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Capítulo I – Contextualização histórica e socioeconômica: da Era dos Direitos ao refluxo

3. A virada neoliberal e o refluxo ao Estado Mínimo

3.2. Minimalismo prestacional e maximalismo penal e militar

Contraditoriamente, o minimalismo estatal apregoado pelas correntes neoliberais restringe-se a determinados aspectos da estatalidade, frise-se, à intervenção na economia – notadamente a regulamentação legal da força de trabalho e às barreiras ao comércio internacional – e à outorga de prestações sociais, não se estendendo a outras áreas com semelhante intensidade. Trata-se, portanto, de um minimalismo altamente seletivo.341

Na realidade, a democracia em si mesma não constitui um valor do neoliberalismo, e este, por sua vez, não preconiza apenas a primazia do econômico – logo, da liberdade de mercado – sobre o social, mas igualmente sobre o político e sobre a democracia.342 Isso explica, por exemplo, as combinações de liberalismo econômico e autoritarismo político e institucional havidas, por exemplo, no Chile, sob a ditadura de Augusto Pinochet, de 1973 a 1990.343

Quanto a outros aspectos, mesmo nos países precursores das maiores reformas neoliberais, o que se observa, de outro lado, é um significativo aumento do aparato repressivo estatal, seja este compreendido como forças de segurança interna, seja compreendido como as Forças Armadas. Aliás, a necessidade de um Estado com instituições policiais e militares fortes é expressamente admitida por alguns dos principais teóricos representantes do pensamento neoliberal.

Afinal, como é sabido, o funcionamento do mercado produz externalidades negativas, dentre as quais a exclusão social, a miséria e a pobreza, as quais, por sua vez, também produzem externalidades negativas, como o aumento da criminalidade. Esta, por sua vez, gera um aumento de insegurança e, logo, um aumento da demanda por segurança que redunda, ao final, exatamente no recrudescimento do aparato repressivo estatal, a par de outras manifestações, como o crescimento do mercado da segurança privada.

341 WANG, D. W. L. Escassez de recursos, custos dos direitos e reserva do possível na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Berkeley Program in Law & Economics. Latin American and Caribean Law and Economics Association (ALACDE) Annual Papers. University of California, Berkeley, 2007, paper 050207-16. Disponível em:

http://repositories.cdlib.org/cgi/viewcontent.cgi?article=1074&context=bple>. Acesso em: 04 jan. 2009, p. 05.

Conforme observa Daniel Wei Liang Wang, “também o modo de produção capitalista, fundado na prevalência do mercado e que prega a não interferência do Estado na livre atuação econômica dos agentes privados, teve como pressuposto para se desenvolver o advento do Estado Moderno, que garantiu para os indivíduos a liberdade, a igualdade formal (por meio da dissolução das relações hierárquicas) e a institucionalização jurídica do direito de propriedade, todos eles garantidos pelo Estado contra o próprio Estado e contra os outros indivíduos. E a realização de tais tarefas só foi possível graças a um enorme aparato militar e burocrático.”

342 LIMA, A. L. C. de. Op. cit. pp. 164-165. Conforme observa Enrique de la Garza Toledo, o neoliberalismo é, ainda, crítico à democracia como igualdade, na medida em que esta implica na participação dos economicamente improdutivos nas decisões políticas, donde não é contraditório para com a ideologia neoliberal a combinação de liberdade econômica e restrição à liberdade política de massas. Ademais, Hayek reconhecia a virtual incompatibilidade entre democracia e liberdade, na medida em que as decisões políticas poderiam pretender se imiscuir na liberdade econômica, isto é, na liberdade de disposição da propriedade individual. LIMA, A. L. C. de.

Idem, p. 165.

343 LIMA, A. L. C. de. Idem, pp. 162-163.

A resposta às externalidades do mercado em referência resposta tem se alternado, ao longo da história, entre dois pólos opostos, sobre os quais a ênfase recai, alternadamente, a saber, a “piedade” (proteção social sentido amplo) e a potência (repressão em sentido ampo), na expressão consagrada por Bronislaw Geremek344, verificando-se ainda, comumente, uma síntese, um amálgama de assistência e de repressão, como, por exemplo, no caso das Poor Laws inglesas, as quais, se de um lado estabeleciam a assistência, por outro, obrigavam ao trabalho e puniam os recalcitrantes assim como os indigentes errantes que se recusavam a permanecer em suas paróquias de origem e preferiam vagar em busca de melhores oportunidades de sobrevivência.

Parece ser lícito conjeturar, com base nos dados históricos e socioeconômicos, que a abstinência da sociedade, diretamente ou através do estado, no sentido de conferir proteção às pessoas afetadas pelas externalidades negativas do mercado – como os desempregados, por exemplo – vem acompanhada por uma legislação penal socialmente seletiva.

Ocupa-se o presente tópico, portanto, de verificar se e, em caso afirmativo, em que medida a retração do Estado Social, preconizada pelo neoliberalismo e que obtém vazão pelas mais variadas vias – dentre elas por elaborações teóricas como a reserva do possível, como visto – vem acompanhada por uma gestão da miséria através do direito repressivo estatal.

Particularmente interessantes afiguram-se as relações entre retração do Estado Social e crescimento do Estado penal nos Estados Unidos da América, fenômeno que interessa mais de perto para o presente estudo. Nesse diapasão, de se refereciar os trabalhos de Loïc Wacquant e Elisabetta Grande.345

344GEREMEK, B. La potence ou la pitié. L’europe et les pauvres du Moyen Âge à nos jours. Trad. Joanna Arnold-Moricet. Paris: Éditions Gallimard, 1987.

345 As teorizações de ambos o autores partem da realidade norte-americana, por uma razão que Wacquant explicita:

“(...) dissecar o Estado penal nos Estados Unidos significa fornecer materiais indispensáveis para uma antropologia histórica da invenção em ato do neoliberalismo. Isso tanto é verdade que, desde a ruptura de meados dos anos 1970, este país tem sido o motor teórico e prático da elaboração e da disseminação planetária de um projeto político que visa submeter o conjunto das atividades humanas à tutela do mercado. Longe de ser um acontecimento acidental ou anormal, a expansão hipertrofiada do setor repressivo do campo burocrático, é um componente essencial da sua nova anatomia na era do neodarwinismo econômico.” (itálicos do original) WACQUANT, L. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. A onda punitiva. 3. ed. rev. e ampl. Trad: Sérgio Lamarão. Rio de Janeiro:

Revan, 2003, p. 49. Mais adiante, afirma o autor: “Nessa perspectiva, os Estados Unidos aparecem como uma espécie de refinaria histórica na qual se pode observar, em escala natural, e antecipar, por transposição estrutural, as conseqüências sociais, políticas e culturais do advento da penalidade neoliberal numa sociedade submetida ao império conjunto da mercadoria e do individualismo moralizante.” Ibidem. O título da obra de Elisabetta Grande faz referência à expressão oriunda do basebol “Three Strikes and You’re Out”, ou seja, “Três Strikes e você está fora”, como ensina Wacquant: “Esta expressão – tomada emprestada do ‘passatempo nacional’, o bêisebol (esporte no qual o batedor que perde a bola três vezes que lhe é arremessada numa seqüência fica temporariamente fora do jogo) – refere-se ao drástico e mecânico agravamento das sanções infringidas (sic) em caso de recidiva e à implementação de sentenças de prisão perpétua (ou ’25 anos até prisão perpétua’), quando o acusado cometeu três atos criminosos graves. Essas leis foram adotadas por 24 estados e pelo governo federal nos anos 1990. Elas variam significativamente, de acordo com a jurisdição. A Califórnia põe em prática uma versão particularmente brutal, pela qual mais de 500 infrações (incluindo faltas menores, como um simples furto numa loja) qualificam como ‘teceiro

Loïc Wacquant, em sua obra Punir os Pobres, analisa, conforme se depreende do subtítulo, a onda punitiva decorrente da nova gestão da miséria nos Estados Unidos. A proximidade do tema da política social com a política penal é assumida expressamente por Wacquant346, o que evidencia a pertinência de tal abordagem no presente trabalho.

Analisando a generalização da insegurança social, com a declaração de um “estado de emergência” policial nos EUA a partir da década de sessenta do século passado – fenômeno este que, segundo o autor, décadas depois atinge também a Europa – Wacquant afirma:

Não foi tanto a criminalidade que mudou no momento atual, mas sim o olhar que a sociedade dirige para certas perturbações da via pública, isto é, em última instância, para as populações despossuídas e desonradas (pelo seu estatuto ou por sua origem) que são os seus supostos executores, para o local que elas ocupam na Cidade e para os usos aos quais essas populações podem ser submetidas nos campos político e jornalístico.347

A relação da criminalização com as classes sociais e o mercado de trabalho também são evidenciadas por Loïc Wacquant. Segundo o autor, detendo-se sobre as referidas populações despossuídas ou desonradas,

Estas categorias – refugos – jovens desempregados, deixados à sua própria sorte, mendigos e “sem teto”, nômades e toxicômanos à deriva, imigrantes pós-coloniais sem documentos ou amparo – tornaram-se muito evidentes no espaço público, sua presença indesejável e seu comportamento intolerável por que são a encarnação viva e ameaçadora da insegurança social generalizada, produzida pela erosão do trabalho assalariado estável e homogêneo (promovido à condição de paradigma do emprego durante décadas de expansão fordista entre 1945 e 1975), e pela decomposição das solidariedades de classe e de cultura que ele apoiava num quadro nacional claramente circunscrito.348 (itálicos do original).

strike’, determinando a prisão perpétua, e a Geórgia aplica o “Two Strikes and You’re Out” para sete crimes violentos.” WACQUANT, L. Op. cit. pp. 122-123

346 “A tese central do presente livro reside em sua própria arquitetura, ou seja, na aproximação empírica e analítica que efetua entre política social e política penal. Esses dois domínios da ação pública continuam a ser abordados separadamente, de modo a isolar um do outro, tanto pelos cientistas sociais quanto por políticos, profissionais e ativistas que pretendem reformá-los, enquanto na realidade eles já funcionam em conjunto, na base da estrutura de classes e lugares.” WACQUANT, L. Idem, p. 42.

347 WACQUANT, L. Idem, p. 29.

348 WACQUANT, L. Ibidem. Elisabetta Grande, ao explorar as relações entre repressão e classe social, além de apontar para o grande percentual de afro-descendentes no sistema carcerário norte-americano – 40,7% dos condenados a uma pena privativa de liberdade superior a um ano, contra 34,3% de brancos e 19,2% de hispânicos – (op. cit., p. 84), esclarece dados que evidenciam a seletividade social perversa daquele sistema penal: “È significativa e conclusiva direi, in secondo luogo, la percentuale degli imputati che negli Stati Uniti chiede di essere difesa a spese dello Stato perché indigente: essa oscilla fra l’80% e il 90%. Il 90% degli accusati di reati, dice Peter Neufeld nel suo rapporto alla Commissione legislativa ‘sui reati, il terrorismo e la sicurezza interna del 2003’ è povero. Studi relativi al 1997, condotti in particolare sulle donne carcerate, indicano inoltre – e il dato chiarisce con precisione il tasso di povertà di chi finisce in prigione – come l’80% nell’anno precedente all’arresto guadagnasse meno di 2.000 dollari l’anno (ovvero circa 5 dollari al giorno) e il 92% avesse, nel medesimo periodo, un introito inferiore ai 10.000 dollari (equivalente a circa 25 dollari al giorno). Il rapporto, infine, del ministero della giustizia americano del 1995 fa sapere

Loïc Wacquant constata a co-relação entre a retração ou atrofia das atividades prestacionais do estado e o recrudescimento ou hipertrofia da atividade repressiva estatal, sempre mantendo em sua perspectiva as múltiplas e complexas relações entre a responsividade penal do estado e as mudanças sociais relativas ao mercado de trabalho:

De fato, o endurecimento generalizado das políticas sociais, judiciárias e penitenciárias que se observa na maioria dos países do Primeiro Mundo nas duas últimas décadas faz parte de uma tríplice transformação do Estado, que contribui, simultaneamente, para acelerar e confundir, aliando a amputação de seu braço econômico à retração de seu regaço social e à maciça expansão de seu punho penal.

Essa transformação é a resposta burocrática das elites políticas às mutações do assalariamento (passagem para os serviços e a polarização das ocupações, flexibilização e intensificação do trabalho, individualização dos contratos de emprego, descontinuidade e dispersão dos trajetos profissionais) e a seus efeitos devastadores nos escalões inferiores da estrutura social e espacial.349 (itálicos do original).

Donde parece ser lícito se inferir que o agravamento dos problemas sociais decorrentes das modificações radicais pelas quais passou o mercado de trabalho, de um lado, e da abstenção estatal crescente no âmbito da proteção social, por outro, passa a ser respondido pela sociedade e pelo estado através da repressão.

Observando que a “mão invisível” do mercado encontra seu prolongamento ideológico e seu complemento institucional necessário no “punho de ferro” do Estado penal, Wacquant observa como tal processo representa o ápice de um processo de superação – nos EUA – e de suplementação – na Europa – da “mão esquerda” do Estado, na expressão de Pierre Bourdieu – compreendida como aquela que protegia e melhorava as oportunidades de vida, através das políticas sociais – por sua “mão direita” – ou seja, aquela que representa metaforicamente a atividade policial, judicial e prisional da estatalidade.350-351

come man mano che si scende nella scala sociale, la percentuale di persone condannate deternute aumenti esponenzialmente.” GRANDE, E. Il terzo strike: la prigione in America. Palermo: Sellerio, 2007, p. 86.

349 WACQUANT, L. Op. cit. p. 30.

350 WACQUANT, L. Op. cit. p. 32. Referindo-se à experiência norte-americana, assim se pronuncia, a certa altura, o autor: “A atrofia planejada do Estado Social, culminando com a lei de 1996 sobre a ‘responsabilidade pessoal e o trabalho’ que substituiu o direito à assistência social (welfare) pela obrigação ao trabalho sub-remunerado (workfare), e a súbita hipertrofia do Estado penal são dois movimentos concomitantes e complementares (Capítulo 3).” Idem, p.

40. Sobre a lei de 1996 referida no excerto, que reformou o auxílio-social estadunidense, ainda o autor:

“Hipocritamente intitulada ‘Lei sobre a responsabilidade individual e o trabalho’, ela redundou na supressão do direito à assistência e na instituição do assalariamento forçado desqualificado como o único meido de sobrevivência, sob o pretexto de recolocar os indigentes no caminho da ‘independência’.” WACQUANT, L. Idem, p. 110. Mais uma vez ficam claras as analogias das “novas” leis norte-americanas com a arcaica legislação inglesa sobre os pobres, e uma vez mais, restam evidenciadas as relações entre mercado de trabalho e recrudescimento da repressão estatal, bem como resta evidenciado, ainda, o caráter reacionário do “neo”liberalismo.

351 GRANDE, Elisabetta. Op. cit. p. 117. A repressão como complemento do recuo nas prestações sociais é perfeitamente explicável, conforme observa Elisabetta Grande, “a ausência de intervenções e proteções sociais, por

Segundo Wacquant, na era pós-keynesiana, o aparelho penal tem sua utilidade renovada em um tríplice aspecto, qual seja, em subjugar as frações operárias que tentam reagir à nova disciplina do assalariamento; em promover a recomposição e “armazenamento” daqueles elementos mais desagregadores ou tornados supérfluos pela reformulação da demanda por força de trabalho – rememore-se Rusche e Kirchheimer – e, por fim, na reafirmação do Estado na vida cotidiana, ainda que apenas em seu novo domínio restrito – o repressivo.352

Os problemas engendrados pela desregulamentação da economia e pela retração da proteção social são ocultados pela exploração da insegurança generalizada e pela condução ideológica de todas as expectativas de solução dos problemas correlatos para o campo penal, o que representa, ao fim e ao cabo, a fragilização de direitos e garantias individuais decorrentes da retórica do medo e da conseqüente expansão, doravante sem limites, da repressão penal.

Wacquant assim aborda o aparente paradoxo acerca do caráter ambíguo das teorias neoliberais em relação ao minimalismo/maximalismo estatal, afirmando que

Se as mesmas pessoas que exigem um Estado mínimo, a fim de “liberar” as “forças vivas” do mercado e de submeter os mais despossuídos ao estímulo da competição, não hesitam em erigir um Estado máximo para assegurar a “segurança” no quotidiano, é porque a pobreza do Estado Social sobre o fundo da desregulamentação suscita e necessita da grandeza do Estado penal.353

Segundo Wacquant, quanto mais o Estado exime-se de qualquer responsabilidade econômica, tolerando, poranto, um alto nível de pobreza e desigualdade, tanto mais se faz necessária a manifestação de tal grandeza repressiva.354

Trata-se, portanto, de uma transição da guerra contra a pobreza para a guerra contra os pobres, segundo o autor, sendo estes últimos convertidos em bodes expiatórios de todos os males e “intimados a assumir a responsabilidade por si próprios, sob pena de se verem atacados por uma batelada de medidas punitivas e vexatórias”, destinadas a reconduzí-los ao emprego precário ou diminuir suas demandas sociais.355

sua vez, como se viu, incrementa o número de pobres e assuim contribui para criar as condições que conduzem a um forte encarceramento.” Tradução livre do autor. Texto original: “l’assenza di interventi e protezioni sociali a sua volta, lo si è visto, incrementa il numero dei poveri e contribuisce così a creare le condizioni che conducono alla forte incarcerazione.”

352 WACQUANT, L. Op. cit. p. 33.

353 WACQUANT, L. Idem, p. 48.

354 WACQUANT, L. Ibidem.

355 WACQUANT, L. Idem, p. 96.

O declínio do Estado caritativo, na expressão de Loïc Wacquant, vem, portanto, necessariamente acompanhado do avanço do Estado penal. Trata-se, como já visto, de uma resposta alternativa à assistência, em face das externalidades negativas.356

Em síntese, pode-se afirmar que a contradição neoliberal resta evidenciada por sua postura ambígua em relação às dimensões estatais em diversas de suas funções, restando demonstrado, outrossim, que a defesa neoliberal do valor liberdade é em grande medida retórica, na medida em que o neoliberalismo permanece indiferente à democracia e convive bem com regimes autoritários e repressivos.

Examinadas as principais expressões teóricas neoliberais bem como evidenciada a seletividade de tais teorias no que se refere ao processo de miniaturização estatal, de se examinar como se deu o impacto de tais abordagens teóricas e político-filosóficas nos países periféricos, dentre os quais o Brasil, onde o Estado Social não chegara a ser significativamente implantado por ocasião do revés neoliberal.

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