4.1 - Área de estudo
A área em estudo insere-se na região PROF BeP15 e corresponde às áreas submetidas ao Regime Florestal Parcial dos seis perímetros florestais já identificados no ponto 2.1.3. Pela observação do mapa seguinte (figura 4.1), visualizamos a sua distribuição pelos concelhos do Barroso e Padrela, constatando-se que o perímetro florestal do Barroso ocupa a maior área; nos concelhos de Montalegre, Boticas e Vila Pouca de Aguiar é onde predominam as áreas sujeitas a esta Servidão Pública.
Figura 4.1 – Região PROF BeP (limites de concelhos e perímetros florestais)
Relativamente à ocupação actual do solo nesta região, verifica-se que a área relativa a espaços florestais não arborizados é a que ocupa maior superfície, com 37% da área total da região, seguido pela área agrícola com 32%. Aos espaços florestais arborizados fica reservada uma área de 84 219 ha (29%), um pouco dispersa por todos
15 Os Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF’s) são definidos na Lei de Bases da Política
Florestal Nacional (Lei nº33/96 de 17 de Agosto), sendo seus objectivos servirem como instrumentos sectoriais de gestão territorial, com competências para a definição das formas de ocupação e utilização do espaço florestal a nível regional.
O PROF BeP foi aprovado a 16 de Novembro de 2006 em Conselho de Ministros, tendo posteriormente sido publicado em Diário da República (Decreto Regulamentar nº3/2007, de 17 de Janeiro).
os concelhos, sendo esta dominada essencialmente por resinosas (69%), na qual se destaca o pinheiro bravo, com cerca de 51 mil hectares de ocupação (PROF Barroso e Padrela, 2006).
No que se refere às áreas baldias, que na sua esmagadora maioria estão submetidas ao Regime Florestal, distribuem-se pelos seis perímetros florestais desta região, conforme mostra o quadro seguinte.
Quadro 4.1. – Ocupação do solo dos perímetros florestais
Perímetro florestal Área total
(ha) (ha) (%) Área arborizada Concelhos
Alvão 10 175 4 975 48,9 Vila Pouca de Aguiar
Barroso 40 827 13 181 32,3 Boticas e Montalegre
Chaves 8 074 5 006 62,0 Boticas e Chaves
Serra da Padrela 10 574 4 578 43,3 Vila Pouca de Aguiar
Serra de Stª Comba 3 917 2 255 57,6 Murça, Valpaços e Vila
Pouca de Aguiar Serras de S. Domingos
e Escarão
2 391 810 33,9 Murça e Vila Pouca de
Aguiar
Total: 75 958 30 805 40,6 6
Fonte: PROF BeP (2006)
Por último, refira-se que na selecção desta área de estudo, teve-se em consideração o facto desta região PROF ser a mais representativa de áreas submetidas ao Regime Florestal em Portugal Continental.
4.2 - Recolha de dados
A recolha de dados, neste estudo, baseou-se na pesquisa documental a partir da consulta dos registos de venda existentes nos arquivos da Direcção Regional das Florestas do Norte, designadamente a utilização dos mapas de venda de material lenhoso relativos às adjudicações ocorridas entre 1987 e 2007 (21 anos).
Os resultados da pesquisa consistiram em recolher os seguintes dados:
- Data de venda;
- Localização do lote (unidade de baldio, freguesia, concelho e perímetro florestal);
- Tipo de corte (final, cultural e extraordinário); - Composição do lote;
- Dimensões do arvoredo (número de árvores por classe de diâmetro, número total de árvores e volume do lote);
- Condições de venda (prazo de corte e extracção, número de prestações e periodicidade de vendas);
- Preço de adjudicação do lote;
- E, em complemento, realizou-se a recolha de dados relativos à área ardida de povoamento florestal no país, por ano.
Estes dados foram recolhidos em todos os lotes, totalizando um universo de 1449 lotes de material lenhoso.
4.3 - Tratamento de dados
A variável dependente no nosso estudo é o preço, sendo que se considerou a sua análise a três níveis: preço por metro cúbico de material lenhoso, preço por árvore e preço total do lote. Aos preços correntes de venda dos lotes, procedeu-se, para efeitos de comparação e análise, à sua actualização ao ano de 2007, tendo-se recorrido para o efeito às taxas anuais de inflação, publicadas pelo Banco de Portugal.
Quanto às variáveis independentes consideradas, estas correspondem aos parâmetros recolhidos e identificados no ponto anterior (4.2), bem como, a outras variáveis obtidas a partir destes, nomeadamente:
- Condições de mercado (volume de material lenhoso disponível no mercado em determinado momento; regularidade de vendas; número de empresas presentes na venda e número de adjudicatários);
- Distância média do lote à sede da empresa adjudicatária; - Remoção total das árvores versus remoção parcial; - Presença de arvoredo verde versus arvoredo danificado; - Povoamento puro versus povoamento misto;
- Diâmetro médio das árvores do lote e valor da respectiva dispersão (desvio padrão);
- Relação do número de árvores a extrair por unidade de tempo e, do volume por prestação paga.
Relativamente às espécies presentes nos lotes, procedeu-se, com excepção do pinheiro bravo, castanheiro, eucalipto e carvalho, à agregação de várias espécies com menor representatividade, num grupo denominado de resinosas diversas: pinheiro silvestre, pinheiro larício, chamaecyparis, cupressus, pseudotsuga, picea, cedrus, lárixe, abeto e pinheiro insigne.
No que se refere ao tipo de corte, importa salientar que dentro do corte extraordinário foram considerados quatro “grupos” distintos, nomeadamente:
- Resultantes de arvoredo percorrido por incêndio;
- Provenientes da necessidade de corte de árvores para instalação ou melhoramento de infra-estruturas, por exemplo, construção ou alargamento de estradas, expansão de perímetros urbanos, pedreiras, linhas eléctricas, etc.; - Constituídos por arvoredo danificado devido a condições meteorológicas adversas (vento, neve, etc.);
- Resultantes de cortes sanitários.
Para tratamento destes dados, foram aplicadas técnicas de análise multivariada, com recurso ao programa estatístico SYSTAT para Windows (versão 11).
Inicialmente, foi realizada a análise de correlação linear de Pearson (matriz de correlação), com o objectivo de analisar o comportamento entre as diferentes variáveis independentes e o preço. Em seguida, procedeu-se à análise em componentes principais, com o objectivo de identificar e analisar quais as melhor explicativas da variável dependente, isto é, do preço. Em simultâneo, foi possível identificar a proximidade entre as diferentes variáveis consideradas.
Posteriormente, foram aplicados modelos empíricos para a formação do preço. Estes foram ajustados com recurso à análise de regressão múltipla, em procedimentos “stepwise”, seleccionando-se as variáveis independentes com maior capacidade explicativa.
Quanto à informação recolhida, recolhece-se que outras variáveis independentes influenciam significativamente a formação do preço da madeira em pé, constituindo assim a sua ausência uma limitação a este estudo, permitindo contudo, que futuramente o mesmo possa ser aprofundado.
São exemplo, de outras variáveis com influência no valor do material lenhoso em pé: a idade, a área dos lotes, presença de feridas de resinagem, acessos, declive, tipo de solo, pedregosidade, afloramentos rochosos, qualidade do arvoredo, etc.