Nessa dissertação, a metodologia utilizada é a fenomenológica seguida de análise quantitativa dos dados secundários coletados e abordagem qualitativa para os dados primários obtidos através de entrevistas.
O procedimento metodológico dessa dissertação foi fundamentado na seguinte estrutura lógica:
Figura 3: Procedimento metodológico utilizado
Fonte: elaborado pelo autor a partir de notas de aula de método de pesquisa qualitativo avançado com prof. Thelma Rocha, na Escola Superior de Propaganda e Marketing, em 2017.
O método de pesquisa adotado foi a fenonomenologia a qual signifca ciência e/ou teoria dos fenômenos. Esse método possui riqueza importante ao fazer uma crítica a ciência e ao método científico de cunho positivista, pois a ciência ao querer capturar, controlar e explicar aquilo que é real se distancia do fato concebendo uma visão equivocada de realidade, a partir do momento que se cria uma realidade caricata perdendo parte significativa do que se busca.
Por fim visualiza no humano, o erro e assume como pressuposto epistêmico o afastamento de todo tipo de subjetividade, ou seja separação do sujeito e dos objetos e uma primazia dos objetos. Zilles (2007) faz uma breve cronologia desse método da seguinte maneira:
Tabela 4: Cronologia da fenomenologia os limites entre o mundo sensível e o mundo inteligível
G.W.F. Hegel (1770 – 1831) Define fenomenologia como o saber da experiência que faz a consciência
Ernst Mach (1838 – 1955) Publica fenomenologia física geral
Pierre Teilhard de Chardin (1881 – 1955)
Define como fenomenologia o estudo de uma dialética da natureza centrada no homem estabelecendo ao redor dele uma ordem coerente entre diversos elementos do universo
Husserl, em 1900
Estabeleceu o sentido atual onde designa fenômeno como tudo que intencionalmente está presente à consciência, sendo para esta destituam a possibilidade de exercício do contraditório e assim desenvolvê-la como ciência fundamentadora. A fenomenologia husserliana é uma postura filosófica e consequentemente movimento de idéias com método próprio, visando o rigor radical do conhecimento. Zilles (2002) menciona que não há nada isolado, sozinho, mas a intencionalidade, ou seja há um intento de se chegar a algo ou “a volta as coisas mesmas” como preconiza Husserl (1859 – 1938) que quer dizer se retornar as coisas simples. O quadro dos horizontes, a seguir, auxilia nessa fundamentação de identificar as unidades de sentido, definir categorias analíticas, identificar convergências e dissonânicas descritas na forma de pensar e descrever por parte do
entrevistado e por fim identificar os aspectos economicos e históricos que proporcionam o contexto do objeto de análise.
Figura 4: Dimensões da Fenomenologia
Fonte: elaborado pelo autor a partir de notas de aula de método de pesquisa qualitativa avançada com prof.
Thelma Rocha, na Escola Superior de Propaganda e Marketing, em 2017.
Conforme menciona Zilles (2007), Husserl (1901) usou o termo fenomenologia, pela primeira vez, em sua obra denominada Investigações Lógicas, em lugar da expressão
“Psicologia Descritiva”, que usara até então. A consciência funda sentido como compreensão de algo que é (sentido do ser), através da intencionalidade, ou seja, através de sua orientação intencional para preencher o vazio. O conceito de intencionalidade da consciência, por isso, é fundamental e constitutivo na fenomenologia de Husserl (1901). A intencionalidade constitui síntese ou unidade, uma constituição ativa e passiva. Esse conceito de síntese distingue-se do tradicional, pois não se limita à síntese no juízo.
Portanto, lugares, pessoas, ambientes ou as dimensões que envolvem a produção do conhecimento é relevante para que se evolua na obtenção do conhecimento. Para a teoria fenomenológica, formulada por Husserl o tripé realidade, verdade e existência são sinônimos e, portanto, a fenomenologia trabalha com fenômenos e não com fatos e a subejtividade dos fatos está inserida nesse contexto. Ainda Zilles (2007) menciona que para Husserl (1901) o sentido do ser e do fenômeno são inseparáveis. A fenomenologia husserliana pretende estudar
não somente o ser e tampouco como o ser se apresenta ou representa, mas o ser tal como se apresenta no próprio fenômeno. E fenômeno é tudo aquilo de que se pode ter consciência, de qualquer modo que seja. Fenomenologia, para Husserl (1901) é o estudo dos fenômenos puros.
Nessa pesquisa, o tema está alinhado ao método denominado fenomenologia, pois menciona que se deve captar, nos fatos, a essência das coisas, pois a essência representa a maneira de como os fenômenos aparecem. Não é resultado de uma abstração ou comparação de vários fatos, pois para comparar fatos singulares é preciso ter captado uma essência ou seja, um aspecto pelo qual são semelhantes. As essências são conceitos ou objetos ideais que nos permitem distinguir e classificar os fatos. Nesse sentido, a fenomenologia pretende ser ciência das essências e não dos fatos. Para a presente pesquisa vale considerar que, a essência reside nas várias mudanças regulatórias que uma instituição financeira está sujeita por atuar em ambiente fortemente regulado e sujeito a assimetrias de informação, conforme mencionado por North (1991) e Jorion (2003). Por outro lado, os fatos estão presentes na limitação existente através de alocação de capital, a qual cada instituição financeira tende a reagir diferentemente.
Consequentemente, para comparar os fatos (alocação de capital) há de se identificar primeiramente a essência (mudanças regulatórias), ou seja o aspecto pelo qual são semelhantes.
Portanto a fenomenologia busca uma nova visão de mundo que se constitui em: (1) fenônemos devem ser descritos; (2) inexiste separação entre sujeito e objeto sendo que a percepção é essencial para entender fenômenos; (3) realidade, verdade e existencia estão conjugadas; (4) suspensão dos conceitos e pre conceitos das teorias sedimentadas e uma nova relação com as teorias existentes.
Seguindo a direção oferecida pela fenomenologia, essa dissertação se propõe a estudar um fenômeno denominado alterações regulatórias. A esse fenômeno se busca analisar seu comportamento, onde eventuais mudanças em regras estabelecidas possam alterar a relação de alocação de capital para um risco específico, chamado de operacional. O resultado desse comportamento tem por finalidade identificar eventual alteração no montante alocado para esse risco específico em instituições financeiras locais e possíveis consequências. A representação gráfica, a seguir, demonstra o raciocínio apresentado.
Figura 5: Construção da Lógica de Análise/Categorias
Fonte: Elaborado pelo autor
De acordo com Boyatzis (1998), as funções desse tipo de análise representam: (1) forma de identificar situações; (2) forma de trazer sentido a situações sem aparente nexo causal;
(3) maneira de se analisar informações qualitativas; (4) forma de se observar sistematicamente indivíduos, interações, grupos, situações, culturas, corporações, e; (5) uma forma de transformar informação qualitativa em dados quantitativos.
Figura 6: Construção da Sequência da Análise
Fonte: Elaborado pelo autor
Na literatura, Oliveira (2011) faz menção a Richardson (1999), dizendo que a pesquisa quantitativa é caracterizada pelo emprego da quantificação, tanto nas modalidades de coleta de informações quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas. Malhotra (2001, apud Oliveira, 2011), onde diz que a pesquisa qualitativa proporciona uma melhor visão e compreensão do contexto do problema, enquanto a pesquisa quantitativa procura quantificar os dados e aplica alguma forma da análise estatística.
Minayo (1996) menciona que dados quantitativos e qualitativos são complementares dentro do escopo de uma pesquisa e, portanto, esse estudo possui duas fases distintas que se complementam, a saber: a primeira fase é qualitativa e o fenômeno que se busca estudar são as alterações nas determinações de Basiléia para se alocar capital para risco operacional.
Ainda no sentido da complementariedade entre aspectos quantitativos e qualitativos, Ullrich et al. (2012) abordam a diferenciação entre as proposições das pesquisas qualitativas e quantitativas apresentadas por Vidich e Lyman (2005) a partir de cinco formas (1) usos do
positivismo: na pesquisa qualitativa a abordagem positivista se refere à adoção de procedimentos de observações e análises estatísticas, instrumentalizando e quantificando os procedimentos de pesquisas por meio da construção de hipóteses para futuras testagens, bem como a utilização de softwares de quantificação, como no caso das análises de conteúdos de entrevistas; (2) aceitação da sensibilidade pós-moderna: pesquisas alinhadas com abordagens da teoria crítica, construcionismo, pós-estruturalismo e pós-modernismo são desenvolvidos nas pesquisas qualitativas. Nesse caso, os estudos consideram métodos alternativos de trabalho como a verossimilhança, emocionalidade, relações pessoais, ética, práxis, textos multivozes, diálogos com as subjetividades, onde os critérios de razão e verdade científica são questionados;
(3) captura do ponto de vista individual e/ou social: as pesquisas qualitativas consideram, a partir do detalhamento das entrevistas e das observações, o reconhecimento da perspectiva do ponto de vista do outro, ou a perspectiva construída pelos atores sociais; (4) exame das limitações/ restrições do cotidiano: as pesquisas qualitativas permitem discorrer sobre as ações sociais imersas em contextos específicos, bem como a relação do êmico com o ético; e (5) garantia das descrições ricas: as descrições detalhadas do mundo social são de grande valor, pois permitem apreender os pequenos detalhes do cotidiano onde as relações sociais são pautadas.
Portanto, a presente pesquisa aborda a mudança que a proposta do Comitê de Basiléia gera na alocação de capital para risco operacional de instituições financeiras locais. A segunda fase é quantitativa, e a base é o ranking de bancos brasileiros por ativos divulgado pelo Banco Central do Brasil, onde será coletada amostra representativa dos 9 maiores bancos, os quais representam 86,8% dos ativos totais do consolidado bancário brasileiro, em setembro de 2017, e consequentemente identificar o que essa nova demanda acarreta no patrimônio das referidas instituições.
3.1. TÉCNICA DE COLETA DE DADOS
Inicialmente a partir do site do Banco Central do Brasil, foi obtido o ranking de bancos brasileiros por ativos totais divulgado pelo Banco Central do Brasil, onde se coletou amostra representativa dos 9 maiores bancos. A seleção adotada representa critério usual do regulador bancário brasileiro e evidencia a representatividade da amostra, pois reflete 86,8% do total de ativos do consolidado bancário brasileiro na data base de setembro de 2017 (Banco Central do Brasil, 2017). A etapa seguinte consiste na utilização de dados secundários obtidos através de pesquisa e análise documental no site dos referidos bancos nos últimos sete anos (entre 2010 e
2017) para se obter relatório publico sobre gestão de riscos disponibilizado pelos mesmos trimestralmente com o objetivo de constatar a partir do histórico de alocação de capital dessas instituições financeiras os possíveis impactos dessas alterações regulatórias ao longo do tempo.
Ressalta-se que informações relacionadas ao índice de Basiléia (IB), patrimônio de referência (PR), patrimônio de referência exigido (PRE) e valores de alocação para riscos de crédito e mercado também foram coletados, bem como manifestações públicas do regulador em sessões abertas em congressos da área bancária.
Outro aspecto para corroborar a amostra selecionada está relacionada a concentração de mercado, onde poucas instituições concentram muitos ativos, através da teoria econômica a qual vale ser evidenciada nesse trabalho. Nesse sentido, Oliveira (2014) menciona que a teoria econômica pondera que condições estruturais adequadas – associadas com mercados pouco concentrados e ausência de barreiras à entrada e à saída – criam incentivos para as empresas competirem entre si. Como resultados, há eficiência e progresso técnico na economia. Nessa situação o bem estar do consumidor tende a ser maximizado. O raciocínio oposto vale para mercados muito concentrados e que o bem estar da coletividade é impactado negativamente.
Ainda Oliveira (2014) comenta sobre a forte relação entre concentração econômica e possibilidade de exercício de poder de mercado. Monopólios e oligopólios restringem a produção e aumentam preços, o que prejudica a eficiência da economia e o bem-estar do consumidor. Assim, estruturas concentradas tendem a conduzir ao poder excessivo de mercado das empresas – expresso na capacidade de cobrar preços elevados vis-a-vis aos custos – elevando os lucros a expensas do consumidor e a consequente diminuição do grau de bem-estar na economia. Portanto, a concentração é um aspecto que se destaca na análise da concorrência:
tanto economistas acadêmicos, como os policy-makers em agências antitruste avaliam que, observadas certas condições, a concentração excessiva provoca poder de mercado. Daí a preocupação da teoria econômica em mensurar objetivamente o grau de concentração dos mercados, por meio de indicadores que reflitam a concorrência, a partir da teoria Estrutura-Conduta-Desempenho (ECD). A teoria da Estrutura-Estrutura-Conduta-Desempenho procura estabelecer um nexo causal entre o grau de concentração setorial, a capacidade de exercer poder de mercado e o desempenho das firmas (Scherer e Ross apud Carlton e Perloff 2005). Entre as medidas de estrutura calculadas nos estudos ECD estão as parcelas de mercado (market share) controladas pelas empresas em atividade em um determinado setor.
Nesse sentido, Oliveira (2014) esclarece que o indicador HHI (Herfindal Hirchsman Index) é baseado em concentração e utilizado em setores específicos como o bancário. Tal indicador procura avaliar as mudanças nas entradas de novas firmas ao longo do tempo, o que o faz de forma relativamente eficiente. Todavia, se a concorrência se intensificar devido a comportamento mais agressivo das firmas, o indicador pode não captar essa mudança e apontar direção equivocada. Por exemplo, o comportamento mais agressivo das firmas (como quando um cartel é detectado ou um novo produto inventado) obriga alguns atores a deixarem o mercado, de forma que a concentração aumenta, mas sem, necessariamente, promover a diminuição da concorrência.
O índice de concentração Herfindhal Hirschman (HHI), indica o número e o tamanho das firmas em um setor ou mercado. É definido como o somatório das parcelas de mercado (msh) ao quadrado. Vide formula:
onde αit é o peso amostral da firma i no período t em que possui a parcela de mercado (msh) na indústria j. Um mercado com apenas uma firma tem um HHI de 1, enquanto o HHI próximo de 0 indica um grande número de firmas com baixos market share. O HHI é o índice mais utilizado pelas autoridades antitruste, mas como a maioria dos indicadores é sujeito a algumas críticas relacionadas à entrada de firmas nos mercados.
Aplicando esse conceito ao presente trabalho e com o obejtivo de reforçar a questão amostral, o gráfico a seguir aborda a aplicação do índice Herfindal Hirchsman no mercado bancário brasileiro na data base de junho/2017:
Gráfico 1: Evolução do Índice de Herfindahl Hirschman
Fonte: Relatório de Estabilidade Financeira, Banco Central do Brasil, 2017.
(1) Bancos múltiplos com carteira comercial, bancos comerciais e Caixa Econômica Federal
(2) Conforme o Guia para Análise de Atos de Concentração, divulgado pelo Comunicado nº 22.366, de 27 de abril de 2012, o BCB considera que mercados que registraram valores para o IHH situados entre 0 e 1.000 são considerados de baixa concentração; entre 1.000 e 1.800 de moderada concentração; e acima de 1.800 de elevada concentração. O IHH é obtido pelo somatório do quadrado da participação de cada instituição financeira (IF) no mercado considerado: IHH = (IF1)2 + (IF2)2 +... + (IFn)2
Por fim, Oliveira (2014) assevera que a motivação teórica adicional para os indicadores é auxiliar a compreender como se organiza a economia contemporânea, pois a concorrência imperfeita tornou-se o cenário recorrente, havendo uma tendência à concentração em diversos mercados, devido à presença de fatores como economias de escala, custos de transação, comportamento estratégico, tecnologia aplicada e uso de fatores na produção, entre outros. Para os tomadores de decisão, os indicadores de concorrência são importantes para evitar erros na condução da política antitruste, especialmente na avaliação de fusões e aquisições. Tal consideração reforça as teorias utilizadas para subsidiar esse trabalho.
Retomando a ótica qualitativa desse trabalho, Opdenakker (2006) em seu artigo sobre métodos de entrevista “frente a frente” menciona Kvale (1983) que diz que a análise de conteúdo, através de entrevistas, é um método de análise de dados essencialmente qualitativo que tem por propósito aglutinar descrições entre o mundo em que o entrevistado vive aplicando ao fenômeno a ser estudado, porém pode possuir aspectos quantitativos. Considerando essa definição, a coleta de informação pode ser feita de várias formas sendo a entrevista “face a face”
a mais usual. Portanto, aposta no rigor do método como forma de não perder heterogeneidade.
A abordagem por análise de conteúdo pode ser (a) quantitativa (através da contagem de palavras e termos para justificar a pertinência) e/ou (b) qualitativa (considerar texto discursivo e análise contextual de palavras e termos).
Ainda Opdenakker (2006) menciona as 4 formas de entrevistas existentes e possíveis:
entrevistas presenciais com o entrevistado; entrevista por telefone; entrevistas por messenger (MSN); e entrevistas por email. O autor ainda evidencia que as diferenças entre esses quatro tipos de entrevista estão associadas a questão de sincronia de tempo e espaço. A tabela a seguir sintetiza essa questão:
Tabela 5: Tipos de Comunicação
Fonte: Opdenakker, Raymond (2006, August). Advantages and Disadvantages of Four Interview Techniques in Qualitative Research
Focando a explicação nas formas de entrevistas realizadas, as entrevistas caracterizadas como presenciais representam comunicação sincronizada em termos de tempo e lugar. Por outro lado, as entrevistas por telefone são sincronizadas em relação ao tempo e há assincronismo em termos de lugar.
Portanto, para esse trabalho se utiliza entrevistas estruturadas elaboradas mediante questionário onde as perguntas são previamente formuladas evitando que o respondente tergiverse. Esse formato possibilita comparação das mesmas perguntas vindas de pessoas
distintas e as diferenças devem refletir nas respostas oferecidas. O agendamento das entrevistas foi realizado por e-mail e telefone diretamente com os entrevistados, Dentre as entrevistas realizadas, seis aconteceram de forma presencial (67%) e três por telefone (33%).
Boni e Quaresma (2005) citam que a utilização do processo de técnicas de entrevistas visa coletar dados subjetivos que só poderão ser obtidos através da própria entrevista. Esta se relaciona com os valores, as atitudes e as opiniões dos sujeitos, que constitui em rica fonte de informação, e produzem dados relevantes para subsídio ao objeto de pesquisa. Haguette (1997) define entrevista como um processo de interação social entre duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador, tem por objetivo a obtenção de informações por parte do outro, o entrevistado.
A definição e seleção dos entrevistados foi feita com base na experiência e nível hierárquico dos gestores de riscos que atuam nas empresas selecionadas. A amostra definida foi de nove entrevistas respondendo a cinco perguntas.
Essa definição foi feita com base nos autores Hennik, Kaiser e Marconi (2017), que explicam que muitos fatores influenciam o tamanho da amostra para estudos qualitativos. No entanto, o princípio orientador para avaliar a adequação de uma amostra é a saturação (Morse, 1995, 2015). A saturação é aplicada em muitas abordagens da pesquisa qualitativa e refere-se ao ponto na coleta de dados em que nenhum problema adicional é identificado, os dados começam a se repetir sendo que a continuação de coleta de novos dados torna-se redundante (Kerr, Nixon e Wild, 2010).
Hennink, Kaiser e Marconi (2017), ao identificarem o número de entrevistas mínimo necessário para a saturação de códigos e sentido, perceberam que, para alguns códigos conceituais, as dimensões concretas mais tangíveis são capturadas cedo, enquanto que as dimensões mais abstratas exigem mais dados para capturar todas as dimensões. Ao final do estudo, os autores concluíram que a saturação do código foi alcançada após nove entrevistas, quando a gama de questões temáticas comuns já foi identificada e o livro de códigos se estabilizou. Estes resultados são semelhantes aos de Guest et al. (2006), que identificaram que a saturação de dados ocorre entre sete e doze entrevistas, com os elementos básicos dos temas presentes entre as entrevistas um e seis.
Em sua obra, Marconi e Lakatos (2007) mencionam que a entrevista tem como objetivo principal a obtenção de informações do entrevistado, sobre determinado assunto ou
problema. Em relação ao conteúdo, Selltiz (1965, apud Marconi e Lakatos, 2007) menciona seis tipos de objetivos de uma entrevista: (1) Averiguação de fatos. Descobrir se as pessoas que possuem certas informações são capazes de compreendê-las. (2) Determinação de opiniões sobre os “fatos”. Conhecer o que as pessoas pensam ou acreditam que os fatos sejam. (3) Determinação de sentimentos. Compreender a conduta de alguém por meio de seus sentimentos e anseios. (4) Descoberta de planos de ação. Descobrir por meio das definições individuais dadas, qual a conduta adequada em determinadas situações, a fim de prever qual seria a sua. (5) Conduta atual ou do passado. Inferir que conduta a pessoa terá no futuro, conhecendo a maneira pela qual ela se comportou no passado ou se comporta no presente, em determinadas situações.
(6) Motivos conscientes para opiniões, sentimentos, sistemas ou condutas. Descobrir por que e quais fatores podem influenciar as opiniões, sentimentos e conduta.
Para subsidiar essas entrevistas foi utilizado o software Atlas TI (versão 8.1.2.9), que auxiliou a armazenar entrevistas escritas e gravadas, padronizar as informações coletadas das entrevistas, criar categorias e subcategorias de análise. Esse software oferece um procedimento de análise de dados qualitativos como os que são gerados em entrevistas.
A seguir, apresenta-se as instituições financeiras e seus executivos (ambos de forma anônima) citando somente a hierarquia alvo que se pretende entrevistar para melhor entendimento do fenômeno relacionado a alteração que uma mudança nos parâmetros da regulação possa causar na alocação de capital para risco operacional.