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Modalidade de acesso e principais proprietários

No documento camilapelinsarisilva (páginas 66-71)

CAPÍTULO II. Estruturas fundiárias e estruturas agrárias: Ponte Nova 1855/1888

1. As estruturas fundiárias

1.4. Modalidade de acesso e principais proprietários

Em relação à forma de acesso à terra, montamos a seguir uma tabela

que ilustra as modalidades encontradas nas 412 propriedades analisadas neste

momento da pesquisa.

Tabela 10 – Modalidades de aquisição

MODALIDADE DE AQUISIÇÃO NÚMERO DE OCORRÊNCIAS PERCENTAGEM

COMPRA 111 26,94% COMPRA E TROCA 3 0,72% TROCA 8 1,94% COMPRA E HERANÇA 10 2,42% HERANÇA 106 25,72% HERANÇA E DOAÇÃO 1 0,24% DOAÇÃO 9 2,18% DOTE 4 0,97% ARREMATE 2 0,48% EXECUÇÃO DE DÍVIDA 3 0,72% NÃO ESPECIFICADO 155 37,62% TOTAL 412 100%

Dentre as ocorrências analisadas, percebemos que a maioria das

propriedades que puderam ser utilizadas foi adquirida por seus proprietários

através de compra ou herança.

A maior propriedade era a Fazenda Jatiboca, com 1575 alqueires de

terras. Seu proprietário era o Coronel Domingos José Alves de Souza e seus

irmãos, minoritariamente O capitão era dono de 900 alqueires da Fazenda,

fruto de herança de sua mãe. No capítulo III, dedicado ao estudo do inventário

do Coronel, há uma especificação detalhada das outras terras de sua posse. A

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situação do Coronel é peculiar, justamente por possuirmos o inventário de seus

bens. Apesar de, como já dissemos, haver uma maior especificação de bens

no Capítulo III, por hora podemos ressaltar que o Capitão possuía, além dos

alqueires na Jatiboca, 129 alqueires em terras avulsas. A Fazenda do Segredo,

também de propriedade do Capitão, não possui especificação da medida.

Outra grande propriedade, de 1110 alqueires, era a Fazenda do

Sacramento. Os proprietários eram Augusto José Antonio e seus filhos.

Infelizmente, o registro não especifica a modalidade de aquisição da

propriedade. Os proprietários também não registraram outras terras em seu

nome.

Foram levantadas duas propriedades de 900 alqueires. Uma estava

situada na localidade de Boa Vista e era de Felisbino de Araújo Lima. A

propriedade foi herança de José Pedro da Silva. Felisbino não registrou

nenhuma outra propriedade em seu nome.

A outra propriedade de 900 alqueires era a Fazenda do Pontal, de

propriedade do Barão do Pontal. O Barão não especificou a modalidade de

aquisição do bem, mas é sabido que o Barão não era natural de Ponte Nova.

Provavelmente trata-se de uma compra. Curiosamente, o Barão não declarou

suas outras propriedades, cuja existência pode ser atestada através da

quantidade de referências ao Barão como vizinho, em várias localidades. Há

também ocorrência de propriedades cujos donos o identificavam como antigo

dono.

João Pereira Barbosa e seus filhos eram donos de uma propriedade de

675 alqueires na localidade de Santa Ana. Não foi informado o histórico da

propriedade. João Pereira e seus herdeiros não registraram outra propriedade.

Dona Francisca Inácia da Encarnação era dona de 550 alqueires de

terras na localidade do Bom Sucesso. A propriedade foi herança de seu marido

Tenente Coronel Antonio de Almeida Campos. Não houve outras propriedades

declaradas, nem em nome de Dona Francisca ou de seu marido.

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Ainda dentro das grandes propriedades, foram contabilizadas 13 de

tamanho equivalente a 450 alqueires. Manoel Gonçalves Mol era um destes

proprietários. Sua fazenda se situava na localidade do Bom Fim e foi dote de

sua mulher, dado pelo Alferes Antonio José da Cunha Vilela. Manoel não

declarou outras propriedades.

Sebastião José do Monte possuía 450 alqueires de terras no Córrego

das Almas. O histórico da propriedade não é revelado. Sebastião também

efetuou a compra, em 1869, de 3,8 alqueires na mesma localidade. Também

possuía 2 alqueires em Oratórios. Sebastião também era dono de uma

propriedade de 170 alqueires no Vau-Açu.

Agostinho de Macedo e Silva era dono de uma propriedade de 450

alqueires de terras no Córrego de São Joaquim. A propriedade era herança de

seu pai, João Pinheiro de Macedo. Nem Agostinho nem seu pai declararam ou

comercializaram outras terras no período estudado.

Domiciano José da Fonseca possuía, na localidade denominada

Córrego de São Lourenço, 450 alqueires de terras. O histórico da propriedade

remonta de uma parte a herança e de outra parte a compra feita ao Capitão

Luiz Manoel de Caldas Bicalho.

Felisberto Lopes Amora registrou 450 alqueires de terras na localidade

denominada Fazenda. A propriedade foi herança de seu pai Joaquim Lopes

Amora. A família Amora continuou por muitos anos nesta localidade. A neta de

Felisberto, bisneta de Joaquim, Dona [Pulucena] Tereza de Jesus Amora,

vendeu cerca de 3 alqueires que lhe pertenciam nesta região, fruto de herança

de seu avô em 1869. Dona Carlota Leopoldina da Fonseca, outra neta, vendeu

outros 15 alqueires mais cedo, em 1856, terras também fruto da herança de

seu avô.

Manoel José de Oliveira foi outro grande proprietário. Registrou 450

alqueires de terras situadas na localidade denominada Fazenda de Santa Cruz.

A propriedade foi herança de sua mãe, Maria [?] da Silva. Manoel não registrou

ou comercializou outras terras.

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Alferes José Caetano da Fonseca possuía três propriedades do mesmo

tamanho em diferentes pontos. Possuía 450 alqueires de terras na localidade

denominada Fazenda do Pombal. Ele não especificou o histórico da

propriedade no Registro. O Alferes possuía a mesma quantidade de terras

numa outra localidade, a Fazenda São João. Nesta, também não declarou a

modalidade de aquisição do bem. Por fim, possuía 450 alqueires de terras na

localidade denominada São Miguel, que declarou no Registro como compra a

João Caetano [Agnes]. O Alferes era um dos maiores proprietários de terras da

região.

Na Manteiga, Inácio Cornélio de Magalhães possuía uma propriedade

avaliada em 450 alqueires de terras. Não foi especificado o histórico da

propriedade. Inácio também comprou uma pequena propriedade, de cerca de

65 alqueires, nesta mesma localidade, de Florentino Domingos Gomes. Era

dono também de um pequeno terreno de 0,25 alqueires, também na Manteiga.

José Lins de Souza e seus irmãos possuíam 450 alqueires na localidade

denominada Ribeirão Oratório. Não houve outro registro ou escritura em seu

nome.

Sebastião José de Castro e Souza e sua mulher Dona Tereza de Jesus

Bittencourt compraram de José de [Deus] de Sá Castro 450 alqueires de terras

na Vargem Alegre. A propriedade foi herança da mãe de José, Dona Joana [?]

de Souza. Sebastião não registrou ou comercializou nenhuma outra

propriedade. O vendedor também não figura em nenhuma outra ocorrência.

Antonio de Souza Gomes e sua mulher Dona Inácia Maria da Conceição

venderam a Tenente Coronel Antonio Ildefonso Martins da Silva 450 alqueires

de terras em 1877. Antonio, cuja fazenda obteve por herança de sua tia Dona

Francisca Inácia de Almeida, não tinha outras propriedades em seu nome que

tenha declarado ou comercializado. O Tenente Coronel também não aparece

em nenhum outro registro.

O Capitão Joaquim Rodrigues Milagres possuía 450 alqueires de terras

no Vau Açu. Ele não especificou a forma como adquiriu tal propriedade. O

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mesmo Capitão vendeu 16 alqueires de terras a Pedro Lourenço Dias, terras

estas localizadas no Passa Cinco. Capitão Joaquim Rodrigues possuía

também uma propriedade de 225 alqueires no Ribeirão Oratório, cuja

procedência também não especificou.

Em posse destes nomes, podemos facilmente montar uma tabela com

os nomes dos maiores proprietários de terras de Ponte Nova na segunda

metade do século XIX. Antes, cabe ressaltar que nesta tabela conservaremos

as propriedades que estavam sendo registradas ou compradas pelos sujeitos

relacionados. Propriedades vendidas por estes sujeitos ou herdadas por seus

descendentes após sua morte não figurarão como bens de sua posse, e sim do

dito comprador ou herdeiro.

Tabela 11 – Principais proprietários

NOME ALQUEIRES

Alferes José Caetano da Fonseca 1350

Augusto José Antonio e seus filhos 1110

Coronel Domingos José Alves de Souza 1029

Barão do Pontal 900

Felisbino de Araújo Lima 900

José Pereira Barbosa e seus filhos 675

Capitão Joaquim Rodrigues Milagres 675

Sebastião José do Monte 623,8

Dona Francisca Inácia da Encarnação 550

Inácio Cornélio de Magalhães 515

Agostinho de Macedo e Silva 450

Tenente Coronel Ildefonso Martins da Silva

450

Domiciano José da Fonseca 450

Felisberto Lopes Amora 450

Manoel Gonçalves Mol 450

58 Sebastião José de Castro e Souza e sua

mulher Dona Tereza de Jesus Bittencourt

450

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