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MILHO: IMPORTÂNCIA NUTRICIONAL E ECONÔMICA

3.6.1 Milho e sua riqueza nutricional

Por seus aspectos nutricionais, o milho, ao longo da história adquiriu importância cultural, principalmente para muitos povos latino-americanos primitivos, tanto que atribui-se o epíteto específico “mays” a sua nomenclatura científica, palavra esta, originária de uma língua extinta no Caribe cujo significado é “sustento de vida” (MACHADO e AMARAL, 2014). Evidência da valorização do milho é o fato de que cultivares de milho com alto teor de amido e carboidratos formam a base alimentar de muitos povos indígenas latino americanos (BRAGA NETO et al., 2003; LONDRES et al., 2014).

Quanto a utilização na nutrição animal, o milho no formato de grãos é o material mais utilizado como fonte energética, principalmente na alimentação de bovinos pelo elevado teor de carboidratos (WATANABE et al., 2014).

Os teores proteicos existentes nos grãos de milho, embora não tão elevados quanto em outros alimentos, são considerados uma importante fonte de nutrientes, sendo que a digestão pode depender do número, diversidade e organização dos aminoácidos que compõem as proteínas contidas nos diferentes tipos de milho (AUGUSTINI et al., 2015).

Variações nos teores nutritivos dos grãos de milho também podem ocorrer em função da localidade em que uma dada variedade está sendo cultivada, e nesse sentido, o melhoramento genético regional visando atender as necessidades edafoclimáticas de cada localidade é o procedimento mais indicado para obtenção de genótipos superiores também em aspectos nutricionais (SILVA et al., 2017a).

Em concordância com isso, ressalta-se a importância de programas de melhoramento genético de milho que visem o aumento da produtividade de grãos com a preocupação de não comprometer a qualidade nutricional e a constituição do grão (ALVES et al., 2013).

Para avaliação da qualidade nutricional, características como digestibilidade, teor de fibra nos grãos, vitreosidade, e teor de proteínas, amido e óleos têm sido realizadas a fim de identificar materiais de melhor qualidade para a alimentação (SANTOS et al., 2014; WATANABE et al., 2014; ROSSI et al., 2016).

3.6.2 O milho e a economia mundial

O milho (Zea mays L.) é uma das espécies mais cultivadas no mundo, devido a sua importância na alimentação humana e na nutrição animal (JANUARIO et al., 2015), participando em 5% de calorias e cerca de 4% do total de proteínas da dieta humana global, considerando o consumo direto (SHIFERAW et al., 2013).

O Estados Unidos lidera o ranking mundial de produção de milho com safra de 345,5 milhões de toneladas em 2016 e estimativa de 384,8 milhões de toneladas na safra 2016/2017 (USDA, 2017). Um dos desafios do país têm sido desenvolver genótipos mais tolerantes às adversidades climáticas, principalmente ao aumento de

temperatura a níveis que prejudicam a produção de milho (LOBELL et al., 2013; LOBELL et al., 2014; JIN et al., 2017).

O segundo país no ranking de produção de milho é a China, cuja safra 2015/2016 foi de 224,6 milhões de toneladas com estimativa para colheita na safra 2016/2017 de 219,6 milhões de toneladas, prevendo uma queda de 5,1% na produção (USDA, 2017). Um dos desafios do país tem sido a melhor adequação do manejo de adubação a fim de não prejudicar a produção por eventuais desequilíbrios nutricionais, principalmente em terras secas onde os nutrientes ficam menos disponíveis às plantas pela falta de umidade no solo, e os agricultores acabam aplicando quantidades de nutrientes acima do necessário (ZHANG et al., 2015).

Atualmente o Brasil produz cerca de 227 milhões de toneladas de grãos (CONAB, 2018) o qual a maior parte é exportado para outros países. Dentre os grãos mais produzidos está a soja e o milho, grandes responsáveis pela economia brasileira e estabilidade do país no mercado internacional de grãos.

Em se tratando de forma específica do milho, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial desse grão com produção estimada em cerca de 92 milhões de toneladas para o ano de 2018 (CONAB, 2018) considerando as duas safras anuais, o que corresponde a aproximadamente 40% da produção total de grãos no país.

De acordo com dados obtidos das bases de registro e proteção das cultivares, para o uso na safra 2015/16 no Brasil, foram disponibilizadas 477 cultivares de milho (RNC, 2016). A escolha de cada cultivar deve atender às necessidades regionais específicas, tais como: potencial produtivo, estabilidade, resistência a doenças e adequação ao sistema de produção em uso e às condições edafoclimáticas da região.

3.6.3 Cultivo do milho no estado do Espírito Santo

O cultivo de milho é de grande importância para a economia e desenvolvimento social do Espírito Santo, sendo, cultivado predominantemente por cerca de 40.000 agricultores familiares, com baixo nível tecnológico (PEDEAG, 2007).

Embora, o Estado tenha condições edafoclimáticas favoráveis ao cultivo de milho, nos últimos anos o Espírito Santo vem sofrendo uma queda na produção do grão, com uma diminuição de 130 para 13 mil ha/ano de área plantada com uma produção estimada de 35 mil toneladas na safra de 2017/2018 (CONAB 2018), sendo o estado juntamente com o estado do Rio de Janeiro, os menores produtores da região Sudeste e com os menores valores de produtividade.

Isso pode ser visto como um agravante a política agrícola capixaba, uma vez que o milho é uma cultura alimentar importante por poder aumentar a renda do produtor rural e também por ser considerada uma "commodity", portanto, investir na cultura do milho se faz necessário para tornar sua produção mais expressiva dentro do Estado.

Trabalhos de melhoramento de milho têm sido desenvolvidos no estado a fim de que sejam desenvolvidas cultivares mais produtivas e que possam atender às necessidades da agricultura familiar (MACHADO et al., 2007). Contudo, há ainda necessidade de selecionar genótipos mais adaptados às condições edafoclimáticas do estado, as quais têm passado por alterações nos últimos anos.

O volume de chuvas abaixo da média e as temperaturas elevadas ao longo do Estado têm prejudicado a produtividade e consequentemente a produção agrícola de forma geral (RAMOS et al., 2016). Especificamente para a cultura do milho, o baixo volume de chuvas tem causado estresse hídrico, fator que desequilibra o metabolismo da planta e prejudica a produtividade do milho.

O desenvolvimento de novas cultivares de milho para o Espírito Santo é uma necessidade eminente frente à adversidades climáticas que têm prejudicado a agricultura no estado (RAMOS et al., 2016). Trabalhos nesse sentido têm sido iniciados com a estruturação do Banco Ativo de Germoplasma do Instituto Federal do Espírito Santo (BAG do Ifes) em que trabalhos de melhoramento de milho para o estado já se encontram em andamento (ALMEIDA et al., 2016; SILVA et al., 2016; VALADARES et al., 2016; SILVA et al., 2017b).

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