5. MATERIAIS UTILIZADOS, CONCEPÇÃO DA BASE DE DADOS E
5.2 Concepção da base de dados
5.2.2 Modelo Conceptual
No presente estudo se encontra dados alfanuméricos relativos aos acidentes e informações espaciais da área de estudo – shapefiles (Limite Administrativo, Sistema de Mobilidade Viária - rodovias do concelho da Praia) e ortofotomapa digital do município da Praia do ano 2010.
Fez-se a análise de consistência dos dados e a sua inserção na folha de cálculo do Excel. Como havíamos referido anteriormente, algumas variáveis de interesse foram seleccionados e analisado no referido estudo.
A georreferenciação dos pontos de acidentes foi feita no ambiente dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG) onde se criou um shapefile designado “Acidentes”. A base de dados foi estruturada no Access e, seguidamente, transposto para o ambiente SIG onde se deu a junção dos dados de atributos com a base cartográfica (área de estudo e os respectivos locais de acidentes).
Dado ao facto, que os policiais, ainda não fazem o trabalho de campo de levantamento de dados geográficos com o uso de receptores GPS, para o nosso estudo, a georreferenciação dos pontos dos locais de acidentes foi feito manualmente, com auxílio dos SIG e do ortofoto do concelho da Praia.
O processo de georreferenciação foi feito ponto a ponto utilizando a ferramenta Editor disponível no pacote computacional dos SIG ArcGis 10, sendo que 100% dos acidentes de trânsito do período de 2009 a 2010 registado pela Esquadra de Polícia do município da Praia foram inseridos no mapa da área de estudo.
De acordo com QUEIROZ, 2003d, uma tarefa importante após o cadastro de acidentes é a análise de consistência que pode ser subdividida em duas etapas. A crítica visual é a primeira etapa e consiste em totalizar a quantidade de acidentes em um período para depois observar os valores discrepantes em relação aos demais, assim como em relação aos mesmos dados de épocas anteriores. Deve-se ter precaução com o dado considerado discrepante, que pode ser causado por festividades em certas épocas do ano em que ocorrem muitos acidentes. A outra etapa é a verificação de inconsistência detectada a partir de comparações entre os campos abaixo:
• Quantidade de condutores envolvidos em acidentes não pode ser menor que a quantidade de acidentes;
• Quantidade de veículos envolvidos em acidentes não pode ser menor que a quantidade de acidentes;
• Quantidade de vítimas não pode ser menor que a quantidade de acidentes com vítimas; e,
Para que todas as informações espaciais fossem apresentadas nos respectivos locais de ocorrência do evento, toda a base cartográfica foi georreferenciada utilizando o mesmo sistema de projecção. Para isto, a geometria e os atributos dos dados de acidentes foram georreferenciados, isto é, localizados na área de estudo e representados numa projecção cartográfica. Neste âmbito, no georreferenciamento dos acidentes registados se utilizou o sistema de projecção cartográfica adequada para a área de estudo. A projecção Cónica Secante Conforme de Lambert adoptado para Cabo Verde foi utilizada em toda a base cartográfica. O shapefile de pontos de acidentes foi criado no ambiente SIG com as coordenadas geográficas (X e Y).
Terminado o processo de georreferenciamento dos dados fez-se a agregação do arquivo vectorial - shapefile ” Acidentes” contendo os pontos dos acidentes com os dados alfanuméricos na Geodatabase dos pontos de acidentes de trânsito do município da Praia no período em análise.
O propósito do estudo é a de desenvolver um modelo adequado para análise geoestatístico dos acidentes rodoviários na área de estudo, permitindo uma melhor gestão dos dados. Todas as operações espaciais foram realizadas com o programa Esri – ArcGIS versão 10. Este foi utilizado para a integração das variáveis do banco de dados do registo dos acidentes de trânsito aos dados de pontos acidentes de trânsito do shapefile ” Acidentes”. As informações dos dados de atributos das tabelas foram relacionadas através do campo ID comum.
A base de dados foi elaborada no ambiente SIG, possibilitando o acesso automático de informações de acidentes ocorridos nas estradas do município da Praia que, por meio das ferramentas de análise espacial foi possível agregar os dados estatísticos dos acidentes de trânsito com as informações geoespaciais da área de estudo. Através da manipulação destes, foi possível visualizar, analisar e interpretar as ocorrências. Na base de dados constam atributos espaciais e não espaciais que entraram nos SIG através de tabelas, informações vectoriais (pontos, linhas e polígonos). Os objectos do tipo ponto, juntamente com detalhes descritos em tabelas foram visualizados em mapas temáticos.
A sua concepção teve como base as variáveis contidas nas fichas de ocorrências de acidentes de trânsito, apresentando como produtos tabelas relacionáveis juntamente com dados geográficos de acidentes, através do uso do software ArcGis com ArcMap – ArcInfo versão 10, no qual foram realizados os procedimentos de análise espacial da distribuição das topologias espacial dos pontos de acidentes rodoviários.
Na base de dados constam informações geográficas para a localização dos acidentes de trânsito – base cartográfica do limite político-administrativo do município da Praia (informações vectoriais – shapefile de polígono) e a base cartográfica do conjunto de vias do município (informações vectoriais – shapefile de linhas). Neste, incluem também, dados de atributos com informações não geográficas (dados alfanuméricos) tais como a hora, o dia da semana, período do dia, tipo de acidente, quantidade de veículos envolvidos, custo do acidente, sexo e idade dos acidentados, nome da estrada, número de acidentados e sua gravidade.
O modelo é composto por 4 tabelas geográficas e alfanuméricas relacionadas entre si através de relacionamentos de um para muitos.
A tabela espacial vectorial ponto “Acidente” que contem uma geometria e vários atributos alfanuméricos para a caracterização dos dados de uma ocorrência do evento esta relacionada a tabela “Estradas” também espacial, com a relação onde vários acidentes se pode verificar numa estrada. Igualmente, para cada acidente podem estar vários veículos envolvidos. A tabela “Veículos” que é do tipo alfanumérico, tem uma relação com a tabela alfanumérica “Acidentado”. Neste, um veículo pode haver vários acidentados.
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A personal geodatabase denominada Acidentes_Praia contém uma feature dataset, três tabelas e três relationshipclass: acidentes_estradas, acidentado, acidente, veículo, rel_acidente, rel_acidente_estrada e rel_veículo-acidente, respectivamente.
Esta feature dataset contém duas feature classes: acidentes_09_10 e estradas. As feature classes acidentes_09_10 e estradas estão armazenadas na feature dataset acidentes_estradas pois, estão espacialmente relacionadas uma com a outra. Features da feature class acidentes_09_10 estão ligadas a features da feature class estradas.
Todas as feature classes incluídas na feature dataset acidentes_estradas têm a mesma referência espacial. A palheta XY Coordinate System da caixa de diálogo Feature Dataset Properties mostra que ambas as feature classes acidentes_09_10 e estradas estão no sistema de projecção de coordenadas Cónica Secante de Lambert.
A feature class acidentes_09_10 armazena as features acidentes com a geometria pontos e a feature class estradas armazena as features vias com a geometria linha. As tabelas “acidentado”, “acidente” e “veículo” armazenam dados de atributos que
As relações entre os objectos espaciais armazenados em feature classes e os objectos não espaciais armazenados em tabelas são armazenados em relationship classes. A relationship class rel_acidente relaciona a feature class acidentes_09_10 com a tabela acidente onde, um acidente se verifica num determinado espaço geógrafo (1- 1). A relationship class rel_acidente_estrada relaciona a feature class estradas com a tabela acidente onde, numa estrada pode verificar vários acidentes (1 – M). A relationship class rel_veículo_acidente relaciona a feature class acidentes_09_10 com a tabela veículo onde, um veículo poder ter vários acidentes (1- M).
Na base de dados foi elaborado tabelas com campos conforme apresentados nos quadros 6, 7, 8 e 9 que se seguem.
Tabela 5. Campo das informações da tabela acidente
NOME DO CAMPO
TIPO DE DADO
DESCRIÇÃO
OBJECTID Inteiro Object ID
NUACIDENTE Inteiro Número de registo de acidente gerado DTACIDENTE Inteiro Data do acidente – dia, mês e ano HRACIDENTE Inteiro Hora do acidente
DIASEMAN Texto Dia da semana de ocorrência do acidente PERACIDENTE Texto Período em que ocorreu o acidente (dia, noite) TPACIDENTE Texto Tipo de acidente (choque, despiste, colisão,
capotamento, abalroamento, atropelamento, outros).
QTVEICULOS Inteiro Quantidade de veículos envolvidos
CUACIDENTE Inteiro Estimativa de custo dos danos materiais e físicos.
QTFERIDO Inteiro Quantidade de feridos
QTVITIMAFA Inteiro Quantidade de vítimas fatais
NUESTRADA Inteiro Número estrada
ANO Inteiro Ano de ocorrência do acidente
NOME DO CAMPO TIPO DE DADO DESCRIÇÃO
OBJECTID Inteiro Object ID
NUACIDENTE Inteiro Número de registo de acidente gerado NUVEICULO Inteiro Número de veículo envolvidos
TPVEICULO Texto Tipo de veículo (ligeiro, pesado)
TPSERVIÇO Texto Tipo de serviço (Aluguer, Particular, Oficial/Estado)
Tabela 7. Campo das informações da tabela acidentado
NOME DO CAMPO TIPO DE DADO DESCRIÇÃO
OBJECTID Inteiro Object ID
NUVEICULO Inteiro Número de veículo
IDACIDENTADO Inteiro Número do acidentado
NUIDADE Inteiro Idade da vítima
SEXOVITIMA Texto Sexo da vítima
TPVITIMA Texto Tipo vítima (Condutor,
Passageiro, Pedestre, Ignorado)
Tabela 8.Campo das informações da tabela estrada
NOME DO CAMPO TIPO DE DADO DESCRIÇÃO
OBJECTID Inteiro Object ID
SHAPE Inteiro Geometria da feição geográfica
(ponto_acidente)
NUESTRADA Inteiro Número da estrada em que ocorreu o acidente
NOMESTRADA Texto Nome da estrada em que ocorreu o
acidente
A geodatabase permitiu estabelecer a interligação dos dados tabulares com os geográficos e, dessa forma representar e analisar a frequência e intensidade dos pontos de acidentes rodoviários.
A partir dessa etapa, os dados foram manipulados com o auxílio do software ArcGis, ArcMap – ArcView 10, gerando mapas, apresentando a distribuição e a intensidade dos acidentes verificados nas rodovias do município da Praia, no período em referência.