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Capítulo 3 – MATERIAL E MÉTODOS

3.7 MODELAGEM DE PREFERÊNCIA

A modelagem de preferência foi feita por meio de envio de questionário

específico para os participantes convidados em cada região do Brasil. Foram enviados 92(Noventa e dois) questionários a todas as regiões, sendo 15 para a região Norte e 15 para a região Centro Oeste, 20 para a região Nordeste, 20 para as região sul e 22 para a região Sudeste. Destes foram respondidos 67 questionários, o que representa 72,82%, sendo, portanto um excelente nível de aceitação, quanto aos respondidos. O questionário foi elaborado de forma clara e objetiva, de modo ao convidado apenas marcar com “X” a comparação par a par entres os critérios e subcritérios, atribuindo um peso para a sua preferência. Ao final do questionário foi solicitado ao convidado que escolhesse sua preferência por 03(três) arranjos tecnológicos possíveis para o tratamento de resíduos em sua região. De posse destas escolhas, foi analisada cada região e realizada as comparações entre os subcritérios e tecnologias, determinando- se assim os possíveis arranjos tecnológicos segundo cada um dos modelos de apoio a decisão para cada região geográfica do Brasil. Assim, foi possível estabelecer três cenários de hierarquia das tecnologias para cada região geográfica e analisar com os dois métodos de hierarquização, no caso o AHP e o PROMETHEE. Os decisores são representantes das seguintes entidades: representantes da sociedade civil, professores de universidades, consultores e especialistas do setor. Dessa forma, pretendeu-se analisar os julgamentos individuais em relação à ponderação dos critérios e resultados de hierarquia por cada método e por região geográfica.

Vale ressaltar que a modelagem de preferência não é uma tarefa simples,

pois o decisor pode sentir dificuldade em entender os conceitos sobre os parâmetros da metodologia multicritério. Para isso é importante à atuação do analista, a fim de que o agente de decisão compreenda com clareza quais são os questionamentos feitos para o processo de decisão.

O resumo da modelagem de preferência realizada para o método de apoio a decisão, AHP e Promethee II, é mostrado na Figura 3.10 e na Tabela 3.4.

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Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil - UFPE J Dantas de Lima 155 Tabela 3.4- Modelagem de Preferência do Modelo Promethee II(V).

Modelagem de Preferência Promethee

Critérios MIN/ MAX Função Referência Unidade Peso (variação)

AMB1 MIN Tipo I – Usual AMB2 MIN Tipo I – Usual AMB3 MIN Tipo I – Usual AMB4 MAX Tipo I – Usual AMB5 MAX Tipo I – Usual AMB6 MAX Tipo I – Usual SOC1 MIN Tipo I – Usual SOC2 (PIB) MAX Tipo I – Usual SOC3 (IDH) MIN Tipo I – Usual ECO1 MIN Tipo I – Usual ECO2 MIN Tipo I – Usual ECO3 MIN Tipo I – Usual ECO4 MIN Tipo I – Usual ECO5 MIN Tipo I – Usual POL1 MAX Tipo I – Usual POL2 MAX Tipo I – Usual POL3 MAX Tipo I – Usual

3.10 SÍNTESE DA PESQUISA

Os métodos de pesquisa são classificados, quanto à forma de abordagem,

em qualitativos e quantitativos. O enfoque qualitativo procura coletar dados sem a necessidade de medição numérica para descobrir ou aperfeiçoar as questões de pesquisa. Nesse caso, pode haver no processo de interpretação a prova ou não das hipóteses. O enfoque quantitativo faz uso da coleta de dados para testar hipóteses por meio de

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medição numérica e análise estatística com a finalidade de estabelecerem padrões de comportamento (CAMPOS, 2011).

O problema multicritério pode ser visto sob dois enfoques - prescritivo e construtivo. Para Gomes (2007), no enfoque construtivo, a estruturação da decisão se dá de forma interativa do analista com os agentes de decisão. Nesse caso, há uma evolução do processo pela troca de informações entre o analista e seus demais integrantes do processo. O enfoque prescritivo parte da descrição de todos os elementos do problema e pode considerar inclusive a descrição sobre as preferências dos decisores.

Outra classificação para os problemas de decisão é dividi-los em discretos ou contínuos.

Conforme Campos (2011), os problemas discretos são aqueles em que o número de alternativas é finito e contínuo. Entre os métodos discretos, destacam-se: MAUT, AHP, ELECTRE e PROMETHEE. Os métodos contínuos são aqueles de otimização multicritério ou métodos interativos. Suas aplicações envolvem programação matemática com mais de uma função-objetivo (GOMES, L.; GOMES, F.; ALMEIDA, 2002).

Com isto, pode-se afirmar que esta pesquisa tem enfoque qualitativo como também quantitativos. O modelo de apoio à decisão utiliza modelos matemáticos e as variáveis empregadas resultam em pesquisa na literatura. Para isso foi necessário entender o fenômeno, no caso, o processo de tomada de decisão de priorização e de hierarquização das alternativas tecnológicas de tratamento de resíduos.

De acordo com esses conceitos, pode-se verificar que este estudo é metodológico. Essa pesquisa propõe um modelo que tem como objetivo sugerir as alternativas tecnológicas mais adequadas para o tratamento de resíduos domésticos em cada região geográfica do Brasil.

Observa-se também que a aplicação da pesquisa tem semelhança com o

enfoque prescritivo uma vez que os elementos da decisão foram coletados com base em documentos e pesquisas. Nesses documentos, foram estudados as alternativas e os critérios, assim como as regras de hierarquização das alternativas tecnológicas de tratamento de resíduos.

O Quadro 3.1 mostra a síntese da pesquisa quanto ao seu enfoque, quanto a área da ciência, os instrumentos da pesquisa, o modelo e o método utilizado, a classe do método e a estrutura de preferência.

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ITEM CLASSIFICAÇÃO

MÉTODO CIENTÍFICO Quanto ao enfoque da Pesquisa Qualitativo/Quantitativo Quanto a área da ciência Metodológica

Instrumentos de Pesquisa Pesquisa literária, análise de documentos. MODELO DE APOIO A DECISÃO MULTICRITÉRIO

Enfoque Prescritivo

Método Discreto

Classe do método Método de priorização e de Sobreclassificação

Métodos AHP e PROMETHEE II(v)

Estrutura de Preferência Pré-ordem completa e hierarquia de dominância

Problemática Hierarquia

OBJETIVO ALTERNATIVAS RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES PARA AS DE TRATAMENTO DE REGIÕES GEOGRÁFICAS DO BRASIL

Quadro 3.1 - Quadro Síntese da Pesquisa.

Espera-se que este método de avaliação permita mostrar qual a tecnologia a ser utilizada, associada a um modelo de gestão, com a inclusão e a mensuração das variáveis abordadas. Esta metodologia foi aplicada a vários cenários, que representam alternativas de tratamento de RSU no Brasil, considerando diferentes regiões, tamanhos de municípios e condição social, política e econômica.

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