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Capítulo III – Estudo Empírico

3.1. Metodologia Pesquisa-Ação

Toda pesquisa científica precisa definir o seu objeto de estudo e a partir disso construir um processo de pesquisa, delimitando o universo que será investigado (Ventura, 2007). Assim, conforme a problemática e os objetivos do presente projeto de pesquisa estabelecidos anteriormente, busca-se neste tópico descrever qual procedimento metodológico será utilizado a fim de cumprir os objetivos da pesquisa. Portanto, foram pesquisados na literatura os desenhos de pesquisa existentes e chegou-se à conclusão que para cumprir adequadamente os objetivos propostos deverá ser utilizado a Pesquisa-Ação, uma vez que o investigador será parte atuante da pesquisa, da ação à transformação da instituição foco deste estudo.

Um dos precursores da metodologia Pesquisa-Ação foi o psicólogo alemão Kurt Lewin (1890-1947) e pode ser definida como um tipo de pesquisa participante engajada, em oposição à pesquisa tradicional, que é considerada como “independente”, “não-reativa” e “objetiva”. Como o próprio nome já diz, a pesquisa-ação procura unir a pesquisa à ação ou prática, isto é, desenvolver o conhecimento e a compreensão como parte da prática. É, portanto, uma maneira de se fazer pesquisa em situações em que também se é uma pessoa da prática e se deseja melhorar a compreensão desta (Engel, 2000). Este contexto pode ser aplicado à presente pesquisa, uma vez que o autor é parte integrante da organização foco do estudo e na presente data ocupa o cargo de gestão no ensino, possibilitando aplicar os conhecimentos adquiridos com a pesquisa na prática e através destas ações provocar uma mudança organizacional.

A pesquisa-ação pode ser vista como um processo que segue um ciclo iterativo no qual se aprimora a prática pela oscilação sistemática entre agir no campo da prática e investigar a respeito dela. Planeja-se, implementa-se, descreve-se e avalia-se uma

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mudança para a melhora de sua prática, aprendendo mais, no decorrer do processo, tanto a respeito da prática quanto da própria pesquisa, ou seja, na pesquisa-ação o investigador faz parte da pesquisa como uma ferramenta de transformação (Tripp, 2005). Neste sentido é possível estabelecer que com o uso da metodologia pesquisa-ação o ambiente de negócio de uma organização pode ser investigado e transformado, através das ações geradas no âmbito da pesquisa, como por exemplo a mudança de procedimentos, processos, métodos e a geração de novos conhecimentos acerca da organização.

A pesquisa-ação consiste em um time de profissionais, e possivelmente teóricos, que planejam, agem e avaliam os resultados das ações que foram executadas, monitorando as atividades. Fazem isso repetidamente por meio de uma espiral de passos até que um resultado satisfatório seja alcançado (Riccio & Holanda, 2001). Conforme demonstrado na Figura 3 por Tripp (2005, p. 4) no ciclo básico da pesquisa-ação.

Figura 3. Representação em quatro fases do ciclo básico da pesquisa-ação. Fonte: Tripp, 2005, p. 4

Analisando a imagem pode-se perceber a natureza cíclica da pesquisa-ação, onde uma fase leva a outra. Cada fase concentra um objetivo específico a ser realizado pelo pesquisador e um roteiro de atividades a serem executadas dentro de cada fase é fundamental para cumprir corretamente o ciclo proposto e garantir a integridade dos conhecimentos gerados e ações realizadas no decorrer da pesquisa. Neste sentido, o autor Engel (2000) estabelece uma série de atividades a serem desenvolvidas dentro do ciclo da pesquisa-ação, que servirão de roteiro metodológico na presente pesquisa.

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A primeira atividade é chamada de Definição do Problema e deve estar relacionada a algo que precise ser melhorado ou necessite de inovação. Após a identificação de um ou vários conjuntos de situações problemáticas que podem ser objeto de estudo, cada uma delas deve ser submetida a uma análise prévia para verificação de seu grau de relevância prática ou viabilidade (Engel, 2000). A segunda atividade está relacionada a uma Pesquisa Preliminar que deve estar relacionada a revisões bibliográficas com a finalidade de verificar o que pode ser aprendido com pesquisas semelhantes já realizadas, a aplicação de técnicas de observação que buscam compreender o problema existente e por fim o levantamento das necessidades da organização foco do estudo, que será sanado com a realização da pesquisa (Engel, 2000). A terceira atividade é a formulação da Hipótese que com base nas informações coletadas na pesquisa preliminar, passa-se a formulação das hipóteses a serem testadas no decorrer da pesquisa (Engel, 2000). Pode-se então concluir que essas três atividades juntas consistem na fase ‘Planejar’ demonstrada na Figura 3.A quarta atividade é o Desenvolvimento de um Plano de Ação para compreender e reverter a situação problemática com base nas hipóteses levantadas. A quinta atividade é a Implementação do Plano e execução da ação sistemática proposta (Engel, 2000). Assim, essas duas atividades correspondem a fase ‘Agir’ proposta na Figura 3. A sexta atividade é a Coleta de Dados que visa descrever todo o procedimento metodológico realizado como resultado da implementação do plano. Nessa atividade também são feitas comparações entre os conhecimentos ou ações que antes eram compreendidas pela organização e agora foram modificadas pela intervenção resultante da ação da pesquisa (Engel, 2000). Assim, a sexta atividade corresponde a fase ‘Descrever’ do clico apresentado na Figura 3. A sétima atividade é a Avaliação do Plano de Intervenção onde o pesquisador de posse dos dados levantados na fase anterior, deverá analisa-los e interpretá-los, tirando assim suas conclusões, verificando se o desenvolvimento do plano surtiu o efeito esperado e se estes efeitos necessitam de aperfeiçoamento em um novo clico de pesquisa ou se já serão utilizadas para fins de divulgação (Engel, 2000). E por fim, a oitava e última atividade é a Comunicação dos Resultados onde o pesquisador deve verificar se o plano de intervenção tenha dados resultados predominantemente positivos, e caso sim tornar pública a sua experiência, através de um artigo, comunicação em eventos científicos ou

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