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Modelo de debate: Linha por linha – Coach debating 57

Capitulo IV Modelo de debate utilizado no ciclo 2 56

4.2 Modelo de debate: Linha por linha – Coach debating 57

Figura 5 - Imagem ilustrativa do modelo de debate – Linha a linha

Para esta atividade foi necessária uma aula de 90 minutos em cada uma das línguas estrangeiras.

Nesta atividade de debate, cada aluno escreveu uma resolução tendo em conta o seu tema de apresentação oral de Inglês, pois cada aluno já sabia qual era o seu desde o início do período letivo e já lhe tinha dedicado alguma reflexão ou tinha feito alguma pesquisa sobre o mesmo.

Partiram do tema da apresentação oral, mas tiveram de criar uma resolução, sabendo de antemão que teria de ser algo polémico e que permitisse a existência de dois pontos de vista distintos. Foram divididos em quatro grupos de mais ou menos seis alunos. Pedi a colaboração dos colegas estagiários da ESE e da professora orientadora, para que cada um de nós fosse o “treinador” em cada um dos grupos. Esse é o motivo de me referir a este debate, depois de lhe ter feito esta alteração de incorporar “treinadores”, como coach debating.

Depois de escreverem a resolução, passaram a folha para o colega que estava a sua direita, informei-os de que tinham um minuto para escrever um argumento contra a resolução do colega no espaço indicado para tal, depois voltavam a passar as fichas no mesmo sentido e com o mesmo limite de tempo até que esta voltasse ao autor da resolução. Nesta fase cada aluno refutou todos os argumentos dos colegas com contra- argumentos (num espaço na ficha destinado para tal), e escrever uma conclusão em relação à atividade para depois partilhar com a turma.

Foi uma atividade bastante produtiva e recompensadora, na medida em que os colegas colaboraram na atividade e nos temas propostos por cada um, estiveram envolvidos numa atividade de produção escrita a por em prática o que tinha sido aprendido anteriormente através de atividades de interação oral.

O facto de ser por escrito, não impediu o exercício de ser uma atividade de debate, ainda que, num formato diferente daquele a que estamos tradicionalmente habituados.

Whereas the abstract forms of sentences obey syntactic rules that govern their well-formedness, and semantics has its own conditions of meaningfulness, these speech acts must also satisfy a number of typical conditions, which are called appropriateness conditions. These conditions, however, pertain not only to the expression (word, syntax, etc.) or meaning of the utterance, but also to their situational context, such as the intentions, knowledge or opinions of the speaker. For instance, one condition for the appropriateness of the speech act of a promise is that the speaker intends to do something and believes that this future act will please the hearer. The theoretical account of such speech acts and their conditions is usually located in a field commonly called pragmatics, which more generally focuses on the study of language use as action in the sociocultural context. (Dijk, 1998: 14)

Avaliação da atividade de debate – Linha a linha, na disciplina de Inglês Tabela 8 - Avaliação da atividade de debate – Linha a linha na disciplina de Inglês

Níveis: Âmbito 25% Correção 15% Fluência 10% Desenvolvimento temático e coerência – 25% Interação 25% Tota l 1 - 5 5 4 5 5 5 24 % 25% 12% 10% 25% 25% 97%

Avaliação da atividade de debate – Linha a linha, na disciplina de Espanhol. Tabela 9 - Avaliação da atividade de debate – Linha a linha na disciplina de Espanhol

Níveis: Âmbito 25% Correção 15% Fluência 10% Desenvolvimento temático e coerência – 25% Interação 25% Tota l 1 - 5 4 3 3 4 4 18 % 20% 9% 6% 20% 20% 75%

4.2.1 Descrição e análise dos resultados obtidos na disciplina de Inglês.

(Ver anexo 22)

1. Identificação dos alunos por género

Responderam a esta avaliação 29 alunos da turma de Inglês, dos quais 23 raparigas (79,3%) e 6 rapazes (20,7%) e 12 alunos da turma de Espanhol, dos quais 8 raparigas (66,7%) e 4 rapazes (33,3%).

2. Como avalias a atividade?

Segundo a avaliação do grupo de Inglês, a maior percentagem dos alunos, 37,9%, selecionou que a atividade tinha corrido “Muito bem”, e plasma o que eu observei na sala de aula. No grupo de Espanhol, mais de metade da turma, 58,3%, considerou que a atividade correra “Bem” e 33,3% selecionou “Muito bem”. Do meu ponto de vista reflete o exercício com este grupo.

3. Como avalias o teu desempenho ao longo da atividade?

A avaliação do desempenho ao longo da atividade segue a linha do tópico anterior. A clara maioria do grupo de Inglês (51,7%) é da opinião de que o seu desempenho ao longo da atividade esteve “Muito bem”, o que nesta altura do projeto, revela confiança e assertividade na reflexão. Sete dos doze alunos que compõem o grupo de Espanhol, ou seja 58,3%, acharam que o seu desempenho esteve “Bem” ao longo da atividade, uma atividade diferente das anteriores e já depois de a terem desempenhado na outra língua estrangeira. Foi portando a segunda vez que experienciaram este modelo de debate.

4. Como avalias o desempenho da turma ao longo da atividade?

Os únicos níveis de avaliação selecionados pelos alunos do grupo de Inglês foram “Bem” e “Muito bem”, na altura de avaliar o desempenho da turma neste

exercício, estando a maior parte, 62,1%, seguro de que a atividade correu muito bem. O mesmo se passou no grupo de Espanhol, neste ponto as opiniões mais significativas também dividiram-se entre “Bem” e “Muito bem”, cada uma destas opções foi selecionada por 41,7% da turma. É possível concluir que acreditam que o desempenho da turma foi melhor no geral do que individualmente.

5. O que foi o que mais gostaste na atividade?

Ambos os grupos selecionaram “Tudo” em relação ao que mais lhes tinha agradado, 31% no grupo de Inglês e 41,7% no de Espanhol. Uma percentagem considerável, 24%, tendo em conta a divisão de opiniões, também selecionou o facto de “Trabalhar em equipa”, como o aspeto que mais gostou em Inglês. A Espanhol, outra parte considerável (33,3%) preferiu a “Refutação”.

6. O que foi o que menos gostaste na atividade?

A esmagadora maioria de ambos os grupos, indicou que não houve “Nada” que não tivesse gostado, 93,1% dos alunos de Inglês e 75% dos alunos do grupo de Espanhol, ainda assim, 16,7% deste último grupo indicou que o que menos gostou foi a “Refutação”.

7. O que mudavas na atividade?

Devo confessar que fiquei bastante satisfeita com o resultado desta atividade, pois eu também não mudaria nada se o repetisse e o facto de 82,8% dos alunos do grupo de Inglês reconhecer isso, é para mim bastante satisfatório e recompensador.

No grupo de Espanhol, quase todos os alunos, com a exceção de um, referiram que mudariam “O tempo da atividade”, o que pode ser entendido como uma má preparação da minha parte, ou uma má gestão da parte dos alunos, creio que aqui se aplicou a segunda hipótese, pois este grupo teve exatamente o mesmo tempo que o grupo de Inglês, que é composto por estes doze alunos mais dezassete.

4.2.2 Reflexão e discussão sobre os dados obtidos

Esta atividade superou as minhas espectativas pela positiva. Foi a que exigiu maior capacidade de argumentação e síntese num curto espaço de tempo, e permitiu que toda a turma estivesse envolvida a desempenhar o mesmo papel ativo na atividade.

Ambos os grupos souberam aplicar corretamente os conetores da argumentação estudados e seguir o tema a desenvolver em cada uma das resoluções. Na altura de apresentar oralmente os contra-argumentos sobre os argumentos que cada colega tinha apresentado, a maior parte dos alunos em ambas as disciplinas, soube fazê-lo de forma fluente e coesa, revelando respeito pelo tema inicial e pelo que cada um dos colegas salientara na argumentação.

O feedback dos alunos foi muito positivo, embora mais visível na disciplina de Inglês, onde funcionou com os “treinadores” mais guiada e orientada. Na disciplina de Espanhol também resultou de forma positiva e em retrospetiva, reflete o trabalho desenvolvido até este à esta atividade de debate, que seria impensável de concretizar no ciclo zero ou no início do ciclo 1.

Houve, sem dúvida, uma grande evolução dos alunos ao longo das diferentes atividades de debate, praticando diferentes formas de argumentação centradas em aspetos distintos.

Também nas aulas onde não decorria o projeto de Investigação-ação se podiam notar as diferenças, os alunos tornaram-se mais participativos e justificavam as suas opiniões sem ser necessário pedir.

No final do ciclo 2 era possível notar que tinha ocorrido uma mudança na capacidade argumentativa dos alunos e na sua disposição para intervir ativamente nas aulas de língua estrangeira.