4 NORMAS CONSTITUCIONAIS DIANTE DO INSTITUTO “O ESTADO DE
5.1 MINISTROS STF, DEVERES E RESPONSABILIDADE
O Estado de Coisas Inconstitucional é um instituto derivado da Colômbia
como já foi explanado, nada mais pertinente é verificar como anda este instituto e
sua aplicabilidade, como funcionou e se realmente trouxe soluções para o caso
aplicado. Na Revista Española de Derecho Constitucional publicada em maio-agosto
(2015), o escritor colombiano Pulido, Carlos Bernal, contrapõe em diversos pontos
outra autora Gloria Lopera, posicionando em sua abordagem de objeção,
fundamenta:
idoneidad señala que en él resulta imposible probar la falta de idoneidad. Esta imposibilidadsederivaríadelacombinaciónentrela«versiónnegativaydébil del juicio de idoneidad», según la cual «una medida adoptada por una inter- vención legislativa en un derecho fundamental no es idónea cuando no contri- buye de ningún modo a la obtención de su fin inmediato» (16), y el estableci- miento de una «carga de argumentación a favor de la norma legislativa» (17), según la cual, «la falta de idoneidad de una medida legislativa debe demos- trarse mediante un conjunto de premisas empíricas, basadas en conocimientos científicos o convicciones sociales aceptadas generalmente». A partir de estas dos premisas, Lopera sostiene que con esta carga «se asigna a quien impugna la norma la carga de “probar” um
hecho negativo indeterminado, entanto debe acreditar la absoluta
inidoneidad de la norma para contribuir al logro de cual- quier finalidade legítima »(itálica de G.L., comillas de C.B.).La prueba de este hecho sería imposible. (PULIDO, 2015, p. 423).
A objeção feita por Lopera, do subprincípio de adequação reconstruído por
Pulido é rebatida por ele dizendo que é impossível provar a falta de adequação.
Ainda cita que deriva da "versão negativa e fraca da decisão de idoneidade",
segundo a qual "uma medida adotada por uma intervenção legislativa em um direito
fundamental não é adequada quando não contribui de alguma forma para a
obtenção de um fim imediato”.
Carlos Pulido enfatiza que: “a falta de adequação de uma medida legislativa
deve ser demonstrada por meio de um conjunto de premissas empíricas, baseadas
em conhecimento científico ou convicções sociais geralmente aceitas”. A partir
dessas duas premissas, Lopera argumenta que este fardo "é atribuído a quem
desafia a carga padrão" teste "um fato negativo indeterminado, enquanto a
inidoneidade absoluta deve provar a norma para contribuir para a realização de
qualquer falta cabeça- propósito legítimo”.
A prova desse fato seria impossível, diz Carlos Pulido (2015, p. 423).
O autor colombiano coloca clara sua posição que, tais discussões devem
ser feitas no Parlamento, não devendo ser alcançada pelo judiciário ou
administrativo, pois a importância dos direitos fundamentais cabe ao povo, e na
visão de ordenação. Cita Pulido (2015, p. 451):
No entanto, a importância dos direitos fundamentais em geral, e em particular a liberdade, dentro do Estado Constitucional, não desempenha qualquer papel na ponderação. Por um lado, pode-se dizer que talvez a ordenação regra argumentativa resolver em partes, na ponderação em favor do direito fundamental é a necessidade de ser aplicado, e não sobre a constitucionalidade de leis, mas no controle.
Questiona ainda sobre a legitimidade da Administração e do Judiciário, pois
o povo elegeu legislativamente para ser cumprido de forma democrática aquilo que
foi proposto pelo agente político represendo a parcela popular que indicou para
representá-los na câmara ou órgão executivo, evidenciando as ações do judiciário e
administrativo a serem pacívas de análise, pois o cargo dos Ministros do STF é
indicado por agentes e não diretamente pelo povo, colocando assim em cheque a
legitimidade das decisões dos direitos fundametais.
Por exemplo, por meio de outros atos de poder público, tais como atos administrativos ou julgamentos. É evidente que as ações da Administração e do Poder Judiciário não estão cobertas pela legitimidade democrática que abrange as leis e que as áreas de apreciação desses órgãos do Estado são muito menores que o escopo de avaliação e configuração. (PULIDO, 2015, p. 451).
Declara sua posição que a Constituição está a dispor do Parlamento e tratar
do controle de constitucionalidade caberia a este, sendo somente papel do judiciário
a aplicação do direito Penal puro, sem interpretação extensiva. Como diz a baixo no
seu texto:
Razão de a Constituição estarao dispor do Parlamento. Por esse motivo, quando se trata do controle da constitucionalidade dos atos e julgamentos administrativos, em caso de empate entre o grau de intervenção no direito fundamental e o grau de realização de um bem coletivo endossado pela Administração ou a Jurisdição deve prevalecer aquela. A admissibilidade dessa prevalência é ainda mais aparente em algumas áreas de atuação jurisdicional, como a aplicação do direito penal, onde o princípio chamado a resolver os vínculos deve ser o in dubio pro reo ou, mais precisamente, o in dubiopro direitos fundamentais do acusado. (PULIDO, 2015. p. 451).
No Brasil a forma de responsabilizar um Ministro do STF é expressa, a
Lei 1.079/50, a famosa Lei do Impeachment, que define os crimes de
responsabilidade, seu processo de julgamento, as autoridades que podem ser
processadas, e quem pode denunciar mostra no seu artigo 2º, que ministros do
STF podem ser processados e condenados por crime de responsabilidade, pelo
Senado Federal.Os crimes definidos nesta lei, ainda quando simplesmente
tentados, são passíveis da pena de perda do cargo, com inabilitação, até cinco
anos, para o exercício de qualquer função pública, imposta pelo Senado Federal
nos processos contra o Presidente da República ou Ministros de Estado, contra os
Ministros do Supremo Tribunal Federal ou contra o Procurador Geral da República.
Fato que demonstra estranheza, o judiciário dessa forma em lei tem as
mesmas tratativas que existe no executivo, ou seja, é que de certa maneira mostra
um ineficaz sistema punitivo, podendo a democracia sofrer com a falta de
idoneidade, falado por Pulido.
Marcella Fernandes, repórter de política, HuffPost Brasil traz a seguinte
matéria:
Da onda de pedidos de impeachment dos Ministros do STF, Supremo
Tribunal Federal, no Senado Federal iniciada em 2016, quatro solicitações ainda
estão em tramitação. Os alvos são Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo
Lewandowski e Luiz Fux.
Em 2017 foram apresentados oito pedidos de afastamento, sendo quatro
arquivados. O número só não é maior do que no ano anterior, quando o total chegou
a 11 petições, dez delas arquivadas, conforme gráfico abaixo:
GRÁFICO 1 – PEDIDOS DE IMPEACHMENT MINISTROS DO STF
FONTE: HUFFPOST