O LIVRO DOS ESPÍRITOS
MISSÃO E RESPONSABILIDADE
É possível estabelecer uma definição genérica indicando que o artista é a pessoa que produz, de maneira criativa, algum tipo de arte. Como o conceito de artista está diretamente ligado ao conceito de arte, a sua definição também tem variado através da historia da humanidade. Não só sua definição tem sido objeto de estudos acadêmicos científicos como também sua função.
Em 7 de outubro de 1949, nascia na cidade de Niterói, o menino José Raul Teixeira, que mais tarde se tornaria edu-cador, orador e médium espírita. Licenciado em Física, mestre e doutor em educação, Raul Teixeira, um dos conferencistas mais requisitados no país, é conhecido por suas 35 obras psico-grafadas e pelas palestras proferidas no Brasil e em 45 países pelo mundo, sempre levando o esclarecimento da mensagem espírita.
Em um dos muitos programas de TV de caráter espírita espa lhados pelo Brasil, Raul teve a oportunidade de dialogar com o público sobre o tema Arte Espírita, onde ofereceu pontos para nossa reflexão e ponderação sobre o papel do artista.
Em toda parte há beleza na natureza. É que o criador deseja que sua criatura se torne bastante receptiva a tudo quanto Ele fez, a tudo quanto deixou a nossa volta. É a arte divina.
E porque nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus nos atributos morais e nos atributos espirituais, o Criador deseja que cada um de nós saiba expressar aquilo que lhe é peculiar, essa capacidade de sensi bi-lizar, de embelezar. E surge no mundo a arte. E surge junto à arte o artista. Aquele que sabe interpretá-la, aquele que sabe vivenciá-la, aquele que consegue, usando-a, sensibilizar as pessoas.
Então a missão do artista na terra é ser um auxiliar de Deus, um ajudante da divindade, trabalhando os corações, os sentimentos, os raciocínios, as percepções mais líricas da alma para que nós nos sensibilizemos.
(…) a arte tem um destino: sensibilizar as criaturas para a Obra de Deus. Cabe ao artista, então, pensar no que ele pode fazer, no que ele pode dar de si, como ele pode mobilizar seu mundo íntimo para converter-se de fato num auxiliar da divindade, num trabalhador do Bem, na Terra, ganhando sua vida, mas fazendo que a vida ganhe muito mais.
Cabe ao verdadeiro artista, aquele que nem sempre ganha muito, nem sempre tem grandes lucros, mas que é fiel a este princípio ético e estético, não desanimar.
Você que é artista, você que sabe sentir as coisas do mais alto, você que tem essa estesia das estrelas dentro de si, esse murmúrio do mar dentro de si, você que carrega em cada pincelada, as cores das flores, as cores da natureza, nunca desanime, persista colaborando com Deus, porque haverá o dia que cada um dará conta do tempo e do que fez dele elevando as criaturas, levando-as a altos cimos ou deprimindo-as denegrindo a sua atenção, desatendendo as leis do progresso.25
25 TEIXEIRA, Raul. Programa Vida e Valores. “A Missão do Artista”. Disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=9U6QvhBIoYQ. Visualizado em 14 de março de 2015.
E D M U N D O C E Z A R
Válido observar que, ao abordar o tema da arte, da missão do artista no planeta, da destinação da arte que é sensibilizar os indivíduos para a divindade e de orientar e convidar à re-flexão sobre o futuro do artista e a relação moral com o que faz, Raul Teixeira não está se referindo restritamente ao artista espírita mas a todo artista, a quem ele chama de “verdadeiro artista”.
Na atualidade, em uma relação social marcada pela de-si gualdade, ausência de paz, medo e busca incessante pela vitória das aquisições materiais, o artista encontra-se mergu-lhado em dilemas constantes entre sua necessidade de afirmar-se profissionalmente, a busca de sobrevivência mercadológica e suas crenças religiosas e éticas.
Como missionário divino, um trabalhador atarefado com a necessidade de conduzir ao sensível e ao belo, o artista, em suas escolhas, pode caminhar por diversas trilhas no meio da selva social, sendo responsável único, como somos de nós mesmos, pelas realizações que deixar pelo caminho, sejam flores semeadas mesmo tímidas ou lixo e degradação que ofereceu à natureza
Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas cristalizações do con ven cionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das ideias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.
Sempre que a sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para conside-rar tão-somente a luz espiritual que vem do coração uníssono com o cérebro, nas realizações da vida, então o artista é um dos mais devotados missionários de
Deus, porquanto saberá penetrar os corações na paz da meditação e do silêncio, alcançando o mais alto sentido da evolução de si mesmo e de seus irmãos em humanidade. (Emmanuel) 26
O Século passado foi marcado pela tecnologia e vivemos hoje no século XXI o tempo da espiritualidade e das artes e essa realidade se materializa também no ambiente doutrinário espírita. Multiplicam-se os grupos e artistas, desejosos de rea lizar uma produção inspirada pela ética espírita, um mo-vimento sem volta, que invade organizadamente as casas es-píritas, exigindo que os órgãos federativos reflitam, planejem e se posicionem diante destes fatos, indicando caminhos e possibilidades para o fazer artístico espírita.
Os macro eventos de confraternização e de amadure ci-mento de experiências entre os artistas, realizados de maneira isolada e pontual, tornam-se aos poucos, permanentes e múl-tiplos de possibilidades, chegando a todas as regiões do país, rompendo barreiras de distâncias, formas e psicológicas, estas mais difíceis de serem ultrapassadas.
Todo esse movimento deve alertar o artista espírita para a necessidade básica e primeira de sua atividade. O obje tivo geral do Espiritismo é alavancar o desenvolvimento moral do homem. A necessidade básica do artista espírita é sua transformação moral não desprezando a necessidade perma-nente de melhoria técnica do que faz.
26 EMMANUEL. O Consolador – questão 162 – Psicografia de Francisco Cândido Xavier