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Capítulo I – As TIC na Promoção da Comunicação Oral

1.2. A Importância da Comunicação Oral, na Aula de PLNM

1.2.2. A Comunicação Oral no Ensino de PLNM

1.2.2.2. Modalidade de Expressão: o Falar e o Interagir

O intento privilegiado de comunicar oralmente de forma fluente, em diferentes situações comunicativas e de acordo com propósitos diversificados torna a modalidade de expressão oral, um aspecto fulcral no incremento da competência comunicativa do aprendente de PLNM.

A apropriação da língua e a exploração das suas potencialidades requer uma postura receptiva dos aprendentes, face ao exercício da comunicação oral, particularmente à prática desenvolta da expressão oral, entendida como

«una de las actividades de la comunicación que se pueden desarrollar durante un acto comunicativo y mediante la misma procesamos, transmitimos, intercambiamos y negociamos información com un o varios interlocutores.» (Gómez, 2004: 879)

Numa abordagem comunicativa, o aluno de PLNM deve ser implicado em situações de utilização da língua, libertando-se de constrangimentos relacionados com o receio de cair no ridículo devido, por exemplo, às incorrecções fonológicas ou ao léxico reduzido. Conforme destacou Teixeira (1999: 403/404)

«A capacidade de fala é identificada por quase todos os alunos como sendo a sua principal dificuldade. Comunicar numa língua estrangeira não é tarefa fácil para os alunos, pois as inibições, o sentimento de incapacidade e o medo de errar impedem o desenvolvimento da competência de produção oral. Para que o aluno se sinta à vontade e assuma o estatuto de produtor de mensagens numa língua estrangeira, é necessário que o professor aceite produções erradas, hesitações e silêncios demorados e que ensino o aluno a recorrer a competências estratégicas – substituições, gesto, mímica, sons, pedido de assistência, paráfrase, etc.»

O processo de ensino-aprendizagem de PLNM, promotor da expressão oral, assenta na potenciação de capacidades relacionadas com a fala33 e com a interacção dos

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A fala prende-se com o acto de produção oral, que, na perspectiva de David Crystal (1997: 211) «engloba não apenas as atividades neuroanatômicas e neurofisiológicas envolvidas na fala,

aprendentes, ou seja, no desenvolvimento de actos comunicativos ora espontâneos ora construídos em articulação com diferentes intervenções, que são completadas, refutadas ou ainda corroboradas.

Através da interacção o aprendente de PLNM não só tem oportunidade de praticar a oralidade, preparando-se para a realidade extra-escolar34 e promovendo a sua fácil integração social, mas também de apreender as normas subjacentes ao acto conversacional35 (por exemplo os processos de negociação da palavra e de implicatura conversacional) e, consequentemente, tornar-se mais consciente das suas fragilidades, das dificuldades que têm de ser, a curto prazo, superadas.

Somente com a promoção de aulas estruturadas com base nas dificuldades dos alunos, dinâmicas e interactivas, o aprendente de PLNM será capaz de falar de forma desenvolta e de interagir com os que o rodeiam, desenvolvendo a sua expressão oral.

Tornar os alunos de PLNM capazes de falar de forma desbloqueada e autónoma e de interagir com diferentes interlocutores em situações comunicativas 36 diversificadas obriga o docente a adoptar uma postura revestida de dinamismo, a fim de proporcionar aos aprendentes actividades que lhes permitam não só falar, mas também interagir, como por exemplo, a realização de diálogos, exposições orais, debates, simulações, entrevistas, entre outras.

O aperfeiçoamento da expressão oral tanto no que diz respeito ao acto de falar como ao de interagir passa, por um lado, pela adopção de uma postura empática, aberta à

mas também a construção e a verificação de modelos do sistema de controle neurológico da organização da fala dentro do cérebro.»

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«No obstante, hay que reconocer que en la vida extraescolar, “real”, la capacidad para comunicarse oralmente (y, en consecuencia, para organizar sobre esa base el pensamiento) es un recurso fundamental y el principal vehículo de interacción social.» (Reyzábal, 1993: 62)

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Conforme realçou Rui Vieira de Castro, durante o processo de interacção verbal, em contexto pedagógico, é importante que os aprendentes assumam «uma postura cooperativa que vise assegurar a interacção para além da sua própria intervenção». De facto, «A interacção verbal (…) não se configura com uma sucessão caótica de actos de fala.» (Castro, 1991: 82)

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«ter competência comunicativa numa dada língua é ter competência interactiva em múltiplas situações» (Andrade, 1997: 123)

diferença e, portanto, favorável à compreensão, ao entendimento do outro. 37 Por outro lado, prende-se com uma prática efectiva, assente na realização de actividades diversificadas, motivadoras, adequadas aos interesses e necessidades dos alunos e adaptadas aos seus conhecimentos38, de modo a que, confrontados com diferentes obstáculos comunicativos, os discentes consigam mobilizar conhecimentos que lhes permitam superá-los e, deste modo, cumprir os objectivos propostos. 39

O exercício da expressão oral reclama um trabalho direccionado para a exploração da pronúncia e de aspectos fomentadores de dúvidas e incorrecções, como é o caso da inexistência de determinados fonemas, na língua materna do aprendente; de alguns fonemas terem diferentes realizações fonéticas e da difícil associam de fonemas a grafemas. (Bizarro, 2006).

Atentando no discurso pedagógico, poder-se-á verificar que, em geral, os comportamentos discursivos orais estão marcados por assimetrias, 40 devido ao estatuto ocupado pelo professor que, tido como detentor do saber, conduz todos os processos comunicativos e torna a palavra do aluno uma presença irregular. As comunicações

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«a interacção supõe uma intercompreensão ou interpretação partilhada, sem a qual não há forma de entendimento» (Andrade, 1997: 121)

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De acordo com Oliveira (2009:27), as actividades de expressão oral devem ser pautadas pela significação, pois o aprendente de PLNM tem de reconhecer nas actividades que lhe são propostas uma finalidade, não podendo encará-las «como meros exercícios de sala de aula, mas como pontes para uma realidade que requer falantes desprovidos de receios e de escassez de bases comunicativas coesas.»

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«Assim, os nossos professores raramente têm consciência de que os esquemas que seguem nas suas aulas são extremamente rígidos do ponto de vista discursivo, controlando espartilhadamente a participação dos alunos, promovendo a actualização repetida de estratégias de aprendizagem que apelam muitas vezes às mesmas capacidades.» (Andrade, 1997: 124)

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«intercalar actividades individuales com otras en pequeños grupos y en gran grupo, favorece el desarollo de destrezas comunicativas, pues los sujetos “al tener que coordinar sus acciones o sus juicios com los demás, llegan a resultados que están mejor estructurados desde un punto de vista cognitivo que aquellos conseguidos individualmente…Parece pues que regularmente los resulatdos que las actividades de grupo pueden dar lugar a producciones más elaboradas, incluso más adecuadas, que las de los mismos sujetos trabajando individualmente.”» (Reyzábal, 1993: 35)

pedagógicas são marcadas pela dominância do discurso do professor, que controla toda a dinâmica da sala de aula evidenciada, por exemplo, na determinação das tarefas a realizar, na distribuição da palavra; nos actos de incentivo ou repressão da participação dos alunos; na estipulação do tipo de interacção. Deste modo, importa desenvolver actividades verbais centradas nos aprendentes, a fim de os conduzir à mobilização do seu reportório comunicativo e a assumir uma postura activa na construção do seu conhecimento. As trocas comunicativas têm de se destacar pela sua multidireccionalidade, pelo que o professor deverá incentivar os aprendentes a assumir uma postura dinâmica, livre de constrangimentos; implementar actividades que concedam a palavra aos aprendentes; fomentar a capacidade de autocorrecção; promover trabalhos de grupo e de pares, 41 entre outros.

Fazendo menção a Cassany et al. (1998), Gómez (2004) e Gelabert et al. (2002), Oliveira (2009) considera o acto de expressão oral estruturado segundo seis fases de desenvolvimento.

Numa fase prévia (1ªfase), os aprendentes deverão ser confrontados com pré-actividades que evidenciam um carácter motivacional e que visam a sua predisposição para o acto de expressão oral e que visam a predisposição para o acto de expressão oral. Seguidamente (2ªfase), é exposta a actividade a ser realizada, são apresentados os objectivos e os passos necessários à sua consecução. O aluno toma conhecimento das competências comunicativas; conhecida a estrutura da actividade, procede-se à sua realização (3ªfase), o que faz com que o aluno de PLNM coloque em prática os conhecimentos até então adquiridos e mobilize estratégias comunicativas, ou seja, convoca para o acto de expressão todas as destrezas que desenvolveu de modo a tornar eficaz o cumprimento do seu objectivo. Concluída a actividade, os alunos apresentam críticas construtivas ao trabalho realizado (4ª fase), fazem comentários, expõem as suas dificuldades, partilham ideias, atestam o cumprimento dos seus objectivos previamente definidos; averiguam a satisfação das suas expectativas e, por conseguinte, avaliam a exequibilidade da actividade realizada, com vista à correcção das falhas detectadas e à reformulação os aspectos menos conseguidos. Após a reflexão relativamente à actividade

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Confrontar a dissertação de mestrado de Catarina da Silva Carvalho, intitulada Interacção Verbal e Estilos de Aprendizagem, apresentada à Faculdade de Letras do Porto (2009).

desenvolvida e à sua prestação na mesma, os aprendentes fazem a sua avaliação de desempenho (5ª fase), apontando os aspectos positivos e negativos e os elementos que estiveram na origem das dificuldades diagnosticadas. Concluída a avaliação da actividade, dever-se-á proceder à implementação de estratégias de remediação (6ª fase), isto é, à realização de actividades que permitam, por um lado, a consolidação de conhecimentos e, por outro lado, a erradicação das dificuldades detectadas.