• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.7 MISTURAS ASFÁLTICAS MODIFICADAS COM RESÍDUOS

Materiais reciclados podem ser inseridos ao ligante asfáltico, a exemplo de polímero tipo polietileno (PE) virgem ou proveniente de resíduo pós-consumo. Os resultados de ductilidade e ponto de amolecimento tendem a aumentar quando o asfalto é modificado por PE.

As fibras de polipropileno (PP) são usadas para modificar o ligante betuminoso, a fim de melhorar as propriedades físicas e mecânicas de misturas asfálticas (FANG et al., 2008). A inserção de fibras de PP ocasiona aumento nos valores de estabilidade e de quociente de Marshall, considerado uma espécie de pseudo-rigidez (TAPKIN; ÇEVIK; UŞAR, 2010). As fibras metálicas reduzem o custo na construção de pavimento, reduzindo a manutenção dos mesmos, melhoram o desempenho mecânico na flexão e o comportamento térmico de asfaltos (YANG; SHIN; YOO, 2017).

Em 02 de agosto de 2010, foi sancionada a Lei Nº 12305, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, um importante avanço para o Brasil em termos ambientais. A lei cria um marco regulatório para o lixo, seja ele aproveitável ou não. No caso dos pneus inservíveis, é importante levar em consideração que uma legislação própria já regulamentava seu descarte e destinação desde 1998. A Legislação Brasileira aponta a auto-responsabilidade das empresas na remoção, estocagem e tratamento de resíduos gerados pelos processos de produção (SILVA; DE FIGUEIREDO, 2010; FAGUNDES, 2003), a partir de procedimentos adequados para a conservação do meio

23

ambiente. Segundo Markiewicz (et al., 2017), em sua pesquisa, foram encontradas mais de 1.100 poluentes orgânicos emitidos durante a construção de estradas.

Os pneus descartados na natureza constituem, nos países mais desenvolvidos e em muitos em via de desenvolvimento um enorme passivo ambiental. Só no Brasil são produzidos cerca de 40 milhões de pneus por ano e quase metade dessa produção é descartada nesse período, onde em sua maioria, a outra metade é usada na fabricação de pneus, recauchutagem (OLIVEIRA et al., 2010). Devido ao aumento do número de automóveis e a falta de um programa de recuperação sistemática, o uso de borrachas de pneus inservíveis modificadores do betume pode ajudar a aliviar a poluição causada pelo descarte de pneus inservíveis. Asfaltos modificados com resíduos provenientes da borracha de pneu são cada vez mais aplicados em estruturas de pavimentos em todo o mundo.

Projeto de lei municipal nº 1500 de 2007, propõe que todos os programas de asfaltamento e recapeamento de rodovias do Município de São Paulo usem “asfalto- borracha” ou asfalto ecológico.

Projeto de Lei municipal nº 215 de 2009, institui o recolhimento e destinação de pneus inservíveis da frota municipal de veículos de Manaus para a produção de asfalto-borracha. Segundo este projeto, são propósitos da adição de borracha oriunda de pneus usados em misturas betuminosas para a pavimentação urbana: minimizar o problema da disposição de pneus usados, ampliando a vida útil do aterro sanitário de Manaus; eliminar o lançamento de materiais ambientalmente nocivos, causadores de poluição cênica, residual e que propiciam a proliferação de vetores de doenças. Borracha de pneu adicionada ao ligante melhora o desempenho dos pavimentos urbanos reduzindo os custos com obras de reparos e revestimento das vias urbanas. Borracha moída é conhecida por melhorar aspectos de desempenho de mistura asfáltica, como a suscetibilidade térmica, o comportamento elástico, resistência à fadiga e ao envelhecimento (AFLAKI; TABATABAEE, 2009). Para isso, segundo Thodesen, Xiao e Amirkhanian (2009), depende de outros fatores como: local de produção, processo de moagem, a seleção do tipo de material e o tipo de pneu.

Além de modificadores a base de polímeros adicionados ao betume também podem ser acrescidos ao cimento asfáltico enchimentos inertes. A inclusão de material que passa pela peneira de malha n° 200 (0,075 mm), ''filler", não altera as propriedades do concreto. Para Al-hadidy e Tan (2009), um material de enchimento é introduzido na mistura de asfalto a quente para proporcionar maior estabilidade e resistência.

24

Outro fator importante baseado numa análise cientifica quanto a inserção de resíduos de borracha em asfaltos, está associada à melhoria ergonômica e de ruídos, associado a barulho de buzinas, poluição do meio, e pode modificar a nossa visão das causas dos acidentes bem como das medidas a adotar para evitá-los. As medidas infra- estruturais também podem ser aplicadas, medidas como, a eliminação dos delineadores laterais, aumento da largura da linha central, e colocação de uma superfície rugosa sobre a linha central (NORIEGA; SANTOS; MIGUEL, 2002).

2.8 ASFALTOS MODIFICADOS COM BORRACHA

As propriedades reológicas de asfalto, a viscoelasticidade, pode ser medida a partir do desempenho de misturas asfálticas durante o processo de usinagem, compactação e vida em serviço.

A modificação de ligantes asfálticos com borracha moída proporciona um produto com maior rigidez e maior elasticidade. Tais propriedades reológicas se refletem no aumento da parcela de resistência à deformação permanente das misturas asfálticas atribuída ao ligante asfáltico (FAXINA et al., 2007). Asfaltos modificados com borracha são obtidos com vida útil superior em faixas de temperaturas associadas à deformação permanente, mas a princípio podem possuir trabalhabilidade prejudicada. A melhoria do desempenho do ligante asfáltico está diretamente relacionada à concentração de borracha moída, porém excessos de borracha são prejudiciais, aumenta a viscosidade nas temperaturas de mistura e compactação, atingindo níveis impraticáveis.

Em Cárdenas & Fonseca (2009), as propriedades reológicas de asfalto dependem das proporções em que os componentes estão presentes, que variam de acordo com a origem do produto modificador. O comportamento reológico do ligante tem uma influência significativa sobre as propriedades da mistura de asfalto-agregado (formação de sulcos, fadiga e sensibilidade térmica).

A adição de polímeros é uma alternativa versátil para modificar a reologia dos asfaltos. Muitos tipos de polímeros são aproveitáveis, entretanto, não há um polímero universal e uma seleção deveria ser feita de acordo com as necessidades. As propriedades reológicas de asfaltos são determinadas pelas interações moleculares na qual dependem da sua composição química (SENGOZ; ISIKYAKAR, 2007).

25