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2.4 Modelo Cognitivo para a Tomada de Decisão

2.4.2 Modelo cognitivo bidimensional

O modelo linear apresentado por Pennings, Garcia e Hendrix (2005, p. 1-22) foi desenvolvido com base nas descobertas do funcionamento do cérebro; a maneira como ele se organiza e como funciona. O modelo apresentado pelos autores discute a relação entre o processo racional de tomada de decisão e a intuição.

Camerer, Lowentein e Prelec (2005, p. 16) apresentam um modelo bidimensional de tomada de decisão, que propõe a conexão da mente e a da razão mediante estudos do funcionamento neural durante o processamento da informação. O modelo proposto pelos autores é apresentado em duas dimensões que demonstram as formas de processamento da informação – processamento controlado ou processamento automático e o tipo de sistema acessado (cognitivo e afetivo). No cruzamento dessas dimensões, gera um modelo com quatro quadrantes, conforme apresentado na Figura 6.

Figura 6: Processamentos controlado e dinâmico

Fonte: Adaptada de Camerer, Lowenstein e Prelec (2005, p. 16)

O quadrante superior e inferior da Figura 6 refere-se à forma como a informação é processada no cérebro: controlado (consciente e com processo estruturado de tomada de decisão) e automático (não consciente e processo rápido de tomada de decisão baseado em aprendizagem prévia). A dimensão cognitivo e afeto (demonstrado na parte esquerda e direita

da Figura 6, respectivamente), são os sistemas acionados durante o processamento da informação: cognitivo (raciocínio) ou afetivo (emoções).

Os quadrantes I e II apresentam os processos controlados de tomada de decisão, no quadrante I, a tomada de decisão é controlada e está relacionada aos sistemas cognitivos (raciocínio e razão) e no quadrante II, a decisão é controlada e está relacionada ao sistema afetivo. Nos quadrantes III e IV, estão os processos automáticos de decisão, no quadrante III, a decisão é automática e está relacionada a sistemas cognitivos e no quadrante IV, a decisão é automática e está relacionada ao sistema afetivo.

Durante o processo controlado da informação, o processamento das variáveis é linear e lógico. Esse mecanismo é utilizado quando o tomador de decisão se depara com novas situações ou desafios que não estão em sua rotina, desse modo, necessitando do acionamento da memória para ativar conteúdos aprendidos. Nesse processamento, o tomador de decisão se esforça para encontrar a resposta e/ou decisão, quando isso ocorre é visto um processo consciente de tomada de decisão.

No processo automático, a informação é processada em um ambiente dinâmico e os estímulos são filtrados por meio da atenção seletiva; os estímulos são codificados e interagem, simultaneamente, com diferentes sistemas neurais, isso resulta em uma rápida resposta aos problemas e aumenta a capacidade do cérebro, pois executam múltiplas tarefas simultâneas.

O processo cognitivo é responsável pelo raciocínio e compreende processos conscientes (razão) de tomada de decisão. O processo afetivo é responsável pelas emoções e impulsos (comportamento) e exerce papel principal para a motivação do decisor, alguns estudos demonstram que é impossível segregar a razão e a emoção.

Durante o acionamento do processo automático, é possível observar o mecanismo da Expertise utilizado pelo tomador de decisão quando ele busca, em sua memória, a solução de um problema baseado em aprendizagens memorizadas, isso gera respostas automáticas e não é consciente ao tomador de decisão. Pennings, Garcia e Hendrix (2005, p. 21) descrevem essa variável como Intuição.

Cesar et al. (2009, p.15) propõem um novo campo de estudo denominado Neuroaccounting para análise da tomada de decisão, na área de Contabilidade, relacionada ao orçamento. O modelo proposto pelos autores integra a variável Intuição utilizada no modelo de Pennings, Garcia e Hendrix (2005, pg. 113-127) usando a visão bidimensional de Camerer, Lowenstein e Prelec (2005, p. 9-64).

Figura 7: Modelo proposto de tomada de decisão

Fonte: Cesar at al. (2009, p. 13)

Legenda - Figura 7: SR (fase da retransmissão do estímulo – stimuli-relay); MDPS (espaço perceptual multidimensional – multi-dimensional perceptual space); DCP (Processamento Cognitivo Dinâmico – dynamic cognitive processing); BOS (espaço de resultados comportamentais – behavioral

outcome space); M (memória); D (decisão); I (intuição); O (otimização).

Cesar et al. (2009, p. 13-14) indicam que o processo de Tomada de Decisão se inicia na região de Processamento Automático, no quadrante de Cognitivo, por intermédio da fase de retransmissão do estímulo (SR), na qual os estímulos são interpretados; em seguida, a resolução do problema pode ser realizado no mesmo quadrante de duas maneiras: a) por meio da expertise, com o apoio da memória ou b) mediante a intuição. Por se tratar de um processo rápido e automático, as decisões são geradas sem que o decisor tenha consciência do processo.

Nas decisões mais complexas, a SR direciona os estímulos para o espaço perceptual multidimensional (MDPS), na região de Processamento Controlado, em seguida, como apoio

da memória, ocorre à fase do processo de resolução de problemas onde são geradas alternativas de decisões que são enviadas ao espaço de resultados comportamentais (BOS). Nessa fase, o Tomador de Decisão atribui pesos às possíveis decisões, ainda, com o apoio da memória, ocorre à otimização da decisão, na etapa seguinte, conhecida como alternativas de comportamento resultante (A), o Tomador de Decisão julga a melhor alternativa que representa a melhor decisão (resultante da otimização ou da intuição).

Cesar et al. (2010) realizaram uma pesquisa quantitativa com o propósito de entender a relação entre a Tomada de Decisão e o estabelecimento de metas orçamentárias de acordo com o modelo proposto de Tomada de Decisão (2009); foram colhidos 93 questionários válidos com respostas de 47 frases relacionadas ao constructo teórico e a relação da Tomada de Decisão com a definição de metas orçamentárias. Os autores comprovaram, em sua pesquisa, que o processo de Tomada de Decisão envolve aspectos dos processamentos controlado e automático, e que muitas decisões são geradas por meio da expertise. O estudo mostrou que a intuição afeta as decisões analíticas e as decisões por expertise. A Figura 8, a seguir, apresenta o modelo estrutural resultante do estudo efetuado por Cesar et al., (2010).

Figura 8: Confrontação da equação estrutural ao modelo teórico

Fonte: Extraída de Cesar et al., (2010)

Legenda: SR (fase da retransmissão do estímulo – stimuli-relay); MDPS (espaço perceptual multidimensional – multi-dimensional perceptual space); DCP (Processamento Cognitivo Dinâmico –

dynamic cognitive processing); BOS (espaço de resultados comportamentais – behavioral outcome space); RES. R (Resolução); RES-E (Resolução).

Cesar et al. (2010, p. 8-15) aplicaram o modelo de equações estruturadas em uma empresa inovadora de cosméticos. Os resultados do estudo indicaram que os gestores fazem uso da TD mediante processamento controlado, utilizando de informações internas e externas na análise das decisões, são influenciados por outras pessoas no ambiente de decisão e, em decisões arriscadas, são influenciados pelo medo e/ou incerteza. O sistema afetivo é visto como uma influência no processo decisório, o medo é uma das variáveis que influenciaram a decisão no processamento automático e controlado. A Figura 9 apresenta o modelo estrutural gerado pelos autores. Os autores apontam como promissor a investigação de variáveis comportamentais, nessa área, em futuros estudos.

Figura 9: Modelo estrutural obtido em empresa inovadora

Fonte: Extraída de Cesar et al., (2010, p. 13)

Cesar, Akamine Jr. e Perez (2011, p. 14) utilizaram o modelo de equações estruturais em empresas de logística e transporte rodoviário de cargas. Os resultados apontam que por se tratar de um ambiente de grande complexidade, as decisões são tomadas de maneira informal, pois os indivíduos que decidem utilizam de suas experiências pessoais. As decisões são geradas com vieses, visto que não se apoiam em relatórios formais de sistemas de informação; as metas orçamentárias são baseadas em expertise. Na Figura 10 é apresentado o modelo estrutural gerado pelos autores.

Figura 10: Modelo estrutural gerado por empresas de logística e transporte rodoviário de cargas

Fonte: Extraída de Cesar et al. (2011, p. 14)

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