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CAPÍTULO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.5 ABORDAGEM DADA À FASE DE CONCEPÇÃO DE UM NOVO PRODUTO APLICADOS NA INDÚSTRIA

2.5.4 Modelo de desenvolvimento de novos produtos Lean

Mascitelli (2006) descreve a Figura 2.8 como um processo de fluxo contínuo, exposto pictoricamente como um túnel que se estreita ao longo de seu trajeto. No início o produto aparece ainda em seu estado difuso, ou seja, não completamente definido, o qual à medida que percorre as diversas etapas do caminho de desenvolvimento atinge a sua forma final, ou seja, pronto para o lançamento. Os três pontos de estreitamento do túnel são representados por etapas de congelamento do

projeto nas quais são realizadas as revisões desta etapa do projeto com relação ao estudo econômico, escopo e mudanças requeridas. Estas etapas estão alinhadas com o caminho crítico do desenvolvimento do projeto e servem para minimizar qualquer distorção que venha a impactar negativamente o tempo de lançamento. As etapas descritas no túnel representam as principais etapas de desenvolvimento em um projeto enxuto, desde seu início - quando são realizados os estudos de viabilidade econômica dos novos produtos, passando pelas etapas de projeto preliminar, projeto detalhado, produto final e o seu lançamento para o mercado.

Figura 2.8 - Desenvolvimento enxuto de novos produtos

Fonte: Mascitelli (2006)

Dos trabalhos de Womack, Jones e Roos (1990) e Clark e Fujimoto (1991) e Lean Institute (2006) concluiu-se que, nos métodos de projetar utilizados pelos produtores em massa e enxutos, existem

quatro diferenças básicas. Essas diferenças podem contribuir no tema deste trabalho tornando a fase inicial do projeto mais clara e consistente. Consistem elas em diferenças na liderança, no trabalho em equipe, na comunicação e desenvolvimento simultâneo. Técnicas enxutas nestas quatro áreas, tomadas em conjunto, tornam possível um trabalho menor, mais rápido e com menor esforço.

Liderança: os produtores enxutos sempre empregam alguma

derivação do sistema do Shusa da Toyota - a qual foi a pioneira - ou da Honda. O Shusa é o grande responsável, o líder da equipe incumbido de projeto e engenharia de um novo produto até a entrada deste produto em produção. Esta é uma posição considerada de grande poder e valor e extremamente cobiçada nas companhias. O Shusa é considerado um grande artesão, o qual domina a arte de dirigir uma variedade ampla de qualificações. A diferença entre o conceito do Shusa e os líderes de equipe nas empresas ocidentais se dá em relação à carreira e ao poder destas posições. Enquanto o Shusa tem poder e é uma carreira aspiracional nas companhias japonesas, o líder de equipe ocidental não tem o mesmo poder, pois normalmente é subjugado pela alta gerência, quanto às especificações e aparência do produto, durante seu desenvolvimento, gerando inúmeras vezes projetos sem personalidade ou distinção. Embora esta seja uma atribuição da alta gerência, devido às constantes mudanças de mercado, ainda assim, trata-se de uma grande inferência no projeto, que na maioria das vezes é catastrófica, principalmente em sua fase inicial.

Trabalho em equipe: este tema trata de uma ligação estreita e

integração entre os membros da equipe. Como no processo de desenvolvimento enxuto, os times de projeto reúnem um pequeno grupo de pessoas por um determinado período de tempo. Estes times de projeto são constituídos de representantes das diversas áreas da companhia, como marketing, engenharia, desenho industrial e manufatura. É vital que se conservem os vínculos com os departamentos funcionais dos quais fazem parte os integrantes do time de projeto, porém o grupo é controlado pelo Shusa - o qual tem como função, inclusive, a avaliação de desempenho de todos os integrantes durante o projeto. A diferença deste conceito para o conceito de líderes de equipes nas companhias ocidentais é que estes participantes do time de projeto, incluindo-se o líder da equipe, são emprestados por um curto período de tempo dos departamentos funcionais. As obrigações desses participantes estão muito mais ligadas às necessidades de seus departamentos do que

ao projeto em si, devido à percepção dessas pessoas que sua carreira depende muito de sua ascensão pessoal na área funcional. Às vezes um participante de uma área funcional está envolvido em diversos projetos, sendo muito difícil seu real envolvimento em prol desse novo projeto. Muitas vezes os participantes são envolvidos em assuntos críticos do seu departamento funcional durante um projeto, causando uma perda grandiosa dentro processo de desenvolvimento do mesmo projeto.

Comunicação: no processo enxuto os membros do time de

projeto assinam compromissos formais de seguir o consenso do grupo. Os conflitos envolvendo recursos e prioridades ocorrem no início do projeto e não no final. Existe um envolvimento maior de pessoas no início do projeto, pois existe a necessidade de que todas as especialidades estejam presentes, sendo tarefa do grupo a de confrontar todas as decisões espinhosas para haver consenso em relação ao projeto. Com o desenrolar do projeto, o número de pessoas começa a decrescer, pois alguns estudos desenvolvidos pelos especialistas já foram realizados e não se faz mais necessário manter esses especialistas no time de projeto. A diferença para o modelo ocidental é que o número inicial de participantes é menor no início, atingindo seu pico na fase de lançamento do produto. A diferença em relação à filosofia enxuta, aderente ao objetivo deste trabalho, é que o objetivo é corrigir os problemas no início, evitando a sua multiplicação no desenrolar do projeto.

Desenvolvimento Simultâneo: já abordado neste trabalho como o

modelo de NPD com aderência da engenharia simultânea (BACK et al. 2008) é exemplificado como processo de projetar componentes do produto em conjunto com o projeto e produção de seu molde ou ferramenta. Esta simultaneidade só é possível quando o projetista do componente e o projetista do molde estão em contato direto. Os projetistas dos moldes conhecem o produto final de modo que adiantam o processo e solicitam os blocos de aço para os moldes. Este bloco começa a ser trabalhado à medida que os desenhos sejam finalizados. Todo esse processo supõe uma considerável previsão, pois o projetista dos moldes precisa conhecer também o processo de projeto dos componentes do produto. Este processo diminui muito o tempo de projeto, sendo que no Japão os melhores produtores enxutos conseguem produzir um conjunto completo de moldes prontos para a produção de um carro em um ano, exatamente a metade do tempo utilizado pelos produtores ocidentais.

Set Based Design: é uma importante ferramenta para o modelo de desenvolvimento Enxuto de Mascitelli (2006). A Figura 2.9 mostra o conceito do Set Based Design que envolve a consideração de múltiplas versões de um projeto de um produto, as quais competem entre si para se encontrar uma configuração otimizada do produto enquanto um conjunto de oportunidades selecionadas poderão se juntar numa solução única para o produto.

Figura 2.9 - O conceito de múltiplas opções do Set Based Design

Fonte: Mascitelli (2006)

Check-lists e Curvas de escolha: as curvas de escolha (trade-off

curves) são a representação visual da física e da economia básica do

produto ou processo. As curvas mostram os limites a serem quebrados. Para avaliar o estágio do desenvolvimento do projeto e os resultados alcançados, são realizados check-lists com o importante objetivo de descrever os problemas para a definição de um plano de ação que possa solucioná-los.

Na Figura 2.10 é mostrado em gráfico um exemplo da automobilística no qual se define a situação ideal e segura entre o peso do carro e o nível de ruído esperado. O gráfico da Figura 2.10 mostra

também que certos objetivos de ruído são impossíveis de serem atendidos para certos pesos de automóvel.

Figura 2.10 - Check-lists e curvas de escolha

Fonte: Mascitelli (2006)