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5 TTATI Abordagem

5.1 Formação Permanente: um Modelo Inovador, Colaborativo e Aberto

5.1.1 Modelo Colaborativo: intercambiando conhecimentos

A maioria das atividades humanas socialmente relevantes inclui um trabalho em grupo. Ter competência para realizar uma grande tarefa, dificilmente pode ser

considerado como um atributo exclusivamente individual, independente da competência de outros que estejam, direta ou indiretamente, envolvidos na situação.

Nessa relação dialógica e no âmago do processo coletivo para a produção de conhecimento, trabalhar colaborativamente tem se tornado uma prática cada vez mais frequente nos diversos segmentos sociais. Essa forma de trabalho é capaz de favorecer a aprendizagem de duas maneiras: aprender a colaborar e colaborar para aprender; uma vez que, tanto o professor como seus alunos constroem o conhecimento por meio de interações e ajuda recíproca, de forma coordenada e compartilhada, com o fim de atingir objetivos negociados pelo coletivo do grupo. Os participantes do processo não estão isolados para realizar atividades individualmente, mas mantêm-se engajados em uma tarefa compartilhada que é construída e mantida pelo e para o grupo. As relações colaborativas tendem, portanto a não ser hierarquizadas, mas sim relações compartilhadas e com responsabilização mútua pela condução das ações. Dentro dos espaços digitais virtuais, Backes et al. (2017) afirmam que existem relações heterárquicas entre os envolvidos e que esses espaços,

[...] possibilitam a ação e a interação de todos os envolvidos, bem como a representação do conhecimento, a expressão das perturbações, dos conflitos, das diferenças e das diversidades, por meio de relações heterárquicas – os participantes não pedem autorização para se expressarem ou propor algo. (BACKES et

al., 2017, p. 1202)

Assim, no trabalho colaborativo predominam as interações, a negociação de ideias, o compartilhamento de informações e resultados. Não há uma dependência, mas sim uma interdependência.

A incorporação das TICs aos diferentes âmbitos da atividade humana, e especialmente às atividades laborais e formativas vem contribuindo de maneira importante para reforçar essa tendência de projetar metodologias de trabalho e de ensino baseadas na cooperação. Nessa perspectiva, Duran e Vidal (2007) apontam sobre a interação entre pares e o que ela gera em termos de conflitos social e cognitivo que,

É a interação entre iguais que produz o confronto de pontos de vista moderadamente divergentes que se traduz, por um lado, no conflito social que provocará uma melhoria da comunicação, uma conscientização e um reconhecimento do ponto de vista dos demais; e, por outro lado, no conflito cognitivo, decisivo para que o sujeito possa reexaminar as ideias próprias,

modificá-las e receber um retorno dos demais. (DURAN, VIDAL; 2007, p. 20)

No que tange ao poder de dispersão de um sistema comunicativo e colaborativo, existe o que se convencionou chamar de lei de Metcalfe31, a qual afirma que o poder de uma rede é proporcional à raiz quadrada do número de ramificações (nodes) que ela contém (YOKOYAMA, 2016). As conexões crescem de forma exponencial e, nesse ritmo, as mudanças de uma nova tecnologia afetam inicialmente apenas ela, todavia, uma vez que essas mudanças crescem, seus efeitos se generalizam.

Especificamente, quando tratamos de um sistema colaborativo (groupware) verificamos que esse sistema é um artefato tecnológico que apoia o trabalho em grupo, coletivamente. O termo Sistemas Colaborativos é a tradução adotada no Brasil para designar “groupware”, junção das palavras inglesas group (grupo) e software (programas computacionais), e temos ainda o CSCW (Computer Supported Cooperative Work), cujo jargão é denominado de Sistemas Workflow. Independente da nomenclatura utilizada, constitui-se em um ciberespaço específico (um palco digital para a convivência humana) com a finalidade de criar novas formas de trabalho e interação/organização social. As pessoas que estão envolvidas nesse espaço digital comungam de um mesmo tema de interesse e participam no desenvolvimento do próprio ambiente.

Na educação, esses espaços se configuram, como afirma Backers et al.,

No contexto educacional um espaço de convivência se configura da seguinte forma: o educador tem um espaço que lhe é próprio para conviver com os estudantes e estes também têm um espaço que lhes é atribuído. Em interações, educador e estudantes configuram um espaço de convivência que lhes é comum, onde todos são coensinantes e coaprendentes. Quando não se configura este espaço de convivência, pode estar ocorrendo somente a transmissão de informações, sem propiciar a transformação do estudante e do educador, tampouco a construção do conhecimento. (BACKERS et al., 2017, p. 1207)

31 Robert Melancton Metcalfe é um engenheiro americano. Foi um pioneiro no desenvolvimento

tecnológico nos Estados Unidos, co-inventor da Ethernet, com David Boggs, fundou a 3Com e formulou a Lei de Metcalfe - assertiva que postula que o valor de uma rede é proporcional ao quadrado do seu número de nodos.

Essa participação permite a colaboração, interação e compartilhamento que favoreça a criação e a inovação. Barrio et al (2007) afirmam que, para as iniciativas que favorecem a pesquisa e desenvolvimento na educação efetiva, é fundamental o compartilhamento das “boas práticas”.

It is imperative to reinforce all those initiatives that favour research and development in effective education and training models. While digital education material is still in its early stages of development (similar to the beginnings of other media such as film, televisiono, radio), it is fundamental to explore all avenues for the creation of these products and establish a standardised evaluation model permitting the identification and sharing of “best practices” in education. (BARRIO, 2007, p. 68)

É importante notar que o espaço (ciberespaço) não deve estar carregado por uma rígida hierarquia sobre seus membros e sim relações que propiciem uma flexibilidade de horário e lugar (tempo e espaço). Segundo Lisbôa (2010), a colaboração é uma filosofia de interação que se apoia em processos sinérgicos (de trabalho em conjunto) que vai desenvolvendo-se e integrando-se em si mesma e que ultrapassa os muros dos simples processos de cooperação32. Nesta mesma visão, a colaboração, como defende Pimentel

et al (2006), envolve comunicação, coordenação e cooperação, conforme figura que segue.

32 Como pontua, Pimentel et al (2006) entendemos que a cooperação é uma estratégia de trabalho, uma

técnica para produzir um produto, que pode ser entendida como a divisão do trabalho entre os sujeitos, onde cada um é responsável por uma parte.

Figura 16 – Tipo de classificação dos sistemas colaborativos

Fonte: Pimentel et al (2006)

Um sistema colaborativo integra um conjunto de ferramentas que subsidiam a colaboração. No projeto de sistemas colaborativos, voltados principalmente para a Educação a Distância, como o AulaNet, TelEduc, AVA, WebCT, Moodle, GroupSystems, YahooGroups, OpenGroupwar, BSCW podemos identificar três grandes grupos de ferramentas: comunicação, coordenação e cooperação (LISBÔA, 2010). Nesse design colaborativo interligam-se ferramentas de Comunicação (Correio, Lista de Discussão, Fórum, Mural, Brainstorming, Bate-papo, Mensageiro), ferramentas de Coordenação (Agenda, Relatório de Atividades, Acompanhamento da Participação, Questionário, Tarefas, SubGrupos, Gerencimaneto de recursos, Orientação, Votação) e ferramentas de Cooperação (Conteúdos, Quadro Branco, Busca, Glossário, Links, Jornal Cooperativo, Classificador, Wiki, Gerenciamento de contatos, Revisão em pares, FAQ, Anotações, RSS). Esses sistemas colaborativos digitais e suas inúmeras ferramentas são apoiados na web. Que, por sua vez, representa um sistema hipertextual de acesso e disponibilização de conteúdos e um meio propício à produção

de trabalhos colaborativos, uma vez que a maior parte das ferramentas da Web 2.033 permite a autoria e coautoria. Esse avanço da web marcou o amadurecimento no uso do potencial colaborativo da Internet.

O modelo de sistema pretendido nesta tese deve ser especializado o bastante, a fim de oferecer aos seus usuários formas de interação, de tal forma que facilite o controle, a coordenação, a colaboração e a comunicação entre as partes envolvidas que compõem o grupo, tanto no mesmo local, como em locais geograficamente diferentes. Ademais, as formas de interação podem acontecer ao mesmo tempo ou em tempos diferentes, possibilitando, assim, interação humana com o objetivo principal de fornecer um espaço para aprendizado, e não um elemento para subsidiar o controle do trabalho, de tarefas ou de técnicas utilizadas. Pretende-se projetar um modelo que subsidie um espaço livre para construção do conhecimento, desenhado para ser condizente com o espaço digital em rede, com os modos e os estilos de vida instaurados na sociedade atual.