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Mobilidade, Sustentabilidade e Qualidade de Vida Urbana

2. Mobilidade Urbana Sustentável

2.3. Mobilidade, Sustentabilidade e Qualidade de Vida Urbana

Ainda que a disponibilidade de transporte seja fundamental para o desenvolvimento das atividades urbanas, não só o acesso físico aos diferentes modos e tecnologias determina as condições de mobilidade nas cidades. Especialmente nas grandes áreas urbanas, inúmeras situações hoje experimentadas acabam por refletir em problemas de mobilidade para seus habitantes, cabendo citar:

ƒ A precariedade da infra-estrutura urbana, onde a ausência de passeios públicos, iluminação adequada e a insuficiência dos equipamentos de drenagem acabam por trazer problemas para a circulação de pedestres e veículos. Todos estes fatores causam desconforto para motoristas e pedestres, além de congestionamentos de tráfego e acidentes;

ƒ A apropriação ilegal do espaço público, seja por ambulantes, bares ou estabelecimentos comerciais em geral, que traz prejuízos para a circulação de pedestres e pessoas com restrição de mobilidade;

ƒ A ausência de arborização urbana, com conseqüente perda da qualidade ambiental, contribuindo para a criação de espaços pouco atrativos para pedestres;

ƒ As deficiências ou ausência de planejamento urbano e a má organização das cidades, com o conseqüente aumento dos tempos de deslocamento e dos custos de transporte, além da necessidade de maiores investimentos em infra-estrutura urbana para atender a crescente demanda por transporte individual.

Em função destes aspectos, pode-se dizer que os problemas de mobilidade são multidimensionais e não envolvem exclusivamente questões ligadas ao acesso aos meios de transporte. Estes envolvem também questões mais complexas do cotidiano, além de aspectos ligados ao planejamento físico e organização das cidades. Todos estes fatores exercem, por sua vez, influência direta sobre a sustentabilidade das cidades. Em última análise, pode-se referir que os problemas de mobilidade, segundo diversas formas e dimensões têm contribuído para o declínio da qualidade de vida da população das cidades. Segundo Ferraz e Torres (2001), as atividades comerciais, industriais, educacionais, recreativas, entre outras, que são essenciais à vida nas cidades modernas, somente são possíveis com o deslocamento de pessoas e de produtos. Assim, o transporte urbano é tão importante para a qualidade de vida da população quanto os serviços de abastecimento de água, coleta de esgoto, fornecimento de energia elétrica e telefonia. Em função destes aspectos, proporcionar uma mobilidade adequada para todas as classes sociais se constitui

em uma ação essencial para o processo de desenvolvimento econômico e social das cidades.

Para Hall e Pfeiffer (2000), algumas questões relacionadas à sustentabilidade urbana têm sido amplamente discutidas, incluindo questões relacionadas aos transportes e à mobilidade. Neste sentido as preocupações concentram-se em torno da sustentabilidade ambiental, em virtude dos atuais níveis de congestionamento e poluição inaceitáveis, resultado da explosão do uso do automóvel privado. Outras questões dizem respeito à provisão de redes de transporte público adequadas, redistribuição dos empregos e serviços visando à redução dos deslocamentos e controle do crescimento urbano.

No que se refere à relação entre mobilidade e sustentabilidade urbana, as cidades que implementam políticas de mobilidade sustentável garantem maior dinamismo das funções urbanas, maior e melhor circulação de pessoas e mercadorias. Todos estes aspectos se traduzem na valorização do espaço público, na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico e social da cidade (IBAM e Ministério das Cidades, 2005)

Para Pereira et al. (2004) a melhoria da qualidade de vida nas cidades passa também pela promoção de um transporte mais humano e eficiente. Para estes autores, um transporte desorganizado ou mal planejado pode se tornar um problema de grandes proporções, levando as cidades a situações insuportáveis, onde a deterioração acentuada dos sistemas de transportes existentes pode levar à perda da qualidade de vida e aumento significativo do custo de vida nas cidades.

Para o ITRANS (2004), o acesso às oportunidades de emprego, aos locais de moradia e de oferta de muitos serviços essenciais depende das condições de transporte. Em outras palavras, os problemas de mobilidade podem ser, com freqüência, agravantes da exclusão social e da pobreza.

Para Gomide (2003) a existência de um serviço de transporte coletivo acessível, eficiente e de qualidade, pode aumentar a disponibilidade de renda e tempo dos mais pobres, propiciar o acesso aos serviços sociais básicos e às oportunidades de trabalho. Neste sentido, estratégias de combate à exclusão social devem, fundamentalmente, garantir o amplo acesso aos serviços públicos essenciais, entre eles o transporte coletivo.

Os múltiplos aspectos identificados pelos vários autores e estudos evidenciam os impactos que a mobilidade tem sobre a dinâmica e desenvolvimento das cidades. No entanto, em função dos graves problemas que tem apresentado e das limitações que vem impondo à realização das atividades diárias dos cidadãos e das empresas, a mobilidade tem sido hoje

fator determinante para o declínio da qualidade de vida e insustentabilidade das cidades brasileiras. Questões como a baixa qualidade do transporte coletivo; dissociação entre o planejamento de transportes e o planejamento urbano; consumo excessivo de tempo e de recursos e imposição de barreiras físicas que dificultam à acessibilidade são algumas das faces dos problemas atuais de mobilidade na grande maioria das cidades.

Segundo o Ministério das Cidades (2006b) tal situação tem raízes sociais, políticas e econômicas. No entanto, as políticas adotadas até o presente momento têm sido as principais responsáveis pelos problemas diagnosticados. Neste sentido, o próximo capítulo tem como objetivo discutir os mecanismos que conduziram aos atuais padrões de mobilidade urbana, dando destaque ao processo de gestão vigente até o momento e o novo paradigma que se apresenta em desenvolvimento no país.

3. PLANEJAMENTO E GESTÃO DA MOBILIDADE URBANA NO

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