CAPITULO 2 SEGURANÇA INTERNACIONAL, SEGURANÇA HUMANA
3.9 MINUSTAH (2004 – 2010): LIÇÕES E RESULTADOS
A fim de testar a hipótese inicial desta dissertação, quantificando, ao fazer uso dos dados disponíveis, os resultados obtidos pela MINUSTAH, referente à sua atuação entre os anos de 2004 – 2009 no Haiti, serão utilizados alguns índices da Freedom House, do Country Indicator for Foreign Policy (CIFP), a Carleton University, no Canadá. Ademais, os índices do Failed States Index (FSI) serão utilizados, como mais um mecanismo de avaliação da possível melhoria da condição do Haiti ao longo dos anos. O FSI não foi utilizado na análise da UNMIH, pois o mesmo só veio a ser criado em 2005, por meio do Fund for Peace.
Os índices abaixo servirão para se ter uma opinião baseada em dados, da situação haitiana em cada período, de acordo com a atuação de cada missão, ao mesmo tempo, será realizada uma comparação entre os resultados obtidos por cada uma das operações de paz aqui analisadas. Levando em consideração que, de acordo com o mandato da MINUSTAH além dela ter atuado nas áreas de reforma do setor de segurança, judiciário penal e carcerário, promoção do desenvolvimento econômico e social e restauração democrática, anexou-se as suas atribuições o quesito direitos humanos.
TABELA 12: INDICES DEMOGRÁFICOS HAITI (2004-2009)
INDICADOR 1996 2004 2005 2006 2007 2008 2009 População 7.336,000 7.656.166 8.121.622 8.308.504 8.706.497 8.924.553 9.035.536 Índice total da população 5 5 6 6 6 6 6 População urbana 35,9 39 41,1 42,9 43,9 44,8 45,3 População rural 64,1 61 58,9 57,1 56,1 55,2 54,7
FONTE: http://www4.carleton.ca/cgi-bin/cifp/display.pl; http://www.indexmundi.com/g/g.aspx?v=21&c=ha&l=pt
Da análise destas tabelas, começando pela de número 11, percebe-se que o crescimento populacional no Haiti permaneceu similar ao ocorrido entre 1992 a 1996. Diferente da tabela da UNMIH houve uma variância de índice (de 5 para 6). A demanda dos haitianos em busca da zona rural entre 2004-2009 foi em média 4% a mais que o percebido no marco temporal anterior, porém, se levarmos em consideração que a análise da MINUSTAH tem um ano a mais que a UNMIH, o impacto deste percentual não é de grande magnitude, em média 0,66/ano. Apesar disso, compreende-se mediante as resoluções, o desenvolvimento de ações contundentes pela missão em coordenação com o Governo haitiano na infraestrutura habitacional, sobretudo nas grandes favelas do país, o destino mais procurado desses migrantes. Apesar dos investimentos, a estrutura habitacional de Cité Soleil e Bel Air ainda se
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encontravam a época longe do desejável, visto que o acesso à água potável e a energia elétrica ainda se encontravam deficitários.
TABELA 13: INDICES DE GOVERNANÇA E ESTABILIDADE POLITICA (2004-2009)
Fonte: http://www4.carleton.ca/cgi-bin/cifp/display.pl;
Quando partimos para a análise dos índices de governança e estabilidade democrática, podemos aferir que assim como a UNMIH, a MINUSTAH conseguiu permanecer promovendo as liberdades civis e os direitos políticos dos haitianos de maneira mais duradoura (os índices são repetidamente os mesmos). Entretanto, os índices de autocracia na vigência da MINUSTAH são inferiores ao da UNMIH, isto pode ser justificado pelas sucessivas eleições que ocorreram no Haiti em todos os âmbitos políticos, gerando uma rotatividade de poder. O índice de durabilidade de regime também foi similar às duas missões, permanecendo positivamente variável, apesar dos anos de 2005-2007 apresentarem um recrudescimento, em virtude da recente instalação do governo.
O quesito de direitos políticos e civis apresentou uma expressiva melhora na vigência da MINUSTAH, podendo isso ser explicado pela crescente participação dos haitianos das eleições, chegando a números não vistos antes, mediante incentivos e cadastramento da OEA, inclusive de mulheres. O índice de liberdade de imprensa não apresentou expressiva alteração como se viu na UNMIH, porém permaneceu sem grandes danos, inalterada até 2009. A melhoria desses índices permitiu que o Haiti permutasse de Not
Free em 2006, em decorrência da depreciação sofrida pelo país em 1998-2000, para Partly Free no ano de 2008, quando o Haiti demonstrava melhorias.
INDICADOR 1996 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Democracia 7 8 8 7 7 8 8 Democracia - Índice de autocracia 3 6.4 6 6 5 5 Índice de Durabilidade regime 8 N/A 8.0 8.0 8.0 7.0 7.0 Pontuação dos direitos políticos 4 4 3 3 3 3 3 Pontuação Liberdades Civis 5 5 5 4 4 4 4 Índice de Direitos Civis e Políticos 6 N/A 8.0 8.0 8.0 8.0 8.0 Índice de Liberdade de Imprensa 6 N/A 7.2 7.2 7 7 7
154 TABELA 14: INDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (2004-2009)
Fonte: http://www4.carleton.ca/cgi-bin/cifp/display.pl
Os índices de desenvolvimento humano demonstram que, de acordo com os dados do PNUD, houve uma melhoria das condições de vida dos haitianos, principalmente quando levamos em consideração os anos de 2004 – 2008, sofrendo uma leve retração em 2009. No mesmo sentido seguiu o índice de desenvolvimento de gênero apresentado tanto pelo PNUD quanto pelo CIFP, uma das reiteradas preocupações da MINUSTAH em campo. Esta sensível melhora pode ser atribuída à atenção dada à condição vivenciada pelas minorias, sobretudo mulheres e crianças, ao constante incentivo pela participação feminina na vida política e pela preocupação, citada repetidas vezes nas resoluções, com a segurança física e psicológica deste grupo frente às ameaças e abusos sofridos por eles.
TABELA 15: DESEMPENHO ECONÔMICO (2004-2009)
Fonte: http://www4.carleton.ca/cgi-bin/cifp/display.pl
Entre 2005 e 2008 o Haiti vivenciou sua pior temporada de furacões, terremotos e tempestades, prejudicando seriamente o setor agrícola, principal fonte de recursos dos haitianos. Diante deste cenário, o crescimento do PIB ficou prejudicado especialmente entre 2004-2006, contando também com o aumento da inflação. Porém em 2007 o país vivenciou uma queda da inflação e recebeu vultosos auxílios que chegaram em 2007 dos doadores
INDICADOR 1996 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Índice de desenvolvimento humano (PNUD) 0.38 0.48 N/A 0.53 0.53 0.57 0.50 Indice de desenvolvimento humano (CIFP)
N/A N/A N/A N/A N/A N/A N/A
Índice de Desenvolvimento de
Gênero (PNUD)
N/A N/A 0.340 0.348 N/A 0.350 0.333
Índice de Desenvolvimento de Gênero (CIFP) N/A N/A 8 8 8 6 7 INDICADOR 1996 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Indice de crescimento do pib 7 9 8 8 7 7 7
PIB per capita 8 7 6 6 6 6 7
Inflação 7 N/A 8.4 8.4 8 7 7 Importação US$ millions 822 928 872 825 804 802 826 Exportação Us$ millions 329 294 304 314 329 334 315
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internacionais, especialmente com a concessão de toneladas de alimentos e expansão das áreas cultiváveis, o país conseguiu uma pequena melhora desses índices. A queda da inflação foi o grande diferencial deste período. Percebeu-se uma diminuição do preço dos alimentos (especialmente do arroz decido a safra de verão de 2007-08), um leve aumento no PIB per
capita, elevando o poder aquisitivo dos haitianos (não da maneira desejável, mas expressiva
para a época) e de acordo com os números da tabela, uma modesta diminuição dos índices de importação e aumento de exportação.
O Failed States Index criado em 2005 pelo Fund For Peace que tem a finalidade de quantificar a qualidade e a quantidade de bens públicos e políticos que um Estado entrega a seus cidadãos, reforça a interpretação acima. Conforme os seus índices econômicos o Haiti teve uma melhora em sua condição econômica, sobretudo a partir do ano de 2006, quando o país ocupava a 8ª pior posição na escala de Estados Frágeis ou Fracassados, ou seja, aqueles Estados inábeis no desempenho de suas atribuições políticas, e passou a ocupar a 11ª em 2007 e a 14ª em 2008.
Diante da breve análise destes dados podemos aferir que a intervenção da ONU no Haiti por meio da atuação da MINUSTAH promoveu sim melhorias ao paíse que há resquícios da segurança humana no mandato e nas resoluções da mesma, bem diferente do que se viu na UNMIH. A missão, além de apresentar avanços na promoção do desenvolvimento econômico do país, proporcionou melhorias na questão do desenvolvimento humano e consequentemente dos direitos humanos, quesitos diferenciadores desta missão com relação às demais.