5. RESULTADOS E DISCUSSÃO DA INVESTIGAÇÃO DO CONCRETO DA
5.2. INVESTIGAÇÃO DOS TESTEMUNHOS EXTRAÍDOS
5.2.13. Modelagem das propriedades mecânicas dos testemunhos
As propriedades mecânicas resistência à compressão e módulo de elasticidade foram
analisadas com o objetivo de verificar o seu comportamento no tempo durante o ataque da
RAA, de forma a terem seus dados ajustados matematicamente. Sendo assim, todos os
resultados destas propriedades determinadas, tanto nos testemunhos extraídos e ensaiados
imediatamente após extração (pertencentes às classes 0, 1 e 2), como os testemunhos
ensaiados na expansão e pertencentes às mesmas classes, porém em idades e ambientes de
exposição distintos (E1, E2 e E3), conforme planejamento dos experimentos apresentado,
foram contemplados neste item.
A partir dos resultados obtidos para todas as amostras mencionadas, estimou-se um tempo
equivalente à idade que o concreto teria nas condições de deterioração na qual se encontrava.
Para definição do tempo equivalente, considerou-se como ponto de partida a idade da
barragem hoje, igual a 44 anos, representada pelo concreto da classe 0, sendo contemplada
nesta etapa como uma “referência” e os demais tempos equivalentes determinados em função
do nível de deterioração (C1 e C2), dos ambientes expostos (E1, E2 e E3) e dos
comportamentos das propriedades analisadas dos testemunhos em relação à referência. Assim,
os tempos equivalentes foram determinados a partir da aplicação de pesos em função destes
comportamentos observados (Apêndice I).
Inicialmente foram feitas várias tentativas de ajuste dos dados para a resistência à compressão
e, com base no comportamento desta propriedade analisada, chegou-se ao seguinte modelo
que o melhor representa:
__________________________________________________________________________________________
Para o módulo de elasticidade, após várias tentativas e com base no comportamento da
resistência à compressão verificado, o melhor ajuste observado tanto do ponto de vista
matemático como do ponto de vista técnico representou a mesma equação da resistência à
compressão, mudando apenas os parâmetros a, b e c.
Na definição dos ajustes, foram também levados em consideração os desvios dos resíduos
obtidos, que representam as dispersões dos dados em relação à curva ajustada, auxiliando na
avaliação do desempenho da equação utilizada, além do comportamento visual dos dados
frente ao ajuste. Os parâmetros relativos a cada propriedade encontram-se apresentados na
Tabela 40.
Tabela 40: Modelos utilizados no comportamento das propriedades mecânicas.
Propriedade Equação ajustada S
Resistência à compressão
Rc Rc = exp ( 41,26 – 444,02/t – 7,45 . ln(t)) 2,34
Módulo de elasticidade
E E = exp ( 5,87 + 12,35/t – 0,84 . ln(t)) 2,85
Rc=resistência à compressão (MPa); E=módulo de elasticidade (GPa); t=tempo (dia); S=desvio dos resíduos.
Nas Figuras 124 e 125 observa-se, graficamente, o comportamento dos dados de ensaio para a
resistência à compressão e módulo de elasticidade, respectivamente.
0
4
8
12
16
20
24
28
32
36
20 30 40 50 60 70 80 90
Tempo equivalente (ano)
R
e
si
st
ên
ci
a
à co
mp
re
ss
ão
(
M
P
a
)
Dados
Rc=exp(a+b/t+c.ln(t))
Figura 124: Modelo referente à resistência à compressão e resultados
de ensaio.
0
4
8
12
16
20
24
28
20 30 40 50 60 70 80 90
Tempo equivalente (ano)
M
ódul
o de
e
la
sti
ci
da
de
(G
P
a)
Dados
E=exp(a+b/t+c.ln(t))
Figura 125: Modelo referente ao módulo de elasticidade e resultados
de ensaio.
Em termos de comportamento, nota-se claramente que o módulo cai desde o princípio, e ao
longo do período analisado, de forma exponencial à medida que o concreto vai se
deteriorando pela RAA. Já a resistência mostra, em um primeiro estágio, um comportamento
diferenciado, crescendo no tempo à medida que o concreto se deteriora; porém, em idades
mais avançadas, a tendência é que ocorra queda no seu valor, conforme dados apresentados e
ajuste definido.
Analisando individualmente o módulo de elasticidade com base no ajuste definido na faixa do
tempo equivalente estipulado a partir dos dados de ensaio (de 44 anos até cerca de 79 anos),
verifica-se uma queda da ordem de 46% no seu valor em 35 anos de deterioração no concreto
pela RAA (pelo ajuste variando na ordem de 20 GPa a 11 GPa). Já para a resistência à
compressão, e para este mesmo período, verifica-se um ganho total de aproximadamente 12%,
ou seja, as resistências na idade final analisada ainda mantêm-se superiores à resistência
referente à idade inicial analisada, 44 anos (inicia em cerca de 19 MPa e chega a 22 MPa).
Porém deve-se destacar que em um primeiro estágio (≅ 16 anos) a resistência à compressão
cresce bastante (entre 44 anos e 60 anos), representando cerca de 46% de aumento no seu
valor (saindo com cerca de 19 MPa e chegando a 28 MPa) enquanto, possivelmente, os
produtos da RAA conseguem se depositar nos vazios sem gerar grandes tensões de tração e,
conseqüentemente, fissurações. Entretanto, a partir deste ponto máximo (Figura 124),
verifica-se uma queda desta propriedade (entre 60 e 79 anos) chegando a uma redução da
__________________________________________________________________________________________
Adicionalmente, para uma mesma faixa de tempo (de 44 anos a 60 anos), neste caso então em
16 anos, a resistência cresce (46%) e o módulo cai (28%), passando de 19 GPa a 14 GPa.
Como visto anteriormente, em idades mais avançadas, de 60 anos até cerca de 79 anos (19
anos), a resistência e o módulo caem na mesma magnitude em 24%, sendo o módulo de 14 a
11 GPa, mostrando que a partir deste estágio existe uma semelhança no comportamento das
duas propriedades.
Os modelos permitiram comprovar o comportamento das propriedades analisadas. O efeito
maior da queda do módulo de elasticidade já foi discutido anteriormente (item 5.2.3.2), sendo
confirmado pelo ajuste apresentado. Acredita-se que as microfissurações que surgem na pasta
e também próximas às zonas de transição com o agregado, uma vez que os produtos gerados
se formam principalmente nesta região, como observado pelas inspeções visuais e por MEV,
possam estar afetando a capacidade do agregado de impedir as deformações do concreto,
refletindo assim em menor módulo de elasticidade.
No que diz respeito à resistência à compressão, também, já discutido no item 5.2.3.1, o
modelo proposto representa bem o comportamento observado. Os dados apresentados na
literatura indicam, na maioria das vezes, queda no valor da resistência; entretanto nem sempre
se tem disponível uma referência para comparação, ou quando é apresentada, se trata de
resistência de projeto. Observa-se pelos dados analisados na presente pesquisa que,
dependendo do nível de deterioração e da idade em que a propriedade á avaliada, o
comportamento pode ser completamente diferente. Portanto, quando se avalia uma idade
muito jovem como referência para uma idade bem mais avançada, pode-se concluir que a
propriedade não foi afetada, o que pode nem sempre ser verdade.
Portanto, com base nos resultados e na literatura, pode-se inferir que o módulo de elasticidade
é o primeiro a ser afetado negativamente. Posteriormente, o fenômeno afeta a resistência à
compressão, quando o concreto se encontra com a RAA instalada, e seus comportamentos se
apresentam bastante diferentes dentro de uma faixa inicial de tempo, se aproximando em
idades mais avançadas. De qualquer forma, os modelos aqui apresentados foram feitos com as
informações e dados que se dispunha durante a pesquisa, sendo necessária a realização de um
número maior de ensaios de forma a reduzir as variações encontradas e validar ou aperfeiçoar
os modelos.
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO DA INVESTIGAÇÃO DO AGREGADO
No documento
INVESTIGAÇÃO DE CONCRETOS AFETADOS PELA REAÇÃO ÁLCALI-AGREGADO E CARACTERIZAÇÃO AVANÇADA DO GEL EXSUDADO
(páginas 179-183)