3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1. Modelo conceitual e formulação de hipóteses
No capítulo 2 foram apresentadas as bases teóricas para definição dos construtos e para a elaboração do modelo testado nesta tese.
O modelo de equações estruturais permite estudar as relações entre construtos criados com base na teoria e desenvolvidos através de análise fatorial confirmatória. A base teórica para relação entre os construtos que retratam o progresso da subscrição de riscos ASG e a gestão operacional das Seguradoras é suportado pela definição do PSI “seguro sustentável é
uma abordagem estratégica em que todas as atividades ao longo da cadeia de valor do Seguro” Essa relação é expressamente manifesta no PSI nos princípios 1 (quando trata da
gestão e subscrição de riscos, no desenvolvimento de produtos e serviços e gestão de investimentos) como no princípio 2 (integração de questões nos processos de seleção de fornecedores e intermediários) e no princípio 3 quando trata da governança corporativa.
O método de análise utilizado; modelagem de equações estruturais (MEE), pressupõe uma relação de causalidade entre os construtos. O modelo considera que a percepção de riscos ASG no mercado, que se reflete na progressão da subscrição de Seguros; provoca nas Seguradoras a necessidade de gerenciar esses riscos nos seus próprios negócios. Esta relação se fundamenta na escala de incorporação de riscos ASG na indústria, que evolui com a percepção do mercado conforme a pesquisa da UNEPFI (2009). A orientação da indústria para o consumidor (CNSEG, 2014, RESULTANTE CONSULTORIA ESTRATÉGICA, 2015) reforçam esta hipótese.
Figura 6- Modelo teórico. Fonte autor.
As setas indicam caminhos de causação entre os construtos associados a evolução da subscrição de riscos ASG e a incorporação dessas questões na gestão operacional das Seguradoras, essas relações são suportadas por diversos estudos (VAN MARREWIJK 2003; WADDOCK, 2004; OBALOLA, 2008; UNEPFI 2009). Teoricamente são nove relações entre os construtos de subscrição de riscos e gestão operacional. Serão avaliadas também as três relações entre os construtos de gestão operacional a partir da gestão de questões ambientais, pioneira na introdução de sustentabilidade nas empresas. As hipóteses a serem efetivamente testadas serão fruto do melhor modelo encontrado.
Os construtos que definem a evolução no processo de subscrição de riscos ASG (ERP) são identificados pelo prefixo MKT (mercado) porque são avaliados com base na percepção desses riscos em relação aos segurados que são atores do mercado. Os contrutos que definem a incorporarão de questões ASG nas operações Seguradoras (IEM) são identificados pelo prefixo Oper (operações) porque são avaliados com base na existência de políticas e programas para o gerenciamentos dessas questões nas operações das seguradoradoras.
Tanto os construtos que definem a evolução no processo de subscrição de riscos ASG (ERP) quanto os que definem a incorporarão de questões ASG nas operações Seguradoras (IEM) são definidos através de fatores ambientais, sociais e de goverança. Entretanto cada uma das variáveis caraterizadoras dos contrutos são avaliadas através de questões distintas
Governança Mudança Climática Perda de biodiversidade Gestão da água Poluição Inclusão financeira Direitos Humanos Riscos causados a saúde Saúde e envelhecimento Regulação Divulgação Alinhamento de interesses Ética & Princípios
MKT Ambiental MKT Social MKT Oper Ambiental Oper Social Oper Governança Mudança Climática Perda de biodiversidade Gestão da água Poluição Inclusão financeira Direitos Humanos Riscos causados a saúde Saúde e envelhecimento Regulação Divulgação Alinhamento de interesses Ética & Princípios
sobre o mesmo conceito, por exemplo, mudança climática é uma variável presente tanto no construto ERP quanto IEM, entretanto no primeiro é feito uma pergunta e no segundo uma afirmação.
Para a evolução no processo de subscrição de riscos ASG (ERP) a pergunta é: Como o segurado gerencia os riscos associados às mudanças climáticas (por exemplo, adaptação de construções a vendavais, tempestades e outros eventos climáticos), incluindo a gestão de suas emissões de gases de efeito estufa? Já para a incorporarão de questões ASG nas operações Seguradoras (IEM) a pergunta é: A empresa/mercado onde trabalho tem políticas específicas para: Redução das suas emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) em suas operações. As perguntas sobre as variáveis de todos os construtos ERP podem ser vistas no bloco 2 do anexo I. Essas perguntas foram traduzidas pelo autor com base no questionário proposto por UNEPFI (2009). A escala utilizada (ver item 2.5 no contexto teórico) também proopsta por UNEPFI (2009) e traduzida pelo autor. A utilização das mesmas perguntas e escala permitiu uma comparação entre os resultados obtidos no Brasil e os obtidos por UNEPFI (2009) para outros mercados.
Para a incorporarão de questões ASG nas operações Seguradoras (IEM) as perguntas foram definidas pelo autor com base na literatura (GENEVA ASSOCIATION, 2012; IPCC (2014)) e na sua escolha de um critério que fosse relevante para a questão e compreensível pelo público alvo. No exemplo citado a questão aborda a redução das suas emissões de GEE em suas operações. A escala de avaliação foi do Likert tradicional com o mesmo número de níveis (7) daquela utilizada para avaliar ERP. As perguntas sobre as variáveis de todos os construtos ERP podem ser vistas no bloco 3 do anexo I. As variáveis definidoras de cada construtos foram apresentadas na introdução e consideram a proposta de UNEPFI (2009).
Esta modelagem permite um avanço no nível atual de conhecimento, contribuindo para: • Validar a estrutura teórica (taxonomia) de sustentabilidade para o setor de seguros
com base na percepção da indústria brasileira de seguros;
• Criar e validar uma estrutura para avaliar a incorporação de questões ASG nas operações das Seguradoras
• Testar hipóteses da relação entre percepção da evolução da subscrição dos riscos ASG no mercado e sua gestão nas operações das Seguradoras.
Pela apresentação dos estudos já realizados podem-se identificar as fronteiras que a pesquisa desta tese procurou expandir. Destacando:
• Diagnosticar a posição do Brasil em relação ao mercado global na incorporação dos riscos ASG no processo de subscrição;
• Verificação da taxonomia de sustentabilidade em seguros proposta por UNEPFI (2009);
• Confirmar a taxonomia na indústria de seguros brasileira;
• Criar uma métrica para incorporação das questões ASG no negócio das Seguradoras;
• Avaliar a relação entre o avanço na subscrição dos riscos ASG e sua incorporação nas operações das Seguradoras, relação com prestadores de serviço e investimentos.