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CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA

2.5. A Evolução da Instrução: Dos Estilos aos Modelos de Ensino

2.5.3. Modelo de Ensino da Aprendizagem Cooperativa

A aprendizagem cooperativa é considerada um conjunto de estratégias de ensino que têm como referência nuclear equipas de aprendizagem constituídas por um período mais ou menos longo, com o fito de que todos os alunos contribuam para o processo de aprendizagem e para os consequentes resultados. Metzler (2000) assume que a aprendizagem cooperativa não é “really

a model by itself” (p. 221), pois integra um conjunto de estratégias de ensino que

partilham um denominador comum: são formados grupos que trabalham em conjunto para alcançarem um objetivo comum, determinado pelo professor. Apesar de Metzler (2000) referir que a aprendizagem cooperativa não pode ser considerada um modelo, em si, esta incorpora atributos comuns utilizados no âmbito das estratégias da aprendizagem cooperativa (recompensas para a equipa, responsabilidade individual e igual oportunidade de êxito para todos os

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alunos) e procedimentos de instrução, e por isso, o referido autor julga que “it is

possible to regard them as a formal instructional model” (Metzler, 2000, p. 223).

Desta forma, tendo por base essa perspetiva passaremos a considerar a aprendizagem cooperativa como um modelo de instrução.

Este modelo de ensino, de acordo com Slavin (2010), é baseado em três conceitos fundamentais: recompensas para a equipa, responsabilidade individual e igualdade de oportunidades para o sucesso.

1- Recompensas para a equipa: é dado às equipas uma tarefa. O professor inclui os critérios que os alunos deverão atingir, bem como as recompensas que os alunos vão ter, se cumprirem com as normas estabelecidas. Estas podem ser obtenção de pontos, privilégios na aula, reconhecimento público ou classificações.

2- Prestação de contas individual: verificação de que todos os membros de cada equipa contribuem para alcançar os objetivos e o sucesso da sua equipa. Isto suscita o interesse e a implicação dos alunos mais hábeis na aprendizagem dos menos hábeis.

3- Igualdade de oportunidades para o sucesso: o processo de formação dos grupos é importante. O modelo propõe a formação de equipas equilibradas entre si, mas internamente heterogéneas, incorporando mistura de géneros e estudantes com níveis de capacidade motora distintos. O equilíbrio entre as equipas conjugado com a diversidade interna constitui um desafio para a aprendizagem social e a coresponsabilização pelo sucesso da equipa, como um todo, e de cada um dos seus membros.

Existem cinco elementos essenciais que promovem o processo de aprendizagem, quando recorremos ao Modelo de Aprendizagem Cooperativa (Johnson & Johnson, 2008): 1- interdependência positiva entre os estudantes; 2- interação face-a-face; 3- responsabilização pessoal e individual; 4- competências interpessoais e de grupo; e 5- processamento do grupo.

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No primeiro ponto, a interdependência positiva acontece quando os alunos entendem que estão ligados aos restantes membros, e que não podem obter sucesso sem ser através do trabalho em equipa. O segundo aspeto refere- se à interação de proximidade que é desenvolvida pelos estudantes. A prestação de contas individual configura a responsabilização pessoal de cada um pelas tarefas que lhe são atribuídas, por fazer a sua parte para a consecução dos objetivos do grupo. Um quarto aspeto prende-se com o desenvolvimento de competências sociais, de comunicação e interação, de respeitar, ouvir e prestar atenção aos outros. Finalmente, a característica do processamento de grupo associa-se ao cuidado de avaliar periodicamente o funcionamento do grupo e como podem melhorar os seus processos de trabalho de cada um e do grupo em conjunto (Dyson et al., 2010; Johnson & Johnson, 2008).

Observando as características específicas deste modelo de ensino, o professor terá de assumir um papel diferente do desempenhado, por exemplo, no Modelo de Instrução Direta. Quando aplica o Modelo de Aprendizagem Cooperativa, o docente terá de desempenhar um conjunto de tarefas (Metzler, 2011), nomeadamente: especificar os objetivos de aprendizagem; tomar decisões pré-instrucionais para viabilizar a aprendizagem cooperativa e facilitar a interação dos alunos nos seus grupos; apresentar as tarefas e comunicar a sua estrutura (espaço, tempo, equipamento, grupos e critérios); colocar a tarefa cooperativa em funcionamento; monitorizar o funcionamento dos grupos no que respeita ao trabalho cooperativo e ao foco nas tarefas propostas; avaliar a aprendizagem e o processo de interação.

Direção e autonomia no Modelo de Aprendizagem Cooperativa

No âmbito do Modelo de Aprendizagem Cooperativa, o domínio afetivo terá uma prioridade acrescida. Esta prioridade será partilhada com os outros domínios em função do tipo de tarefa de aprendizagem. Isto é, se os alunos estão a tentar descobrir uma forma de dar resposta à tarefa solicitada pelo professor, os domínios priorizados serão o cognitivo e o afetivo; se estão a praticar alguma habilidade motora, a prioridade incide sobre os domínios psicomotor e afetivo. Metzler (2011) defende que uma boa tarefa, enquadrada

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neste modelo de ensino irá mobilizar equilibradamente os três domínios de aprendizagem.

Na interpretação de Metzler (2011), o perfil de diretividade do Modelo de Ensino de Aprendizagem Cooperativa apresenta as seguintes caraterísticas: o professor controla todas as decisões acerca da seleção das equipas, a tarefa e determina as regras que devem cumprir para completar a atividade; o professor estabelece os critérios de desempenho e competência dos comportamentos sociais; os alunos controlam a forma como vão responder à tarefa solicitada pelo professor.

Na sua análise das componentes do Modelo de Aprendizagem Cooperativa, Metzler (2011) evidencia as seguintes caraterísticas:

1- A seleção do conteúdo é de responsabilidade do professor, pois é ele que determina as matérias que serão alvo de estudo.

2- A gestão da aula é controlada pelo docente, numa fase inicial. Neste aspeto, é ele que decide como formar as equipas, o tempo que será despendido e os recursos que estão disponíveis. O controlo muda para os alunos quando estes estão envolvidos nas tarefas dentro do grupo. São eles que decidem como se organizam, de que forma utilizam o tempo que lhe foi dado e de que maneira dividem o trabalho que terá de ser feito.

3- A apresentação das tarefas não é protagonizada pelo professor. Ele apenas explica o que tem de ser feito, e as regras para a sua consecução. Depois é de responsabilidade dos alunos as instruções sobre o que tem de ser feito e a sua forma de realização.

4- Os padrões de envolvimento emergem de duas situações. Na primeira situação, os alunos estabelecem a sua própria forma de envolvimento para completarem a tarefa. Na segunda, há um envolvimento interativo, já que o docente utiliza o questionamento para desenvolver as competências sociais dos alunos e nas revisões no final da aula. 5- A instrução, como existem duas formas de envolvimento, pode

assumir duas formas distintas. Na primeira situação primeira, a instrução será assumida pelos alunos, dentro do trabalho de cada

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grupo. Na segunda, o professor terá um controlo interativo sobre a instrução, assumindo um papel de facilitador.

6- Depois de o docente explicar a tarefa e o tempo que é disponibilizado para o seu cumprimento, o ritmo será de responsabilidade dos alunos. São eles que decidirão quanto tempo vão despender em cada parte da tarefa. O professor irá intervir se uma equipa não a conseguir terminar no período estipulado.

7- As progressões nas tarefas serão de responsabilidade dos alunos. Caberá ao professor decidir quando atribuir uma nova tarefa.

Procurando sintetizar o que de mais relevante e específico cada um destes três modelos possuem destacamos: no Modelo de Instrução Direta são privilegiadas estratégias instrucionais com características explicitas e formais, em que o professor é o líder instrucional e, deste modo, este monitoriza e controla de uma forma estrita as atividades dos alunos. No Modelo de Educação Desportiva destaca-se a abordagem extensiva das atividades, em oposição ao currículo de múltiplas atividades frequentemente presente nos programas de Educação Física e a participação ativa dos alunos no desenvolvimento das atividades letivas, bem como o desempenho de outros papéis relacionados com o desporto, como por exemplo, treinador ou árbitro. Finalmente, no Modelo de Ensino da Aprendizagem Cooperativa o docente planifica uma unidade didática com uma configuração apropriada ao trabalho em grupo, sendo valorizada a aprendizagem dos estudantes um com o outro, de um para o outro, e para cada um. A participação ativa dos estudantes na construção do seu conhecimento é visível e, por isso, reconhece-se as soluções escolhidas pelos alunos na resolução dos problemas para alcançar um objetivo comum.

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CAPÍTULO III: