3.4 Modelagem Condicional
3.4.1 Modelagem AR(F)IMA
T v
(1 − α)T −vαv. (3.46)
A estat´ıstica teste ´e baseada na raz˜ao das log-verossimilhan¸cas e tem distribui¸c˜ao assint´otica chi-quadrado com 1 grau de liberdade (ver detalhes em Kupiec (1995)).
3.4
Modelagem Condicional3.4.1
Modelagem AR(F)IMAA evolu¸c˜ao temporal da m´edia condicional de uma s´erie pode ser muitas vezes descrita atrav´es de processos (integrados) autorregressivos e de m´edia m´ovel, ARIMA(p, d, q). Os modelos ARIMA (popularizados por Box, G. E. P., Jenkins, G.M. e Reinsel, G. (1994)) tem como casos especiais os modelos AR(p), MA(q) e ARMA(p, q).
Considere o processo {pt}, onde pt representa o logaritmo do pre¸co Pt de um ativo ou carteira no dia (ou qualquer unidade de tempo) t. O processo {pt} segue um modelo ARIMA(p, d, q), d inteiro, se ∆dpt≡ (1 − B)dpt= rt seguir um ARMA(p, q), isto ´e,
rt = φ0+ φ1rt−1+ · · · + φprt−p+ at− θ1at−1− · · · θqat−q, (3.47) onde φ0 = µ(1 − φ1− · · · φp), e onde at ∼ RB(0, σ2
a) (onde RB significa Ru´ıdo Branco). Supondo µ = 0, temos Φ(B)∆dpt = Θ(B)at, onde B ´e o operador retroativo. A diferen-cia¸c˜ao ∆d ´e necess´aria para estacionarizar a s´erie. Se ap´os d diferen¸cas a s´erie resultante for estacion´aria dizemos que a s´erie original {pt} ´e integrada de ordem d, uma s´erie I(d), e a s´erie final, {rt} ´e uma s´erie I(0). Em finan¸cas, geralmente basta uma diferencia¸c˜ao, isto ´e, d = 1 para s´eries de pre¸cos di´arios. Existem v´arias estat´ısticas para se testar estacionariedade como por exemplo o teste KPSS (Kwiatkowski, D., Phillips, P. C. B., Schmidt, P. e Shin, Y. (1992)) ou o teste ADF (Dickey, D. A. e Fuller, W. A. (1979)). 3.4.1.1 Processos Autorregressivos AR(p)
Um processo autorregressivo de ordem p assume que
rt= φ0+ φ1rt−1+ · · · + φprt−p+ at,
onde {at} ´e uma s´erie tipo ru´ıdo branco com m´edia zero e variˆancia constante, at ∼ RB(0, σ2
a).
Processos AR(1)
Consideraremos o caso particular p = 1, rt= φ0+φ1rt−1+at, e calcularemos as esperan¸cas e variˆancias condicionais e n˜ao condicionais.
E[rt|rt−1] = φ0+ φ1rt−1 e var(rt|rt−1) = σa2. A esperan¸ca n˜ao condicional pode ser calculada a partir de
E[rt] = E[E[rt|rt−1]] = E[φ0+ φ1rt−1] = φ0+ φ1E[rt−1], e como o processo ´e estacion´ario, E[rt] = E[rt−1], obtemos
µ ≡ E[rt] = φ0 1 − φ1
. Pode-se ent˜ao notar que:
1. φ1 6= 1 para µ existir;
2. µ ser´a zero se e somente se (sss) φ0 = 0.
Para achar a variˆancia n˜ao condicional de rt pode-se usar a f´ormula var(rt) = E[var(rt|rt−1, · · · )] + var(E[rt|rt−1, · · · ]), ou, equivalentemente, a partir de
rt− µ = φ1(rt−1− µ) + at, obter
var(rt− µ) = var(rt) = φ21var(rt−1) + σ2a,
j´a que ate at−1s˜ao n˜ao correlacionados. Como, por estacionariedade, var(rt−1) = var(rt), temos γ0 ≡ var(rt) = σ 2 a 1 − φ2 1 , desde que φ2
1 < 1. Assim, um AR(1) fracamente estacion´ario tem |φ1| < 1. Por outro lado, pode-se mostrar que |φ1| < 1 implica que o AR(1) ´e fracamente estacion´ario.
Assim, escrevendo rtcomo uma combina¸c˜ao linear de um n´umero infinito de inova¸c˜oes, e sabendo que −1 < φ1 < +1, podemos provar que E[rt] < ∞ e var(rt) < ∞, sendo γ0 = var(P∞ j=0φj1at−j) = σ2 a P∞ j=0φ2j1 = σ2a 1−φ2
1. Al´em disto, usando a desigualdade de Cauchy-Schwartz podemos mostrar que as autocovariˆancias s˜ao finitas. Em resumo, um AR(1) ´e fracamente estacion´ario se e somente se |φ1| < 1.
As express˜oes para os ρk s˜ao
ρ0 = 1 ρk = φk1 k ≥ 0.
A f.a.c. de um AR(1) decai exponencialmente `a taxa φ1 e com valor inicial ρ0 = 1. A estima¸c˜ao do modelo AR(1) ´e em geral feita por m´axima verossimilhan¸ca condi-cional.
3.4.1.2 Processos ARFIMA(p, d, q)
Como j´a foi observado anteriormente, s´eries de retornos financeiros s˜ao em geral I(0) e os pre¸cos em geral I(1). A f.a.c. de uma s´erie I(1) decai lentamente, e pode-se mostrar que para lag k fixo, ρbk ↑ 1 quando T tende a infinito. Por outro lado, como tamb´em j´a falado, a f.a.c. de uma s´erie I(0) decai exponencialmente para zero a medida que o lag aumenta e assim, observa¸c˜oes separadas no tempo por um lag grande podem ser consideradas independentes. Entretanto, existem algumas s´eries para as quais a f.a.c. decai lentamente para zero numa taxa polinomial quando o lag aumenta. Tais processos s˜ao chamados de mem´oria longa. Se rt = (1 − B)dpt, e d n˜ao ´e inteiro, rt ´e dita ser fracionalmente integrada. Neste caso, a s´erie primeira diferen¸ca da s´erie pt, mesmo se mostrando estacion´aria, diversas vezes exibe uma correla¸c˜ao n˜ao nula entre observa¸c˜oes distantes.
Este fenˆomeno ´e conhecido em Hidrologia, onde ´e observada a “persistˆencia” nos n´ıveis dos rios, conhecido como efeito “Hurst”. Mem´oria longa na m´edia condicional de um processo tamb´em tem sido observada em dados vindo de outras ´areas tais como metereologia, astronomia, economia, veja Beran (1994). Como ser´a que as criptomoedas se comportar˜ao em rela¸c˜ao `a mem´oria longa? Iremos investigar este t´opico no Cap´ıtulo 4.
Um dos processos apresentando esta caracter´ıstica ´e o processo autorregressivo-m´edia m´ovel fracionalmente diferenciado ARFIMA(p, d, q) que modela a presen¸ca de mem´oria longa na m´edia condicional da s´erie (al´em da mem´oria curta) e pode ser considerado uma extens˜ao do modelo ARIMA. Modelos para mem´oria longa na m´edia foram introduzidos por Granger, C.W.J. e Joyeux, R. (1980) e Hosking, J.R.M. (1981), a partir do trabalho de Hurst, H.E. (1951). Desta forma, um modelo ARFIMA incorpora o comportamento de mem´oria longa ao introduzir a possibilidade de d ser fracion´ario. Pode ser escrito como
Φ(B)(1 − B)drt= Θ(B)at, d ∈ <, (3.48)
onde, como antes, os polinˆomios Φ(B) e Θ(B) possuem ordens p e q, respectivamente. O processo {at}t∈Z´e um ru´ıdo branco com m´edia zero e variˆancia finita σ2
a. O termo (1−B)d
´e a expans˜ao em s´eries binomiais dada por (1 − B)d= 1 − dB +d(d−1)B2! 2 −d(d−1)(d−2)B3! 3 + · · · (veja propriedades em Diebold, F.X. e Rudebusch, G.D. (1989) ou Hosking, J.R.M. (1981)).
Considere o processo ARFIMA(0, d, 0) que incorpora o comportamento de mem´oria longa ao introduzir a possibilidade de d ser fracion´ario:
(1 − B)drt = at − 0.5 < d < 0.5 ,
um ru´ıdo branco fracion´ario (RBF) an´alogo no tempo discreto do movimento browniano fracion´ario. Naturalmente que para d = 0, rt ´e um ru´ıdo branco e sua f.a.c. ´e zero para k = 1,2,3 · · · . Notemos que para d = 1, rt seria um passeio aleat´orio (um AR(1) com raiz unit´aria) e portanto sua f.a.c. ficaria pr´oxima de 1 para todos os lags. Para valores fracion´arios de d a f.a.c. diminui hiperbolicamente a zero, isto ´e, ρk = Γk2d−1, onde Γ ´e a fun¸c˜ao Gama. Quando d ≥ 0.5 a variˆancia de rt´e infinita, e o processo ´e n˜ao estacion´ario, mas n˜ao chega a ser um “n˜ao estacion´ario” como um I(1). Para d entre 0 e 0,5 o processo ´e dito ser de mem´oria longa porque para k grande, ρkainda ´e significativamente diferente de zero.
A necessidade de se fazer ou n˜ao uma diferencia¸c˜ao poderia ser testada utilizando-se algum teste de raiz unit´aria. Esses testes, entretanto, possuem potˆencia (probabilidade de rejeitar a hip´otese nula quando a mesma ´e falsa) ainda menor contra alternativas fra-cion´arias. O melhor ´e aplicar testes espec´ıficos para detectar a existˆencia de d fracion´ario. A quantidade mais utilizada para testar a presen¸ca de mem´oria longa ´e a raz˜ao entre o r ange e o desvio padr˜ao, R
S, originalmente proposta em Mandelbrot, B.B. (1969a) e Mandelbrot, B.B. (1969b), no contexto da economia. Esta quantidade ´e estimada com a estat´ıstica RS.
A hip´otese nula a ser testada ´e “H0 : N˜ao existe mem´oria longa”. Por´em a estat´ıstica RS ´e sens´ıvel `a presen¸ca de dependˆencia de mem´oria curta, k pequeno. Isso significa que, a presen¸ca de ρk significativo, para k pequeno, muda a distribui¸c˜ao de RS sob a hip´otese nula, e pode levar a conclus˜oes erradas. Lo, A. (1991) propˆos a estat´ıstica RS modificada que incorpora a presen¸ca de correla¸c˜ao de mem´oria curta.
A estima¸c˜ao de d pode ser feita por v´arios m´etodos, inclusive alguns baseados na densidade espectral, sendo os mais conhecidos aqueles baseados no modelo de regress˜ao, os estimadores semi-param´etricos cl´assicos e robustos (veja Mendes, B.V.M.e Lopes, S.R.C. (2006)). Neste trabalho usaremos os estimadores de m´axima verossimilhan¸ca para os modelos ARFIMA.