• Nenhum resultado encontrado

Em relação às provas aplicadas no TIMSS, o princípio fundamental para a sua elaboração é a produção de instrumentos de avaliação capazes de gerar dados de rendimento fiáveis e válidos para os fins que se pretendem. A partir dos marcos teóricos definidos, os testes elaboram-se mediante um processo de consenso internacional. O teste possui questões fechadas de escolha múltipla, perguntas de

Contexto social e educativo nacional

Contexto escolar

Características e resultados dos alunos

Currículo Pretendido

Currículo Aplicado

do TIMSS Trends centra-se num conteúdo concreto. Porém, também é necessário que os alunos possuam conhecimentos de outras áreas do saber.

Os itens do conhecimento factual são: (i) perguntas de memorização e de reconhecimento; (ii) definições; (iii) descrições; (iv) questões de conhecimento sobre o uso de instrumentos e de procedimentos de medidas científicas. No que se refere às questões de compreensão conceptual, estas requerem: (i) ilustrar com exemplos; (ii) comparar, contrastar e classificar; (iii) representar e modelizar; (iv) relacionar; (v) obter e aplicar informação; (vi) encontrar soluções e, por fim (vii) explicar. Finalmente, as questões de raciocínio e de análise implicam: (i) analisar, interpretar e resolver problemas, (ii) associar; integrar e sintetizar; (iii) formular hipóteses e prever; (iv) planificar; (v) analisar e interpretar dados; (vi) concluir; (vii) generalizar; (viii) avaliar e (ix) comunicar.

Em relação aos domínios de conteúdo avaliados com a realização do TIMSS, eles são, os que o quadro seguinte sistematiza.

Quadro 5. Domínios de conteúdo correspondentes à avaliação do rendimento em ciências do TIMSS (adaptado de Acevedo-Díaz, 2005)

Ciências da Vida

1. Tipos, características e classificação dos seres vivos;

2. Células e suas funções;

3. Estrutura, funções e processos vitais dos organismos;

4. Ciclo de vida dos organismos; 5. Reprodução;

6. Diversidade, adaptação e selecção natural;

7. Ecossistemas; 8. Saúde humana.

Física

1. Estados físicos e mudanças nos materiais;

2. Tipos, fontes e conversão de energia; 3. Calor e temperatura; 4. Luz; 5. Som e vibrações; 6. Electricidade e magnetismo; 7. Forças e movimento. Química

1. Classificação e composição da matéria; 2. Estrutura de partículas;

3. Propriedades e usos da água; 4. Ácidos e Bases;

5. Mudanças químicas.

Ciências da Terra

1. Estrutura e composição física da terra (litosfera, hidrosfera e atmosfera); 2. Processos, ciclos e história da Terra; 3. A Terra no sistema solar e no universo.

Ciências do Meio Ambiente 1. Mudanças na população;

2. Utilização e conservação dos recursos naturais;

3. Mudanças no meio ambiente.

Investigação Científica

1. Formular perguntas e hipóteses; 2. Planear investigações;

3. Recolher e apresentar dados; 4. Analisar e interpretar dados; 5. Retirar conclusões e elaborar

explicações.

É de destacar pela análise deste quadro que, além do TIMSS pretender, quase exclusivamente, uma análise das competências inerentes ao conhecimento dos alunos relativo à área das Ciências preocupa-se, também, em verificar que competências

possuem os alunos ao nível das capacidades e procedimentos científicos, nomeadamente, como levar a cabo uma investigação.

B) PISA e a Avaliação de Competências para a vida adulta

O PISA é um projecto promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com o intuito de avaliar a formação dos alunos necessária para a vida adulta (competências adquiridas pelos alunos que já completaram ou estão prestes a completar a escolaridade obrigatória). O PISA encontra-se organizado por ciclos, isto é, de três em três anos é realizada uma prova, sobre três áreas de conhecimento distintas: leitura, matemática e ciências. A avaliação centra-se, essencialmente, na literacia que os alunos possuem ao nível da leitura (ano 2000); da matemática (ano 2003) e das ciências (ano 2006) (Acevedo-Díaz, 2007; Pinto-Ferreira et al., 2007)

Deste modo, é finalidade do PISA verificar o nível de literacia destes alunos em cada uma das áreas referidas (Pinto-Ferreira et al., 2007). De acordo com a OCDE (2003), o PISA define a literacia científica como a capacidade para utilizar o conhecimento científico na identificação de questões, bem como no desenhar de conclusões coerentes, com o intuito de melhor compreender e ajudar à tomada de decisões relativas ao mundo natural e às interacções entre este e o ser humano.

O PISA assenta, essencialmente, numa avaliação das competências que demonstrem o que os indivíduos de 15 anos sabem, valorizam e são capazes de fazer em contextos de índole pessoal, social e global. Assim, afasta-se dos projectos internacionais que têm vindo a ser realizados baseados exaustivamente nos currículos oficiais porém, inclui problemas situados em contextos educativos e profissionais e reconhece o papel primordial do conhecimento, dos métodos e atitudes e valores que cada disciplina científica define.

Tal como o TIMSS, os resultados das avaliações do PISA permitem aos sistemas educativos constatarem e compararem o funcionamento do seu próprio sistema com o sistema educativo de outros países, com o intuito de poderem tomar decisões de âmbito nacional. Estes resultados podem, também, ajudar a impulsionar e a orientar as reformas/mudanças de ensino, assim como a melhoria do próprio processo de ensino e de aprendizagem, focando especial atenção na formação de professores e na melhoria dos recursos didáctico-pedagógicos que são utilizados nas escolas.

Quadro 6. Principais características do projecto PISA (adaptado de Acevedo-Díaz, 2007)

Comparativo

A comparação internacional entre os diferentes

sistemas educativos dos países da OCDE permite uma análise global do rendimento de um dado sistema educativo, ao nível de determinadas áreas do conhecimento.

Centrado em três áreas de

conhecimento básicas Leitura, Matemática e Ciências

Periódico De três em três anos avalia-se uma determinada área. Orientado na avaliação de

competências essenciais para a vida adulta

O PISA pretende avaliar a literacia dos alunos que, por sua vez, lhes permitem agir e actuar na vida

quotidiana. Não se centra totalmente no currículo. Destinado à tomada de

decisões na política educativa

Mais preocupado em extrair conclusões relevantes para a administração do sistema educativo do que, propriamente, em analisar os processos de ensino e de aprendizagem em contexto sala de aula.

O PISA 2006 baseou-se nas grandes inovações importadas pela investigação em didáctica das ciências apostando (Acevedo-Díaz, 2007):

1. Numa orientação face à literacia científica baseada em competências em detrimento de um ensino memorístico e livresco;

2. Na importância concedida às atitudes manifestadas em relação à ciência e à tecnologia;

3. Na inclusão de conteúdos relativos ao conhecimento sobre a natureza da ciência e as relações entre esta e a tecnologia;

4. Na preferência por contextos relevantes do quotidiano, da vida real, em detrimento de situações de aprendizagem mais académicas;

5. Na selecção de conceitos científicos em função da sua utilidade na vida quotidiana e futura dos alunos;

6. Na promoção de uma educação centrada numa vertente de participação na sociedade baseada na adopção e na comunicação de decisões reflectidas e fundamentadas em relação a assuntos científicos e tecnológicos com interesse pessoal, cultural, profissional e social.

No que se refere ao modelo de avaliação do PISA, o seu quadro teórico define cada uma das áreas que se avaliam, explicando o que e como se avalia, descrevendo o contexto das avaliações, bem como fazendo referência às possíveis limitações que esta impõe. No PISA está inerente um modelo dinâmico de aprendizagem ao longo da

vida a fim de os cidadãos poderem adaptar-se, com mais êxito, às circunstâncias e desafios do quotidiano.

Os indicadores que proporcionam a avaliação do PISA estão elaborados de modo a permitirem uma melhor compreensão da maneira como os sistemas educativos estão a preparar os seus alunos para continuarem a aprender ao longo da vida a fim de terem um papel activo, enquanto cidadãos, na sociedade. Assim, mais do que avaliar os alunos, o PISA pretende obter resultados da avaliação do rendimento dos próprios sistemas educativos de modo a poder estimulá-los a enfrentar os desafios educativos actuais (Acevedo-Díaz, 2004; 2005; 2007; Pinto-Ferreira et al., 2007).

Para que haja uma avaliação coerente do nível de literacia científica dos alunos, o PISA (2006) definiu quatro dimensões de avaliação da literacia científica (adaptado de Acevedo-Díaz, 2004; 2005).

Esquema 4. Dimensões da Avaliação da Literacia Científica – PISA 2006 (adaptado de