CAPÍTULO II. Estruturas fundiárias e estruturas agrárias: Ponte Nova 1855/1888
1. As estruturas fundiárias
1.4. Modalidade de acesso e principais proprietários
Em relação à forma de acesso à terra, montamos a seguir uma tabela
que ilustra as modalidades encontradas nas 412 propriedades analisadas neste
momento da pesquisa.
Tabela 10 – Modalidades de aquisição
MODALIDADE DE AQUISIÇÃO NÚMERO DE OCORRÊNCIAS PERCENTAGEM
COMPRA 111 26,94% COMPRA E TROCA 3 0,72% TROCA 8 1,94% COMPRA E HERANÇA 10 2,42% HERANÇA 106 25,72% HERANÇA E DOAÇÃO 1 0,24% DOAÇÃO 9 2,18% DOTE 4 0,97% ARREMATE 2 0,48% EXECUÇÃO DE DÍVIDA 3 0,72% NÃO ESPECIFICADO 155 37,62% TOTAL 412 100%
Dentre as ocorrências analisadas, percebemos que a maioria das
propriedades que puderam ser utilizadas foi adquirida por seus proprietários
através de compra ou herança.
A maior propriedade era a Fazenda Jatiboca, com 1575 alqueires de
terras. Seu proprietário era o Coronel Domingos José Alves de Souza e seus
irmãos, minoritariamente O capitão era dono de 900 alqueires da Fazenda,
fruto de herança de sua mãe. No capítulo III, dedicado ao estudo do inventário
do Coronel, há uma especificação detalhada das outras terras de sua posse. A
54
situação do Coronel é peculiar, justamente por possuirmos o inventário de seus
bens. Apesar de, como já dissemos, haver uma maior especificação de bens
no Capítulo III, por hora podemos ressaltar que o Capitão possuía, além dos
alqueires na Jatiboca, 129 alqueires em terras avulsas. A Fazenda do Segredo,
também de propriedade do Capitão, não possui especificação da medida.
Outra grande propriedade, de 1110 alqueires, era a Fazenda do
Sacramento. Os proprietários eram Augusto José Antonio e seus filhos.
Infelizmente, o registro não especifica a modalidade de aquisição da
propriedade. Os proprietários também não registraram outras terras em seu
nome.
Foram levantadas duas propriedades de 900 alqueires. Uma estava
situada na localidade de Boa Vista e era de Felisbino de Araújo Lima. A
propriedade foi herança de José Pedro da Silva. Felisbino não registrou
nenhuma outra propriedade em seu nome.
A outra propriedade de 900 alqueires era a Fazenda do Pontal, de
propriedade do Barão do Pontal. O Barão não especificou a modalidade de
aquisição do bem, mas é sabido que o Barão não era natural de Ponte Nova.
Provavelmente trata-se de uma compra. Curiosamente, o Barão não declarou
suas outras propriedades, cuja existência pode ser atestada através da
quantidade de referências ao Barão como vizinho, em várias localidades. Há
também ocorrência de propriedades cujos donos o identificavam como antigo
dono.
João Pereira Barbosa e seus filhos eram donos de uma propriedade de
675 alqueires na localidade de Santa Ana. Não foi informado o histórico da
propriedade. João Pereira e seus herdeiros não registraram outra propriedade.
Dona Francisca Inácia da Encarnação era dona de 550 alqueires de
terras na localidade do Bom Sucesso. A propriedade foi herança de seu marido
Tenente Coronel Antonio de Almeida Campos. Não houve outras propriedades
declaradas, nem em nome de Dona Francisca ou de seu marido.
55
Ainda dentro das grandes propriedades, foram contabilizadas 13 de
tamanho equivalente a 450 alqueires. Manoel Gonçalves Mol era um destes
proprietários. Sua fazenda se situava na localidade do Bom Fim e foi dote de
sua mulher, dado pelo Alferes Antonio José da Cunha Vilela. Manoel não
declarou outras propriedades.
Sebastião José do Monte possuía 450 alqueires de terras no Córrego
das Almas. O histórico da propriedade não é revelado. Sebastião também
efetuou a compra, em 1869, de 3,8 alqueires na mesma localidade. Também
possuía 2 alqueires em Oratórios. Sebastião também era dono de uma
propriedade de 170 alqueires no Vau-Açu.
Agostinho de Macedo e Silva era dono de uma propriedade de 450
alqueires de terras no Córrego de São Joaquim. A propriedade era herança de
seu pai, João Pinheiro de Macedo. Nem Agostinho nem seu pai declararam ou
comercializaram outras terras no período estudado.
Domiciano José da Fonseca possuía, na localidade denominada
Córrego de São Lourenço, 450 alqueires de terras. O histórico da propriedade
remonta de uma parte a herança e de outra parte a compra feita ao Capitão
Luiz Manoel de Caldas Bicalho.
Felisberto Lopes Amora registrou 450 alqueires de terras na localidade
denominada Fazenda. A propriedade foi herança de seu pai Joaquim Lopes
Amora. A família Amora continuou por muitos anos nesta localidade. A neta de
Felisberto, bisneta de Joaquim, Dona [Pulucena] Tereza de Jesus Amora,
vendeu cerca de 3 alqueires que lhe pertenciam nesta região, fruto de herança
de seu avô em 1869. Dona Carlota Leopoldina da Fonseca, outra neta, vendeu
outros 15 alqueires mais cedo, em 1856, terras também fruto da herança de
seu avô.
Manoel José de Oliveira foi outro grande proprietário. Registrou 450
alqueires de terras situadas na localidade denominada Fazenda de Santa Cruz.
A propriedade foi herança de sua mãe, Maria [?] da Silva. Manoel não registrou
ou comercializou outras terras.
56
Alferes José Caetano da Fonseca possuía três propriedades do mesmo
tamanho em diferentes pontos. Possuía 450 alqueires de terras na localidade
denominada Fazenda do Pombal. Ele não especificou o histórico da
propriedade no Registro. O Alferes possuía a mesma quantidade de terras
numa outra localidade, a Fazenda São João. Nesta, também não declarou a
modalidade de aquisição do bem. Por fim, possuía 450 alqueires de terras na
localidade denominada São Miguel, que declarou no Registro como compra a
João Caetano [Agnes]. O Alferes era um dos maiores proprietários de terras da
região.
Na Manteiga, Inácio Cornélio de Magalhães possuía uma propriedade
avaliada em 450 alqueires de terras. Não foi especificado o histórico da
propriedade. Inácio também comprou uma pequena propriedade, de cerca de
65 alqueires, nesta mesma localidade, de Florentino Domingos Gomes. Era
dono também de um pequeno terreno de 0,25 alqueires, também na Manteiga.
José Lins de Souza e seus irmãos possuíam 450 alqueires na localidade
denominada Ribeirão Oratório. Não houve outro registro ou escritura em seu
nome.
Sebastião José de Castro e Souza e sua mulher Dona Tereza de Jesus
Bittencourt compraram de José de [Deus] de Sá Castro 450 alqueires de terras
na Vargem Alegre. A propriedade foi herança da mãe de José, Dona Joana [?]
de Souza. Sebastião não registrou ou comercializou nenhuma outra
propriedade. O vendedor também não figura em nenhuma outra ocorrência.
Antonio de Souza Gomes e sua mulher Dona Inácia Maria da Conceição
venderam a Tenente Coronel Antonio Ildefonso Martins da Silva 450 alqueires
de terras em 1877. Antonio, cuja fazenda obteve por herança de sua tia Dona
Francisca Inácia de Almeida, não tinha outras propriedades em seu nome que
tenha declarado ou comercializado. O Tenente Coronel também não aparece
em nenhum outro registro.
O Capitão Joaquim Rodrigues Milagres possuía 450 alqueires de terras
no Vau Açu. Ele não especificou a forma como adquiriu tal propriedade. O
57
mesmo Capitão vendeu 16 alqueires de terras a Pedro Lourenço Dias, terras
estas localizadas no Passa Cinco. Capitão Joaquim Rodrigues possuía
também uma propriedade de 225 alqueires no Ribeirão Oratório, cuja
procedência também não especificou.
Em posse destes nomes, podemos facilmente montar uma tabela com
os nomes dos maiores proprietários de terras de Ponte Nova na segunda
metade do século XIX. Antes, cabe ressaltar que nesta tabela conservaremos
as propriedades que estavam sendo registradas ou compradas pelos sujeitos
relacionados. Propriedades vendidas por estes sujeitos ou herdadas por seus
descendentes após sua morte não figurarão como bens de sua posse, e sim do
dito comprador ou herdeiro.
Tabela 11 – Principais proprietários
NOME ALQUEIRES
Alferes José Caetano da Fonseca 1350
Augusto José Antonio e seus filhos 1110
Coronel Domingos José Alves de Souza 1029
Barão do Pontal 900
Felisbino de Araújo Lima 900
José Pereira Barbosa e seus filhos 675
Capitão Joaquim Rodrigues Milagres 675
Sebastião José do Monte 623,8
Dona Francisca Inácia da Encarnação 550
Inácio Cornélio de Magalhães 515
Agostinho de Macedo e Silva 450
Tenente Coronel Ildefonso Martins da Silva
450
Domiciano José da Fonseca 450
Felisberto Lopes Amora 450
Manoel Gonçalves Mol 450
58 Sebastião José de Castro e Souza e sua
mulher Dona Tereza de Jesus Bittencourt
450