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3. ESTUDO EMPÍRICO

3.2. METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO NA RECOLHA E TRATAMENTO DE DADOS

3.2.2. METODOLOGIA: VARIÁVEL DEPENDENTE E MODELO

Numa primeira parte do estudo, procuramos estudar as práticas de relato não financeiro adotadas,

avaliando se as empresas cotadas em bolsa efetuam o seu relato não financeiro mediante a inclusão

de toda a informação (financeira, não financeira e de gestão) num relatório único ou se dividem entre

o relatório e contas (para a informação financeira) e o e relatório de gestão (com a informação não

financeira e de gestão).

Em relação ao framework seguido pelas empresas portuguesas que divulgam as suas informações

não financeiras, iremos avaliar qual dos referenciais teóricos é o mais escolhido pelas empresas

analisadas.

Os relatórios de informação não financeira emitidos pelas empresas foram objeto de uma análise

de conteúdo, de forma analisar o impacto e aplicabilidade do normativo em Portugal. Para avaliar o

grau de cumprimento do DL 89/2017 foi criado um índice de divulgação, tendo por base um conjunto

de 8 itens de informação (ver tabela 11), que contemplam a diversidade de informações não

financeiras que as empresas divulgam.

Assim o valor do Índice, é o resultado da divisão da pontuação total obtida por cada empresa, pelo

número máximo dos pontos atribuídos (8), conforme descrito abaixo:

Tabela 9 - Fórmula para cálculo do índice de Divulgação

Este índice de divulgação irá constituir a nossa variável dependente, permitindo-nos medir o nível

de divulgação de informação não financeira que procuramos associar com as variáveis

independentes presentes nas hipóteses de investigação anteriormente definidas. Para o efeito será

constituído um modelo de regressão linear múltipla, conforme se descreve na tabela 10.

Tabela 10 - Modelo Regressão Linear Múltipla.

Ind = α0 + β1Tam + β2Rent + β3Endiv + β4TAud + β5Inter + β6TSet + β7TRelat + β8Ref + ei

IND

j

Índice de Divulgação de informação não financeira da empresa j

i

n

Item de informação não financeira i em análise. Variável

dicotómica (dummy) com valor 1 se a empresa divulga

informação sobre o elemento e valor 0 se a empresa não divulga

informação sobre o elemento

i Número máximo de itens (8)

i

IND

j

=∑ i

n

i

Onde:

Tam – Tamanho, medido pelo Log do Total do Ativo

Rent – Rentabilidade do capital próprio (rácio entre resultado líquido do período e o total

do capital próprio)

Endiv – Endividamento (rácio do passivo sobre o total do capital próprio)

TAud – Tipo auditor, dividindo-se em dois grupos (variável dummy):

0 – Auditor pertence às Big4;

1 – Auditor não pertencem às Big4;

Inter – Atividade de Internacionalização, dividindo-se em dois grupos (variável dummy):

0 – Empresa trabalha num âmbito nacional;

1 – Empresa trabalho num âmbito multinacional;

TSet – Setor de Atividade, dividindo-se em dois grupos (variável dummy):

0 – Empresa não pertence à indústria;

1 – Empresa pertence à indústria;

TRelat – Tipo de relatório, dividindo-se em dois grupos (variável dummy):

0 – Informação não financeira divulgada no relatório e contas;

1 – Informação não financeira num relatório separado;

Ref – Framework de referência, dividindo-se em dois grupos (variável dummy):

0 – Não menciona nenhum modelo ou outro que não o GRI;

1 – Menciona o GRI como modelo utilizado.

Após compilar todas as informações necessárias das empresas, recorremos ao programa

informático Statistical Package for Social Sciences (SPSS) para criar uma base de dados e

efetuarmos o respetivo tratamento estatístico e análise dos dados.

Conforme referimos, procuramos avaliar o grau de cumprimento do DL 89/2017 utilizando um índice

de divulgação, à semelhança de outros estudos que se debruçam sobre o grau de cumprimento de

determinado normativo contabilístico.

Atendendo ao objetivo principal desta investigação, construindo-se um índice de divulgação com 8

itens correspondentes a informação obrigatória pelo DL n.º 89/2017, artigo 66º-B do CSC e as

orientações sobre a comunicação de informações não financeiras, da Comissão Europeia, conforme

a tabela 11.

Tabela 11 - Itens de divulgação

Itens de Divulgação

1. Compreensão da evolução da empresa (Modelo Empresarial e riscos associados)

2. Posição da empresa (Políticas e diligências devida)

3. Desempenho da empresa (Resultados/Indicadores-Chave de Desempenho)

4. Impacto das suas atividades em questões ambientais

5. Impacto das suas atividades em questões sociais e relativas aos trabalhadores,

Igualdade entre mulheres e homens e não discriminação

6. Impacto das suas atividades em questões de direitos humanos

7. Impacto das suas atividades em questões de combate à corrupção e tentativas de

suborno

8. Descrição da política de diversidade que aplicam relativamente aos seus órgãos de

administração e de fiscalização

O cálculo deste índice foi realizado de acordo com a literatura de investigações semelhantes, e

apresenta duas características principais:

• Dicotómica: quando o item é divulgado atribui-se a pontuação de 1, caso contrário a

ausência da informação será sinalizada com 0;

• Não ponderada: o resultado é alcançado através de uma soma não ponderada,

pressupondo que cada item têm a mesma relevância para a entidade;

Deste modo o índice varia entre 0 e 1, sendo que 1 significa que a empresa divulga sobre a totalidade

dos itens. Explicamos de seguida cada um dos itens em análise.

1. Compreensão da evolução da empresa (Modelo Empresarial e riscos associados)

Como forma de enquadramento à empresa é importante o relatório não financeiro começar com

uma explicação clara das suas atividades, dos seus produtos/serviços, cadeias de abastecimento e

relações empresariais. Existem riscos específicos a curto, médio e longo prazo, associados a certos

setores, processos produtivos ou mesmo a produtos finais/serviços. Como tal torna-se uma

informação bastante pertinente de divulgação para os stakeholders terem real noção do seu

enquadramento. Importante também referir que neste ponto devem evitar divulgar informações

imateriais, ou caráter promocional, que constituem meras aspirações, que desviem a atenção das

informações materiais.

2. Posição da empresa (Políticas e diligências devida)

Tendo em conta os riscos de cada empresa é importante estudar quais as suas políticas de gestão

para sua prevenção e resolução dos mesmos. Quais os seus principais objetivos, planos de

execução e avaliação dos mesmos. Estas preocupações devem-se manter-se nas suas relações

contratuais de fornecedores e subcontratados.

3. Desempenho da empresa (Resultados/Indicadores-Chave de Desempenho)

Como descrito no ponto anterior não é só importante tomar de medidas e criar planos de

intervenção, mas avaliar os seus efeitos. Reavaliar se os seus planos são eficazes na concretização

dos objetivos, tomando as medidas corretivas necessárias. Devem ainda conter indicadores-chave

de desempenho gerais, setoriais e específicos da empresa, uma vez que permitem a comparação

entre anos e empresas semelhantes. Os stakeholders tendem a valorizar estas as informações

quantitativas, como forma de medir progressos.

4. Impacto das suas atividades em questões ambientais

Atualmente na comunicação social percebemos que este é um fator bastante importante, existindo

cada vez mais legislação para as empresas neste sentido, principalmente em setores de risco. Posto

isto, a inclusão de informação de caráter ambiental nas informações não financeiras é

imprescindível, devendo divulgar informações pertinentes dos impactos reais e potenciais das suas

operações sobre o ambiente, bem como da forma como as questões ambientais, atuais e

previsíveis, poderão afetar a sua evolução, desempenho ou posição.

Como exemplo de indicadores chave normalmente utilizados são: informações materiais sobre a

prevenção e o controlo da polição; o impacto ambiental do consumo da energia; as emissões

atmosféricas diretas e indiretas; a utilização e proteção de recursos naturais (exemplo água e terra)

e a proteção conexa da biodiversidade; gestão resíduos; os impactos ambientais causados pelo

transporte ou pelo utilização e eliminação de produtos e serviços; desenvolvimento de produtos e

serviços ecológicos;

5. Impacto das suas atividades em questões sociais e relativas aos trabalhadores, Igualdade

entre mulheres e homens e não discriminação

Por força das convenções da Organização Internacional do Trabalho temas como a diversidade de

sexo, igualdade de tratamento no emprego e na atividade profissional (independentemente da idade,

sexo, orientação sexual, religião, deficiência, origem étnica ou outros aspetos pertinentes),

tornaram-se parte das políticas das empresas. Questões laborais como a consulta e/ou participação

dos trabalhadores no emprego e nas condições de trabalho, as relações com os sindicatos, a gestão

do capital humano (a empregabilidade, o sistema de remuneração e a formação), a saúde e

segurança no trabalho, as relações com os consumidores, os impactos sobre consumidores

vulneráveis, as práticas de comercialização e investigação responsáveis e as relações com as

comunidades fazem parte das informação não financeiras sociais a serem divulgadas.

6. Impacto das suas atividades em questões de direitos humanos

Em complemento com o ponto anterior, os direitos humanos tornam-se mais abrangentes, onde as

informações refletem preocupações com os direitos das crianças, das mulheres, das populações

autóctones, das pessoas com deficiência, das comunidades locais, dos pequenos agricultores e das

vítimas de tráfico de seres humanos, e os direitos dos trabalhadores, nomeadamente dos

trabalhadores com contrato temporário, dos trabalhadores nas cadeias de abastecimento ou

subcontratantes, dos trabalhadores migrantes e das respetivas famílias. Estes tipos de divulgações

por parte das empresas são considerados boas práticas no seu compromisso de respeito pelos

direitos humanos.

7. Impacto das suas atividades em questões de combate à corrupção e tentativas de suborno

Um item ainda pouco explorado e aplicado são as medidas de combate à corrupção e tentativas de

suborno. Como forma de incentivar as práticas nestas questões a legislação exige a divulgação

sobre a forma como gerem os casos de corrupção e de suborno e o seu combate. Quais as medidas

que implementam para prevenir ou mitigar os impactos negativos, se acompanham a sua eficácia e

comunicam sobre este tema interna e externamente.

8. Descrição da política de diversidade que aplicam relativamente aos seus órgãos de

administração e de fiscalização

Tal como previsto no artigo n.º 20 da diretiva 2013/34/UE a divulgação da diversidade nos órgãos

de governo não faz parte da demonstração não financeira, no entanto deve especificar quais os

critérios de diversidade aplicados e explicar os motivos subjacentes à sua escolha. Aspetos como a

idade, o sexo, as habilitações, os antecedentes profissionais, a origem geográfica, a experiência

internacional e os conhecimentos técnicos nas questões de sustentabilidade.