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1 PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA

1.5.6 Moacir Gadotti e sua visão de sustentabilidade

Pela primeira vez na história da humanidade, não por efeito de armas nucleares, mas pelo descontrole da produção, podemos destruir toda a vida do planeta. É a essa possibilidade que podemos chamar de era do exterminismo. Passamos do modo de produção para o modo de destruição; teremos que viver daqui para a frente confrontados com o desafio permanente de reconstruir o planeta (GADOTTI, 2005, p. 15).

Gadotti não utiliza o termo “educação ambiental crítica” em seus textos, e sim ecopedagogia, mas a similaridade entre os dois conceitos é visível, pois tanto a EA crítica como a ecopedagogia fazem parte de uma vertente crítica. A ecopedagogia visa à qualidade de vida humana, sem impactar os ecossistemas – é uma educação direcionada à humanidade, para que natureza e humanidade estejam em equíbrio e harmonia. Visa disseminar mais que conceitos verdes, mas uma educação holística, a fim de formar cidadãos críticos e planetários, para que, além da preservação dos ecossistemas para as gerações futuras, também se forme uma sociedade justa, democrática e pacífica. A ecopedagogia é baseada na Carta da Terra, e, para exemplificar, destacamos a seguir os princípios dessa carta:

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos. b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

c. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.

d. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

2. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.

b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

3. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.

b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem, em longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra (BRASIL, 2000).

Gadotti tem um vasto trabalho que contribui de forma positiva no âmbito da educação ambiental com a ecopedagogia, e, por esse motivo, ele é um dos referenciais neste trabalho. Layrargues (2004, p. 8), no livro Identidades da educação ambiental, diz que “A diversidade de nomenclaturas hoje enunciadas, retrata um momento da educação ambiental que aponta para a necessidade de se re-significar os sentidos identitários e fundamentais dos diferentes posicionamentos político-pedagógicos”. Nessa obra, ele reuniu vários autores do campo ambiental, de diferentes vertentes, para debater e conceituar cada termo, deixando claro que nenhum desses conceitos está errado, sendo formas de pensamentos distintas para tratar de um assunto em comum: a conscientização ambiental.

Re-nomear completamente o vocábulo composto pelo substantivo

Educação e adjetivo Ambiental (como por exemplo, com a

Ecopedagogia) ou designar uma outra qualidade nele, mesmo que para enfatizar uma característica já presente, embora ainda pouco expressiva entre os educadores ambientais (como por exemplo, a Educação Ambiental Crítica, que evidencia os vínculos existentes entre a Teoria Crítica e a Educação Ambiental), pode significar dois movimentos simultâneos mas distintos: um refinamento conceitual fruto do amadurecimento teórico do campo, mas também o estabelecimento de fronteiras identitárias internas distinguindo e segmentando diversas vertentes (cujas fronteiras não necessariamente seja bem demarcadas), não mais exclusivamente externas ao campo da Educação que não é ambiental (LAYRARGUES, 2004, p. 8).

Nesse contexto, é possível identificar que as terminologias de Gadotti dialogam com os pensamentos dos autores de EA crítica. Portanto, elas não se anulam, mas são identidades ressignificadas de acordo com a vivência de cada um, e cada uma dessas nomenclaturas podem salvar nosso bem maior: o Planeta.

O autor afirma que se faz necessário educar para sustentabilidade, para se formar cidadãos planetários que respeitem a natureza com consciência e empatia. Gadotti

discursa sobre “cidadania planetária”, que é um modo diferenciado de olhar para Terra, percebendo-a de forma mais integral, como uma “única comunidade” (GADOTTI, 2012). O autor critica a globalização, pois a considera hegemônica, visto que sua prioridade não é a população e a natureza, e sim o capital. Em seus textos, procura usar outro termo para uma globalização mais cooperativa, sendo chamado processo de “planetarização”. Ele diz que temos que distinguir o “ecologismo elitista” e “ecologismo crítico”, uma vez que ecologismo crítico é àquele que todos os organismos têm mesma importância, por isso é preciso cuidar para manter o planeta em equilíbrio.

A noção de cidadania planetária (mundial) sustenta-se na visão unificadora do planeta e de uma sociedade mundial. Ela se manifesta em diferentes expressões: “nossa humanidade comum”, “unidade na diversidade”, “nosso futuro comum”, “nossa pátria comum”. Cidadania planetária é uma expressão adotada para expressar um conjunto de princípios, valores, atitudes e comportamentos que demonstram uma nova percepção da Terra como uma única comunidade (GADOTTI, 2012, p. 30).

Dessa forma, como todo planeta é uma única comunidade, e todos os organismos estão interligados, é necessário educar para a sustentabilidade, passando o ensinamento que o organismo são importantes e não devemos ter uma relação vertical, mas horizontal com os organismos, pois não há hierarquia nessa relação (GADOTTI, 2012). O desenvolvimento sustentável pode sofrer consequências negativas por meio do modo capitalista que a sociedade leva, mas não é impossível, ainda há tempo de se fazer essa desconstrução de pensamento para assim se alcançar a verdadeira sustentabilidade.

A sustentabilidade tornou-se um tema gerador preponderante neste início de milênio para pensar não só o planeta, um tema portador de um projeto social global e capaz de reeducar nosso e todos nossos sentidos, capaz de reacender a esperança num futuro possível, com dignidade para todos (GADOTTI, 2003, p. 11).

Todas as diversidades de educação ambiental de vertente crítica, independentemente da nomenclatura, acreditam que a sustentabilidade não está relacionada apenas com o âmbito ambiental, mas também está atrelada à esfera social, política, cultural e econômica, sendo todas as áreas essenciais para a sustentabilidade. O desenvolvimento sustentável é holístico, e todos os tipos de desigualdade podem nos fazer parar ou retroceder na realização da sustentabilidade, então fome, saneamento básico, defasagem na educação, moradia em áreas de risco e desemprego, entre outros fatores, impactam diretamente no desenvolvimento sustentável.