25 Instituto Central de Educação Isaías Alves.
26 Benevides (2006) destaca que na Bahia os secundaristas “possuíam um grau de mobilização maior (...) também eram os secundaristas que compareciam em maior numero às passeatas”. Ressaltando que essa participação constante, inclusive em número de indivíduos durante as passeatas, apresentou-se, para alguns dos entrevistados ao longo de sua pesquisa, como atrativa para organizações de esquerda em busca da ampliação de seus quadros.
68 O ano de 196827 pode ser destacado como o ano em que, mundialmente, foram observados diversos tipos de manifestações. Em relação ao Brasil, esse período correspondia ao quarto ano da efetivação do golpe militar. Diante dessas informações podemos nos questionar: como se encontrava o Movimento Estudantil (ME) brasileiro e Baiano?
Tendo suas entidades representativas desarticuladas nos anos anteriores, verificamos um novo direcionamento do movimento estudantil a partir do ano de 1968. Como destaca Benevides (2006), esse foi o período em que a combatividade estudantil se intensificou em todo o país porque, com a morte do estudante Edson Luis, a repercussão do caso atingiu diversos estados brasileiros gerando uma série de protestos e manifestações em repúdio à dita arbitrariedade policial.
Na Bahia podemos verificar, como exemplo, a indignação irrompendo-se dos estudantes da Universidade Federal da Bahia. Conforme afirma Antonio Mauricio Brito na obra Salvador em 1968: um breve repertorio das lutas estudantis universitárias (2009), no dia 30/03, o DCE deflagrou greve geral em protesto contra o assassinato do estudante carioca ocorrido no dia 28 de março. Tendo sido programada uma concentração inicial na Praça Castro Alves e uma passeata na qual seriam utilizadas bandeiras para a demonstração de luto pelas ruas de Salvador.
A comoção estudantil fez com que o governador Luiz Viana Filho, em um comunicado pela TV, se solidarizasse diante do caso e aproveitasse para solicitar que os estudantes não saíssem protestando pelas ruas da capital, considerando esse comportamento como uma espécie de perturbação ao “sossego social”. Outras medidas de prevenção contra a reação estudantil foram desencadeadas pelo Governador, a exemplo do fechamento das escolas públicas no período, visando impossibilitar os possíveis encontros estudantis.
No entanto, de acordo com Brito (2003), o clima em Salvador, durante uma semana, ficou tenso, pois, a partir do deflagramento dessa greve, passaram a existir reuniões e passeatas silenciosas em direção ao restaurante universitário. Algumas contando, inclusive, com a participação do vice-presidente da UNE, e passeatas (contendo frases como “Abaixo a violência”, “Abaixo ao arrocho” e “Queremos escola e comida para o povo”) foram percebidas. Além de serem aprovadas, em assembleia, as propostas de: batizar o viaduto do
27 Cardoso (2008) não deixa de destacar que o movimento de 1968 aparece como instigador de debates políticos e culturais em torno da concepção de suas múltiplas significações- “ano de rupturas/ mudou o mundo; ano que não terminou/ ideia de continuidade ou apenas ano de síntese dos conflitos advindos no inicio dos anos de 1960 (...)”. Valendo ressaltar que, para a autora, mesmo considerando o lugar da memória presente nos vários 68, é percebida certa ausência nos debates atuais do sentido de processo e contextualização “daqueles anos”.
69 Canela com o Nome “Edson Luís”, realizar “missa de sétimo dia28” e pregar placa em homenagem ao estudante assassinado.
No dia posterior a essa assembleia, foi realizada uma comissão no Centro da Cidade e, ao mesmo tempo, foram distribuídos panfletos e organizado comícios relâmpagos nos pontos de ônibus com o intuito de conseguir o apoio da população. Outros estudantes teriam até entrado nos ônibus para discursar sobre os seus descontentamentos ou realizado pichações pelas ruas do centro da cidade.
Percebemos, com isso, que os protestos em Salvador passaram a ganhar, paulatinamente, apoio de outros setores sociais, a exemplo dos artistas que começaram a reverter suas verbas para os manifestantes. Houve ainda auxílio de intelectuais, os quais publicaram manifestos criticando a violência policial, demonstrando, desta forma, solidariedade para com os estudantes no contexto.
O que se percebe é que, após a morte de Edson Luis, as pautas estudantis foram mudadas. A política educacional do governo cada vez mais aparecia como foco de reivindicação e, em relação ao Movimento Estudantil (ME) da UFBA, uma das mobilizações mais citadas foi a greve contra o corte de verbas da instituição.
O corte das verbas é retratado por Brito (2003) como um problema antigo existente em diversas instituições de ensino, sendo na UFBA proibidas reduções orçamentárias de 20% no ano de 1965 e 33% em 1966. Contudo, ao ser divulgado no ano de 1968, novas possibilidades de cortes, os estudantes passaram a ocupar as ruas. Realizaram, em seus protestos, a panfletagem e os comícios relâmpagos para uma maior adesão da população soteropolitana. As mobilizações no interior da instituição também foram percebidas com a programação da “Semana do Calouro” que possuía como eixo dos debates temas como a política educacional e financeira do governo.
No transcorrer da segunda semana do movimento grevista, surgem boatos sobre a liberação das verbas, mas, vale ressaltar que a força dessa movimentação teria influenciado inclusive outras instituições de ensino presentes na época, como a Universidade Católica (UCSAL) e a Escola Baiana de Medicina, as quais passaram a contestar as cobranças abusivas de anuidade e reivindicar uma melhor qualidade no ensino. Não podendo deixar de ser mencionado que os secundaristas29 também se inseriram nesse movimento contestatório
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De acordo com Brito (2003), a missa de sétimo dia para o estudante foi realizada no Mosteiro de São Bento pelo Abade D.Timóteo, contado com a presença de cerca de 1500 participantes, entre eles, aristas, intelectuais e demais setores sociais.
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70 quando, criticamente, teriam questionado o vestibular único que, segundo eles, dificultava o ingresso à universidade.
Em outubro do mesmo ano, de acordo com Benevides (2006), ocorreram novos e intensificados embates entre a polícia e os estudantes, graças à comoção e apoio dado por esses aos participantes do 30º Congresso da UNE (realizado no sitio Murundu, localizado no Município de Ibiúna, em São Paulo). Ocupando as ruas, os estudantes de Salvador passaram a protestar contra a prisão dos 800 delegados estudantis, ocorridas ao longo desse congresso organizado pela UEE- SP cujo objetivo maior era eleição de sua nova diretoria.
Podemos perceber, contudo, que entre os que se candidatavam à ocupação do cargo estavam: José Dirceu (ligado à dissidência paulista do Partido Comunista), Jean Marc Weid (AP) e Marcos Medeiros (PCBR). Portando, como ressalta o autor, “a escolha do local indica o quanto o ME estava influenciado pela organização de esquerda e pela visão militarista do foco guerrilheiro” (BENEVIDES, 2006, p. 93). Além disso, teria sugerido, com base na identificação dos possíveis diretores, um cenário de disputas entre suas respectivas organizações para controlar o ME.
Notamos dessa forma, ao longo desse panorama, a tentativa de abafamento, pela repressão, de diversas manifestações estudantis. Principalmente a partir da implantação do AI- 5 que passa a perpetuar cada vez mais a tensão social e a impossibilitar o direito à argumentação civil. Acrescenta-se que, por conta do ato institucional especificado, existe um esvaziamento de representatividade do ME, mas, por outro lado, é percebida também certa subdivisão efetiva entre o “Estudante comum30” e aquele que efetivamente seria militante entre esses anos.