2. PROBLEMÁTICA
2.3 METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS
O campo da Educação Estatística abrange elementos quantitativos e qualitativos, devido a sua natureza dos fenômenos em estudo. A abordagem quantitativa permite ao pesquisador verificar o tipo de conhecimento que os alunos conseguem mobilizar e procurar a existência de padrões na suas respostas. Por outro lado, a abordagem qualitativa possibilita que se compreenda profundamente o papel que as interações sociais podem desempenhar, como elemento facilitador da passagem de um conhecimento técnico para um disponível, tal qual é definido e recomendado pelos atuais componentes curriculares. Essas interações sociais vêm ao encontro de que os alunos carregam consigo na sua experiência educacional, ou seja, cada aluno tem conhecimentos, vivências, sentimentos e expectativas diferentes quando é confrontado com um mesmo tipo de tarefa.
Nosso trabalho visa diagnosticar a mobilização dos conceitos estatísticos de base, sem que influenciemos nas possíveis interações sociais (diálogos entre as participante–duplas) que acontecerão durante a aplicação da atividade, pois é fundamental para o pesquisador respeitar a forma de resolução dos entrevistados, deixando-os livres para utilizar seus próprios raciocínios.
Para responder a nossa questão de pesquisa, será proposta uma situação- problema na forma de uma atividade diagnóstica qualitativa, dividida em três etapas. Esperamos que esta atividade permita diagnosticar qual o nível de funcionamento dos conceitos, segundo os preceitos de Robert (1998) e, especificamente, aqueles ligados ao estudo da variabilidade, por parte dos alunos do Ensino Superior, e, também, permitir identificar o(s) possível(is) erro(s) cometido(s) por estes alunos.
Problemática 45 Acreditamos que as situações-problema, quando apresentadas em várias formas de representação, abrem um leque maior de possibilidades de investigar as possíveis dificuldades que os alunos universitários poderão encontrar na resolução de qualquer atividade diagnóstica. Sendo assim, as etapas da atividade se apresentarão em diferentes níveis de complexidade, para que, então, seja possível verificar o nível de mobilização dos conceitos (Robert, 1998) em que estes alunos se encontram. A situação-problema será aplicada para 3 duplas de alunos que já cursaram a disciplina de Estatística, oferecida no curso de Administração, em um tempo estimado de 200 minutos (4horas/aula).
A atividade será entregue para apenas um integrante de cada dupla, para que forcemos cada dupla a dialogar entre si sobre as diversas formas de resolução que ambos podem encontrar, e, assim, poderemos investigar com maior clareza o pensamento estatístico de cada dupla e, por fim, registrar suas possíveis dúvidas para futura análise. Também proporemos o registro do diálogo entre o pesquisador e o aluno durante a resolução, assim como a produção escrita da atividade. As várias formas de procedimentos desenvolvidos por parte das duplas e a forma de encadear o saber estatístico poderão nos permitir analisar o nível de mobilização dos conhecimentos estatísticos de base, baseados nos preceitos de Robert (1998).
Nossa atividade está dividida em três partes com diferentes formas de apresentação. A primeira parte será composta de um banco de dados fictício, no qual constarão idade e renda mensal de quarenta pessoas entrevistadas por uma Empresa de cartões de crédito. Na segunda parte, são apresentadas duas distribuições na forma de tabelas, sendo a primeira sem intervalo de classes e a segunda com intervalo de classes. Na primeira distribuição, relata-se o
Problemática 46 comportamento de quantidade de carros por número de pessoas, e a segunda distribuição relata o comportamento do tempo no trânsito por número de pessoas. E, por fim, a terceira parte relata as tabelas da atividade da segunda parte, em forma de gráficos. Nossa idéia em apresentar a atividade em diferentes formas de representação nos ajudará, além do que nos propomos a investigar, é a de identificar se os níveis de dificuldades também se apresentam em diferentes formas. O que queremos dizer é que, se um conjunto de dados apresentados ao aluno, estiver na forma de dados brutos (sem nenhum tipo de organização crescente ou decrescente), as dificuldades serão maiores do que se estes mesmos dados forem apresentados com algum tipo de forma organizacional, por exemplo, na forma de gráficos ou tabelas.
As respostas obtidas nesta atividade serão organizadas, tabuladas por categorias e, posteriormente, analisadas segundo os preceitos de Robert (1998). As categorias que acabo de citar nos ajudarão a identificar qual(is) a(s) possível(is) dificuldade(s) que os alunos apresentarão na resolução da atividade, quais sejam:
• em relação à média:
a. os alunos analisarão a média isoladamente, interpretando corretamente
seus resultados;
b. os alunos analisarão a média isoladamente, porém interpretando seus
resultados como valor central da distribuição (concepção errônea, mas muito encontrada);
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c. os alunos analisarão o desvio-padrão isoladamente, interpretando
corretamente seus resultados como uma medida de dispersão ao redor da média;
d. os alunos relacionarão média e desvio–padrão, interpretando seus
valores como indicadores de variabilidade em relação à média;
e. os alunos relacionarão média e desvio–padrão, mas sem interpretar a
variabilidade;
f. outras categorias que podem emergir na análise dos resultados.
• em relação à mediana:
a. os alunos analisarão a mediana isoladamente, interpretando
corretamente seus resultados como valor central de uma distribuição;
b. os alunos analisarão os quartis isoladamente, interpretando
corretamente seus resultados como uma medida separatriz;
c. os alunos relacionarão mediana e quartis, interpretando seus valores
como indicadores de variabilidade em relação à mediana;
d. os alunos relacionarão mediana e quartis, mas sem interpretar a
variabilidade;
Esperamos que, por meio desta atividade, possamos atingir nossos objetivos e assim colaborarmos para que o ensino da disciplina de Estatística seja vista com olhar preocupante, e que as possíveis dificuldades apresentadas pelos alunos não sejam mais encaradas como “rotineiras”, bem como as pesquisas futuras apresentem quadros satisfatórios de aprendizados.
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