3. Enquadramento Institucional
3.3 Escola Cooperante (EC)
3.3.4 Os meus alunos
Ansiedade e expetativa foi o que eu senti em relação a conhecer os meus alunos. Relativamente à escolha das turmas, foi-nos dada a possibilidade de escolha sendo que as turmas residentes que poderíamos optar eram todas do ensino secundário. As hipóteses em escolha foram entre duas turmas de 11º ano e uma turma de 12º ano. A minha escolha recaiu sobre uma turma de 11º ano por mútuo acordo entre o NE.
Relativamente à turma partilhada, a professora cooperante sugeriu-nos uma turma de 9ºano para que pudéssemos contactar com uma realidade diferente.
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A minha turma residente foi um 11º ano do curso de ciências socioeconómicas, constituída por 25 alunos, dos quais 13 eram do sexo masculino e 12 do sexo feminino.
Na primeira aula com a turma, realizou-se a apresentação. Para conhecermos melhor a turma, o NE decidiu realizar uma caraterização biográfica e socioeconómica da turma através de um questionário realizado ao aluno.
Este estudo teve como principal objetivo conhecer a turma que iria lecionar ao longo do ano letivo, recolhendo informações essenciais para uma melhor abordagem de todo o processo de ensino-aprendizagem. Toda essa recolha permitiu ter um conhecimento mais aprofundado dos alunos, quer do ponto de vista individual, quer do ponto de vista global da turma. Com isso, o meu olhar e a minha atuação centraram-se naquelas que são as características do grupo, atendendo sempre às individualidades de cada um. Roldão (1995), afirma que a caracterização da turma deve ser elaborada no início do ano letivo. Essa caraterização permite aos professores da turma ficar na posse de informações relevantes, numa perspetiva formativa e construtiva, com o intuito de melhor planificar e calendarizar as diversas atividades a desenvolver com os alunos. Importa referir alguns resultados que foram influenciando as aulas.
Relativamente aos resultados da anamnese (gráfico 1) foi possível verificar que havia um aluno com patologia respiratória e outro com patologia articular, cinco alunos com problemas de coluna, seis alunos que sofreram intervenção cirúrgica, dois alunos que se encontram medicados regularmente e três alunos que consomem álcool.
0 1 2 3 4 5 6 7
Anamnese
Gráfico 1- Anamnese30
Estes dados obtidos permitiram-me perceber que alguns problemas evidenciados poderiam afetar a prática regular da educação física. Tal se verificou ao longo do ano, tendo alguns alunos não realizado algumas modalidades e/ou exercicios devido ao seu problema de saúde, como foi no caso da ginástica. Dois alunos não realizaram as aulas práticas devido a problemas de costas.
Relativamente ao que diz respeito à disciplina de Educação Física, tentei perceber o gosto pela disciplina. De um modo geral, aqueles que responderam, gostam da disciplina como nos mostra o gráfico 2.
Ainda relativamente à disciplina de educação física importa referir que 18 dos 25 alunos praticam alguma atividade extracurricular, sendo que oito alunos estão inseridos no desporto federado, um aluno no desporto escolar e nove alunos praticam atividade física regularmente. Este dado foi interessante para verificar a motivação dos alunos para a realização da disciplina.
Em termos de comportamento, percebi que as aulas não iriam ser um mar de rosas, porque haviam dois ou três elementos “armados em engraçadinhos”, o que se verificou ao longo das aulas. Por vezes houveram comportamentos desviantes que destabilizavam a turma. No entanto, no geral, a turma era bem- comportada, trabalhadora e interessada pela disciplina.
Dadas as características da turma, por vezes tive a necessidade de adotar uma postura mais rígida para que os alunos mais desestabilizadores, não se excedessem muito e para conseguir manter um bom controlo da turma, o que no
0 2 4 6 8 10 12 14 Não Respondeu
Não Gosta Gosta Pouco
Gosta Suficiente
Gosta Gosta Bastante
Gosto pela Disciplina
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início não foi uma tarefa fácil. As maiores dificuldades que sentia era sobretudo na organização e instrução, onde demorava algum tempo.
No inicio da aula, os alunos estavam um pouco agitados, senti alguma dificuldade em organiza-los rapidamente para iniciar a aula.
(Reflexão de Aula 1/10/2019)
Nesta turma, optei por lecionar algumas modalidades através do MED, uma vez que, o aspeto do trabalho de equipa, cooperação e de todos os alunos estarem envolvidos nas tarefas, deveria ser melhorado. A meu ver, este tipo de abordagem, o MED, foi uma mais valia para trabalhar lacunas que existiam na turma, como por exemplo a entreajuda e a cooperação. Este modelo, também permitiu que os alunos que saiam fora da tarefa, não o fizessem com tanta frequência, uma vez que estavam comprometidos com a sua equipa.
De um modo geral, considero esta turma, a minha turma, com uma boa predisposição para a prática da educação física, tendo alguns alunos de excelência.
É uma turma que vou levar para a vida, pois foi e é a minha primeira turma de sempre.
Turma Partilhada: A outra faceta
A minha experiência na turma partilhada decorreu no terceiro ciclo, no 9ºano de escolaridade na escola EB2.3 Egas Moniz pertencente ao agrupamento de escolas Francisco de Holanda.
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Esta turma foi-nos proposta pela nossa professora cooperante com o objetivo de percebermos uma realidade diferente, tratando-se assim de uma turma muito especial que nos deu algumas dores de cabeça.
Contextualizando e caraterizando um pouco esta turma, ela é constituída por 24 alunos e tida pelos professores como a turma mais problemática da escola. Possui alunos de etnias diferentes, alunos com apoio psicológico, alunos institucionalizados e outros abrangidas em projetos de apoio. É uma turma muito diversificada socialmente e culturalmente, e por isso, tornou-se difícil de gerir e trabalhar, existindo comportamentos inadequados à aula, alunos barulhentos, pouco concentrados e por vezes mal-educados.
A nossa postura perante esta turma teve de ser completamente diferente do que aquela que tivemos com a nossa turma residente. Postura mais rígida, forte e sem dar espaço para demasiada descontração.
No que concerne ao domínio motor, a turma caraterizava-se por ser bastante heterogénea pela existência de alunos com dificuldades ao nível da coordenação e por ter outros alunos com potencial. Relativamente ao domínio cognitivo, apesar da maioria dos alunos apresentarem alguns conhecimentos sobre as várias modalidades abordadas, também se notou por parte de outros um grande desconhecimento ao nível de conteúdos, habilidades, execução e regras. Dentro do domínio sócio afetivo era percetível uma má relação dentro do grupo, os alunos estavam constantemente em atritos e zangas. Sistematicamente o professor tinha de intervir na aula para resolução de problemas o que fazia com que o tempo de empenhamento motor não fosse muito elevado. Porém, não era tempo perdido, porque aquela turma precisava que fosse trabalhado a parte socio afetiva.
A experiência vivida nesta turma, mostrou-me que existem realidades muito diferentes e que nós enquanto agentes da educação temos de saber lidar seja com que situação for. Apesar de muitas dores de cabeça, foi um desafio gratificante. Sem dúvida que não trocava aquela turma por nenhuma. Apesar do mau comportamento, sentia-me como um ídolo para eles e que a disciplina de educação física era a preferida.
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Acredito que as vivências deles, tivessem-nos formatado para o que eles são, mas acredito que no futuro serão bons rapazes e raparigas.
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