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modalidade de investimento mais importante

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2.1 Os Agricultores Familiares

5.2.2 A agricultura familiar de Maués na percepção dos agricultores familiares

5.2.2.6 modalidade de investimento mais importante

Segundo os entrevistados, o melhor tipo de investimento seria o financiamento para a compra de material e implementos agrícolas. Os recursos governamentais poderiam ser investidos na aquisição de máquinas, equipamentos, utensílios diversos, sementes e adubos, assistência técnica especializada, que ajudariam no aumento e na qualidade da produção. O Senhor J. E. P. O. afirma:

Pra mim lá, vamos supor que no tempo de verão a gente depende de motor bomba para molhar as plantas da gente, né, que a gente não tem. Motosserra, essas coisas assim que a gente precisa, roçadeira. Isso prejudica muito o agricultor, né? Se a gente tiver a roçadeira, tiver a motosserra e tiver o motor bomba, a gente já tem muito com o que trabalhar melhor.

A prática adotada pelos agricultores familiares em Maués ainda é rudimentar e poucas técnicas foram implementadas para que o trabalho fosse menos penoso e obtivesse

maior produtividade, sobretudo pela ausência de ações concretas de instituições como o IDAM e a SEPROR. O senhor A. P. V., 52 anos, define o que pensa sobre o financiamento da compra de implementos agrícolas:

“Ajudar pelo menos com os materiais, né? Uma ajuda antes do tempo pra plantar, porque a gente tem que plantar tudo no tempo, e se perder o tempo, aí já era, né? Porque se eles derem a ajuda, mas for depois do tempo, aí já não adianta mais nada, porque já passou o tempo de plantar”.

A necessidade de financiamento da produção aparece como condição necessária para que os agricultores familiares possam desenvolver suas atividades de forma satisfatória. O senhor E. O. C. diz que: “Financiamento é o melhor, né? Mas só que não vai atrás mesmo de fazer, né? Porque depois se não paga, aí fica devendo pro banco, aí fica ruim pra gente, né?”.

Na opinião do senhor O. D. P., as autoridades não estão preocupadas em financiar os pequenos agricultores familiares:

É. Eu acho que importante para a agricultura é o financiamento, porque muitas vezes, quando a gente não tem dinheiro, é uma dificuldade imensa conseguir dinheiro. As autoridades não estão muito preocupadas com o pequeno produtor, não querem saber das nossas dificuldades.

Há um pensamento comum de que só os grandes proprietários de terra conseguem benefícios do governo para a melhoria de sua produção. Os pequenos agricultores ficam desassistidos em suas atividades que, por conseguinte, não conseguem progredir por falta de investimento.

Nesse sentido, o senhor M. B. M., 60 anos, afirma:

Eu acho que, porque a gente tem firma, eu acho tem dinheiro que a gente tem facilidade de pagar depois, né? Pra ajudar no trabalho, porque se não tiver, a gente não faz quase nada, a gente tem dinheiro paga tudo, e depois a gente pode devolver tudo, com o trabalho, né? É isso que eu acho que pode ajudar a gente. Tipo, se tivesse um financiamento, acho que ajudaria demais. Teve uma época que o PRONAF, que a gente ajudou muito, porque antes a gente fazia trabalho grande e tinha ajuda, aí não tinha mais como produzir depois, né?

Outro aspecto que sobressai nas falas dos agricultores familiares entrevistados é o acesso a uma política de transporte da produção, como suporte para a melhoria da vida dos agricultores. Alguns dos entrevistados moram em comunidades rurais distantes da sede e o alto custo do transporte encarece a produção. Alguns deixam de vender o produto toda semana na feira do produtor, devido à despesa do transporte ser muito elevada.

O senhor M. R. L. sintetiza, em suas palavras, o sentimento de muitos produtores que não dispõem de uma política de transporte para a produção: “Eu acho que seria uma ajuda, né? Se desse uma embarcação pra gente vir, né?”.

Conceição et al. (2009, p. 13) corroboram essa realidade quando afirmam:

Outro problema ocorrente nas comunidades é relativo aos sistemas de comercialização, o qual se faz presente em todas as atividades desenvolvidas pelos moradores do interior do Amazonas. Entre os tipos de demandas estão o transporte e a venda dos produtos. Entretanto, frisamos que o escoamento é a etapa do processo produtivo de maior dificuldade, que influencia o produtor a aceitar as imposições de outras pessoas.

O auxílio nas vendas é outro fator apontado como primordial. Muitos produtores dispõem da feira do produtor rural como único local para comercialização de seus produtos. No entanto, se o produto não for vendido de imediato, a produção é perdida, visto que os produtores precisam retornar às suas comunidades.

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Quando não conseguem vender toda a produção semanal, se veem forçados a negociar com os atravessadores9, baixando o preço do produto para que não tenham prejuízo ainda maior. Apenas os produtores que fazem parte da cooperativa têm a vantagem de trazer o produto pronto para a entrega, sem a ameaça de não ter saída para a produção, o que é uma segurança para o produtor. Apesar da constatação, apenas um entrevistado é associado a uma cooperativa.

A comercialização dos produtos por parte dos agricultores familiares é condição indispensável para sua sobrevivência no meio rural, pois é a partir dessa atividade que poderão garantir os meios e objetos necessários para sua sobrevivência, conforme afirma Dácio (2011, p. 62 e 63):

Outro fator importante para a reprodução da unidade familiar é a comercialização de produtos, uma vez que, a moeda obtida irá suprir as necessidades internas da unidade de produção, sejam para alimentação, vestuário, apetrechos de pesca, munições para caça, ferramentas agrícolas, materiais para construção e combustível.

Sem a garantia da comercialização de seus produtos, não há como almejar melhoria na produção, pois os recursos das vendas são absorvidos no suprimento das necessidades básicas da família. Dessa forma, perdem os agricultores e também o município, uma vez que muitos produtos acabam por ser importados de outras localidades e vendidos por preços bem mais elevados, devido ao custo do transporte.

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