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MICROAPRENDIZAGEM, M-LEARNING E O ENSINO REMOTO

Classificação quanto a evolução do caso

MICROAPRENDIZAGEM, M-LEARNING E O ENSINO REMOTO

O avanço da tecnologia vem propiciar caminhos nunca imagináveis, provocando mudanças de hábitos e rompendo paradigmas, em todos os campos do conhecimento. A tecnologia se encontra cada vez mais se entrelaçando, formando uma amalgama com os seres humanos e, atualmente, quase todas as nossas atividades se relacionam com aparatos tecnológicos.

A evolução da tecnologia vem provocar mudanças comportamentais na sociedade, ocasionando mudanças nas formas de se relacionar nos grupos sociais. Uma nova teia de conhecimento é formada neste novo cenário social que emerge mediado pelo uso das tecnologias e mídias digitais, nos levando a um mundo cibernético.

[...] fruto das novas relações sociais a partir da apropriação criativa das novas tecnologias, em que o receptor também torna-se um emissor potencial, propiciando a democratização do acesso à informação. [...] a cibercultura vai se caracterizar pela formação de uma sociedade estruturada através de uma conectividade telemática generalizada, ampliando o potencial comunicativo, proporcionando a troca de informação sob as mais diversas formas, fomentando agregações sociais. (LEMOS, 2010, p. 87; 105).

barreiras ainda são dispostas. A educação é um dos poucos setores que ainda questionam a utilização das tecnologias. Setores como na engenharia e na indústria, podemos observar que a utilização de recursos tecnológicos e a sua integração pelos seus profissionais ocorrem de forma rápida e estruturada. Enquanto na educação é sempre um processo lento, talvez por uma boa parte dos seus profissionais serem de uma geração que não nasceu com a tecnologia. Observamos tal fato, como exemplo a proibição do uso de celulares em algumas escolas e até mesmo em redes de ensino. Para a utilização de tecnologias na educação, se faz necessário que ocorra mudanças tanto no currículo quanto na prática dos atores sociais que atuam na escola.

O domínio pedagógico das tecnologias na escola é complexo e demorado. Os educadores costumam começar utilizando-as para melhorar o desempenho dentro dos padrões existentes. Mais tarde, animam-se a realizar algumas mudanças pontuais e, só depois de alguns anos, é que educadores e instituições são capazes de propor inovações, mudanças mais profundas em relação ao que vinham fazendo até então. Não basta ter acesso à tecnologia para ter o domínio pedagógico. Há um tempo grande entre conhecer, utilizar e modificar o processo. (MORAN, 2007, p. 90).

Com o advento da pandemia, a tecnologia vem a ser essencial para o processo de ensino e aprendizagem. O antes proibido agora é primordial para a comunicação, o celular passa a ser a ponte entre o docente e discente e cabe ao professor pavimentar tal ponte para que o conhecimento possa fluir sobre ela.

O avanço da tecnologia permitiu uma expansão do uso de aparelhos móveis no cotidiano das pessoas, a oferta no mercado permitiu que os preços ficassem mais acessíveis o que ajudou na sua disseminação rápida. Aparelhos de telefonia móvel, celulares, com o passar dos anos tornaram-se pequenos computadores de bolso, em um único aparelho encontramos as mais diversas ferramentas de pesquisa, permitindo fotografar, fazer anotações, interagir, como a Internet, as redes sociais, jogos, aplicativos, TVs, vídeos, dentre tantos outros recursos.

O advento da pandemia, provocou uma grande “revolução digital”, a maior forma de acesso dos alunos para assistir as aulas remotas e/ou realizar as atividades síncronas ou assíncronas foi a utilização dos aparelhos celulares. Diante das possibilidades de utilização dos celulares, o professor assume um papel, mais uma vez de suma importância, de auxiliar o aluno na interpretação no universo de informações disponíveis em um mundo em rede.

A aquisição da informação, dos dados, dependerá cada vez menos do professor. As tecnologias podem trazer, hoje, dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel do professor – o principal papel – é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los. (MORAN, 2000, p. 29).

A utilização de celulares no processo educacional é um processo irreversível, sendo essencial que os educadores aprendam a produzir material que possam ser utilizados por esta

ferramenta de forma acessível e que venha a motivar os discentes nas suas aulas e assim sendo o conteúdo passa a ser significativo para todos os aprendizes.

Diante da utilização destes aparelhos de forma efetiva, vamos descobrindo metodologias ativas que atendam às necessidades contemporânea. Dentre tantas metodologias que emergem atualmente, iniciamos o estudo de uma que tender a ser de grande valia no processo de ensino aprendizagem quando associamos a utilização dos celulares, haja vista que a exposição a longos períodos a pequena tela dos aparelhos causa desconforto aos aprendizes. A microaprendizagem vem proporcionar os conteúdos estruturados em pequenas unidades de estudo, tornando o aprendizado mais significativo, pois o aluno recebe os conteúdos fracionados, com menor tempo de exposição a tela.

A microaprendizagem é o resultado de um processo educativo realizado com conteúdos condensados, específicos para o ambiente digital. Um dos pioneiros a conceituar microlearning foi Theo Hug (2005, p. 01), “microensino qualquer treinamento que seja aplicado em várias etapas”. “A microaprendizagem visa explorar novas maneiras de responder à crescente necessidade de aprendizagem ao longo da vida (lifelong learning) ou de aprendizagem sobre demanda (learning on-demand) representada pela sociedade atual”. (GABRIELLI et al, 2006, apud FILATRO; CAVALCANTI, 2018, p. 94)

Em uma sociedade que busca soluções em tempo real, tal metodologia vem suprir algumas demandas que vivenciamos durante a quarentena, tais como dificuldade de acesso, devido à internet, o celular sendo em muitos casos o único equipamento disponível para os alunos acompanharem as aulas, queda de conexão com a internet, então neste contexto os conteúdos sendo fracionados facilita a todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem.

As vantagens da apresentação dos conteúdos fracionados se relacionam a participação ativas dos alunos, as atividades curtas são ações facilmente integráveis a vida das pessoas e ainda podemos citar que as unidades de informação curta e leve, são facilmente adaptáveis aos novos smartphones. “[...] os microconteúdos surgem como elementos inovadores de práticas pedagógicas dessas novas modalidades de aprendizagem” (SILVA et al., 2015, p. 03). Segundo Gabrielli, Kimani e Cartarci (2006), a microaprendizagem ou microlearning é eficiente há medida que possibilita o discente construir, experimentar e controlar seu próprio aprendizado.

O trabalho em tela percorre pela abordagem qualitativa, por se caracterizar como um processo investigativo que viabiliza a descrição, a inferência, a teoria precisa, o pensar e sentir dos participantes da pesquisa, consistindo em analisar e esclarecer de forma detalhada os aspectos sobre: “investigações, hábitos, atitudes, tendências de comportamento, etc.” (MARCONI; LAKATOS, 2011, p. 269).

Desenvolvemos a pesquisa em uma escola do sertão da Paraíba, com uma amostra de 25 alunos das três séries do Ensino Médio que cursaram as aulas remotas de Química. Para coletar os dados da pesquisa utilizamos a ferramenta Google Forms, a qual os alunos já estavam habituados a trabalhar durante as aulas no decorrer do ano de 2020.

Com o objetivo de compreender como se deu o acesso as aulas remotas e o aprendizado realizamos as seguintes perguntas aos discentes:

1. Qual a série que você cursou em 2020?

2. Você acompanhou as aulas online por qual dispositivo? 3. Como você classifica as aulas na plataforma do Meet? 4. Qual seu nível de aprendizagem nas aulas remotas? 5. A plataforma do Google Meet é acessível?

6. Como foi sua participação nas aulas remotas?

7. Como você classifica as aulas de Química por meio virtual? ANÁLISE DOS DADOS

O ano de 2020 fica na história como um ano desafiador para a Educação. Tivemos de nos reinventar, aprender a trabalhar com recursos tecnológicos e a cada dia vencer vários desafios para que pudéssemos continuar acompanhando nossos alunos.

Na nossa práxis pedagógica é essencial que estejamos em um constante ciclo de ação reflexiva sobre nossa prática docente, surge a importância do pesquisador ou do professor pesquisador, que desta junção da pesquisa e da reflexibilidade sobre nossa vivência diária na sala de aula, possamos investigar caminhos que nos possibilite trilhar para um aprendizado significativo.

Com a suspensão das atividades presenciais, devido a pandemia provocada pelo COVID-19, nos deparamos com vários desafios sobre a viabilização do ensino remoto, dentre eles temos: aquisição de dispositivos (smartphone, computadores, notebook, etc), o acesso à METODOLOGIA

internet e as condições de estudo em sua residência, visto que os estudante e professores ficaram confinados em suas casas e supostamente isolados nela.

Um dos maiores desafios foi encontrado pelos docentes em efetivar as atividades remotas, a maioria sem formação que os qualifiquem para tal atividade e tendo de arcar com seus próprios custo e ferramentas para o trabalho em home office.

Ao analisarmos a pesquisa realizada com nossos alunos, os quais participaram das aulas remotas, podemos ter uma visão melhor de como proceder para que possamos almejar uma melhora na forma como ministrar as aulas e como mediar o aprendizado dos nossos neófitos.

Nossa pesquisa ocorreu com uma amostra de 25 alunos do Ensino Médio de uma escola do alto sertão paraibano, sendo 19 alunos do 3º ano, 5 alunos do 1º ano e 1 alunos do 2º ano.

Quando perguntamos sobre qual o tipo de aparelho eles usaram para acompanhar as aulas durante este período, 24 alunos responderam que utilizaram o celular enquanto apenas 1 utilizou o notebook. Tal evidência vem comprovar a importância de aprender metodologias que sejam utilizadas para tais dispositivos, onde a microaprendizagem é um caminho a ser trilhado nesta perspectiva.

Quadro 01 – Acompanhamento das aulas online

O m-learming ou mobile learming é uma modalidade de ensino e aprendizagem intermediado por dispositivos sem fio (FILATRO; CAVALCANTI, 2018), como celulares e notebook. Sua utilização vem se expandindo exponencialmente graças ao avanço tecnológico que proporciona aos smartphones serem mini computadores atualmente, e possibilita inúmeras oportunidades aos estudantes, podendo ser acessível em quase todos os lugares.

Dadas as peculiaridades dos aparelhos móveis, especialmente aquelas relacionadas ao tamanho reduzido da tela e do teclado, as propostas educacionais precisam apresentar

características da microaprendizagem, atendendo aos aspectos de mobilidade, conectividade, design, usabilidade, interatividade, linguagem, entre outros requisitos. (FILATRO; CAVALCANTI, 2018, p. 108).

Com a continuidade do Ensino Remoto e/ou híbrido, neste início de 2021 e, consequentemente, as mudanças que tendem a ficar após este período se faz necessários que os produtores de conteúdos se atentem a estas demandas da nossa sociedade contemporânea. Mudança esta que provoca transformações na forma de ensinar e aprender. As barreiras geográficas de uma sala de aula que antes eram inabaláveis, atualmente começamos a visualizar e aceitar novas configurações, um novo layout surge no firmamento da relação aluno/professor. Mais dinâmico, mais próximo, mais desafiador e as metodologias inovadoras vem romper paradigmas e nos preparar para atender os desafios do século XXI.

Durante as aulas remotas, foi utilizado para as aulas síncronas o Meet da Google, tal serviço de comunicação para vídeos foi largamente usado por toda rede de ensino, quando questionamos sobre: Como você classifica as aulas na plataforma do Meet? Obtivemos as seguintes respostas.

Quadro 02 – Classificação das aulas no Meet.

De acordo com a leitura do gráfico, podemos observar que 68% dos discentes consideram de bom a muito bom as aulas ministradas por meio do Meet, isto já demonstra uma grande aceitação das atividades mediadas pelo aplicativo. Para uma situação em que fomos bruscamente cessados de estar em sala de aula presencial e romper de forma súbita com tal modalidade de ensino na qual estamos condicionados desde o princípio, podemos considerar como sendo bastante válido as aulas ministradas. Tal fato reside principalmente em os alunos já estarem familiarizados com os ambientes online, fruto de uma geração Z, onde já nasceram conectados. A geração das tecnologias digitais e das redes sociais,

sucesso financeiro, independência pessoal, gostam de trabalhar em equipe e são imediatistas” (BORGES; SILVA, 2013, p. 03).

São vários desafios a serem vencidos pelos professores frente a uma geração que dificilmente se concentra em uma aula tradicional, estão sempre em busca por novas tecnologias, informações imediatas e sempre conectados. Para atender os anseios desta geração mudanças radicais devem ser tomadas no processo educacional, preparar o professor para fazer o uso adequado das ferramentas digitais é essencial.

Os alunos em sua maioria 48% consideram de boa a muito boa a aprendizagem durante as aulas remotas. Um percentual elevado quando ampliamos as variáveis relacionadas aos fatores externos, como ambientes domésticos sem condições apropriadas para que o aluno possa se concentrar nas aulas, internet de baixa qualidade para conexão, utilizarem aparelhos celulares com baixa configuração e tela de tamanho reduzido, são alguns dos fatores que visualizamos como uma barreira ao aprendizado online dos nossos alunos que responderam a pesquisa.

Quadro 03 – Aprendizagem nas aulas remotas.

Por ser uma geração que já nasceu em um mundo tecnológico, a plataforma do Google

Meet não apresenta dificuldades em seu manuseio por parte dos discentes. Fato observado

durante as aulas remotas, onde se conectam com extrema facilidade e navegam com bastante desenvoltura nas suas extensões e em outros aplicativos que utilizamos durante as aulas como o Socrative, YouTube, dentre outros.

Quadro 04 – Acessibilidade da plataforma Meet.

O fato dos alunos responderem, em sua maioria, que obtiveram uma boa aprendizagem nas aulas remotas está diretamente relacionada a participação durante as aulas, como podemos observar no gráfico abaixo, onde constatamos que a grande maioria estavam presentes durante as aulas com uma porcentagem da ordem de 84% de participação, mesmo vencendo grandes desafios de conexão e aulas que não fora pensadas para um ambiente praticamente exclusivo dos celulares.

Quadro 05 – Classificação das aulas no Meet.

O início da pandemia, e consequentemente, do isolamento social, foi um período muito angustiante para nós professores, por não estarmos preparados para lecionar em um mundo totalmente virtual. Romper paradigmas, pesquisar e refletir sobre nossa práxis educacional,

permeou nosso imaginário durante os primeiros dias de isolamento social. Como chegar aos nossos alunos? Como mediar o aprendizado? São perguntas que ainda navegam em nossas mentes, o que já era um desafio no ensino presencial, tornou-se um oceano a ser desvendado neste ecossistema virtual. De forma súbita, tivemos de renascer em um mundo digital, uma matrix do nosso mundo real que se funde, formando uma amalgama na qual habitamos atualmente.

Nesta sinergia entre virtual e físico, precisamos aprender a utilizar novas tecnologias que venham promover mediações que permitam um aprendizado mais significativo a todos que participam do processo de ensino e aprendizagem.

Nesta reinvenção do ato de ministrar aulas, softwares como o OBS (Open Broadcaster Software), Power Point, Editores e Player de Vídeos, além de plataformas como o YouTube e o Formulários Google, foram adicionados ao nosso cotidiano da nova sala de aula. Este novo

layout propiciou uma maior participação dos alunos nas aulas remotas, tornando mais atraentes

e motivadoras, fato apresentado quando perguntamos: Como você classifica as aulas de Química por meio virtual? Classificados como muito boa e boa com uma porcentagem de 86%, as aulas foram validadas durante o período, embora entendamos que ainda estamos muito longe de ter uma aula online que venha atender a todos os anseios da nossa sociedade.

Quadro 06 – Classificação das aulas de Química em modalidade virtual.

Para que tenhamos sucesso nas aulas neste novo formato, onde o virtual e o físico se agrupam, é fundamental aprender a dominar as tecnologias disponíveis e não perder o carisma próprio do ser humano. Esta junção será o grande desafio da nossa época.

Vencer desafios é o grande dilema da Educação, durante toda sua história. Estamos a vencer barreiras que se opõem ao aprendizado. Este período de isolamento social vem provocar mudanças significativas neste universo educacional, estigmas que se encontram incrustado em todos que fazem o universo educacional, sejam, professores, alunos, técnicos, pais, entre outros profissionais tiveram de ser rompidos. Tivemos de ancorar nas tecnologias para desempenhar o nosso papel, o ato de ensinar e aprender. Mediado pelas tecnologias, pela internet, é neste cenário que contemplamos nossas vidas atualmente e pelos próximos anos, sendo primordial que possamos avançar nas pesquisas que proporcione aulas mais dinâmicas e significativas aos nossos discentes.

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CAPÍTULO 6

ESTUDO COMPARATIVO DO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO DE INSTITUIÇÕES