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CAPÍTULO 2: OS EFEITOS DOS MODOS DE ENTRADA SOBRE O

2.5. Metodologia

Após os dados coletados, foram realizados ajustes devido ao uso de diferentes fontes e demonstrações contábeis de distintos países, numa mesma amostra. Para efeitos de conversão das moedas, os dados que envolvem valores monetários foram todos convertidos para dólar norte-americano, de acordo com as respectivas taxas de câmbio no final do período analisado.

Conversões adicionais entre unidades (unidades em mil, unidades em milhares, valor porcentual na forma decimal, valor percentual na forma de %) foram realizadas para padronização dos dados. Também foi necessário padronizar as rubricas dos Balanços Patrimoniais e Demonstrativos dos Resultados do Exercício antes de se calcular as variáveis utilizadas pelo estudo.

Quanto a técnica de análise de dados utilizou-se de análise de variância ANOVA para testar as hipóteses 2.1 e 2.2. Adicionalmente utilizou-se de regressão múltipla de dados em painéis com efeitos aleatórios para analisar os efeitos do modo de entrada no nível de endividamento das multinacionais. Estes mesmos métodos de análise também foram escolhidos pelos autores Singh e Nejadmalayeri (2004), Mittoo e Zhang (2008) e Saito e Hiramoto (2010). Os modelos consideraram que os coeficientes angulares são constantes, mas o intercepto varia entre indivíduos e ao longo do tempo.

Teoricamente, dado a que a amostra é de 74% da população, supõe-se que o tamanho do efeito em cada sujeito relativamente à variância entre os sujeitos é grande o suficiente que a população exibe tal efeito, e acredita-se que a diferença entre as empresas possuem alguma influência sobre as variáveis dependentes (motivo pelo qual os modelos apresentam variáveis acerca das características das firmas) sendo portanto o mais adequado o uso de efeitos aleatórios neste estudo (GUJARATI, 2006).

Porém, foram realizados testes estatísticos para verificar qual método de estimação seria o mais adequado. Segundo Gujarati (2006) quando o número de casos de corte transversal for grande e a série temporal for pequena, o que ocorre neste estudo, as estimativas obtidas pela técnica dos efeitos fixos e dos efeitos aleatórios podem ser muito diferentes.

Assim utilizou-se o teste do multiplicador de Lagrange de Breusch e Pagan, que testa a hipótese de a variância das unidades de corte transversal ser igual a zero, variando portanto só de acordo com o tempo. Ao não rejeitar a hipótese deste teste tem-se que o modelo pooled OLS é preferível ao método de efeitos aleatórios e ao se rejeitar tem-se que a utilização de método de efeitos aleatórios é preferível. Após a condução dos testes para as regressões de dados em painel o método de efeitos aleatórios mostrou-se a melhor opção.

As análises dos efeitos foram conduzidas em duas etapas destacadas na forma de modelos, a partir dos trabalhos já realizados. O Quadro 2.4 traz um resumo comparativo das variáveis dependentes e independentes utilizadas nos principais estudos sobre estrutura de capital de multinacionais, os quais são tomados como base por este estudo para as contribuições à teoria.

Este ensaio além do controle pela nova variável de internacionalização (EMODT), traz de forma mais completa outras variáveis de controle do nível da firma, abordadas por uns autores e não tratadas por outros. A utilização de todos os controles encontrados nos modelos dos trabalhos anteriores se deu em função de tentar explicar melhor o efeito da internacionalização sobre o endividamento e melhorar a robustez do modelo em relação aos anteriores.

Destaca-se que cada variável de controle foi amplamente testada por outros estudos e sua utilização justificada teoricamente, como já destacado nos Quadros 2.1 e 2.2.

Quadro 2.4 - Resumo dos determinantes da estrutura de capital utilizados nos estudos.

Determinantes da estrutura de capital Siglas Estudosa

(1) (2) (3) (4) (5)

Notas. (a) Estudos: (1) Kwok e Reeb (2000), (2) Singh e Nejadmalayeri (2004), (3) Mittoo e Zhang (2008), (4) Saito e Hiramoto (2010), (5) este trabalho (b) somente este estudo utilizou-se da forma de mensuração multidimensional recomendada pela UNCTAD (2011), os demais utilizaram-se de medidas unidimensionais que compõem o DOI como ativos no exterior e exportações.

Para verificar possíveis problemas de multicolinearidade na adição de tais variáveis adicionais de controle do nível da firma foi realizado o teste vif (variance inflation factor) do conjunto de regressores com as variáveis dependentes. Utilizou-se o critério de verificação da multicolinearidade que o maior valor vif dos regressores não superasse 10. Não foi constatado nenhum problema de multicolinearidade. Os resultados do teste de multicolinearidade estão apresentados no Apêndice A.

As análises de regressão em painel partem do Modelo (2.1). Este modelo não acrescenta nada de novo em termos teóricos. Pode ser entendido como uma compilação dos modelos dos estudos dos autores mais relevantes Kwok e Reeb (2000), Singh e Nejadmalayeri (2004), Mittoo e Zhang (2008) e Saito e Hiramoto (2010), com algumas diferenças importantes (a) maior controle dos efeitos por incorporar mais variáveis de controle e (b) uma melhoria na forma como se mensura o grau de internacionalização das multinacionais (mensuração multidimensional da internacionalização, conforme recomendado pela UNCTAD (2011). Estes autores trazem as variáveis de controle relacionadas ao nível da firma (SIZE, GROW, PROF, RISK, TANG, LIQUID e TAX) e também controles por indústria (IND), ano (YEAR) e país (CNTRY). Serão testados estes determinantes para as diferentes variáveis dependentes LEVERAGE (STLEV, LTLEV, TLEV) na amostra de empresas multinacionais (DOI > 0) e domésticas (DOI = 0). Este modelo analisa os efeitos do grau de internacionalização (agora medido de forma multidimensional e com mais variáveis de controle) nos níveis de endividamento e serviu de ponto de partida para analisar os efeitos do modo de entrada no endividamento.

(Modelo 2.1) O Modelo 2.2 considera as mesmas variáveis do Modelo 2.1, porém nele é incorporada a variável EMODT, que representa os modos de entrada das multinacionais no mercado internacional. Os coeficientes gerados a partir do modelo com o novo controle EMODT são comparados com os coeficientes produzidos pelo Modelo 2.1, de tal forma que os efeitos do modo de entrada no nível de endividamento fiquem evidenciados e possam ser contrastados.

(Modelo 2.2) Dado que a principal crítica feita por este trabalho reside no fato de qual a hipótese upstream-downstream não considera os modos de entrada, tratando as multinacionais como uma massa de dados homogênea, o próximo passo foi separar as análises para as empresas multinacionais considerando os modos de entrada (EMODT). Assim, as análises a partir do Modelo 2.1 foram segregadas para a amostra de multinacionais (DOI > 0), dividindo-a em dois grupos: multinacionais com modo de entrada patrimonial e multinacionais com modo de entrada não-patrimonial.

A partir da ANOVA e dos coeficientes gerados pelos modelos verificou-se a validade dos resultados de estudos anteriores que não consideraram o modo de entrada e da afirmação central da hipótese upstream-downstream: “quanto maior o grau de internacionalização das multinacionais latino-americanas maior será o nível de endividamento”.

Adicionalmente segregaram-se as análises da ANOVA por países para identificar se há diferenças significativas entre os níveis de endividamento e níveis de internacionalização, testando a afirmação central da hipótese upstream-dowstream para cada país da amostra.