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CAPÍTULO 2.REFORMA DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO

2.3 MODELO DE 2004 (EM VIGOR)

assim acréscimos no custo de operação.

Também não houve a definição de reembolso pelos custos dos serviços ancilares necessários para assegurar uma operação confiável e de qualidade em virtude das dificuldades em identificar os usuários e os agentes provedores dos serviços.

2.3 MODELO DE 2004 (EM VIGOR)

A proposição de um novo modelo veio com a mudança de governo em 2004, em virtude dos fatos anteriormente mencionados e com o propósito de garantir a expansão da oferta, a modicidade tarifária e a universalização do atendimento.

Na mesma época, surgiram as primeiras centrais termoelétricas a ciclo combinado operando no sistema elétrico brasileiro. Assim, a incerteza no crescimento da demanda ficou menos relevante, pois sua construção passou a ter um prazo em torno de dois a três anos. Além disto, as unidades deste tipo de usina eram de médio porte, desaparecendo a economia de escala. Este avanço tecnológico possibilitou a abertura do setor e deixou a expansão do sistema a cargo dos investidores privados (RESENDE, 2006).

Para evitar efeitos especulativos na contratação de energia, principalmente no que se referem aos preços no mercado de curto prazo as novas regras estabelecem que todos os contratos de suprimento de energia devem estar 100% respaldados por um lastro de geração.

Em dezembro de 2003, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou o Modelo Institucional do Setor Elétrico, formalizando a proposta do governo para a reformulação do setor elétrico.

A Lei 10.848, de 15 de março de 2004 estabeleceu diretrizes para a comercialização de energia elétrica, mantendo algumas instituições já estabelecidas no setor elétrico e alterando a função de outras.

Os principais aspectos dessa lei são descritos a seguir:

- implantação de dois ambientes de comercialização de energia elétrica: Ambiente de Contratação Regulada (ACR) e Ambiente de Contratação Livre (ACL);

- operação centralizada, coordenada pelo Operador Nacional do Sistema;

- planejamento da expansão da oferta de energia e definição da energia a ser contratada elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE);

- comercialização das diferenças contratuais na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) a preço definidos para o mercado de curto prazo, com base no custo marginal de Operação (CMO), chamado de preço de liquidação de diferenças (PLD).

Os agentes Institucionais passaram a ser:

- Empresa de Pesquisa Energética – EPE: instituição técnica especializada de direito privado criada pela Lei 10.847 de 15 de março de 2004, responsável pela prestação serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento energético de médio e longo prazo para o setor elétrico.

As seguintes atribuições são de responsabilidade da EPE: realizar estudos e projeções da matriz energética nacional; elaborar e publicar o balanço energético nacional; promover estudos e pesquisa de mercado para a determinação dos aproveitamentos energéticos; obter a licença prévia ambiental e a declaração de disponibilidade hídrica necessárias às licitações envolvendo empreendimentos de geração hidrelétrica e de transmissão de energia elétrica, selecionados pela própria EPE; desenvolver estudos de impacto social, viabilidade técnico-econômica e sócio-ambiental para os empreendimentos de energia elétrica e de fontes renováveis.

- Câmara de Comercialização de Energia – CCEE: instituição criada pela Lei 10.848/04 que sucedeu o MAE, tendo como principais atribuições a contabilização e a liquidação dos contratos de compra e venda de energia no mercado de curto prazo, além de funcionar como um “pool“, que gerencia todos os contratos a serem firmados por cada um dos geradores com as distribuidoras.

- Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE: instituição que atua no Âmbito do MME – Ministério de Minas e Energia e sob sua coordenação direta, acompanha e avalia a continuidade e a segurança do abastecimento eletro-energético no país, sendo presidido pelo Ministro do

Estado e de Minas e Energia. Suas principais atribuições são acompanhar o desenvolvimento das atividades de geração, transmissão, distribuição, comercialização, importação e exportação de energia elétrica, gás natural e petróleo e seus derivados com avaliação das condições de abastecimento e atendimento em horizontes pré-determinados.

- Ministério de Minas e Energia – MME: instituído como órgão federal responsável pela elaboração e implantação das diretrizes da política energética do país. Voltou a exercer o poder concedente, concentrando as principais decisões e restringindo a atuação da ANEEL.

- Conselho Nacional de Política Energética – CNPE: órgão de assessoramento à Presidência da República com a responsabilidade de formular a política energética global e assegurar o suprimento de insumos energéticos às áreas restritas do país e diretrizes para programas específicos para incentivo de outras fontes, tais como o gás natural, biomassa, álcool e nuclear. A Figura 2.2 apresenta a participação de todos os agentes desse novo modelo.

FIGURA 2.2: ESTRUTURA DO SETOR NO NOVO MODELO FONTE: CCEE (2009)

Antes da implantação do novo modelo a concessão de novos empreendimentos de geração era feita através de leilões de concessão, onde

os preços eram abertos e ascendentes. O vencedor da licitação ganhava o empreendimento que oferecesse o maior preço pelo empreendimento.

A partir de 2004, a concessão passou a ser outorgada ao licitante que oferecesse menor tarifa de geração de energia.

As geradoras estatais passaram a comercializar sua energia obrigatoriamente por meio de licitação, tanto no ambiente regulado como no livre e a comprovar garantias físicas de energia e potência para constituir lastro nos contratos de compra e venda de energia firmados na CCEE (CASTRO e FILHO, 2005).

O segmento de transmissão não sofreu alterações significativas em relação ao modelo antigo, pois sempre foi regulado e não competitivo. Nesse caso, as transmissoras são ressarcidas pelo investimento de expansão do sistema de transmissão e a concessão das obras de expansão do sistema é feita através de licitações promovidas pela ANEEL.

Já, o setor das distribuidoras sofreu grandes modificações no processo de compra e venda de sua energia, como a seguir descrito em detalhes.

2.4 DESCRIÇÃO DAS REGRAS DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA PARA

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