SEnSIbILIzAÇÃo AMbIEntAL
2.1 ESTRUTURA DA AGENDA
2.1.1 Modelo de Desenvolvimento Versus Estilo de Desenvolvimento
O que caracteriza um modelo de desenvolvimento são os seus
sistemas inerentes: sistema econômico (definido pela relação econômica de produção que se dão interna e externamente à nação), sistema político (relação entre a sociedade e o Estado), sistema cultural (características particulares dos povos que compõem uma nação) e sistema natural (diz respeito à natureza do território com seus ecossistemas e seus recursos naturais), enquanto no estilo de desenvolvimento pressupõe-se fazer das
potencialidades locais, determinando a partir, disso, a forma, a intensida- de de uso de fatores de produção (mão-de-obra, capital, recursos naturais, tecnologia) de tal maneira que cada cidade/região tenha na base um pro- cesso endógeno (MUELLER, 1997).
Um dos principais desafios da Agenda 21 está o contido no Capítulo 36: a educação ambiental, pois não haverá mudança no com- Embora já tenha decorrido quinze anos desde a criação da Agenda 21 Global, uma de suas principais propostas é a formulação de uma Agen- da 21 Local, a qual deverá ser construída com a participação da socie-
dade, levando em consideração as áreas potenciais e as áreas problemas, na busca da implantação de um desenvolvimento sustentável local.
saiba Que
desafio
Que tal você investigar se sua cidade já tem uma Agenda 21?
Em caso afirmativo: procure sabe o que se anda fazen-
do para colocá-la em prática.
Em caso negativo: discuta com seus colegas a importância de
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portamento das pessoas com relação ao meio ambiente sem que elas estejam conscientes de seu papel e da sua conduta.
Nesse sentido,
o ensino, o aumento da consciência pública e o trei- namento estão vinculados virtualmente a todas as áreas do programa da Agenda 21 e ainda mais próxi- mas das que se requerem a satisfação das necessidades básicas, fortalecimento institucional e técnico, dados e informações, ciência e papel dos principais grupos (AGENDA 21, 2002, p. 1).
Cinco anos após a RIO 92, realizou-se uma primeira reunião, não-oficial, internacional, no Rio de Janeiro, para se averiguar os avanços conseguidos desde a CNUMAD. Paralelamente a esse evento, realizava-se uma reunião nas Nações Unidas, em Nova York, com o mesmo intuito. Ambas concordaram que os avanços foram insignificantes e em alguns ca- sos a situação até se agravou, como no que se refere à concentração fundi- ária. Assim, em 2002, realizou-se na África de Sul, em Johanesburgo, uma nova Conferência intitulada Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, que ficou conhecida como RIO + 10, embora, como ressalta- do, não tenha sido realizada no Rio de Janeiro, Brasil (BBC, 2005). 2.2 A CONSTRUÇÃO DA AGENDA 21 BRASLEIRA
Saiba que o início da construção da Agenda 21 no Brasil ocor- reu após terem sido encerradas as discussões na RIO 92. Para elaborá-la, foi constituída a Comissão de Política de Desenvolvimento Sustentável – CPDS, composta pelo Ministério do Meio Ambiente (presidente da comissão) e mais cinco membros, sendo um de cada ministério: Minis- tério de Ciência e Tecnologia, Ministério do Planejamento, Ministério das Relações Exteriores, Secretaria de Assuntos Estratégicos. Somam-se a esses mais cinco colaboradores vindo dos diversos setores da socieda- de civil organizada, a saber: Fórum Brasileiro das ONGs e Movimen- tos Sociais, Fundação Getúlio Vargas, Fundação Onda Azul, Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável e a Universidade Fe- deral de Minas Gerais – UFMG.
A Agenda 21 do Brasil centra suas discussões em seis grandes áreas e busca estabelecer diagnósticos para cada uma, identificando vul- nerabilidades e potencialidades.
Os grandes temas que compõem essa agenda estão descritos a seguir.
Agricultura Sustentável – realiza um diagnóstico específi-
co e define estratégias para as seguintes áreas: agricultura,
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Mata Atlântica, florestas e campos meridionais. O domínio do semi-árido, dos Cerrados e da Floresta Amazônica.
Cidades Sustentáveis – rede urbana brasileira, desenvolvi-
mento sustentável das cidades brasileiras, questões intra-ur- banas da sustentabilidade, acesso à terra e déficit habitacio- nal, emprego e gestão urbana.
Infra-Estrutura e Integração regional – energia, transpor-
tes, comunicações, saneamento e integração regional.
Gestão dos recursos naturais – relata as potencialidades e
as fragilidades do país, com o objetivo de identificar os pos- síveis entraves à sustentabilidade, dentre eles, destacam-se: recursos hídricos, água doces, solo, oceano e zona costeira, o uso e a conservação da diversidade biológica, os recursos pesqueiros, entre outros.
redução das Desigualdades Sociais – mortalidade infantil,
mortalidade e esperança de vida, concentração/ distribuição de renda, educação, trabalho infantil, moradia, saúde, situa- ção social dos afro-descendentes, situação das mulheres, vio- lência e segurança pública (AGENDA 21, 2002).
Ciência e tecnologia (C&t) para o Desenvolvimento Sustentável – gestão ambiental e C&T para sustentabilida-
de: meios de implementação.
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O ranking do IDH é divulgado todos os anos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, no Relatório de De- senvolvimento Humano - RDH. Através do intervalo de zero a um, mensura-se a qualidade de vida das populações, de forma que, quan- to mais próximo de um, maior o IDH, conseqüentemente melhor
leMbrete
Os itens Educação, Estrutura Produtiva e Esta-
do são considerados fundamentais para reduzir as
desigualdades sociais. Para quantificar as diferenças sociais entre países/regiões, a Organização das Na- ções Unidas recomenda a utilização do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que leva em consideração três dimensões: educação, longevida- de e renda per capita.
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a qualidade de vida; no intervalo de 0,5 a 0,799, médio desenvolvi- mento e abaixo disso, baixo desenvolvimento humano. O RDH di- vulga o IDH de dois anos anteriores. Por exemplo, o RDH de 2005 divulga o IDH de 2003.
Observe o quadro que segue:
Fonte: Relatório de Desenvolvimento Humano, 2005.
Observe que o índice brasileiro de fato melhorou, tendo passa- do de 0,790 para 0,792, resultando que mantém o Brasil entre as na- ções de médio desenvolvimento humano. Pode-se notar, ainda, que das três dimensões que compõem o IDH (educação, longevidade e renda) o país apresentou melhora em duas (educação e longevidade) e regrediu em uma (renda).
A Agenda 21 do Brasil aborda seis grandes temas: agricultura sustentável, cidades sustentáveis, infra-estrutura e integração regional, gestão dos recursos naturais, redução das desigualdades sociais e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável, contudo nossa agenda somente ficou pronta dez anos após ter sido lançada a Agenda 21 Glo- bal e mais: ainda muitos são os municípios que se quer começaram a elaborar a sua.
Que análise você faz dos dados do IDH dispostos anteriormente na tabela?
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4 o QuE FAzEr
1. Informe-se sobre alguns problemas de saneamento básico de sua cidade, como a existência de água potável para toda a comunidade; coleta de lixo; aterro sanitário, em seguida, faça uma análise com sugestões de melhorias.
2. Preste atenção no quadro que segue e, em seguida, faça uma análise comparativa que envolva gênero e raça.
o efeito provável da discriminação: renda média da população economi- camente ativa, segundo o sexo e a cor nos Estados unidos e no brasil
Fonte: Estados Unidos, Us Bureau of the Census. Citado por BAUMOL, W. J., BLINDER, A. S. Economics: Principles
and Policy. Orlando: The Dryden Press/Harcout Brace, 1994. Brasil, IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicí- lios. Anuário Estatístico do Brasil 1994. Rio de Janeiro: IBGE, 1994, In: ROSSETTI, 2000, p. 286.
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5 PArA SAbEr MAIS
WORLDWATCH INSTITUTE. Estado do mundo 2002: edição especial da cúpula mundial para o desenvolvimento sustentável (Rio + 10). Disponível em: <http://www.wwiuma.org.br/edm2002.htm> Acesso em:19 out. 2005.
AGENDA 21 DO NATAL. Agenda 21 de natal. Disponível em: <www.agenda21natal.com.br> Acesso em: 19 out. 2005.
Nestes dois sites, você encontrará mais informações referentes à RIO + 10 e à elaboração da Agenda 21 da cidade do Natal, RN.
GUERRA, Antônio José T. ; CUNHA, Sandra B. da. Impactos ambien-
tais urbanos no brasil. São Paulo: Editora Bertrand Brasil, 2000.
Mostra a realidade das cidades que vêm sofrendo, nas últimas décadas, uma gama variada de impactos, gerados pelo crescimento ur- bano desordenado.
onDE EnContrAr
BARBIERI, José Carlos. Desenvolvimento e meio ambiente: as estra- tégias de mudanças da Agenda 21. Petrópolis, RJ:Vozes, 1997.
BBC. rio + 10 avançou pouco de relação a 92, afirma ongs. Dis- ponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/pulltogether/s_cupu- laterra.shtml> Acesso em 18 out. 2005.
BRASIL. Ministério das Relações Exteriores/Gabinete do Ministro.
Conferência das nações unidas sobre meio ambiente e desenvolvi- mento. Portaria de 29/07/1994, que autoriza publicação da versão em
português da Agenda 21. Imprensa Oficial, Diário Oficial da união de 01/08/1994. (Suplemento ao nº. 146).
COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESEN- VOLVIMENTO – CMMAD. relatório nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991. 430p. FREITAS, Ilcleidene P. o desenvolvimento sustentável da agricultu-
ra familiar sob condições adversas: O caso da Comunidade de Ca-
xeiro, em Juarez Távora, PB. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Paraíba, 2002.
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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Agenda 21 do brasil. Dis- ponível em: <www.mma.gov.br>.Acesso em 19 out. 2005.
MUELLER, Charles C. Problemas ambientais de um estilo de desen- volvimento: a degradação da pobreza. Ambiente e Sociedade, Ano I, n° 1, 1997.
PNUD. relatório do IDh. Disponível em: <http://www.pnud.org. br> Acesso em 19 out. 2005.
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EStruturA DA AGEnDA 21Capítulo 1 - Preâmbulo
SESSÃo I
DIMEnSõES SoCIAIS E EConÔMICAS