Das universidades selecionadas para a pesquisa, no período de 2008 a 2017, a UFMS aprovou 20 novos programas e a UFMT obteve a aprovação de 21 novos programas. Essas
universidades alcançaram um crescimento superior a 100% no número de programas de pós- graduação stricto sensu aprovados/recomendados pela CAPES no período de 2008 a 2017, enquanto a UFAM alcançou pouco mais de 20% de crescimento no número de programas de pós- graduação stricto sensu, no mesmo período, aprovando seis novos programas de pós-graduação
stricto sensu no mesmo período, conforme apresenta a Figura 9.
Figura 9 - Crescimento da Pós-graduação Stricto sensu nas Universidades em Análise Fonte: GeoCAPES
O crescimento verificado nas universidades resulta dos programas de expansão universitária promovidos pelo governo federal. Entre os programas, os que estão diretamente relacionados à pós-graduação stricto sensu são a Interiorização e o Reuni, que contribuíram para a contratação de professores doutores aptos a atuarem na pós-graduação stricto sensu, influenciando as políticas institucionais de capacitação de professores implementadas nas universidades federais, cujos resultados foram melhores naquelas que buscaram, dentro do período em apreço, a consolidação da sua política de pós-graduação stricto sensu.
A Figura 10 explicita o modelo conceitual proposto, no qual os resultados alcançados pelas universidades federais, objeto de análise, amparados pela revisão da literatura e teoria apresentada neste capítulo, foram influenciados pelos Programas de Expansão Universitária, como os já citados programas de Interiorização e REUNI, que promoveram a necessidade de aditivar os Planos de Desenvolvimento Institucionais/PDI´s das universidades federais, revendo metas e estratégias já
27 30 30 33 19 27 34 40 16 19 28 36 2 0 0 8 2 0 1 0 2 0 1 3 2 0 1 7 N º D E P R O G R A M A S
traçadas, além de tornar necessário a prorrogação do seu prazo de vigência, para o cumprimento de todas as ações previstas no plano.
Figura 10: Modelo Conceitual - Desenvolvimento da Pós-graduação Stricto sensu Fonte: elaborado pela autora
Os programas de expansão universitária proporcionaram o crescimento da graduação, além da implantação de políticas institucionais de contratação e qualificação de pessoal, especialmente de docentes, que associadas a alocação de recursos específicos para a pós-graduação stricto sensu foram determinantes para o desenvolvimento da pós-graduação stricto sensu, notadamente nas universidades sediadas em regiões com problemas para atrair e fixar doutores aptos a atuar neste nível de ensino.
O modelo conceitual de alocação de recursos utilizados para o desenvolvimento da pós-graduação stricto sensu é apresentado na Figura 11. O modelo define que a alta gestão possui um papel fundamental nesse processo, sendo responsável pela elaboração de metas, amparadas em políticas institucionais, e alocação de recursos institucionais específicos para a pós-graduação stricto sensu, que influenciarão na execução das estratégias adotadas para o desenvolvimento da pós-graduação stricto sensu das universidades federais na avaliação da CAPES e no processo permanente de acompanhamento institucional.
Fonte: Elaborado pela autora LEGENDA:
P1 – Plano de Metas deve emergir das Políticas institucionais P2 – Orçamento e desempenho na avaliação
P3 – Parcerias e desempenho na avaliação
P4 – Alocação de recursos observando os critérios utilizados na avaliação
Números de 1 a 15 – sequência das perguntas que integraram o roteiro semiestruturado utilizado nas entrevistas Os recursos institucionais, alocados no modelo, reúnem as parcerias firmadas em busca da internacionalização e cooperação com outros programas de pós-graduação, recursos humanos (docentes, discentes e técnico-administrativos), recursos físicos (infraestrutura de salas de aula, laboratórios, bibliotecas, entre outros), recursos tecnológicos (computadores, redes, antenas, sistemas, entre outros), recursos organizacionais (rotinas, processos internos, gestão e uso de tecnologias, planejamento, entre outros), recursos reputacionais (imagem, reputação, relacionamento com a comunidade interna e externa, entre outros) e recursos financeiros, recurso institucional especialmente dedicado à pós-graduação stricto sensu pela universidade. As universidades devem gerir esses recursos utilizando sua experiência acumulada e de acordo com suas políticas de desenvolvimento estratégico (Barney, 1986; Dierickx; Cool, 1989).
O Plano de Desenvolvimento Institucional/PDI é o documento de planejamento em longo prazo que integra as políticas institucionais, os objetivos, as metas, e as estratégicas que serão adotadas pelas universidades federais durante sua vigência. O planejamento de médio e curto prazo elaborado pelos membros da administração superior da instituição deve alinhar-se a vertente estratégica definida em seu PDI, buscando identificar, segundo o modelo VRIO (Barney & Hesterly, 2011), recursos estratégicos para serem alocados na execução de seus objetivos, que resultarão na melhoria de seus indicadores e no fortalecimento da pós-graduação stricto sensu, proporcionando uma vantagem competitiva à instituição na partilha orçamentária e na avaliação periódica que são submetidos os programas de pós-graduação stricto sensu.
Desse modo, durante o desenvolvimento desse trabalho, observou-se as seguintes proposições:
P1 – O Plano de metas definido pela alta gestão da instituição em busca do desenvolvimento da pós-graduação stricto sensu deve emergir das Políticas Institucionais por ela instituídas, bem como das estratégias adotadas em busca desse objetivo.
P2 – As universidades que destinaram orçamento específico para a pós-graduação, conseguiram implementar suas estratégias, alcançando as metas previamente definidas e melhor desempenho no resultado do processo de avaliação e acompanhamento realizado pela CAPES.
P3 – As parcerias firmadas com outras universidades, nacionais e estrangeiras, influenciam no desempenho dos programas na avaliação da CAPES e nas estratégias adotadas por suas instituições na busca de seu desenvolvimento.
P4 – As instituições que alocaram recursos institucionais específicos para pós-graduação
stricto sensu, observando os critérios definidos para a avaliação e acompanhamento dos programas
pertencentes ao SNPG, obtiveram melhores resultados no processo avaliativo realizado pela CAPES.
Desta forma, o eixo principal desta tese se assenta na proposição de que a alocação eficaz dos recursos institucionais de uma universidade federal contribui para o desenvolvimento da pós- graduação stricto sensu. Assim, em termos operacionais, a contribuição deste trabalho se dará, sobretudo, na apresentação de um modelo de gestão da pós-graduação stricto sensu em universidades federais, que poderá servir de suporte para seu desenvolvimento.
Como contribuição teórica, buscar-se-á demonstrar a aplicabilidade da teoria Resource-
based View of the Firm/RBV a organizações complexas, como as universidades públicas (Estrada,
2000), por meio da discussão do uso estratégico dos recursos institucionais utilizados pelas instituições pesquisadas em busca do desenvolvimento da pós-graduação stricto sensu, avançando na teoria ao apresentar uma nova possibilidade de arranjo para as variáveis do modelo VRIO.