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4. Estudo Empírico

4.1 Metodologia

4.1.7. Resultados

Os resultados da estimação dos modelos, apresentam-se nas Tabelas 9 e 10.

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Tabela 9 – Resultados da estimação do Modelo I (MQO)

Notas: Nível de Significância: 10%, *; 5%, **; 1%, ***. Erros estimados entre parêntesis.

Percentagem de

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Tabela 10 – Resultados da estimação do Modelo II (MQO)

Notas: Nível de Significância: 10%, *; 5%, **; 1%, . Erros estimados entre parêntesis.

Percentagem de

46 4.2 Discussão dos Resultados

4.2.1 Análise do modelo econométrico com a utilização da variável dependente Percentagem de Microcrédito.

Na Tabela 9 apresentam-se os resultados obtidos a partir da aplicação do MQO, para a variável dependente Percentagem de Microcrédito existente num país.

As 4 versões do Modelo I apresentam significância global e os R2 são aceitáveis (nomeadamente, o ajustado) permitem perceber que as variáveis explicativas determinam uma proporção substancial da variação da variável dependente.

Dada a coincidência de sinal e proximidade de magnitude dos coeficientes estimados em todas as versões, comenta-se a versão mais completa do Modelo I, nomeadamente, a IV, com um R2 de 0,69.

Conclui-se, dos modelos estimados, que as variáveis que causam efeito significativo na Proporção do Microcrédito são o PIB per capita, a Inflação, o Investimento, o Índice de Inovação e o Trabalhador com US $ 5,50/dia. As variáveis PIB per capita, Índice de Inovação e Trabalhador com US $ 5,50/dia (versão IV), manifestaram-se, sempre, de elevada significância individual, não se rejeitando a hipótese nula, mesmo quando se afunila o nível de significância para 1%. A Inflação passa no teste para um nível de significância de 1% na versão I e de 5%, nas versões III e IV. Na versão II não tem significância. Já o Investimento manifesta-se, sempre, significativo; a 5% nas versões I e II e 1% nas versões III e IV.

Vejamos o que nos dizem os resultados.

No que respeita ao PIB per capita, verifica-se que o aumento de 1% nesta variável relaciona-se com um aumento de 0,072% na Proporção do Microcrédito, ou seja, a elevação dos níveis de bem-estar das populações mais carenciadas promove um círculo virtuoso, pois leva, também, a um aumento da Proporção do Microcrédito concedido. Nos restantes modelos, as estimativas situam-se nos 0,07% (versões I e II) e em 0,072% (versão III).

A explicação para um aumento de 0,022% Percentagem de Microcrédito com o aumento de 1% da inflação não é muito líquida, na medida em que a inflação leva a um maior empobrecimento das populações, corrói os rendimentos e implica taxas de juro nominais mais elevadas. Contudo, para níveis aceitáveis de inflação, o aumento da inflação pode indiciar uma atividade económica pujante, movida pela procura, o que proporciona a oportunidade para os negócios. Neste caso, torna-se perfeitamente clara a possibilidade de impacto positivo da inflação

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na concessão de Microcrédito. Nos restantes modelos, as estimativas situam-se nos 0,029%

(versão I), 0,01% (versão II) e 0,023% (versão III).

Os negócios surgem pela reprodução de negócios tradicionais e pelo surgimento de novos negócios. É a partir desta premissa que se justifica o impacto positivo, muito significativo, do Índices de Inovação na Percentagem de Microcrédito. No contexto, 1% de aumento do Índice de Inovação leva ao aumento em 0,08% da Percentagem de Microcrédito. Nos restantes modelos, as estimativas situam-se nos 0,09% (versão I) e 0,08% (versões II e III).

Ainda com impacto positivo na Percentagem de Microcrédito temos a variável Trabalhador com US $ 5,50/dia, o que ilustra o pendor do Microcrédito no alívio da pobreza. Quando a percentagem da população que vive com menos de US $ 5,50 por dia aumenta 1%, a percentagem do microcrédito concedido aumenta em 0,04%.

A única variável que tem um impacto negativo na Percentagem de Microcrédito concedido, é o Investimento. Um aumento de 1% no Investimento leva a uma redução de 0,076% na Percentagem de Microcrédito, o que se entende, na medida em que o Microcrédito não constitui o verdadeiro motor de crescimento desta componente da despesa agregada; portanto, é natural que a maior parte dos fluxos de investimento tenham origem em modalidades distintas do microcrédito (não nos esqueçamos que os montantes associados ao microcrédito são baixos).

Concorre, também, para este resultado, a eventual informalidade dos negócios gerados ao abrigo desta modalidade, designadamente, por questões de debilidades ao nível da organização económica e dos sistemas de informação dos países em causa.

4.2.2. Análise do modelo econométrico com a utilização da variável dependente Percentagem de Microempresas

Os resultados da estimação do Modelo II pelos MQO apresentam-se na Tabela 10.

A estratégia de estimação dos Modelos I e II consistiu na seleção de um vetor de variáveis que fosse comum, tendo-se, apenas, alterado a variável dependente. A ideia subjacente consistiu na premissa de que o microcrédito estimularia o surgimento de microempresas, portanto, ambos os fenómenos seriam explicados por fatores comuns. A suspeita de que, quantitativamente, não seria assim, surge quando se percebe que a correlação de Pearson entre as duas variáveis dependentes é muito fraca, a saber, 0,129 (Tabela 8). De facto, ao contrário do verificado no Modelo I para a generalidade, a qualidade do ajustamento é muito baixa (pelo R2 e R2 ajustado) e o teste F de significância global, não rejeita a hipótese de ausência de significância da relação.

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Avançam-se, para este desencontro entre as duas variáveis dependentes, as possibilidades de falta de qualidades dos dados; especialmente, no que respeita às microempresas, dada a falta de recursos disponibilizados aos sistemas estatísticos dos países (especialmente) de baixos rendimentos e não ser tão direta a conversão do microcrédito em negócios instituídos no setor formal das economias.

A única variável com (muita) significância nas diversas versões do Modelo II, consiste no Investimento. No contexto, verificou-se uma relação inversa entre Investimento e Percentagem de Microempresas. Em todas as versões, um aumento de 1% no Investimento leva a uma redução de 3% na percentagem de empresas, o que se associa à relação negativa que se estabelece entre os a pobreza nos países e a atração de investimento e ao facto do microcrédito não ser, necessariamente, transferido de imediato, para a economia formal.

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5. Conclusão

O Microcrédito, assim como o conhecemos, surgiu no Bangladesh por iniciativa de Muhammad Yunus, durante a década de 1970, com o intuito de dar apoio e suporte financeiro à população classificada como mais desfavorecida e vulnerável da sociedade, excluída do sistema bancário convencional.

Visto que o microcrédito é conhecido como uma poderosa força no combate à pobreza, é possível observar que, nas economias em desenvolvimento, o microcrédito tem maior eficácia no seu combate à pobreza, já que é nestas economias que se encontra a população mais desfavorecida.

A partir da criação do microcrédito, as instituições bancárias, têm-se multiplicado e expandido por várias regiões, nomeadamente, as regiões onde se encontram os países de baixos e médios rendimentos. Pode-se assim verificar que, a população alvo onde o microcrédito tem maior impacto no seu desenvolvimento é as famílias em situações extremas de pobreza, que não têm acesso aos serviços de saúde e ensino e ainda, são excluídas do crédito tradicional.

Segundo Franco (2011), apesar da expansão e sucesso alcançados, muitas referências literárias afirmam que o microcrédito não produz os resultados inicialmente esperados, continuando a pobreza a afetar, com grande intensidade, as populações das diversas regiões do mundo. Este tipo de financiamento pode ser percebido como uma mudança na estrutura do desenvolvimento económico das regiões onde se encontram a população mais desfavorecida. As instituições de microcrédito, criaram oportunidades de crédito para muitas pessoas com níveis de pobreza elevados, antes excluídas dos mercados financeiros tradicionais.

A questão central que se pretendia ver respondida com este trabalho constitui na averiguação dos fatores importantes que nos ajudassem a justificar o peso do microcrédito e o peso das microempresas nas economias dos países de baixos e médios rendimentos

Com este trabalho foi possível observar a relação positiva entre a Percentagem de Microcrédito e as variáveis PIB per capita, Inflação, Investimento, Índice de Inovação e o Trabalhador com US $ 5,50/dia. Constatou-se a existência de uma relação negativa entra a Percentagem de Microcrédito e o Investimento. Esta relação negativa, entre a percentagem de microcrédito e o investimento, traduz-se na existência de uma grande percentagem de microcrédito em países de baixos e médios rendimentos, onde existe um baixo nível de Investimento caraterizado, devido muito, às reduzidas capacidades económicas dos indivíduos e a falta de formalização dos aderentes do microcrédito. Aqui encontram-se pessoas com

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rendimentos muito reduzidos, em muito destes países ainda existem pessoas que têm um rendimento inferior a dois dólares por dia. Também, dados os montantes envolvidos em cada empréstimo de microcrédito, é natural que com o crescimento das economias, a proporção do Investimento decorrente de outras fontes (nomeadamente, as tradicionais), cresça mais rápido que o microcrédito; o qual cumpre uma função não, meramente, económica e financeira, mas, também, social.

Este estudo permite ver que, existe uma relação negativa entre Investimento e Percentagem de Microempresas, o que nos diz do tecido empresarial destas economias e dos baixos índices de formalização dos recetores do microcrédito, por questões que também se relacionam com um débil sistema de informação nos países mais pobres.

O PNUD em 2018, publicou uma notícia em que diz que, no total, existem cerda de 1,3 mil milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza, sendo que deste 1,3 mil milhões 46%

vivem em pobreza extrema. Achim Steiner, administrador da PNUD, diz que ainda há muito a ser feito no que diz respeito à redução de pobreza, mas a evolução é positiva (ONU News, 2018). A relevância de se progredir para uma mudança económica e social é fundamental para o crescimento e melhoria das condições de vida de uma região, e o crescimento de microempresas e a melhor capacidade de conceção de microcrédito possibilita o melhoramento da economia nestes países com tão baixos rendimentos.

No âmbito social, os programas de microcrédito, vieram trazer às mulheres uma oportunidade de serem empreendedoras e reconhecidas como tal perante a sociedade. A estimativa do modelo com as novas variáveis dependentes, permitiu averiguar que as atividades de microcrédito abriram as portas ao empoderamento da mulher, através do financiamento bancário, o que levou ao aparecimento de implicações económicas e sociais positivas, relativamente ao poder da mulher na sociedade. A preocupação de melhorar as suas condições económicas, concedendo-lhes crédito, está interligada com o maior sentido de responsabilidade que estas têm ao aplicar o empréstimo em prol da família, não apenas em benefício próprio e, está relacionado com o facto de se acreditar que, as mulheres são mais avessas ao risco, apresentado por isso, as melhores taxas de cumprimento de microcrédito (Veiga, 2012).

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6. Limitações e sugestões para investigações futuras

O microcrédito consiste numa problemática importante no âmbito do desenvolvimento económico, no combate a pobreza e à desigualdade social. Tem merecido a preocupação de alguns investidores que tentam perceber de que forma o microcrédito atua nestes setores.

A base de dados construída para este estudo teve diferentes fontes de informação, tendo se sentido dificuldades na elaboração deste trabalho. Uma dessas dificuldades sentidas foi a junção, harmonização e normalização, de toda a informação para a construção da base de dados.

O trabalho também foi dificultado devido à falta de observações para algumas variáveis em estudo.

Outra limitação encontrada no desenvolvimento do presente trabalho, prende-se com a escassa literatura sobre o microcrédito e sobre as microempresas nos países de baixos e médios rendimentos.

Uma realidade presente é a falta de estudos e de uma investigação rigorosa sobre o alcance, o impacto e o custo-efetividade dos programas de microcrédito. Mas ainda foi encontrada outra limitação à recolha de informação, um dos portais com mais informação sobre o microcrédito (Mix Market), como por exemplo dados monetários deste, foi restrito, no ano 2019, ao público.

As atividades de microcrédito centram-se no crescimento económico através da redução da pobreza, aumentando o nível de produção das empresas mais pequenas e da produção feita por cada pessoa. Com isto, em investigações futuras seria interessante, analisar de que forma a utilização do microcrédito pode ser utilizado como politica de desenvolvimento económico de uma região, bem como, a diminuição da desigualdade social entre as pessoas, bem como, do desenvolvimento económico das empresas de menor dimensão.

Seria também interessante considerar a utilização de variáveis dinâmicas, ou seja, variáveis com os períodos desfasados, com o intuito de se verificar se existiriam melhores relações entres as variáveis.

Por fim, outro ponto importante é o número de anos em análise, deverá ser feita uma análise com um intervalo de tempo e, não somente um ano, como é o caso do presente estudo.

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Tabela A 1 - Empréstimos de todas as Instituições de Microcrédito (% PIB) entre 2015 e 2018

2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

Angola 0,05 0,07 0,06 0,03 0,02

Benim 2,2 2,28 2,42 2,37 2,22 2,32

Bolívia 12,29 13,17 14,84 15,69 16,81 19,76 20,47 18,83 19,48

Burkina Faso 1,78 1,79 1,61 1,42 1,77 1,99 2,1 2,07 2,17 2,26

Camboja 4,98 6,24 8,58 12,19 16,52 15,58 19,19 21,91

Camarões 1,09 1,15 1,37 0,98

Gana 0,14 0,31 0,31 0,25 0,22 0,15

Madagáscar 0,49 0,54 0,66 0,7 0,79 0,86 0,82 0,76 0,89 0,67

México 0,61 0,8 0,73 0,66 0,42 0,43 0,34 1,71 1,71 1,41

Myanmar 0,03 0,05 0,07 0,25 0,35 0,52 0,78

Paquistão 0,16 0,17 0,16 0,19 0,23 0,27 0,34 0,48 0,57 0,82

Peru 3,72 3,99 4,14 4,4 4,6 4,69 4,73 4,98 5,34 5,46

Ruanda 0,53 0,62 0,41 0,41 0,41 0,46 0,57 0,69 0,57 0,62

Sudão 107,1 111,75 90,88 104,22

Zâmbia 0,54 0,43 0,56 0,77 1,08 1,33 1,59 1,31 1,63 1,95

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2017

Angola 19371

Benim 6446

Bolívia 216064

Burkina Faso 55166

Camboja 363638

Camarões 70477

Gana 67739

Madagáscar 203581

México 3815422

Myanmar 110754

Nepal 208558

Paquistão 3169952

Peru 1607305

Ruanda 114329

Sudão 8554

Zâmbia 17123

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