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7. Resultados

8.1. Síntese documental

8.1.2. Mina da “Cova da Raposa (Lamas I)”

Esta Mina é de estanho e volfrâmio e está identificada com o Nº2292. Localiza- se na freguesia de Vascões, concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo e fica no lugar “Cova da Raposa” que deu nome à mina.

O terreno é acidentado, com cerca de 700 metros altitude média. Esta pequena região mineira encontra-se numa relativa depressão formada por xistos, limitada por afloramentos graníticos.

Pelo local da “Cova da Raposa” corre um ribeiro, com bastante água, até mesmo no verão.

Os terrenos são relativamente pobres e recobertos de delgada camada de terra vegetal e calhaus de quartzo. A vegetação, em grande parte, era selvagem e somente junto da ribeira e próximo das casas das minas é que se fazia a cultura de legumes e alguns cereais em pequena escala.

Quanto à geologia da região mineira é constituída por um complexo metamórfico ante-silúrico, em que predominam os xistos cinzento-escuro subluzentes, por vezes com muita turmalina colunar. Este mineral geralmente aparece junto do “Filão Grande”, que contem uma parte estruturalmente pegmatítica, e a sua ocorrência é talvez devida ao metamorfismo de contacto com aquele filão.

A tectónica local é simples, apresentando os xistos uma direção e inclinação mais ou menos constantes, respetivamente: N 25º E; 80º para NW, sendo esta também a direção geral das dobras do terreno.

Fora da região propriamente mineira, mas muito perto e talvez dentro de áreas de alguns registos aparecem os granitos de grão grosseiro, especialmente biotíticos de textura porfiroide. Por vezes encontram-se exemplares de xenólitos em que a estrutura

parece microgranular, com forte predominância de elementos escuros,

ferromagnesianos. Dentro desta massa xenólita também se encontram, como que xenólitos de segunda ordem, massas brancas quartzosas. Também se encontram casos de superfície de disjunção esferoidais.

O contacto das duas formações faz-se ao longo de uma série de alturas grosseiramente alinhadas em semicircunferência. A parte central do arco está voltada para Norte, quase atingindo a estrada para Ponte da Barca, um dos extremos do arco passa junto do marco geodésico “Curro de Agosto” dirigindo-se para Sul. O outro ramo

segue também para Sul, perto da “Cova da Raposa” e depois aproxima-se da linha de cumeadas duma dobra da elevação que limita a Sul a zona mineira (Fig. 43).

Quanto aos trabalhos encontram-se em muito mau estado de conservação, sendo mais produto de exploradores furtivos, do que técnicos mineiros. Nas condições encontradas na altura era impossível fazer a sua descrição. Contudo, podiam assegurar que, em especial, o “Filão Grande” foi muito trabalhado numa extensão de mais de 1 km e numa profundidade que podia atingir mais de 15 metros. As fotografias (Fig. 44, Fig. 45, Fig. 46 e Fig. 47) mostram alguns aspetos dos trabalhos, aspetos relativamente à morfologia do terreno, escombreiras e as casas das minas.

O jazigo era constituído essencialmente por uma série de filões sensivelmente paralelos, interestratificados nos xistos com possanças variáveis de 10 centímetros a cerca de 1 metro. O minério encontrava-se disseminado, mas não em toda a massa filoneana. No filão mais trabalhado, o “Filão Grande”, podem-se distinguir três tipos de enchimentos:

• Uma parte central, com cerca de 0,60 metros de possança, em que predomina o quartzo e elementos escuros, talvez ferromagnesianos. Esta parte não contem volframite ou cassiterite.

• Uma parte lateral, para Oeste, com cerca de 0,20 metros de possança, composta por material pegmatítico, um pouco

greisenizado. Os mineiros que trabalharam este filão garantiam que não continha, também, cassiterite ou volframite.

• Uma parte lateral, para Este, essencialmente quartzosa, leitosa, em que se encontrava volframite disseminada.

Não era possível colher elementos quanto à estrutura dos outros filões, por causa dos trabalhos em completa ruína. Mas numa escombreira junto do local onde houve uma lavaria era possível encontrar volframite em matriz quartzosa.

A génese do jazigo está relacionada com a intrusão do batólito granítico, que aflora próximo.

Pela descrição feita da estrutura do maior filão, parece ter havido mais que uma fase na sua formação, havendo pelo menos duas matrizes de fases nitidamente diferentes: a pegmatítica e quartzosa. Pode-se supor que numa primeira fase, que se seguiu à formação do batólito granítico, um magma residual, penetrou as fendas abertas entre faces de xistosidade, originando filões pegmatíticos. Posteriormente soluções hidrotermais mais ácidas, altamente siliciosas penetraram nas mesmas fendas, em especial para Este da formação pegmatítica. Estas soluções hidrotermais conteriam mineralizadores da volframite e cassiterite. Propriamente a parte central ficou por

esclarecer, pois esperavam receber indicações dos resultados de exame microscópicos não constando, assim, resultados nos processos.

Figura 43. Esboço Geológico da Região Mineira de Vascões.

Figura 44. Região Mineira de Vascões. Vista geral, vendo-se no fundo do vale as casas da mina, em último plano observam-se escombreiras.

Figura 45. Região Mineira de Vascões. Vista parcial mostrando as casas das minas.

Figura 46. Região Mineira de Vascões. Veem-se algumas escombreiras e no último plano, à esquerda, os afloramentos graniticos que contornam a região estanífera.

Figura 47. Região Mineira de Vascões. Escombreira e boca de um poço.

Por fim o Plano de Lavra da Mina de Volfrâmio e Estanho de “Cova da Raposa (Lamas I)”, onde estão desenhados os cortes e as plantas (Fig. 48 e Fig. 49).

Figura 48. Planta Topográfica com os Cortes do Plano de Lavra da Mina de Volfrâmio e Estanho de “Cova da Raposa (Lamas I)” à escala 1:1 000.

Figura 49. Planta do Plano de Lavra da Mina de Volfrâmio e Estanho de “Cova da Raposa (Lamas I)” à escala 1:1 000.

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