meio de um formulário que se encontra na figura 17. De posse dessas investigações, foi possível adequar o ambiente de trabalho dos odontopediatras que atendem à primeira infância, visando reduzir desgastes físicos e mentais desse profissional e criar o vínculo de confiança necessário para o atendimento a esses pacientes. Avaliou-se os níveis de stress dos profissionais, que participaram da pesquisa, antes e após as modificações dos seus ambientes de trabalho. Investigou-se, também, a percepção dos odontopediatras quanto ao comportamento das crianças que foram submetidas a intervenções dentárias e os estados, físicos e psicológicos desses profissionais, antes e após as intervenções naquelas crianças com o ambiente odontológico personalizado a cada paciente (Apêndice C).