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CAPÍTULO QUARTO

MINAS GERAIS E BRASIL, EM

DESCRIÇÃO UBERABINHA MINAS GERAIS BRASIL

POPULAÇÃO TOTAL 24.420* % 5.888.174* * % 30.635.605* * % POPULAÇÃO DE ANALFABETOS 14.073* 57.62 4.671.533* * 79,33 23.142.248* * 75,54 POPULAÇÃO TOTAL 07 A 14 ANOS 4.390* % 1.318.365* * % 6.582.917* * % POPULAÇÃO DE ANALFABETOS – 07 A 14 ANOS 3.505* 79,84 1.112.073* * 84,35 5.282.886* * 80,25

Fontes: * Dados extraídos do Jornal A Tribuna. Uberabinha, p. 1, 22 Fev. 1925. ** Dados extraídos do IBGE. 1941: 59013.

Autor: VIEIRA, F. C.F. (2001)

Pode-se compreender que diante da reivindicação de escolas e estradas, associada aos dados estatísticos de analfabetos no município, ambos publicados na imprensa, o município havia alcançado o maior número de matrícula escolar do Estado de Minas, proporcionalmente ao número da sua população, o que contribui para contextualizar que a escolarização em Uberabinha ocorreu e se tornou fato nos anos vinte do século XX e, envolvido neste processo, entre outros tantos fatores, está obrigatoriamente a existência do professor que atuou para consolidar tal fato.

A princípio, posso considerar, também, diante das leituras nas fontes, que o profissional docente nos primórdios de Uberabinha caracterizava-se por não apresentar uma homogeneidade de origem, nem de formação, nem de ideal, e com certeza nem mesmo de didática aplicada. No entanto, este sujeito consolidou espaço na área educacional de Uberabinha em cerca de quatro décadas, sob as asas do Estado Republicano que instituiu um mesmo corpo legal para controle deste profissional da instrução elementar.

No final dos anos vinte, em média, o perfil deste profissional estava espelhado na professora que possuía o diploma de normalista, e atuava sob um suporte legal que lhe conferia direitos, deveres, proibições, vinculações, bem como autonomia sob a fiscalização do inspetor e ou diretor, que agora dispunha de prédios adequadamente construídos para instalação de escolas modernas, bem como de material didático e métodos de ensino fundamentados nos avanços das ciências, distanciado do perfil de décadas passadas, antes da emancipação do município, a exemplo do mestre Isidoro.

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O mestre Isidoro, pertence á época de 1877, tempos de Freguesias de São Pedro de Uberabinha e Santa Maria, em que professores e os estabelecimentos de ensinos eram improvisados para receber um incerto número de alunos. Adolpho Macieira elaborou uma crônica que foi publicada no jornal A Tribuna, em 1927, intitulada, Chronica Absurda, que registra no desenvolvimento de Uberabinha a existência de uma escola, em 1877, fruto da iniciativa do Mestre Isidoro.

(...) No passado como presente descobrimos vultos que muito contribuíram para o nosso desenvolvimento, mas o facto é que não os podemos apontar, isoladamente, como os principaes factores do nosso desenvolvimento, de vez que, todos cooperam com a sua parte para que sejamos a cidade modelo que hoje somos.

Sem dúvida há os que se collocaram à frente dos nossos destinos e se responsabilisaram pelos mais arduos problemas; há os de contribuição anonymas e os anonymos contribuintes dessa grande obra, mas não é justo desprezar-se o uberabinhense humilde, preto ou branco, moço ou velho, nacional ou extrangeiro que, dentro da ordem e do respeito pelos seus pares haja contribuído para a elevação moral, material ou intelectual desta terra.

Assim, refletindo achavamo-nos há dias diante da casa hoje de propriedade de Daniel Fonseca, na esquina da Praça Matriz, em que Mestre Isidoro abriu, nesta cidade a sua primeira escola.

A casa era toda aberta. De um lado o mestre exercia também a sua própria profissão de folheiro e do outro, dava à mocidade de Uberabinha de então as suas aulas.

Freqüentavam-nas muita gente que ainda hoje aqui vive cooperando comnosco, como o Cel. Marciano de Àvila, fazendeiro, Cel. Astospho de Vasconcelos, actualmente em Araguary, José Gonçalinho, Cel Antonio Ferreira Pinto, actualmente em Monte Alegre e outros, já fallecidos, como os irmãos Antonio e Virgilino, Gomes Moreira, José Camillo de Souza Luiz, Cap. João Bernardes de Souza e ainda outros cujos nomes torna-se difícil obter.

É isso, uma cooperação hoje quase anonyma, mas que se deve lembrar com justiça, integra e almejada.

Em 1877, data que Uberabinha começa a desenvolver os seus habitantes não podiam sonhar com a cidade que hoje somos, para cujo explendor todos trabalham e ainda trabalham. Mas o nosso dever é não olvidar-lhes a memória, porém, procurar nos aproximar-mos cada vez mais della, para que do encadeamento justiceiro das nossas citações nasça o grande incentivamento anonymo, cuja fonte, nenhum scientista, por maior physcologo, jamais poude

precisal-á dentre as multidões(...).14

O Mestre Isidoro foi lembrado e homenageado pelo trabalho que desenvolveu, não de folheiro, mas de professor. Ainda que não em tempo integral, atuava em uma das profissões que receberia alto valor no status social da sociedade uberabinhense, embora possuísse, no final do século XIX, apenas três escolas estaduais e duas municipais. Decorridos pouco mais de quarenta anos, desde a publicação desse artigo, havia já uma legislação de regulamentação para o exercício da profissão de professor, e dezenas de

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escolas primárias rurais e urbanas, públicas e privadas, nas quais o mestre Isidoro não se enquadraria como aprovado para o exercício da função de professor no município.

A profissionalização do professor municipal em Uberabinha no final dos anos vinte, encontra-se ancorada às discussões e norteamentos que advêm das reformas estaduais no ensino primário e normal. Porém, estas reformas reservaram mais de cento e trinta e seis artigos para serem estabelecidos os direitos e deveres dos profissionais do ensino, principalmente dos professores, inclusive o controle sobre a contratação de professores

para instrução elementar no Estado. Tais exigências não permitiam a contratação dos

professores no município de Uberabinha, os quais estavam fora do padrão exigido pela legislação, como a formação mínima exigida, o que resultou em críticas emitidas tanto pela imprensa local, como pelo Agente Executivo de Uberabinha, Sr. Octávio Rodrigues da Cunha que, no Relatório de Exercício do ano de 1928 declarou:

O Ensino Primário. Está a cargo do Estado este serviço. Infelizmente anda em condições precárias, porque as escolas creadas pelo Governo não foram providas. A exigência de professores para o ensino mixto, como é o rural, impede o provimento das escolas, não só porque há falta de normalistas, como as condições do ensino rural nenhum atractivo têm para quem se dedica ao magistério. Por diversas vezes insisti

com o Governo no sentido de voltar o ensino para a Câmara, sem resultado, porém.15

Pode-se verificar que este fato contribui para evidenciar a existência de ritmos, intensidades distintas entre os movimentos educacionais de Uberabinha e do Estado de Minas Gerais. Os movimentos nos anos vinte do século passado são categorizados por Nagle de entusiasmo pela educação e otimismo pedagógico, que entre as duas esferas de poder, governo municipal e governo estadual, são distintos, porém não independentes.

O movimento educacional do entusiasmo pela educação, caracteriza-se, segundo Nagle, pela “(...) crença de que, pela multiplicação das instituições escolares, da

disseminação da educação escolar, será possível incorporar grandes camadas da população na senda do progresso nacional e o Brasil no caminho das grandes nações do mundo”16.

O outro movimento, o otimismo pedagógico, fundamenta-se “...na crença de que determinadas formulações doutrinárias sobre a escolarização indicam o caminho para a

verdadeira formação do novo homem brasileiro (escolanovismo)”17. Nesta análise fora

15 Câmara Municipal de Uberabinha. Relatório do Exercício Financeiro da Câmara Municipal de Uberabinha

de 1928, apresentado em 04 de abril de 1929, Uberabinha, 1928, p. 12.

16 NAGLE, Jorge. Educação e Sociedade Na Primeira República. 2 ed. São Paulo: EPU/ Rio de Janeiro:

FNME, 2001, p.134

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possível mostrar que estes movimentos também são evidenciados em Uberabinha na

década de vinte18.

Entretanto, nas primeiras três décadas de sua existência São Pedro de Uberabinha possuía outra realidade, se desenvolvia ao lado de outras cidades da região do Triângulo Mineiro que apresentavam grande fluxo de atividades comerciais e maior índice populacional, a exemplo das cidades de Uberaba, Araguari, Frutal, Araxá, Sacramento e Patrocínio que, no início de 1920, possuíam, ainda, maiores indicadores de desenvolvimento, comparados aos do município de Uberabinha, conforme os dados apresentados abaixo na Tabela 1.

Uberabinha, no início dos anos vinte do século passado, segundo tais dados disponibilizados pelo governo do Estado de Minas, encontra-se na sétima posição entre cidades do Triângulo Mineiro, referentes aos números de casas iluminadas, de aparelhos telefônicos instalados, o valor de arrecadação a ausência de agências bancária e telégrafos, bem como a falta de registro do abastecimento de água em Uberabinha. Antes do final desta década, a cidade passa a ser destaque quando ao seu desenvolvimento, principalmente, na área da educação, o que contribui para o argumento que o processo de escolarização esteve incluso neste alavancar de desenvolvimento.

Tabela 1 - DADOS SOBRE ASPECTOS DE DESENVOLVIMENTO DE