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Consecutiva: Segundo Andrew Gilles (2005, p. 3), a modalidade consecutiva é a que

melhor caracteriza a interpretação de conferências. Implica em ouvir o discurso de partida e reproduzir a mensagem de partida em outra língua, tal qual na simultânea. Porém para realizar esse processo o intérprete conta com uma combinação de anotações, a memória e o conhecimento geral.

É importante salientar que há 50 anos a interpretação de conferências estava fortemente associada à interpretação consecutiva. Os equipamentos necessários para a interpretação simultânea ainda não tinham sido criados. Dessa forma, a modalidade consecutiva tornou-se o modelo padrão nas diversas reuniões internacionais.

Embora a interpretação simultânea seja a modalidade mais utilizada em grandes eventos, a consecutiva não foi totalmente descartada. Trata-se, na verdade, de uma atividade das mais complexas, pois implica saber ouvir, reter, anotar e interpretar para outro idioma. É comumente usada em pequenas reuniões, transações comercias e viagens a negócios.

É relevante enfatizar que a interpretação consecutiva exerce papel fundamental no exercício da Interpretação Simultânea, ou IS. É na modalidade consecutiva que se aprimoram as técnicas para o desenvolvimento da simultânea, como por exemplo, a capacidade de escutar e reter informações e depois analisá-las e decodificá-las, na língua de chegada. Deve-se reconhecer, portanto, que a interpretação não acontece apenas em um contexto de conferência. As modalidades consecutiva e sussurrada são classificadas como modalidades ‘híbridas’, utilizadas na prática informal.

As modalidades híbridas tais como a semi-consecutiva e a sussurrada, usadas até certo ponto no mercado informal, eram vistas como marginais. As modalidades de interpretação que não ocorriam no cenário de uma conferência — interpretação de ligação, interpretação de acompanhamento, a modalidade sussurrada, a interpretação de negócios e a interpretação de tribunal etc – sempre existiram porém representaram apenas uma pequena fração do grande volume dos serviços de interpretação profissional, pelo menos na Europa. (GILLES, 2005, p. 3)

As modalidades mencionadas acima não tinham prestígio e eram consideradas como “pobres relações à coisa real”1.

Dessa forma, os intérpretes não precisavam de treinamento específico, nem careciam de pesquisas mais apuradas. Bastava, apenas, terem bom desempenho lingüístico.

Intermitente: É o tipo de interpretação feita sentença por sentença. Não acontece em

grandes eventos internacionais, e não é muito investigada por pesquisadores da área. É comumente utilizada em reuniões de pequeno porte, quando alguém sem treinamento para a função de intérprete, mas com habilidades lingüísticas, traduz o discurso do orador. Esse processo é cansativo para o interlocutor, que é interrompido, constantemente, para que o intérprete traduza as palavras, que estão sendo ditas. Geralmente, as pessoas que realizam essa modalidade não consideram certos aspectos relevantes, inerentes ao exercício da interpretação. Pode-se afirmar que a modalidade intermitente está à margem dos estudos interpretativos.

Simultânea: Em uma cabine à prova de som, o intérprete ouve pelos fones de ouvido o

que é dito no idioma do interlocutor e, por meio de microfones ligados aos receptores (semelhantes a rádios portáteis) transmite o discurso do palestrante em outra língua.

A interpretação simultânea não ocorre, de fato, simultaneamente à fala original, pois o intérprete tem necessidade de espaço de tempo para processar a informação recebida e reorganizar a sua forma de expressão. Esse breve espaço de tempo recebe o nome tradicional de “dècalage”, termo francês usado em todo o mundo. (PAGURA, 2003, p. 35)

É necessário salientar que a interpretação simultânea é um trabalho de equipe. O coordenador é o elemento de ligação entre o organizador do evento e os intérpretes, podendo auxiliar em eventuais imprevistos como também na organização do programa de trabalho visando o melhor aproveitamento dos profissionais.

Um outro item, que merece ser mencionado, é que os intérpretes devem ser fluentes nos idiomas utilizados durante a conferência e que as condições de trabalho atendam satisfatoriamente a prática dessa atividade. Contudo, existem alguns fatores que podem apresentar restrições ao desempenho do intérprete, como por exemplo, o equipamento técnico, a ventilação e o tamanho da cabine, a jornada de trabalho, a falta de acesso à cópia do discurso e a falta de um glossário sobre o tema e a bibliografia indicada, documentos que são de fundamental importância para construção do léxico pertinente ao assunto, que será abordado e será de grande valor para a eficácia do trabalho do intérprete de cabine.

Segundo Ulrike Emrich (1991, p. 23), a tradução simultânea é um conjunto de atividades múltiplas que engloba tanto a compreensão (a construção de significados a

partir da segmentação e da velocidade da mensagem recebida) quanto a fala (conceitos, seleção do léxico, codificação gramatical, codificação fonológica e auto-monitoração). O estudo da interpretação simultânea quase sempre ocupou uma posição periférica no âmbito dos estudos tradutológicos, sendo considerado uma sub-disciplina da Tradução. Alessandra Riccardi (1999, p. 114), aponta algumas questões em relação ao desenvolvimento dos estudos da interpretação, tais como:

1) A “IS” se estabelecerá como uma disciplina autônoma, ou como uma sub- disciplina dos estudos tradutológicos?

2) Será estabelecida temporariamente como um conjunto de atividades complexas baseadas em diferentes paradigmas?

3) A pesquisa sobre a IS estará vinculada ao campo da lingüística, dos estudos cognitivos, da tradução, dos estudos culturais, ou será uma disciplina independente?

Atualmente, já em muitas universidades, a interpretação e a tradução são disciplinas autônomas. A Universidade de Trieste, na Itália, é um grande centro acadêmico de estudos sobre interpretação que tende a se expandir futuramente. Graças à crescente globalização haverá sempre a necessidade da interpretação de conferências e, com isso, aumentará a necessidade de se aprimorar a profissão. Isso significa dizer que em tribunais, hospitais, reuniões, dentre outras instituições, serão contratados os serviços de profissionais devidamente preparados que atendam, satisfatoriamente, às necessidades dessa complexa atividade.

O material gravado e transcrito do julgamento de Nuremberg possivelmente deu início a uma série de discussões acerca do que foi dito pelos julgados, as testemunhas, os juizes e os advogados e pode ser uma das justificativas para o início das investigações sobre a interpretação, que viria colocá-la, posteriormente, no mundo acadêmico fazendo que com ela outras áreas de estudo como, por exemplo, a análise do discurso se tornasse essencial para um melhor entendimento sobre a IS. Essa relação da AD com a interpretação é de fundamental importância para o desenvolvimento da pesquisa, pois tal disciplina ajudará a entender certas escolhas discursivas por parte do interprete, derrubando a idéia de que a tomada de atitudes em cabine resulta da “intuição” e do “improviso”.

A falta de dados bibliográficos acerca dos estudos interpretativos ainda é um grande obstáculo para a realização de pesquisas nessa área de estudo. Por isso é que pode-se

constatar um maior número de praticantes e, em menor escala, de pesquisadores. Porém, com a crescente demanda de muitos profissionais da área de ensino de idiomas, tradutores e intérpretes de outras modalidades que não a simultânea (demanda essa por razões econômicas) verifica-se que o interesse pela interpretação de conferência está crescendo de maneira considerável.

Outro fator que merece destaque é a formação das associações profissionais por parte de uma minoria de intérpretes a fim de garantirem seus direitos reunindo-os enquanto categoria.

Veremos, nos sub-capítulos seguintes, o surgimento das duas principais associações: A AIIC (associação internacional de Intérpretes de conferências) e a APIC (associação paulista de intérpretes de conferências).

1.2 AIIC – ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE INTÉRPRETES DE

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