• Nenhum resultado encontrado

Glauber Henrique Barbosa da Silva¹, Deiverson dos Santos Pacheco², Jéssica da Silva Dornelas³, Roselir Ribeiro da Silva4, Cyntia Stephânia dos Santos5

¹ Graduando em Tecnologia em Laticínios, pelo Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do IF Sudeste MG – Campus Rio Pomba, [email protected]

² Tecnólogo em Laticínios, pelo Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do IF Sudeste MG – Campus Rio Pomba

³ Graduanda em Tecnologia em Laticínios, pelo Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do IF Sudeste MG – Campus Rio Pomba

4 Docente do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do IF Sudeste MG – Campus

Rio Pomba

5 Doutoranda em Agronomia/Fitotecnia, Departamento de Agricultura/Universidade Federal de

Lavras

RESUMO: O leite é um alimento de origem animal, com grande valor nutritivo. Para que

permaneça com boa qualidade, é necessária manter boas práticas no manejo durante sua obtenção. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a implementação de boas práticas de ordenha na qualidade microbiológica do leite com auxílio de análise multivariada. Foram avaliadas três propriedades em três repetições, antes e após a intervenção, num total de 18 amostras de leite, água e superfície de equipamentos, ordenhadeira e tanque. Após a implementação de boas práticas, pode ser notado que o produtor três foi o que menos se enquadrou a boas práticas. Podemos concluir que para manter uma boa contagem microbiológica do leite, envolve diversos parâmetros, e boas práticas devem ser aplicadas diariamente na propriedade.

Palavras-chave: Microbiologia. Higiene.

INTRODUÇÃO

O leite é uma complexa mistura de substâncias, disperso em água, se encontra em diferentes estados, sendo ele um alimento altamente nutritivo. Todavia, sendo rico em nutrientes, é um excelente meio de proliferação de microrganismos (AGEITEC, 2012). A qualidade microbiológica do leite esta relacionada a diversos fatores, sendo falta de higienização no ambiente de ordenha, equipamentos sem manutenção periódica, falta de refrigeração do leite, entre diversos fatores que podem estar relacionados (BELOTI et al., 2011). Elevada contagem de bactérias podem acarretar em diversos danos, pois elas produzem enzimas que alteram os componentes do leite, degradando proteínas, gorduras e açúcares, gerando sabor e odor estranho, tornando o leite impróprio para consumo humano, ou seja, quanto menor a contagem de bactérias no leite, melhor a sua qualidade microbiológica (MITTELMANN et al., 2017).

Visando segurança e qualidade do leite, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), estabeleceu Instruções Normativas (IN) na qual enquadra padrões microbiológicos para o leite cru refrigerado, atualmente está em vigor a IN76, (BRASIL 2018). Outro ponto que assume grande importância na produção leiteira é a qualidade da água utilizada, seu uso é fundamental durante as atividades de ordenha (PEREIRA & MAGALHÃES, 2012). Uma alternativa para o controle microbiológico do leite durante sua

33

obtenção é o uso de água clorada, garantindo ser um método seguro, barato, eficiente e de fácil aplicação (MENDONÇA et al., 2002).

Durante a obtenção, o equipamento de ordenha e todos os utensílios utilizados, devem estar em boas condições de uso, higiene e manutenção. Baixa contagem de mesófilos aeróbios em superfícies de equipamentos é um ponto inicial para manter a qualidade do leite, evitando causas a saúde pública e alteração de componentes no leite (CHOULIARA et al., 2010; BARBANO, MA e SANTOS, 2006).

Dado o exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a implementação de boas práticas de ordenha na qualidade microbiológica do leite com auxílio de análise multivariada.

MATERIAL E MÉTODOS

As amostras de leite cru foram coletadas em três diferentes propriedades rurais no município de Rio Pomba, localizado na Zona da Mata de Minas Gerais. Junto às amostras de leite, foram coletadas amostras de água utilizada na propriedade leiteira e swabs da superfície de equipamentos, tanque e ordenhadeira, para contagem de mesófilos aeróbios, totalizando dezoito amostras. As coletas foram separadas em três antes e três depois a implementação de boas práticas para cada propriedade.

Para Contagem Padrão em Placas, as análises foram realizadas no Laboratório de Qualidade do Leite, da EMBRAPA Gado de Leite, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Foi utilizado o equipamento eletrônico IBC BactoCount IBC da Bentley Instruments Incorporated (BENTLEY, 2002).

Na contagem de mesófilos aeróbios do tanque e ordenhadeira, foi utilizado swab estéreis e solução salina [0,85%]. Foi utilizado meio de cultura Plate Count Agar (PCA), pelo método de plaqueamento em profundidade, sequenciado pela inversão do PCA em placas estéreis. Após o período de incubação a 35ºC/48h, o resultado foi expresso em UFC/cm². Para contagem de coliformes totais e termotolerantes, foi usada a técnica do número mais provável (NMP), sendo realizado primeiramente o teste presuntivo, tubos com gases ou turvação, foi considerado positivo, dando sequência, foi retirada uma alçada e transferido para tubos contendo Caldo Verde Brilhante Bile (VB) e Caldo E.Coli (EC). A confirmação é dada com formação de gás e turvação nos tubos depois de encubados o VB a 35ºC/48h e EC a 45ºC/48h em banho maria (SILVA et al., 2010).

Diante a implementação de boas práticas, foi aplicado um check list em cada propriedade durante todas as visitas. Ao final das três coletas, os produtores foram informados sobre os pontos de contaminação do leite durante a ordenha e sobre os resultados de todas as análises, os quesitos que não estavam em conformidade com o check list também foram informados. Todos os três produtores tiveram um prazo para começarem a se enquadrar, dando sequência em novas coletas após implementação.

As médias obtidas foram agrupadas entre si de acordo com o teste F a 5% de probabilidade e agrupadas pelo teste de Tukey. Os dados foram submetidos a análise multivariada de componentes principais, com auxílio do programa computacional Genes (CRUZ, 2008).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com a Tabela 1 são apresentados os valores médios das características referentes a qualidade do leite, qualidade microbiológica da água, e equipamentos de ordenha antes e após a intervenção. Houve diferença significativa apenas entre os produtores avaliados.

34

Tabela 1. Valores médios de características relacionadas a qualidade do leite avaliados em três propriedades antes e depois da intervenção.

Produtor Intervenção CPP UFC/mL) MORD (UFC/cm²) MTAN (UFC/cm²) EC (NMP) VB (NMP) 1 Antes 4,96 ab 2,07 a 0,30 b 0,20 a 0,79 a 1 Depois 4,75 ab 0,94 a 0,87 b 0,00 a 0,00 a 2 Antes 4,76 ab 0,39 a 1,07 b 0,23 a 0,69 a 2 Depois 4,44 b 1,24 a 0,64 b 0,00 a 0,11 a 3 Antes 4,84 ab 1,56 a 2,33 ab 0,66 a 0,89 a 3 Depois 5,92 a 0,89 a 6,58 a 0,92 a 0,92 a Padrão (BRASIL, 2018) <5,48 1,70 1,70 0,00 0,00

(¹) CPP – Contagem Padrão em Placas; MORD – Mesófilos da ordenhadeira; MTAN – Mesófilos do tanque; EC – Coliformes termotolerantes; VB – Coliformes Totais. Valores com letras diferentes nas colunas indicam que a intervenção teve influência na composição do leite (p<0,05)

Entre cada produtor antes e depois, não houve diferença significativa, porém quando comparado com demais, ocorreu diferença, isso devido a diferentes atividades durante a obtenção, manejo, diversidade do gado e resistência a alguns produtores a implementação das boas práticas de obtenção do leite.

De acordo com a análise de componentes principais, houve variabilidade entre os produtores avaliados. Na Figura 1a, as características que diferenciaram o produtor 3 dos demais produtores foram EC e MTAN, já o produtor 1 se diferenciou dos demais por apresentar maiores valores de CPP e MORD (FIGURA 1a, TABELA 1).

Figura 1: Dispersão de produtores de leite da Zona da Mata de Minas Gerais e projeção espacial dos vetores das características relacionadas a qualidade do leite antes (a) e após (b) a intervenção em relação aos dois primeiros componentes principais.

35

Observa-se na Figura 1b, após a intervenção com a implementação de boas práticas, o produtor 3 se diferenciou por apresentar maiores valores de CPP, MTAN, EC e VB. Estes valores elevados pode ser devido a resistência do produtor a adoção de alguns procedimentos durante obtenção e higienização de equipamentos. Para Tebaldi et al. (2008) e Souto et al. (2009), as falhas durante higienização de utensílios, equipamentos utilizados na ordenha, refrigeração demorada, podem contribuir para a baixa qualidade microbiológica do produto, elevando a Contagem Padrão em Placas. Já para a qualidade da água, durante o período de avaliação ocorreram chuvas , que é um fator relevante na qualidade da água, além da nascente da propriedade ser aberta, favorecendo acesso de animais. Segundo Amaral et al. (2003), a contaminção no meio rural de poços por bactérias é alto, este fato é ocasionado por estarem em áreas próximo a fossas sépticas, e áreas de pastagens, dando acesso aos animais.

Já o produtor 2, apresentou menores valores de todas as características avaliadas tanto antes e após a implementação de boas práticas (FIGURA 1a, FIGURA 1b, TABELA 1). Nesse caso houve adoção de boas práticas na propriedade, como a higienização de latões, tanque, limpeza de tetos dos animais, o mesmo tinha disponibilidades em duas nascentes de água, o que melhorou a qualidade microbiológica da água.

Monitorar a Contagem Padrão em Placas é de grande relevância no setor leiteiro, garantindo a qualidade final dos derivados lácteos. Apresentando baixa contagem microbiológica, baixa contagem de Células Somáticas e sendo isento de resídos de antibióticos, o leite pode ser considerado um produto de excelente qualidade com maior vida de prateleira (KAPPES e PILETTI, 2016).

CONCLUSÃO

Conclui-se que a implementação de boas práticas é de grande importância na propriedade leiteira, assegurando a qualidade do leite. A análise multivariada de componentes principais possibilitou demonstrar as características relevantes na discriminação dos produtores.

REFERÊNCIAS

AGEITEC, Agência Embrapa de Informação tecnológica. 2012. Leite resfriado. Disponível em:<http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/tecnologia_de_alimentos/arvore/CONT000 girl9epu02wx5ok05vadr1aw5n9tk.html>. Acesso em: 03.11.2017.

AMARAL, L. A.; FILHO, A. N; JÚNIOR, O. D. R; FERREIRA, F.; BARROS, L. S. S. Água de consumo humano como fator de risco à saúde em propriedades rurais. Revista Saúde

Pública, São Paulo, v. 37, n.4, p.510-514, 2003.

BARBANO, D. M.; MA, Y.; SANTOS, M. V. Influence of Raw Milk Quality on Fluid Milk Shelf Life1, 2. Journal of dairy science, v. 89, p. E15-E19, 2006.

BELOTI, V.; RIBERIO JÚNIOR, J. C.; TAMANINE, R.; YAMADA, A. K.; CAVALETTI, L., Shecaira; C. L.; Silva, F. F. Qualidade microbiológica e físico-química do leite cru refrigerado, produzido no município de SAPOPEMA/PR. R. Cient. Eletrôn. Med. Vet, 9, 16, 2011.

36

BENTLEY. INC, BENTLEY INSTRUMENTS. Bactocount 150 operator’s manual.Chaska: Bentley Instruments Inc, 2002.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 76, de 26 de novembro de 2018. Regulamentos Técnicos que fixam a identidade e as 25 características de qualidade que devem apresentar o leite cru refrigerado, o leite pasteurizado e o leite pasteurizado tipo A,. Diário Oficial da União, Brasília, 30 nov. 2018.

CHOULIARA, E.; GEORGOGIANNI, K. G.; KANELLOPOULOU, N.; KONTOMINAS, M. G.Effect of ultrasonication on microbiological, chemical and sensory properties of raw, thermized and pasteurized Milk. International Dairy Journal, v. 20, p. 307–313, 2010. CRUZ, C.D. Programa Genes: Aplicativo computacional em genética estatística. Versão para Windows. Viçosa: Editora UFV, 2008.

KAPPES, C. I.; PILETTI, R. Análise da qualidade do leite em uma produzido em uma propriedade rural do extremo oeste catarinense. Revista de Ciências Agroveterinárias e

Alimentos, n. 1, 2016.

MENDONÇA, A. H.; RAPINIL.; CERQUEIRA, M. M. O. P.; SOUZA, M. R.; PENNA, C. F. A. M. Avaliação da qualidade da água e dos procedimentos de higienização de tanques de expansão e sua relação com a qualidade do leite cru resfriado. Revista do Instituto de

Laticínios “Cândido Tostes”, v.57, n.327, p.278-281, 2002.

MITTELMANN, A.; WEISSHEIMER, C. F; SOUZA, G. N.; PRADIEÉ, J.; ZANELA, M. B.; RIBEIRO, M. E. R.; ARAÚJO. N.; DERETI, R. M.; BENDER, S.E. Boas Práticas Agropecuárias na Produção de Leite: da Pesquisa para o Produtor. Embrapa Clima

Temperado. Documentos 439. p. 63. Pelotas, 2017.

PEREIRA, D.A.; MAGALHÃES, F A. R. Fatores impactantes na qualidade do leite de tanques comunitários na microrregião de Juiz de Fora (MG). Ver. Inst. Latic. “Cândido Tostes”. V. 67, n. 385, p 74 – 75, 2012.

SILVA, N.; JUNQUEIRA, V.; SILVEIRA, N. F. A.; TANIWAKI, M. H.; SANTOS, R. F. S., GOMES, R. A. R. Manual de métodos de análise microbiológica de alimentos e água. 4. ed. São Paulo: Livraria Varela, 2010.

SOUTO, L. I. M.; SAKATA, S. T.; MINAGAWA, C. Y.; TELLES, E. O.; GARBUGLIO, M. A.; BENITES, N. R. Qualidade higiênico-sanitária do leite cru produzido em propriedades do estado de São Paulo, Brasil. Veterinária e Zootecnia, v. 16, n. 3, p. 491-499, 2009.

TEBALDI, V. M. R.; OLIVEIRA, T. L. C.; BOARI, C. A.; PICCOLI, R. H. Isolamento de coliformes, estafilococos e enterococos de leite cru provenientes de tanques de refrigeração por expansão comunitários: identificação, ação lipolítica e proteolítica. Ciência e Tecnologia de

Alimentos, v.28, n.3, p.753-760, 2008.

AGRADECIMENTOS

Ao Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do IF Sudeste – MG Campus Rio Pomba pela oportunidade de elaboração deste trabalho.

37 O EFEITO DO DA VARIAÇÃO DE pH NA PRODUÇÃO DE ENZIMAS LIGNOLÍTICAS UTILIZANDO STREPTOMYCES THERMOCERRADOENSIS I3.

Menandes Alves de Souza Neto¹, Ana Lázara Matos de Oliveira ², Aline Rodrigues Gama ³, Juliana Aparecida Correia Bento 4, Márcio Caliari 5, Luiz Artur Mendes Bataus 6 ¹ Doutorando, EA/UFG, [email protected]

² Doutoranda, DCA/UFLA ³ Doutoranda, IPTSP/UFG

4 Doutoranda, EA/UFG 5 Docente, EA/UFG 6 Orientador, EA/UFG

RESUMO: Estetrabalho teve como objetivo avaliar o efeito da variação de pH na produção de CMCase e Xilanase por Streptomyces thermocerradoensis I3 utilizando farelo de trigo (FT) como meio de cultura. Em relação à influência da variação do pH observamos que a maior atividade de CMCase foi observada em pH 7.5 com 13.22 UI/mL ± 0.26. Já a maior atividade de Xilanase ocorreu em pH neutro neutral (4.03 ± 0.20); em pH 6.5 foi observada atividade 1.87 ± 0.10 a e menor atividade foi observada em 0.37 ± 0.07 UI/mL.

Palavras-chave: Sacarificação enzimática; Celulases; Xilanases

INTRODUÇÃO

Enzimas são biocatalisadores dinâmicos que apresentam alta especificidade com diversas aplicações industriais (PATEL; SINGHANIA; PANDEY, 2017). Enzimas são ferramentas ponderosas para a indústria de alimentos como por exemplo para processos de panificação, ração e produção de bebidas, e para as indústrias farmacêuticas, têxteis, para a produção de papel e biocombustíveis convertendo materiais lignocelulósicos em produtos de grande valor agregado (MANISHA; YADAV, 2017; LI; CHANG; LIU, 2018). Dentre estas enzimas destacam se as celulases, amilases, xilanases, lipases, pectinases e outras que são produzidas por microrganismos isolados do solo, água, vegetais e decomposição de materiais lignocelulósicos (MANISHA; YADAV, 2017).

Embora muitas enzimas com aplicabilidade industrial sejam derivadas de fungos, o isolamento e caracterização de novas enzimas a partir de bactérias tem sido avaliado desde a produção heteróloga, alta atividade específica e requisitos de pH menos rigorosos de sistemas bacterianos podem ocorrer (STERN et al., 2015).

Algumas cepas de Streptomyces foram isoladas do solo do Cerrado (PEREIRA et al., 2017). Várias linhagens de Streptomyces do solo do Cerrado demonstram a capacidade de produzir grandes quantidades de endoglucanases e celobiohidrolases (TAKASUKA et al., 2013; BOOK et al., 2014; BOOK et al., 2016) dentre elas o S. thermocerradoensis I3.

Como não há relatos na literatura científica sobre a produção do extrato enzimático por S. thermocerradoensis, o presente trabalho objetivou contribuir com novos dados sobre a produção de enzimas lignocelulósicas pelo Streptomyces thermocerradoensis I3 em farelo de trigo como substrato. Além disso, avaliar a influência do pH na produção de enzimas.

38

Foram utilizados microrganismos S. thermocerradoensis I3 pertencentes ao banco de microrganismos do Laboratório de Bioquímica e Engenharia Genética - ICB - UFG. O farelo de trigo foi adquirido no mercado local, que foi lavado três vezes para diminuir a concentração de açúcares redutores.

Para o preparo dos meios de cultura e obtenção dos extratos enzimáticos os esporos de Streptomyces thermocerradoensis I3 foram inoculados em três diferentes substratos. Cada meio continha 15 ml de meio mínimo (Na2HPO4 - 7.0 gL- 1; K2HPO4 - 3.0 gL- 1 NaCl - 0.5 gL- 1;

NH4Cl - 1.0 gL- 1), previamente autoclavado e 5 g de substrato de farelo de trigo. No final do

perdo de incubação de 5 dias a 37± 1° C , foram adicionados 50 ml de agua e 50 ml de Tween- 80 (0,1 g ~ 100 g-1), centrifugados a 7500G durante 15 min a 4± 1°C e armazenados em um freezer até que os ensaios fossem realizados.

A realização das atividades de CMCase e O sobrenadante foi avaliado quanto à atividade enzimática da xilanase e da CMCase (carboximetilcelulose). A dosagem da atividade de endoglucanase testada em carboximetilcelulose em micro ensaio foi realizada de acordo com Ramada et al. (2010). A atividade enzimática da xilanase foi determinada usando soluções a 1% (p / v) de xilana bechwood (Sigma®) como substrato. A atividade foi determinada por micro ensaio, adicionando-se 10 μL de amostra e 90 μL da solução a 1% de xilana (ADNEY; BAKER, 1996; GHOSE, 1987). A solução foi incubada a 50 °C por 5 min, seguida pela quantificação de açúcares redutores pelo método ADNS (MILLER, 1959). A curva padrão de xilose foi determinada com concentrações de 0,3 a 4,2 mg mL-1.

Afim de avaliar o impacto da variação do pH ótimo foi realizada utilizando soluções tampão de 50 mM variando de pH 6,5; 7,0 e 7,5. Os tampões usaram fosfato de sódio para variação de pH.

Os dados são expressos como a média ± desvio padrão (DP) de três repetições usando o software Graph pad prism 5®.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na avaliação da influência do pH na produção de CMCase, a menor atividade esteve presente em pH 6,5 com 1,95 ± 0,07 UI · mL-1. Na faixa de pH neutro, a atividade foi de 8,07 ± 0,75 UI.mL -1 observada na figura 1.

CMCase pH 6 ,5 pH 7 ,0 pH 7 ,5 0 5 10 15 UI /m L

Figura 1: Atividade de endoglucanase (CMCase) usando substrato de farelo de trigo em três diferentes níveis de pH.

39

Estes resultados corroboram com dados de CHELLAPANDI , JANI (2008) que mostraram atividade máxima de CMCase em pH 7,0 e 7,5 em extrato produzido por dois diferentes Streptomyces sp. isolado do solo. Resultados próximos aos encontrados por JANG , CHEN (2003) que obtiveram uma endoglucanase (CMCase) produzida por Streptomyces T3-1 com atividade ótima em pH 7,0. O trabalho de BRITO-CUNHA et al. (2015) demonstrou a atividade da CMCase, também utilizando o Streptomyces I3, na faixa de pH entre 3,5 e 7,5.

Além disto, BISPO et al. (2018) utilizando Streptomyces diastaticus PA-01 e fermentação submersa demonstram que 75% da atividade endoglucanásica é mantida em uma ampla faixa de pH (2,0 a 8,0), com atividade ótima ocorrendo em três diferentes valores de pH, variando de acordo com a matéria-prima utilizada.

Em relação à influência do pH na atividade das Xilanases, observou-se maior atividade em pH neutro (4,03 ± 0,20); a pH 6,5 observou atividade 1,87 ± 0,10 UI · mL-1 e a menor atividade foi observada em pH 7,5 (0,37 ± 0,07 UI · mL-1), como mostra a Figura 2.

Xylanase pH 6 ,5 pH 7 ,0 pH 7 ,5 0 1 2 3 4 5 UI /m L

Figura 2: Atividade de xilanase usando substrato de farelo de trigo a três diferentes níveis de pH.

CHAKDAR et al. (2016) demonstraram que xilanases de Streptomyces relatadas têm valores ótimos de pH na faixa de 5,0 a 7,0. CUNHA et al. (2018) determinaram que o valor ótimo de pH para r-XynS27, uma xilanase purificada, foi 6,0, porém, a enzima manteve 60% de suas atividades iniciais pH 4,5 e 8,5. Uma primeira β-1,3-d-xilosidase (rSWU43A) isolada a partir de uma bactéria gram-positiva, Streptomyces sp. SWU10, mostrou sua atividade ideal em pH 6,5 e a atividade enzimática permaneceu acima de 75% dos níveis iniciais após a incubação em uma faixa de pH de 3,1-8,9 (PHUENGMAUNG et al., 2018).

CONCLUSÃO

O farelo de trigo mostrou-se eficaz como substrato para produzir celulases e xilanases de Streptomyces thermocerradoensis I3. O pH ótimo para produzir celulases e xilanases usando farelo de trigo como subtrato foi de 7,5 e 7,0, respectivamente.

REFERÊNCIAS

ADNEY, B.; BAKER, J. Measurement of cellulase activities. Laboratory analytical

40

BISPO, A. S. R. et al. UTILIZATION OF AGROINDUSTRIAL BY-PRODUCTS AS SUBSTRATE IN ENDOGLUCANASE PRODUCTION BY Streptomyces diastaticus PA-01 UNDER SUBMERGED FERMENTATION. Brazilian Journal of Chemical Engineering, v. 35, p. 429-440, 2018.

BOOK, A. J. et al. Cellulolytic Streptomyces strains associated with herbivorous insects share a phylogenetically-linked capacity for the degradation of lignocellulose. Applied and

environmental microbiology, p. AEM. 01133-14, 2014.

BOOK, A. J. et al. Evolution of high cellulolytic activity in symbiotic Streptomyces through selection of expanded gene content and coordinated gene expression. PLoS biology, v. 14, n. 6, p. e1002475, 2016.

BRITO-CUNHA, C. et al. Production of cellulases from a novel thermophilic Streptomyces thermocerradoensis I3 using agricultural waste residue as substrate. Journal of Agriculture

and Environmental Sciences, v. 4, n. 1, p. 90-99, 2015.

CHAKDAR, H. et al. Bacterial xylanases: biology to biotechnology. 3 Biotech, v. 6, n. 2, p. 150, 2016.

CHELLAPANDI, P.; JANI, H. M. Production of endoglucanase by the native strains of Streptomyces isolates in submerged fermentation. Brazilian Journal of Microbiology, v. 39, n. 1, p. 122-127, 2008.

CUNHA, C. C. D. Q. B. et al. Improvement of bread making quality by supplementation with a recombinant xylanase produced by Pichia pastoris. PloS one, v. 13, n. 2, p. e0192996, 2018. GHOSE, T. Measurement of cellulase activities. Pure and applied Chemistry, v. 59, n. 2, p. 257-268, 1987.

JANG, H.-D.; CHEN, K.-S. Production and characterization of thermostable cellulases from Streptomyces transformant T3-1. World journal of Microbiology and Biotechnology, v. 19, n. 3, p. 263-268, 2003.

LI, X.; CHANG, S. H.; LIU, R. Industrial Applications of Cellulases and Hemicellulases. In: FANG, X. e QU, Y. (Ed.). Fungal Cellulolytic Enzymes: Microbial Production and

Application. Singapore: Springer Singapore, 2018. p.267-282. ISBN 978-981-13-0749-2.

MANISHA; YADAV, S. K. Technological advances and applications of hydrolytic enzymes for valorization of lignocellulosic biomass. Bioresource Technology, v. 245, p. 1727-1739, 2017/12/01/ 2017.

MILLER, G. L. Use of dinitrosalicylic acid reagent for determination of reducing sugar.

Analytical chemistry, v. 31, n. 3, p. 426-428, 1959.

PATEL, A. K.; SINGHANIA, R. R.; PANDEY, A. Chapter 2 - Production, Purification, and Application of Microbial Enzymes. In: BRAHMACHARI, G. (Ed.). Biotechnology of

Microbial Enzymes: Academic Press, 2017. p.13-41. ISBN 978-0-12-803725-6.

PEREIRA, P. H. F. et al. Streptomyces odonnellii sp. nov., a proteolytic streptomycete isolated from soil under cerrado (savanna) vegetation cover. International Journal of Systematic and

41

PHUENGMAUNG, P. et al. Identification and characterization of the first β-1,3-d-xylosidase from a gram-positive bacterium, Streptomyces sp. SWU10. Enzyme and Microbial

Technology, v. 112, p. 72-78, 2018/05/01/ 2018.

RAMADA, M. H. S. et al. Optimized microplate β-1, 3-glucanase assay system for Trichoderma spp. screening. Journal of microbiological methods, v. 81, n. 1, p. 6-10, 2010. STERN, J. et al. Significance of relative position of cellulases in designer cellulosomes for optimized cellulolysis. PloS one, v. 10, n. 5, p. e0127326, 2015.

TAKASUKA, T. E. et al. Aerobic deconstruction of cellulosic biomass by an insect-associated Streptomyces. Scientific Reports, v. 3, p. 1030, 2013.

42 QUALIDADE MICROBIOLÓGICA E IDENTIFICAÇÃO DE