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No documento ROBSON DU'SCKURO (páginas 74-80)

Aprendi do meu jeito a vencer e a perder.

A cair e levantar, pois tudo tem um porquê.

São Lourenço do Sul – 2011

16 vERõES

“O amor é aquela fiel doença, sepultada no peito dos pobres de espírito que a desdém”,

“Talvez sofrer desse mal milenar seja a cura d’almas castigadas a solidão”.

“Chorar por amor é a maior prova de que estamos vi-vos”.

Tudo começa como um sonho.

Os olhos se abrem com dificuldade,

Calma, sem temor levemente sereno como se o aquilo que preenchia sua vista,

fosse esperado.

Duas esferas, tão negras quanto a escuridão se reve-lam, dançam a valsa do descobrimento.

Cobertas por um manto úmido e em piscadelas que não distinguem o que há ao seu redor.

Nada vezes nada;

Nada ao quadrado, lançado ao leu, um céu branco acin-zentado, mistura de sensações, ternura e angústia desfilam de mãos dadas no desconforto que aquele branco propor-ciona.

E os olhos negros voltam a dançar em busca de algo que pudesse distinguir.

Apenas a serração que encobre corpo, alma e depres-são.

O garoto agora move a cabeça, mas antes sente o chão

molhado do sereno o suficiente para causar um friozinho as suas costas.

— Estou deitado, mas onde? Numa tentativa dispersa de resposta.

Mão abertamente posta ao chão, sente que todo o seu corpo descansa, sobre uma tranqüilidade familiar.

Mas a dúvida ou o medo dela o estremece, estrutural-mente seus músculos se enrijecem para que o resto do con-junto de ossos erga.

Agora de pé ele pode analisar com calma a ridícula si-tuação em que se encontra.

Num raio de 2 m com os braços entendidos sobre o breu de calmaria, somente sons distintos do vento abraçando a coca das árvores destemidas que ali se fazem presentes.

Alguns passos, mas em silêncio a frente, com os pés descalços pisando sobre poças criadas pelo orvalho, não há frio, não há fome, não há ninguém aparentemente naquele local, só uma estranha sensação de familiaridade.

Com os olhos fixados no nada, ele olha para o chão, mais especificamente para seus pés e certificando-se de que estava tudo bem com sua integridade física.

Suas mãos estavam incrivelmente sujas, imundas e o mais incrível era o fato de estar com uma camisa branca impecavelmente limpa; como pode.

Será um sonho; pensou. A resposta continua sendo o silêncio.

— Estou onde o “longe de tudo se encontra com o nada”, só o branco.

De repente um súbito aroma, cobre o manto do de-licioso, suave imprevisível e doce desperta seus sentidos, então tudo aquilo que imaginava daria voltas em sua cabe-ça, aquele pequeno e controverso mundinho que o cercava

dava sinais que de alguma coisa aconteceria, e o cheiro quase que palpável o seduzia como música seduz uma naja.

Ao longe ou perto, não conseguia precisar a distância em meio ao branco total, quase que aterrorizante uma si-lhueta lentamente ia se formando, à medida que se aproxi-mava a nitidez que com certeza não era a melhor naquele lugar, o menino passou uma mão na outra para então lim-par os olhos molhados de sereno, serrou os cílios à medida que a agora sombra se aproximava.

Agora conseguia não nitidamente, mas conseguia per-ceber que a sombra se tratava de uma mulher com curvas sinuosas e de vestido ironicamente de cor branca, para de-lírio do espectador que quase não conseguia definir, onde começava e onde terminava a sombra feminina, ao menos sabia que era uma sombra; e feminina, olhou rapidamente ao redor para certificar-se de que não havia mais das si-lhuetas fantasmagóricas o observando.

— Quem está aí?

— Quem é você? Mas sua voz amargava o gosto do exí-lio, não saía nem se quer um suspiro.

E a estranha sombra de mulher se aproximava lenta-mente, como se não tivesse a mínima pressa de chegar ao seu destino.

Não conseguia enxergar seu rosto, mas sentia no fundo da sua alma que era bela, a mais bela das sombras fantas-magóricas que conhecera na vida, por mais que não do-minasse com precisão assuntos fantasmagóricos e muito menos a beleza das sombras, nada além das últimas horas ou minutos, sei lá, havia certamente se perdido no calabou-ço do tempo.

Então a mulher, a mulher agora definitivamente postou-se a sua frente ainda não conpostou-seguia definir ou mensurar o

tamanho de sua beleza, sem ao menos caracterizá-la.

Cabelos medianos também negros como os próprios, que dançavam de acordo com a brisa que soprava, paira-vam como um fino véu de seda na qual parecia molecagem dos anjos. Cobriam um rosto de traço delicado como uma boneca de porcelana.

Quem é você? Um vazio audacioso e peculiar, sua voz insistia em esconder-se da bela fantasminha.

Uma vontade quase subumana de tocá-la, mas seu cor-po não a alcançava, era ela, mais uma vez perturbando seus pensamentos, era justo quem ele aguardara a vida in-teira, talvez até antes mesmo de sua existência. Sentia isso em seu inconsciente.

Sabia que era bem mais, do que um sinistro ser que vie-ra pavie-ra assombvie-rar seus sonhos, alguém escondida no seu eu e guardada, nas portas do colossal monumento torácico, lacrado por uma chave latente.

O coração. Ah! Poderoso, charmoso chavão, que poetas sem inspiração, utilizam como uma estratégica patética de jubilar seus apreciadores, uma saída de seus despropósitos emocionais e o julgam como um ser de carne e osso, pois bem até pode se passar por um ser vivo e mesquinho, mas definitivamente sem osso, sem coração, sem noção um ma-nipulador. Somos meros coitados em suas mãos.

A mulher sem rosto estendeu as mãos

Ah! Que belas mãos! Moveu o maxilar lentamente para balbuciar algo, o aroma doce voltou a compensar o ar.

E uma brisa de paz voltou a assombrá-lo ouvia a essa altura gorjeio de pássaros e um murmúrio mais suave e conhecido ainda.

Bip; bip; bip;

Bip; bip; bip!

— Khallil acorda filho tu tá atrasado!

Sonhos são portas que nos levam para mundos parale-los entre a inconsciência

e a realidade que insiste em dizer “ presente”.

E que o despertador faz questão de nos trazer de volta!

O amanhecer para um novo dia,

um novo desafio e uma nova conquista.!

São Lourenço do Sul – 2011 Skuro

No documento ROBSON DU'SCKURO (páginas 74-80)

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